Nessa última semana vivi uma experiência intensa e inédita em minha vida. A empresa que trabalho pela primeira vez participou com expositora numa feira gigantesca do setor supermercadista brasileiro, a Apas 2014.
Nos últimos meses, diversas reuniões, centenas de e-mails e mensagens preparatórias davam uma noção relativa para aquilo que desejávamos. Mas assim que as cortinas se abriram revelaram um mundo completamente novo para nós e os parceiros que compartilharam o Stand.
Inicialmente, nunca imaginei ter que aprovar e opinar sobre tantas coisas, como visual, design e até os vestidos das moças que trabalharam para nós.
A APAS ocupa todo o espaço da Expo Center Norte e nesse ano completou 30 anos. Hoje essa associação tem faturamento maior em São Paulo do que no restante todo do país. Recebemos visitantes em nosso espaço de todo o Brasil. Já no último dia de feira, a organização já faz contatos para reserva de espaços para o ano seguinte e acredite, leitor: já não havia muitos espaços vagos. É impressionante…
O custo para uma empresa pequena, nosso caso, para expor é proibitivo. Desde o metro quadrado, montagem, segurança, pessoal é tudo muito acima do valor do mercado. Mas, onde as empresas vão conseguir montar uma rede de contato concentrada num local especifico? Onde farão contato com seus clientes de forma descontraída sem pressa?
É daí que vem a pergunta “o que leva uma empresa a expor”?
No caso desse foco ao atacado e varejo, vi que o que mais se tem é o lançamento de novos produtos. Stands Institucionais gigantes também existem, mas funcionam apenas como extensão do escritório das empresas. Ao lançar novos produtos temos que fazer o stand “bombar” e que todos os contatos circulem pelo local. Diversos estratagemas são usados. Sorteios, brindes e etc…
Mas em todos, algo em comum. Mulheres bonitas.
Nesse ponto, acho que até cabe um tema para coluna futura sobre o papel da mulher na sociedade. Mas nesse mundo dos negócios, meio à parte da sociedade real, ainda vemos um papel de vitrine. Decotes enormes, roupas apertadas e etc…
“Celebridades contratadas” e se forma um verdadeiro mar de gente para prestigiar seu produto. Momentos de muita troca de informações, de uma nova rede comercial, de estratégias para um novo ano de trabalho, de afinco nas relações comerciais.
Um mundo voraz, onde não há espaços para tropeções. Tem que atirar poucas vezes e acertar muitas. A sensação de bem estar da feira é o oposto do dia a dia. Por isso, muitos negócios são fechados lá.
Estruturalmente, como sempre, o local deixa muito a desejar. Não ter uma rede wifi é uma vergonha. Estacionamento caríssimo, restaurante de marca única e uma segurança incapaz de evitar o saque de produtos ao final da feira. O turismo de negócios de São Paulo é um dos maiores faturamentos da cidade. Urge novos pavilhões. Mas, como sempre, o setor público se preocupa muito em faturar e pouco em oferecer.
Imagens: Arquivo Pessoal do Autor