(por Henrique Deporte, economista e futuro colunista desta revista eletrônica)
Muito bem, depois da ressaca do jogo entre Bélgica e Estados Unidos, aqui estou eu para relatar outra aventura nessa Copa do Mundo. Sim, uma nova aventura, quem é casado sabe bem o que estou falando!
Brincadeiras a parte, depois de conseguir o ingresso a preço de face de americanos para o jogo da Argentina e Bélgica no Estádio Nacional – Mané Garrincha – tinha outra missão a buscar: como ir para Brasília? Pois bem, num primeiro momento você pensa: – vou de avião, claro. Mas depois de ver os preços começou a dar aquela sensação de embrulho no estômago: como ir para a capital com o voo de ida custando R$ 1.150,00 e o de volta por volta dos R$ 1.000,00?
Passou pela minha cabeça ir de carro, já que iria com os mesmos amigos que fui à Salvador, mas o tempo e o cansado me fizeram desistir. Depois tentei ver as passagens de ônibus, todas esgotadas; não me restou alternativa e queimei minhas milhas numa perna São Paulo-Brasília e na outra torrei o “milzão” em seis suaves prestações à volta para o mesmo dia. Tudo bem, Copa do Mundo em casa é uma chance quase única, então não adianta chorar.
O voo era pela manhã as 7:45 do sábado – dia do jogo. Fiz o meu check-in ainda pela madrugada para não dar nenhum problema, ao chegar ao Aeroporto encontrei meus amigos no saguão e fomos ao caixa eletrônico retirar dinheiro, para quem sabe conseguir mais um ingresso para um novo joguinho.
Fomos embarcar, eis que meus amigos não conseguiram apresentar o passbook e tiveram que ir ao guichê da empresa área para emitir o voucher da viagem. Já na sala de embarque recebo a ligação de um dos meus amigos, falando que deu problema na compra da passagem e estariam esperando um encaixe no voo das 10:40.
Detalhe: os ingressos ficaram com esse meu amigo, comecei a ficar desesperado uma vez que já tinha entrado no ônibus que me levava até o avião ao chegar fui desesperado até um mecânico da empresa área e verifiquei se era possível alguém ou até eu mesmo voltar e pegar o meu ingresso.
O mecânico foi solicito, perguntou meu assento e foi verificar a possibilidade, mas que era para eu ficar tranquilo que me posicionaria. Desta forma não me restava rezar e torcer, quando adentro no avião tive um sentimento de alívio e raiva, já que meus camaradas tinham me feito uma pegadinha; uma sacanagem, afinal sou hipertenso, mas levei na brincadeira.
Enfim, vamos lá! Chegando ao Aeroporto completamente abarrotado de argentinos fomos à fila de táxi no aeroporto, que era imensa, contudo conseguimos um telefone de um taxista ponteira que nos levou até a casa de um amigo nosso.
Muito bem, chegamos à casa do camarada, encontramos a geladeira repleta de cerveja e um belo café da manhã, comemos, tomamos um goró e pegamos outro táxi e fomos até o Estádio.
O taxista nos deixou nas imediações do Estádio, próxima à tradicional antena de televisão da cidade, coisa de 1 km. Era nítida mais uma invasão dos hermanos, que estavam às pencas entoando seus cantos contra nós, brasileiros, enfim nada mais normal vindos deles. Desta vez a organização não pecou e o policiamento estava ostensivo, o que deu a segurança em relação a não ter ingresso tomado como aconteceu no jogo da Argentina e Nigéria.
O estádio é suntuoso e impactante e, também, um pouco desnecessário, certamente como já propagado para justificar ser o estádio mais caro dessa copa. Ao chegar à frente do estádio foi organizada a entrada de forma única e desta forma não tivemos os problemas dos jogos anteriores, em que as filas eram gigantescas.
Ao entrar no estádio fui à busca do meu assento, desta vez não era da categoria 1, como no jogo na Fonte Nova, era de categoria 3 em uma cadeira que ficava atrás do gol no anel superior.
A princípio poderia pensar que o local não seria bom; mais um engano nessa copa, o local era espetacular. O estádio no anel superior é íngreme e tem aquele gradil a sua frente; te dá a sensação que você está vendo de pé e tem a noção plena da tática do jogo.
O estádio estava dividido entre brasileiros e argentinos e com poucos belgas; mais uma vez não se via negros na torcida. Isto foi uma das poucas tristezas que tive nessa copa. O jogo todo mundo viu: a Argentina foi pro abafa de cara, achou um golzinho e cozinhou o jogo, a Bélgica por outro lado estava feliz pela sua participação na copa e não buscou o empate, e ainda por cima viu Higuaín e Messi perderam gols que geralmente não perdem. A camisa pesou e a Bélgica pipocou.
No final da partida, a torcida argentina tomou o estádio como se fosse uma La Bombonera, felizes e confiantes em Messi para soltar o grito de É campeão entalado há 28 anos e quem sabe na casa dos seus maiores rivais.
Eu espero que não!