Finalizando minha “minimaratona” da Copa do Mundo, na última quarta feira assisti a Equador e França, pela derradeira rodada da fase de grupos. A França virtualmente classificada (embora não matematicamente), com seis pontos, enquanto que o Equador, segundo colocado até então, precisaria vencer a seleção gaulesa ou então esperar por um improvável tropeço da Suiça contra Honduras, que jogavam em Manaus no mesmo horário.
Também seria a oportunidade da torcida do Flamengo ver em ação o seu único convocado para esta competição: o zagueiro Erazo, titular da seleção equatoriana.
Como para mim foi feriado integral no dia do jogo, pude sair de casa sem grandes atropelos. Para uma partida com início marcado para as 17 horas, às 14:50 já estava desembarcando na estação São Cristóvão do metrô, tal como fizera nas vezes anteriores. Não sem antes ter encontrado certa dificuldade para estacionar no shopping Nova América: a conjunção “jogo da Copa + semi feriado” deixou o centro comercial bastante cheio.
O esquema de segurança era ainda maior que o encontrado no último domingo. Talvez por envolver uma vez mais uma seleção sul americana após os tumultos ocorridos nos jogos de Argentina e Chile, o esquema foi ainda mais reforçado. Entretanto, embora em número expressivo, os equatorianos estavam em bem menor número que argentinos e chilenos anteriormente.
Repetiu-se o esquema de se apresentar o ingresso para poder passar em diversas barreiras policiais. Embora estivesse com a camisa da seleção francesa, o boné do Flamengo que estava utilizando me poupou de ser abordado em inglês pelos PMs, ao contrário do que ocorrera no último domingo. O movimento nas cercanias era maior, não sei se por ter chegado um pouco mais tarde ou pela própria natureza do jogo.
Passei pela catraca, sem grandes novidades, e um ponto piorou: onde fiquei (Setor D, ou Leste Superior), havia muita gente confusa com a localização numérica dos setores, sem auxilio adequado por parte dos voluntários e seguranças privados contratados. Pelo menos em três ocasiões vieram pessoas dizendo que eu estava sentado no lugar delas, até que mostrava o setor e convencia que elas é que estavam nos lugares incorretos.
Aliás e a propósito, estes seguranças privados estavam muito mais preocupados em reprimir quem encostava o pé nas cadeiras da frente que propriamente exercer sua função. Embora o espaço entre as fileiras no Maracanã seja maior que no Estádio Nacional – até pela inclinação mais suave – é virtualmente impossível para uma pessoa com mais de 1m70 de altura (tenho 1m78) não esbarrar nas cadeiras da frente. Um preciosismo desnecessário.
Apesar do forte calor que fazia e do sol batendo diretamente em nosso setor, foi o jogo onde o atendimento dos bares foi o mais tranquilo, sem filas insuportáveis em nenhum momento a não ser durante o intervalo. O curioso é que encontrei novamente não só a família de americanos como os galeses de domingo, que tinham ingressos para a mesma área do estádio. Também fui reconhecido por pelo menos três leitores desta revista eletrônica, embora isso não fosse muito difícil: minha camisa tinha nome nas costas.
Outra coisa a se notar é que dos jogos a que fui ao Maracanã este foi sem dúvida o de maior presença feminina, não somente equatorianas e francesas como de locais. Outra curiosidade era um expressivo número de casais homossexuais franceses – e alguns americanos – presentes para assistir à partida, o que traz à tona outra característica do carioca, o de ser um povo mais “gay friendly” que a média brasileira. Não vi qualquer demonstração de homofobia.
No aquecimento antes da partida o já citado Erazo foi um capítulo à parte. Muitos rubro-negros o xingando e evocando o estúpido pênalti cometido pelo jogador na decisão do último Cariocão, enquanto outros gritavam o nome dele. Entre os próprios equatorianos com quem conversei as opiniões estavam bastante divididas sobre o jogador em questão.
Uns 20 minutos antes da partida se iniciar parecia que o público seria um pouco menor que o dos jogos anteriores, mas talvez devido ao sol muita gente tomou seus lugares apenas em cima da hora. Ao fim e ao cabo, tivemos 73 mil pessoas assistindo à peleja.
A torcida da França se concentrou especialmente atrás do gol à direita das cabines, enquanto os equatorianos estavam mais espalhados pelos diferentes setores – com uma concentração um pouco maior atrás do gol à esquerda. Os franceses com seu grito característico de “allez lês Bleus” – algo como “vamos, azuis” e em alguns momentos cantando a Marselhesa, seu hino nacional, a capella.
Aliás a execução da Marselhesa (acima) é sempre um momento de muita emoção. Deixa qualquer um arrepiado, mesmo quem não é francês. Sem dúvida alguma, um dos pontos altos desta Copa do Mundo no Brasil. O hino equatoriano também foi muito cantado pelo público (abaixo), mas nada supera o hino francês. Por outro lado, em mais uma decisão equivocada a seleção francesa foi obrigada a jogar de branco, embora o azul de sua camisa não confundisse nem de longe com o amarelo equatoriano.
A partida teve dois tempos bem distintos. Na primeira etapa uma França – que poupou alguns titulares – buscando um pouco mais o gol, embora parecesse satisfeita com o empate que lhe confirmava a primeira colocação neste Grupo E. Acabou-se por ter uma primeira metade de partida bastante morna, sem grandes emoções.
No segundo tempo, após a expulsão de um jogador equatoriano – que não vi, pois tinha ido ao banheiro – o jogo ficou mais franco. A França começou a buscar mais incisivamente o gol e os equatorianos, embalados pelo “si se puede” entoado por sua torcida, tentavam em contra ataques buscar os dois gols de que necessitavam para lograr sua classificação – já que a Suiça aquele momento fazia três a zero em Honduras.
Entretanto, apesar de diversas chances de gol, o zero a zero não saiu do placar, especialmente devido a uma boa atuação do goleiro sul americano. E, surpreendentemente, do criticado Erazo, que fez uma ótima partida e anulou o badalado atacante francês Benzema, chegando a ter o nome gritado durante o jogo.
Ainda assim, apesar do marcador não ter saído do zero, foi uma partida bem melhor que o modorrento Bélgica e Rússia do último domingo. Entretanto, à exceção de Chile e Espanha e a momentos esparsos como o gol de Messi e o tento belga, a verdade é que pelo menos nesta primeira fase os jogos disputados aqui no Rio de Janeiro ficaram devendo, comparados a outras sedes.
Vamos ver se na batalha que se prenuncia hoje entre Colômbia e Uruguai – no que será um ótimo teste para as forças de segurança, com estimados 40 mil torcedores das duas seleções presentes – e na possível quartas de final entre Alemanha e França este quadro muda. A não ser que consiga ingressos para semifinal ou final, estas serão as últimas partidas a que assistirei ao vivo nesta Copa do Mundo do Brasil.
Bom, com o resultado a França ratificou não somente sua classificação à segunda fase como o primeiro lugar, o que lhe garantiu um confronto perfeitamente acessível nas oitavas de final contra a Nigéria. Já o Equador se despediu da competição, especialmente devido ao erro do citado Erazo no último lance da partida contra a Suíça, o que custou a derrota e a posterior eliminação.
Retorno tranquilo no metrô, lanche no shopping e retorno para casa. Aliás, uma “off topic”: abriu no segundo piso do shopping citado uma loja especializada em material dos esportes americanos, especialmente da NBA. Vale uma visita.