A cobertura especial de Carnaval do Ouro de Tolo segue com a análise do advogado Rafael Rafic sobre a primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

Noite decepcionante e desfiles com falhas

Finalmente chegamos ao grande momento. Neste domingo, as seis primeiras escolas do Grupo Especial se apresentaram na Sapucaí. No Especial, a frisa Ouro de Tolo foi deslocada para o outro lado da avenida, no Setor 2, fila C.

imperioabrealasImpério da Tijuca – A favor do Império diga-se que ela empolgou como há muito tempo uma primeira escola não empolgava. Porém, quesito a quesito, a situação é complicada. Para começar o samba, que tem que perder alguns décimos em melodia (porque não tem melodia do gênero samba-enredo) começou acelerado demais, em ritmo de frevo, o que o fez cansar rápido. À medida que desfile foi passando, Pixulé foi segurando o andamento no grito e o samba cresceu muito. O problema é que se formou um cabo de guerra entre o puxador e o mestre de bateria o que gerou muitas variações no andamento da mesma. Fantasias irregulares, com algumas muito bem feitas e outras dignas de Acesso. Os carros alegóricos até estavam razoáveis até a quinta alegoria, com a sexta e sétima bem ruins, nivel de meio de tabela do Acesso. Comissão de frente de entendimento confuso, tal qual como todo o enredo, totalmente confuso. Evolucão sem problemas no setor 2 e harmonia de mediana para boa. Terá de lutar para não ser rebaixada, mas a São Clemente deu uma ajuda substancial.

granderioredeAcadêmicos do Grande Rio – Que show do Fábio Ricardo. Não bastasse tirar leite de pedra e fazer um enredo bastante competente sobre Maricá, ele ainda nos presentou com uma opulência de requinte e bom gosto nas alegorias e nas fantasias. Ele não é mais o futuro, mas o presente. Seria um desfile que poderia alçar a escola de Caxias a altas posições se os quesitos de pista tivessem menos falhas. Evolucão muito inconstante, alternando correrias e estagnações, harmonia mediana e um samba-enredo deprimente. Bateria melhorou bastante em relação ao ano passado e deu show aqui no Setor 2. Comissão de frente muito bem bolada, a única crítica fica quanto ao excessivo tamanho do tripé, provavelmente a maior alegoria da escola. Além disso, soube via Twitter que a Ângela Salles, especialista da Radio Tupi, viu que em alguns momentos havia 16 pessoas aparentes na Comissão de Frente, uma a mais do que o permitido pelo regulamento. Pelo nível que se espera do Especial neste ano é desfile para o final do grupo das campeãs.

saoclementeabrealasSão Clemente – Não bastasse o samba ruim e as fantasias e carros pobres (bem inferiores ao Imperio da Tijuca inclusive) o abre-alas desacoplou na nossa frente, abriu um belo buraco e a parte de tras se arrastou por todo desfile sem motor. Evolucão extremamente lenta, o que fez com que a escola passasse completa por mim apenas com 62 minutos, apesar de estar pequena. Logo, um aumento substancial de ritmo teve que ser imprimido ao final. Harmonia bem ruim também. Comissão não se apresentou na minha frente, mas pelo pouco que vi da apresentação para os jurados parece ter sido interessante. Bateria evoluiu bem em relação ao ano passado, mas aimda tem muito o que melhorar. É desfile claro para rebaixamento.

mangueira2Estação Primeira de Mangueira – Mais um trabalho irretocável da Rosa Magalhães. Enredo claríssimo, fantasias padrão “Rosa Magalhães” e carros muito bem feitos apesar de pequenos. Porém, o desfile foi recheado de problemas. O samba morreu rápido, me surpreendendo, a parte inicial e final da escola cantaram menos que as próprias arquibancadas e a evolução estancou com uns 45 minutos de desfile porque um carro não passava na torre de transmissão. Para passar, tiveram que danificar o carro na frente do jurado. Além disso, esse problema complicou demais a evolução da escola, que teve que apressar o passo e com isso abriu alguns “mini-buracos”. Comissão de frente não se apresentou aqui. Bateria passou muito bem, com ótimas bossas e um palco que suspendia a fantástica rainha. Ao final, a Manga deve disputar uma vaga nas campeãs.

salgueiroazulAcadêmicos do Salgueiro – Entrou pisando forte, com toda a avenida cantando junto, mas foi perdendo força à medida que a escola evoluia de forma extremamente lenta. O samba extremamente badalado não resistiu e, após um incio promissor, caiu de qualidade com o decorrer do desfile. Para mim enredo não fez sentido. Não achei o argumento principal dele. Harmonia boa, porém longe da excelência. Evolução bem lenta em todo o módulo 1 com dois buracos abertos um pouco antes do módulo 1 (já visível). O samba é bom, apesar de eu continuar achando que ele teria que perder ponto em letra por fuga do enredo. Renato Lage fez carros bonitos, a exceção do último, que achei de mau gosto. Fantasias bonitas também, mas não entendi algumas. Comissão também não se apresentou aqui. Particularmente achei um desfile inferior ao da Grande Rio e até da própria Mangueira.

beijaflor2Beija-Flor de Nilópolis – Desfile para relembrar os bons tempos da Imperatriz. Chato, mas quesito a quesito quase perfeito. A junção da Comissão de Frente com o Mestre Sala e a Porta Bandeira deu muito certo, ótimas performances. Carros e fantasias com um bom gosto que há tempos eu não via na Beija-Flor. Enredo bem mostrado, apesar de uma pequeníssima falha na transição história-da-comunicação-Boni. Bateria conservadora como sempre, mas cumpriu bem seu papel. Harmonia perfeita, evolução sem maiores problemas salvo uma rápida estagnação com 50 minutos. Só o samba é a nota triste do desfile. Muito ruim. Só não afirmo que a Beija-Flor já ganhou porque a parte final do desfile teve uma queda de nível e o tornou batível na segunda-feira.

Fotos: Pedro Migão e O Dia