A cobertura especial de Carnaval do Ouro de Tolo segue com as opiniões do compositor Aloisio Villar sobre os desfiles da Série A do Rio de Janeiro.

Impressões do Carnaval: Acesso

Passei sexta e sábado com os colunistas do blog Pedro Migão e Rafael Rafic assistindo aos desfiles do grupo de acesso do carnaval do Rio de Janeiro na Marquês de Sapucaí e cheguei a duas conclusões:

A primeira é que definitivamente o Migão é chato para cacete. Toda vez que me chamava era para “cornetar” uma escola. Ele tem prazer no erro. A segunda é que esse desfile tem que ser repensado.

 A coisa está desnivelada demais e esse ano ficou mais nítido porque uma noite de desfiles foi completamente diferente da outra. A impressão que deu era que sábado desfilou o grupo A e sexta o B – com o reforço de escolas enormes como o Império Serrano.

Em minha opinião vêm de sexta os piores desfiles, sábado, os melhores, e algumas reflexões:

Devia ser proibido reeditar samba que não é seu. Isso quase nunca dá certo, mancha-se um clássico e não se cria a identificação necessária entre escola e samba. Como soar natural a Tuiuti cantar “Hoje a Vila é Kizomba” ou a Tradição, “O palpite certo é Beija-Flor”? O cara da comunidade de uma das duas escolas não tem identificação com o samba, ele não faz parte de sua história, de seu dia a dia. O cara não vai “morrer” por aquele samba.

Isso provoca desfiles aquém do que esses sambas podem. Acarreta em desfiles conservadores, componentes que não cantam e podem fazer o caso de um samba consagrado que deu carnaval histórico a uma agremiação passar pelo constrangimento do rebaixamento em outra.

Outra, que é necessário ter o Grupo B na Sapucaí. Já escrevi isso ano passado. Existem escolas que não podem desfilar no A, estão muito abaixo das melhores do grupo provocando estranheza e discrepância, mas também não podem parar na Intendente. São grandes demais para lá e uma queda dessas é humilhante, se não for sua morte.

Esse ano temos risco disso ocorrer.

Por fim, uma coisa que no futebol falamos muito. Camisa pesa muito.

A camisa faz coisas como esperarmos o Império Serrano com tanta vontade mesmo sabendo que seu momento não é dos melhores e o frenesi que ocorreu com a Viradouro. Infelizmente mais uma vez o Império tropeçou em suas próprias pernas e deve amargar mais um ano no Acesso.

A Viradouro impôs seu tamanho, sua camisa e fez um grande desfile. Para mim é a grande favorita ao título. A Estácio veio logo depois e também mostrou seu tamanho. Qualquer uma teria bambeado em vir depois do que a Viradouro fez, mas o velho Estácio fez valer o peso de sua camisa e está na briga.

Coisa que faltou à Unidos de Padre Miguel, que fazia um grande desfile até tropeçar na grandiosidade a que se impôs e talvez não estivesse preparada para tal. Seu gigantismo e lentidão no fim prejudicaram um desfile que vinha para campeonato.

Terminando a lista de favoritas, a Cubango, que mostrou força em enredo e samba.

Mas, como disse, aposto na Viradouro.

Para descer, aposto na Rocinha, que até outro dia brigava por Especial e era endinheirada (a questão da camisa aí). Poderia apostar na Tradição também, mas aí fica a questão de até onde teriam coragem de rebaixar um dos sambas mais importantes da história da Beija-Flor.

Essa dúvida e o embolo pra terceira vaga no rebaixamento abrem margem pra injustiças como seria um rebaixamento da Em Cima da Hora.

Quando querem atacar o Brasil falam que ele é uma “Belíndia”. Mistura de Bélgica com Índia devido às suas diferenças sociais. Diria que o Grupo A hoje é uma ”Belíndia”.

Cabe à Lierj, que foi tão bem no ano passado em seu julgamento e passará por prova de fogo nesse ano, resolver isso.