O novo texto da série “Escola do Meu Coração” nos leva a Botafogo, mais precisamente para falar da São Clemente, obra do fotógrafo de “O Globo”, diretor e compositor da simpática agremiação Fabio Rossi, com vitórias em 2001, 2002, 2006 e 2009.
Ser São Clemente
Quando Ivo da Rocha Gomes fundou, em 1961, o Grêmio Recreativo Escola de Samba São Clemente, talvez não soubesse que estava nascendo ali uma paixão.
O time de futebol já existia desde o início dos anos 50. Com as batucadas pós-futebol acabaria virando bloco, ainda nas cores azul e branco. Mas foi só depois de ver um jogo do seu Fluminense contra o Peñarol, no Maracanã, que viriam as cores atuais, o preto e o amarelo.
Talvez venha das cores uruguaias a raça demonstrada por seus fiéis componentes na Avenida. Ser São Clemente é isso. É paixão. É garra. Uma verdadeira escola de samba, na acepção da palavra.
Alguns dos mestres-salas e porta-bandeiras que estão por aí, surgiram na Escola de Botafogo. Cavaquinistas, intérpretes e vários ritmistas. Há alguns anos, nasceu a escolinha de percussão, com aulas todas as terças, na quadra da Presidente Vargas.
Atualmente o Projeto Clementianas, só com bateria composta por mulheres, é o destaque das terças. Deste projeto do presidente Renato Gomes saem vários ritmistas que se apresentam no desfile oficial.
Na última década, a escola obteve mais uma conquista. De um velho casarão na Rua Moncorvo Filho surgiu o Centro Cultural São Clemente. Toda a história dos 52 anos da agremiação agora está no mesmo endereço. Troféus, relíquias, fantasias antigas e todo acervo cultural reunidos e catalogados por Roberto Gomes, um dos filhos de seu Ivo.
Ano que vem, estamos preparando o livro do cinquentenário. Catalogar e resgatar histórias de uma Mangueira ou uma Portela já não é tarefa das mais fáceis, mas há muito registro em jornais e revistas da época. Achar nosso passado é de fundamental importância para nosso futuro.
Alguns brincam pelo fato de, volta e meia, subirmos para o Grupo Especial e depois retornarmos para o de Acesso. Fato semelhante ocorreu com a Unidos da Tijuca no início da década de 80. Hoje, firmou-se e é a campeã do Carnaval. Água mole em pedra dura…
Ser São Clemente é isso. É fazer do preto e amarelo o orgulho da gente. É fazer de cada ensaio, um desfile. Com alegria, sempre.
O inesquecível desfile da São Clemente em 1990
http://www.youtube.com/watch?v=fzuhaXvqVjQ