Bom, o leitor acha mesmo que eu, como integrante da diretoria da Portela e com a escola falando do Rio de Janeiro em seu próximo enredo, ia deixar de fazer o jabá no título? Mas ele é bastante adequado para a cidade que receberá a final da Copa do Mundo, mas que por questões insondáveis (desconfio eu que políticas) ficou privada da Seleção Brasileira – já que esta só jogará na cidade se for à final e ingressos para esta partida estão mais escassos que água em São Paulo.
Dependendo do ângulo de visão, o Rio de Janeiro pode ser considerado privilegiado ou prejudicado nesta Copa do Mundo que se avizinha: será palco da grande final, mas não receberá partidas do Brasil (a não ser que este chegue à grande decisão); receberá até cinco campeões do mundo até as quartas de final, mas só poderá ver um grande clássico nesta mesma partida. Serão sete jogos na Cidade Maravilhosa.
O Maracanã, palco histórico da cidade, foi refeito para a competição. Incrivelmente, ainda necessitará de pequenos ajustes para, daqui a dois anos, receber as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de 2016.
Ao contrário de muitos analistas, e como já escrevi anteriormente, acho que o estádio ficou ainda melhor, em todos os aspectos: conforto, visibilidade, beleza e, especialmente, pressão no adversário. As finais da Copa das Confederações e da Copa do Brasil ano passado mostraram que o (ex) “Maior do Mundo” se tornou um “caldeirão” indigesto para os adversários, com a diminuição da distância do torcedor para o campo de jogo e com a acústica trazida pela nova cobertura. Uma eventual final contra o Brasil será bem complicada para qualquer adversário.
O trânsito e o sistema de transportes da cidade são bem deficientes, mas comparado com outras cidades, o Rio leva vantagem em termos de acesso ao estádio. Há três estações de metrô e duas de trem próximas, e a recém inaugurada Transcarioca está integrada ao sistema de transporte: chegando do aeroporto do Galeão, é só pegar o BRT, descer em Vicente de Carvalho e dali pegar o metrô, saltando nas estações Maracanã, São Cristóvão ou São Francisco Xavier dependendo do setor do ingresso.
Como será feriado (parcial ou total, dependendo do horário) nos dias de jogos, o sistema deve funcionar bem. Não aconselho ir de carro: os bloqueios de transito serão extensos e o número de vagas de estacionamento, bem limitado.
Para o leitor ter uma ideia, eu tenho a possibilidade de estacionar em um dos prédios da empresa em que trabalho, a 200 metros do estádio, mas vou optar por deixar o carro no Shopping Nova América (que fica no bairro de Del Castilho) e ir de metrô – há uma estação dentro dele. Aliás, o shopping é uma boa opção para quem vem da Zona Norte: há boa variedade gastronômica e o ambiente é bastante agradável.
Quem vai da Zona Sul ou Barra da Tijuca também recomendo ir de ônibus ou táxi até uma estação do metrô e dali, utilizar o transporte sobre trilhos. Os táxis não são caros comparados com outras cidades brasileiras, mas, embora o número ainda tenha diminuído, ainda há muita gente desonesta na praça.
Quem vai do aeroporto Santos Dumont pode tomar o metrô na estação Cinelândia – a pouco mais de um quilômetro de distância – ou um táxi, que dá uns R$ 20, no máximo, até o estádio. A rodoviária fica a cerca de três quilômetros, mas a caminhada não é muito recomendada – pegue um táxi.
Nos intervalos dos jogos, o que não faltam são opções de passeios pela Cidade Maravilhosa. Não cito os famosos Corcovado e Pão de Açúcar, entre outros, por serem largamente conhecidos. Também não vale muito a pena ir ao Sambódromo, que fica virtualmente fechado o ano todo – e agora há uma “cracolândia” bem perto.
Sobre violência, o Rio de Janeiro não é muito diferente de grandes cidades mundiais. Há assaltos, claro, mas longe daquele estereótipo que dá conta que andamos todos com armaduras medievais e desviando de tiros pelas ruas. A Linha Vermelha é meu caminho diário e nunca tive problemas, por exemplo.
Obviamente, temos de tomar os cuidados normais: evitar mostrar dinheiro em público, deixar a carteira bem guardada, estas coisas. Não acredito em grandes episódios de violência nos pontos turísticos da cidade: existe uma tradição de “calma” – se o leitor me entende – em grandes eventos.
