Cinco anos. O que são cinco anos? Depende. Cinco anos para o universo e a existência da Terra são nada, um tempo ínfimo. Mas em cinco anos esse próprio mundo pode se transformar.
Cinco anos na vida de um ser humano não é um tempo longo nem curto. É um tempo médio em que se passando nossas vidas podem ser iguais ou totalmente diferentes. Como você estava cinco anos atrás? Muito diferente de hoje? Essa resposta não será padrão. Muitos responderão sim, outros não. Ou respostas que não conseguem ser exatas como a minha. Não mudou muito a minha vida, mas as poucas mudanças ocorridas transformaram tudo.
Cinco anos atrás o PT já era governo do país, mas era Lula, não Dilma que poucos conheciam. Cinco anos atrás o Flamengo foi campeão brasileiro e seu capitão não era chamado de assassino. Cinco anos atrás a principal rede social aqui era o orkut.
Em 2009 Michael Jackson ainda era vivo e nosso Papa era outro, mas o presidente americano era o mesmo. Paulo Barros já era um carnavalesco dominante, mas a Unidos da Tijuca ainda não. Achávamos que a Copa traria algum legado, mas confiávamos menos que hoje na seleção brasileira.
Cinco anos atrás Ayrton Senna já tinha morrido, mas confiávamos em Felipe Massa.
Já tínhamos o funk só que em vez de beijinho no ombro o hit era a velocidade 5 do créu. Tínhamos o pagode que parece tudo menos pagode, o axé onde todos os cantores parecem ser o mesmo, mas tínhamos um Jair Rodrigues para nos dizer que aprendeu a dizer não e ver a morte sem chorar. Até semana passada o tínhamos.
Em 2009 já existiam Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, mas existia Adriano Imperador e não existia Neymar. Em 2009 o carioca se preocupava e tinha medo de voltar a ser comandado por garotinhos. Em 2014 também. Em 2014 gritam que não vai ter Copa. Deviam ter gritado em 2009.
Cinco anos atrás já era esse milênio, mas era outra década. 2009 foi logo ali. Mas já está tão distante…
Em 2009 eu vivia uma fase bacana. Namorava uma menina legal, saía quase todos os fins de semana com amigos, acabara de receber dois prêmios em samba-enredo com o Boi da Ilha e comandava comunidade no orkut, coisa que por incrível que pareça causava algum status (coisa vazia). Depois de tantas perdas durante aquela década até que o fim estava bom.
Até que em 2009 surgiu a Bia, a minha querida e amada filha Ana Beatriz mudando completamente minha vida. Bia nasceu em 16 de maio de 2009 e fez cinco anos essa semana. Bia é a prova que às vezes nem precisamos de cinco anos para uma revolução seja mundial ou pessoal. Basta um chorinho, um sorriso ou um “papai te amo”.
Bia é da mesma semana que esse blog ao qual escrevo agora.
Não sei como surgiu o Ouro de Tolo e porque o Pedro Migão quis criar, mas posso dizer que foi uma boa ideia. Tanto que hoje tenho meu blog, que não tem muito a ver com o Ouro de Tolo, não tem seu status e visibilidade, mas evidente que hoje ele existe por causa disso tudo.
O blog foi crescendo aos poucos, ganhando outros colunistas e hoje podemos chamar de revista eletrônica. Claro que precisa de ajustes, mas é um bom entretenimento e fonte de informação já tendo seus seguidores fiéis.
O Ouro de Tolo foi a primeira oportunidade que tive de escrever para um público sem ser samba-enredo. Hoje as pessoas não me veem mais apenas como compositor de samba, mas também como escritor. Comentam comigo as coisas que escrevi, as colunas que fiz e debatem os assuntos.
A oportunidade me foi dada em um momento que me sentia sufocado e precisava escrever, precisava ter um canal aberto com pessoas para que eu pudesse dizer o que eu sentia e deu certo. Comecei cru ainda, tateando e aos poucos fui aprendendo como me comunicar com um público. Fazer um texto.
Não sou nenhum gênio como cronista, mas fui melhorando e ao longo dos três anos que estou aqui escrevi algumas colunas que chamaram a atenção e causaram repercussão. A última foi a de domingo passado: “A sociedade Nelson Piquet”. A total democracia e liberdade que o Migão nos dá para escrever e o nível acentuado de inteligência do leitor nos permite ousar. Permite que a gente escreva o que pensa realmente e com confiança, sem medo.
Acho que o maior mérito do Ouro de Tolo é esse. A total democracia para escolhermos o tema a escrever e como escrever.
O blog cresce cada vez mais, cada vez mais se profissionaliza e ganha visualizações. Passou nos últimos tempos a ousar fazendo plantões de carnaval e edições especiais como a “Semana Senna” e a de Copa do Mundo. Fica mais profissional, ganha mais responsabilidade, mas continuo vendo como um lazer, um momento “válvula de escape” onde posso dizer o que sinto, o que muitas vezes me revolta e (porque não) brincar já que brincando muitas vezes dizemos a verdade.
Como eu disse, minha participação são de três anos e três anos ininterruptos. Não ocorreu uma semana que não tenha sido publicada pelo menos uma coluna minha no blog e devo ser excetuando o dono e editor a pessoa que mais escreveu nele até hoje. Isso me dá orgulho porque foi confiada a missão de escrever aqui aos domingos sem nem que soubessem se eu sabia fazer isso.
E posso dizer que nessa vida tão louca, onde tantas coisas ocorrem em cinco anos uma coisa que com certeza não mudou foi o prazer desse nosso bate papo.
Agradeço ao Pedro Migão por fazer parte dessa família e aos colegas colunistas pela honra de dividir essa missão com vocês de entreter e informar nos últimos cinco anos. Fazendo isso tenho certeza que aprendemos a conhecer melhor o mundo e a nós mesmos.
Cinco anos cabem em uma coluna. Não é tanto tempo assim.
Cinco anos de gratidão e agradecimento não cabem em uma coluna. Isso é infinito.
Espetacular!!!
Obrigado Rodrigo