O estudante Leonardo Dahi comenta a segunda noite de desfile das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo e aponta grande equilíbrio para a apuração da próxima terça-feira.

Indefinição total no Carnaval de São Paulo

Depois de uma primeira noite deveras decepcionante, a segunda noite de desfiles das escolas de samba de São Paulo foi infinitamente superior, especialmente nos quesitos plásticos. Contudo, erros bobos das agremiações que passaram pelo Anhembi deram às de sexta a chance de brigar lá em cima.

A primeira a entrar na Avenida foi a Pérola Negra que provou aquilo que todo mundo já sabia: seu rebaixamento em 2012 foi criminoso. Em mais um trabalho primoroso do Carnavalesco André Machado, a escola passou bem demais impulsionada pelo belíssimo samba e empolgou o público presente. Ao meu ver, foi uma das melhores escolas do ano, mesmo com os problemas na evolução, com alguns buracos, e a correria no fim, mas todos sabemos que será julgada com rigor muito maior do que as demais.

Depois foi a vez da Gaviões da Fiel, que falou sobre Ronaldo Fenômeno. A volta de Zilkson Reis marcou a volta do bom gosto e das alegorias bem acabadas ao Bom Retiro. Luxuosa, a Gaviões conseguiu levantar o Anhembi mesmo com o fraquíssimo samba. A evolução também falhou e, com alguns problemas no enredo, a escola, apesar do ótimo desfile, deveria estar fora da briga pelo título. Mas não está.

mocidadealegreA terceira escola foi a Mocidade Alegre, que provou porque é bicampeã. O desfile de 2014 esteve longe de ser aquela coisa imbatível de 2012 e 2013, principalmente por conta de dois enormes buracos abertos bem na minha frente, que você vê na foto. Mas foi um desfile agradável, com alegorias muito bonitas, embora a escolha das cores das duas primeiras não tenha sido tão felizes.

As paradinhas do Mestre Sombra, ao contrário do que aconteceu com as duas primeiras escolas, foram excelentes e ajudaram a empolgar o público. É simplesmente impossível tirar a escola da briga.

A quarta escola foi a Nenê de Vila Matilde, que provou a todos a importância de um bom samba-enredo. Sim, porque, se julgada corretamente, a Nenê perdeu a taça no samba, que quase botou todo mundo para dormir no Anhembi. As alegorias do desconhecido Carnavalesco Pedro Alexandre, o Magoo, estavam muito bem realizadas, assim como as fantasias, e a escola apresentou um conjunto de escola campeã, apesar, como eu disse, do samba, além da bateria, que deu umas boas atravessadas. Dá para dizer, porém, que a Nenê vem para a briga.

Em seguida tivemos a versão paulistana de “Agudás”, samba de 2003 da Unidos da Tijuca, que foi assassinado na Avenida. É simplesmente inacreditável o que fizeram com o samba da Águia de Ouro. Descontruíram totalmente a melodia na primeira parte, o que fez a obra perder grande parte de sua força.

Em termos plásticos, outro grande desfile. Alegorias espetacularmente bem realizadas, fantasias bastante inteligentes e uma divisão cromática interessante, usando muito do azul e branco da escola. Deixou a Avenida com cara de campeã.

Em seguida, veio o decepcionante desfile da Império de Casa Verde sobre sustentabilidade. O Carnavalesco Alexandre Louzada não foi feliz na concepção das alegorias, que estavam muito bem acabadas, é verdade – como em São Paulo jurado avalia só o acabamento, deve tirar 10 em tudo. As fantasias estavam bem irregulares, algumas ótimas, algumas péssimas.

O samba funcionou muito bem, a escola cantou forte e a bateria Barcelona do Samba foi a melhor da noite. Eu não gostei, mas não descarto um título para os lados da Casa Verde.

O último desfile foi o da Acadêmicos da Tatuapé, que já encarou um Sambódromo bem vazio. Plasticamente, o desfile foi triste. As alegorias do Carnavalesco Mauro Xuxa não tiveram boa concepção, muito menos realização. Parecia desfile do Grupo de Acesso. Mas aí vem aquele tal de samba-enredo, auxiliado por um bom enredo, que puxa uma ótima bateria, levanta a harmonia, aí a escola não erra em evolução e… faz desfile para meio de tabela. O samba, a bateria, o enredo e a excelente atuação de Vaguinho e Wander Pires salvaram a escola de um rebaixamento mais que provável.

Bem, ao final do desfile, tenho cinco escolas favoritas, sendo que as quatro primeiras ficaram empatadas com 89,1 no meu somatório de notas e a quinta somou 89. Sabemos que a Pérola Negra não deve brigar e, como eu não descarto Império, Nenê, Gaviões e Rosas, temos oito escolas brigando pelo título. Isso se os jurados não gostaram da Vai-Vai, o que não é certeza.

Minha classificação final seria:

1 – Dragões
2 – Tucuruvi
3 – Mocidade
4 – Pérola
5 – Águia
6 – Nenê
7 – Tatuapé
8 – Império
9 – Gaviões
10 – Rosas
11 – Vai-Vai
12 – Leandro
13 – X-9
14 – Tom Maior

2 Replies to “Filho Pródigo: “Indefinição total no Carnaval de São Paulo””

  1. Acredito que o TOP 3 ficará entre Mocidade, Águia e Império, qualquer combinação entre as 3 não será surpresa.
    Resumo:
    Decepção: Rosas (achei muito fraca perto do que costuma ser a Rosas que conhecemos de carnavais passados), Vai-Vai (concepção visual da escola muito ruim, Chico Spinoza parou no tempo) e Gaviões (cadê o cuidado com as fantasias e alegorias de outrora)
    Surpresa: Águia (o desfile do ano passado não foi apenas fogo de palha) e Império (voltou a ser a Império que conhecemos)

    Prognósticos:
    Top 5 – Mocidade, Águia, Império, Dragões e Tucuruvi
    Rebaixamento: Leandro, Tom Maior, Gaviões, X-9
    Nem chove, nem molha: Rosas, Pérola Negra, Nenê (desfile sonífero), Tatuapé, Vai-Vai (por pouco não seria rebaixada)

    Os desfiles da sexta foram abaixo da crítica com exceção de Dragões e Tucuruvi.
    Os desfiles de sábado foram massa, com exceção da Gaviões (desaprendeu como desfilar)e Nenê. Tatuapé vai se manter no Especial, o samba esteve ótimo na avenida. Pérola Negra se não roubada como de costume, pode surpreender.

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