Na última quinta-feira (26/6) estive na Arena da Baixada, para o derradeiro jogo da cidade na Copa: Argélia x Rússia. Um jogo que se tornou o melhor e mais decisivo da sede curitibana durante toda a competição. Como o pontapé inicial era às 17 horas, num dia útil, fui direto do meu expediente para o estádio, desta vez, sozinho.
Logo na chegada à Baixada a surpresa: a Praça Afonso Botelho, ao lado do estádio, estava tomada de argelinos, que me pareciam ter comparecido em maior número que os equatorianos, vizinhos de continente do Brasil. Na entrada para a arquibancada, mais argelinos. E eles chegavam em número cada vez maior e surpreendente. Mesmo a duas horas do jogo, o setor destinado especificamente aos argelinos já estava tomado. E muitos outros se espalharam pelo estádio.
Já os russos chegaram mais perto do jogo e em um bom número, mas em menor quantidade que os argelinos; tal como o Migão relatou no Rio, eles se dispersavam em vários lugares do estádio. Por outro lado, ao contrário do Maracanã, vi várias mulheres russas de bela feição.
No estádio, comprei ingresso de Categoria 1 e fiquei na altura da linha de escanteio, na antepenúltima fileira do anel superior. A sorte é que na Baixada este é um dos lugares que propicia melhor visão do campo. O setor em que estive é o que não existia no estádio antes da reforma.
No texto de Honduras x Equador citei que as arquibancadas superiores tinham filas estreitas. O jogo entre Argélia x Rússia mostrou que este é um fato das linhas de fundo, já que o novo setor em que estive tem corredores mais largos e seguros.
O jogo foi tenso, como é comum nesse tipo de partida. Kokorin, numa excelente cabeçada logo ao começo do primeiro tempo, abriu o placar. A partir daí, os russos se fecharam como em boa parte da Copa, e a Argélia parecia ter sentido o gol, tanto que não encontrou a fluidez de jogo que teve contra a Coreia. No momento, as oitavas-de-final teriam a Rússia.
No segundo tempo, a Rússia começou melhor, disposta a matar o jogo, e sufocando a Argélia. Aí aconteceu uma falta a favor dos argelinos, perto da área russa. Cruzamento, falha do goleiro Akinfeev – mais uma, e gol. O jogo estava empatado e a vaga voltava a ser do país do norte africano.
Sobre Akinfeev: é um goleiro que faz ótimas defesas (salvou dois ótimos lances no primeiro tempo), mas é doido para fazer uma bobagem. Conseguiu isso no segundo tempo.
Dali para o fim do jogo, a Argélia foi inteligente. Esperou a Rússia, e jogou no contra-ataque. Aí ficou evidente a falta de criatividade dos russos. Ataques com lances manjados, nada de passes mais ousados e verticais ou jogadas individuais, fora inúmeros cruzamentos que varavam a área argelina.
Assim foi até o fim do jogo, a Rússia tentando atacar, mas levando pouco perigo real ao gol de M’Bolhi. Quanto mais se aproximava o fim do jogo, mais os argelinos e sua torcida fantástica cantavam, e o técnico se exaltava cada vez mais.
Ao apito final, a primeira classificação da Argélia à fase de mata-mata de mundiais. A torcida deles foi à loucura, tal como os jogadores, comandados por Feghouli e Slimani. Uma bela festa, com direito a volta olímpica.
Como curiosidades, a primeira é que fui de camisa da seleção russa. Foi a chave para todos brasileiros virem falar comigo em inglês, ou mesmo em russo, do qual não entendo lhufas. Ao fim do jogo, um argelino me abraçou, num gesto de cordialidade pós-jogo, como dizendo: “boa partida”. Não imaginava que saudava um russo paraguaio, ou melhor, brasileiro…
Além disso, curiosamente, havia uns 10 peruanos no meu setor, um deles sentou a duas cadeiras de mim. Havia um cidadão que vivia em São Paulo, e fez um bate-e-volta para Curitiba, para fazer parte de festa. Certa hora ele tirou uma foto com a bandeira do seu país, dizendo: “é o mais perto que o Peru vai chegar da Copa”.
Na cidade, notei nos dias anteriores à partida um número excessivo de policiais nas ruas. Mesmo em bairros afastados da Baixada, como Santa Felicidade, onde moro, era fácil cruzar com trios de PMs patrulhando a área.
Voltando ao estádio. Após o jogo, ecoou no centro de Curitiba o grito dos argelinos – estimou-se que foram 10 mil. Tal como em Porto Alegre, os brasileiros cantavam “One, two, three / Viva a lingerie”. Além disso, os simpáticos argelinos também mostraram seu carinho com a cidade ao entoar, em tom de grito de torcida, um “Obrigado, obrigado Curitiba”.
Fora isso, o hino russo, que já é espetacular de ser ouvido pela TV, fica extraordinário e arrepiante in loco e com o coro da torcida.
Concluo com: “one, two, three / Viva l’Algèrie!”