O Rio também é uma cidade que trata melhor a comunidade LGBT que outras sedes: o preconceito é menor e há toda uma gama de serviços voltados a este público. Uma rápida pesquisa no Google trará diversas opções de programas.
Uma dica de programa é ir a uma escola de samba: a Portela terá telão e bateria nos dias de jogos do Brasil e faz uma roda de samba todas as sextas feiras, a partir das 21 horas. Um táxi do Centro à Madureira dá uns R$60, mais ou menos. Outras escolas também tem programação especial nesta época para receber o turista que queira conhecer um pouco de nossa tradição sambista.
Para quem gosta de cerveja, as pedidas são o Delirium Café, em Ipanema, o Boteco Colarinho em Botafogo e o Cerveja Social Clube, na Tijuca – este, a um quilômetro do Maracanã.
Restaurantes não faltam, desde aqueles super sofisticados na Zona Sul até autênticos “pé sujos” de subúrbio, com comida deliciosa. Comida para todos os gostos – e preços. Aos sábados diversos restaurantes oferecem boas feijoadas, considerada o nosso principal prato típico. Há boas churrascarias – como a Fogo de Chão em Botafogo e a Mocellin, na Ilha do Governador, perto do aeroporto do Galeão.
Em frutos do mar minha indicação é também na Ilha: a Petisqueira Martinho é um pouco longe, mas com muito melhor relação entre custo e benefício.
Vale lembrar que, ao contrário do senso comum, existem quatro tipos de cariocas completamente diferentes entre si: o da Zona Sul, o do subúrbio, o da Ilha do Governador e da Tijuca e o da Barra da Tijuca – que, na prática, é outro mundo. São personalidades diferentes, tipos diferentes e com formas diferentes de recepção. Pessoalmente, prefiro o pessoal do subúrbio, minha raiz.
Aqui no Rio a “Fan Fest” da Fifa será em Copacabana, bairro que é o arquétipo carioca. Também é o lugar com a maior concentração de moradores idosos do Brasil. A praia em si é mais fama que qualidade, mas vale a visita. O por do sol no Arpoador é deslumbrante.
Em termos de compras, o já citado Nova América é uma boa opção, com preços razoáveis e mais baixos que shoppings da Zona Sul – além de contar com outlets de marcas como Adidas e Nike. Para os mais aventureiros vale uma visita ao Saara – no Centro – ou ao Mercadão de Madureira, no bairro de mesmo nome, centros de comércio popular.
As filas estão imensas, mas a exposição das obras de Salvador Dali no Centro Cultural do Banco do Brasil (no centro) também é uma ótima opção de programa para o turista. Uma oportunidade imperdível de se apreciar o surrealismo, que não deixa de ser uma característica da cidade, que completa 450 anos em 2015.
Uma coisa é certa: o Rio de Janeiro tem inúmeras opções para o turista que vier acompanhar os jogos aqui. Não há a menor possibilidade de passar tédio por aqui.
– A temperatura varia entre 18 e 30 graus nesta época do ano;
– Recomenda-se um boné para os jogos diurnos, especialmente a quem tiver ingressos para o setor vermelho do Maracanã – lado oposto ao das cabines de imprensa;
– Se beber à noite, não dirija: as blitzes de Lei Seca serão intensificadas durante o período;
– Verifique sempre em qual terminal do aeroporto do Galeão a Cia aérea opera. São dois;
– Se vem para um “bate e volta”, dê preferência ao Galeão. O Santos Dumont é mais sujeito a fechamentos por intempéries climáticas – e nevoeiros matutinos são muito comuns nesta época;
– Praticamente todos os estabelecimentos aceitam cartões de crédito e débito. Ou seja: não precisa de muito valor em espécie;
Jogos:
Argentina e Bósnia – 15/6 às 19 horas; Espanha e Chile – 18/6 às 16 horas; Bélgica e Rússia – 22/6 às 13 horas; Equador e França – 25/6 às 17 horas; Oitavas de Final – 1C x 2D – 28/6 às 17 horas; Quartas de Final – W53 x W54 – 4/6 às 13 horas; Final – 13/7 às 16 horas;