(por Eduardo Silva, ex-diretor de tamborim da Caprichosos de Pilares)

No último sábado fui até o Mineirão acompanhar a partida Argentina x Irã. Jogo bem ruim tecnicamente, mas emocionante, como tem sido a maioria dos jogos dessa Copa do Mundo.

O ingresso eu comprei na segunda fase de vendas. Não havia sido sorteado na primeira oportunidade e na segunda, que seria por ordem de chegada, ao não conseguir nada pro Maracanã, decidi comprar um em Minas pra “garantir” minha participação na Copa. Mais tarde foi definido que o jogo seria Argentina x Irã.

A prioridade, lógico, era ir de avião. Porém as companhias aéreas surtaram e os trechos entre Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que costumam custar na média de 80 reais, estavam batendo a casa dos 500 reais. Um absurdo. Nesse cenário, resolvi ir de ônibus mesmo. Ida na sexta à meia-noite, volta no sábado no mesmo horário.

Já tinha até feito o roteiro pra passar o tempo, já que teria muito, de sobra. Iria chegar 7h, comeria algo no Mercado Central, iria pro estádio curtir o pré-jogo, almoçaria na Pampulha em algum lugar pra ver o jogo da Alemanha e depois talvez iria para a Fan Fest. Mas de última hora um amigo conseguiu ingresso e fui com mais outro amigo de carro. Viagem muito cansativa, mas valia a pena, por ser Copa do Mundo.

Chegamos por volta de 10h30 em BH. Optamos por estacionar no Minas Shopping, de onde sairia um ônibus especial pro estádio -15 reais com a volta incluída. E dentro dele, uma legião de vascaínos, o que valeu algumas fotos e músicas legais. No meio da viagem, surgem os relatos que haviam surgido ingressos para Bélgica x Rússia, no dia seguinte. Como não conseguia acessar a conta de ingressos pelo celular, liguei pro Rio, e a minha noiva conseguiu comprar. E, por coincidência, este blogueiro estava sentado perto de mim.

Caminhamos uns 500 metros até chegarmos às roletas. Antes do isolamento um grupo bem grande, chutaria umas 300 pessoas, com instrumentos, inclusive, estava cantando bastante.

Bom, o jogo em si, como vocês já devem ter visto, foi fraco tecnicamente. A Argentina criou alguma coisa no primeiro tempo, principalmente pela esquerda, com Di María, e o Irã andou se engraçando no segundo tempo. Até poderia sair tranquilamente com a vitória, até porque teve um pênalti negado.

argiraMas no fim a estrela de Messi brilhou. Nas arquibas, estava empolgado por ver um dos melhores jogadores da minha geração: Lionel Messi. Inclusive levei a camisa do Racing pra torcer pros caras, afinal, não é todo dia que vemos um jogador desse naipe. E durante o jogo coloquei a do Vasco por cima pra zoá-los. O motivo: além de querer torcer pro mais fraco, a torcida deles é muito babaca.

Primeiro porque eles vêm na nossa casa, e não param de nos ofender. O.K., rivalidade é isso, mas uma coisa é você xingar o outro lado da arquibancada em um Flamengo x Vasco, por exemplo. Outra coisa é você sentar a umas cadeiras de distância em um jogo que não é nosso e ficar escutando ofensas a brasileiros o tempo todo. E o fato da torcida brasileira ter “comprado o barulho” da torcida do Irã piorou um pouco pra eles, pois na hora do gol, provocaram com muito mais raiva.

Em segundo lugar, ainda vou entender a fixação que eles têm pelo Pelé. Quase toda música deles fala disso. Uma inclusive (que foi muito cantada) fala que “choramos até hoje 90”. Ora, eles sequer ganharam aquela Copa. E de lá pra cá nós ganhamos duas! Enfim, arrogância demais pra pouco resultado prático. E vale ressaltar que aquela história de que a torcida deles tinha que ser exemplo pra nós é balela. O que vi foi uma torcida que cantou muito no início (como as daqui) com explosões em lances perigosos (como as daqui) e em gols (ou gol, como as daqui).

A volta ao Rio foi mais cansativa, mais igualmente tranquila. Escoamento bem mais rápido que a do Maraca, como percebi no dia seguinte.