No último sábado estive na minha parada mais esperada dessa Copa do Mundo: Maracanã, Rio de Janeiro. E ainda por cima, em um confronto de oitavas-de-final entre dois sul-americanos: Colômbia x Uruguai.
Saí de Curitiba no dia do jogo pela manhã, rumo ao Rio. Como o Aeroporto Afonso Pena e o Santos Dumont fecharam naquela manhã, meu voo atrasou em uma hora e meia no total. Cheguei no Rio perto do meio-dia, então logo me dirigi rumo à região do Maracanã, a fim de almoçar e ver o jogo do Brasil em algum bar ou restaurante. Naquela hora, as ruas do Centro já se encontravam vazias, com a proximidade da partida. Peguei o metrô na Cinelândia, rumo à Praça Saens Peña – meu plano era comer no Shopping Tijuca ou nas redondezas. Ao contrário das ruas, no metrô havia bom movimento de pessoas, muitas já indo ao Maracanã, aquela hora.
No fim, encontrei um botequim me aventurando no meio da Tijuca, onde assisti o primeiro tempo. Após, fui para mais próximo do estádio, para facilitar o encontro com o amigo Pedro Henrique Marum, do site Grande Prêmio, que estava com meu ingresso. Aproveitei e vi o segundo tempo e a prorrogação na calçada de um restaurante na Rua São Francisco Xavier. Na hora dos pênaltis, tive que me deslocar e vi cada pênalti na calçada em frente a um estabelecimento diferente, basicamente.
Naquela hora, até motorista de ônibus já havia parado o veículo na rua para acompanhar a disputa numa das TVs espalhadas por botequins daquela região. Quando Jara errou, o povo das ruas veio abaixo. Aliás, tal como no Maracanã, os colombianos – imensa maioria – torciam pelo Brasil.
Acredito que muita gente tenha ido ao estádio somente após o jogo do primeiro horário. Mesmo estando a duas quadras do Maracanã, eu e Pedro Henrique Marum só conseguimos entrar no estádio a 10 minutos do início do jogo. O fato de termos que dar uma volta no estádio para achar a nossa entrada colaborou, mas as filas estavam grandes. Além disso, perdi as contas de quantas vezes passei por cordões de policiais. Não seria exagero se foram umas dez.
Após tudo isso, enfim alcançamos o editor-chefe deste site, o seu Pedro Migão, poucas fileiras acima da bandeira de escanteio de baixo, na linha de fundo à esquerda na geração de imagens da FIFA, mesmo os ingressos sendo da categoria 1.
No jogo, domínio quase total da Colômbia. Mesmo com a ausência de Radamés Falcão e outros, os nossos vizinhos parecem não ter perdido qualidade. A ascensão de James Rodriguez e a ótima Copa de Cuadrado ajudam bastante. O belo gol de Rodriguez, com a bola batendo na trave oposta ao lugar onde estava, depois pingando no gol e estufando a parte de cima da rede, talvez seja o tento que guardarei mais fácil na memória, dos que vi in loco nesta Copa.
Após isto, o Uruguai ficou sufocado pelo meio-de-campo colombiano. Incrível como esse time perde sem Luís Suarez. Poucas chances de gol reais foram criadas. Cavani ficou isolado no ataque, e o envelhecido Diego Forlan certamente já deixou seus melhores dias no passado. Curiosamente, fui a duas partidas da Celeste, e vi as duas derrotas dela. Em ambos os jogos, Suarez não estava em campo.
O segundo gol – mais um de Rodriguez – foi para sacramentar um desempenho muito seguro dos colombianos. Somente no fim do jogo, a Celeste conseguiu atacar mais incisivamente, mas nessa hora a “vaca uruguaia já tinha deitado”, como sentenciou o Migão umas três vezes durante o jogo.
Aliás, concordo com o editor-chefe e dono deste site quanto ao prognóstico para o jogo do Brasil. A Colômbia é tão jovem quanto o Chile, e mais concisa. Felipão tem que evitar o máximo que os colombianos consigam o domínio da meia cancha – algo que deve ser catastrófico. E, pessoalmente, acredito que a Colômbia entre despreocupada, com sensação de “o que vier é lucro”. Nisso, o adversário do Brasil pode ser mais perigoso ainda.
Voltando ao Maraca, ficamos embaixo da grande parte da massa colombiana que invadiu o templo do futebol carioca. Uma torcida participativa, que cantou em boa parte do jogo, acompanhada pela minha voz, do Editor Chefe, dos amigos e dos brasileiros que estavam no setor. Aliás, fiquei surpreso pela pouca presença de uruguaios no estádio. Os colombianos estavam em imensa maioria, tomando setores do Maracanã, enquanto os cisplatinos estavam concentrados em raras “manchas” pequenas nas arquibancadas. Muito menos gente do que em Fortaleza, para o jogo contra a Costa Rica.
Quanto ao estádio em si, confesso que o achei menor do que esperava. Mesmo com 78 mil lugares (74 mil nessa Copa), e maior que Castelão e Mané Garrincha, o tamanho do Maracanã não me impactou tanto. Não conheci o estádio na configuração original, mas acho que o novo formato de bowl (tigela), pode ter colaborado na minha sensação.
Por outro lado, a sensação de estar no Maracanã é, sem dúvida, diferente. Além de ser o palco histórico do futebol brasileiro, o fã de futebol carioca é mais participativo que o de Curitiba, Fortaleza e Brasília. Os brasileiros eram uma extensão da torcida colombiana, pelo menos onde estava.
Fui ao jogo com uma camisa do Newcastle, do futebol inglês. Isto me rendeu abordagens de ingleses moradores de Newcastle, ainda no Santos Dumont. Fora belgas, já na Tijuca, e depois um suíço – que puxou conversa comigo após eu dizer que acreditava na classificação do país alpino contra a Argentina. Todos acreditando que eu era gringo. Ou seja, tive que me virar com meu inglês macarrônico.
Para finalizar, independente do resultado, a Colômbia deve se orgulhar do que fez nesta Copa. Time legal de ser ver, com futebol envolvente e com ótimos jovens valores. O Uruguai deve ter visto pela última vez essa geração, que resgatou o orgulho cisplatino em 2010. Já o Rio de Janeiro é uma cidade única, com uma hospitalidade incrível e bem mais enfeitada para a Copa que Curitiba.
Viva o Rio, viva a Colômbia, e o fantasma de 50… disse adeus!