Eis que, a princípio, minha última partida ao vivo chegou. Passou rapidamente, leitores.
A não ser que consiga (improváveis) ingressos para a final, este jogo das quartas de final entre França e Alemanha terá sido minha última ida a um estádio nesta Copa do Mundo de 2014. Na abertura desta fase, duas das mais importantes e tradicionais seleções europeias fariam aquele que, em princípio, seria o maior clássico desta rodada.
Com o feriado aqui no Rio, pude sair cedo de casa diretamente ao estádio. Pouco depois das 10 da manhã já estava deixando meu carro no Shopping Nova América, como fiz das outras vezes. Alguma fila para entrar no estacionamento devido à quebra de uma das cancelas, mas depois rapidamente consegui deixar meu carro em uma ótima vaga.
Estava com a camisa número 2 da Alemanha, feita em homenagem ao time pelo qual torço, o Flamengo. Tal como eu, havia muitas pessoas já no shopping utilizando este exemplar, embora a Alemanha fosse jogar de branco – a França era a “mandante” e optou por jogar de azul, e com esta postura da Fifa de não permitir camisas de tons escuros nos dois times, automaticamente os germânicos jogariam de branco.
Ida bem tranquila no metrô e desembarquei na estação São Cristóvão por volta das 10h40. Já havia bastante gente circulando no entorno do estádio, mais do que em outras partidas levando-se em conta o tempo que faltava para o início do jogo. Novamente muito policiamento, com os alemães parecendo maioria em relação aos franceses.
Já na chegada ao Maracanã estava claro que a estratégia alemã conquistou os torcedores rubro negros. Haviam muitos brasileiros com o exemplar rubro negro e alguma referência ao Flamengo (bonés ou bottoms), bem como com a própria camisa do Flamengo. Somando-se aos alemães em si, os simpatizantes do time germânico seriam ampla maioria, como viríamos depois.
Na véspera do jogo o Ministério Público do Rio de Janeiro soltou uma resolução determinando que fosse restringida a venda de bebidas alcoólicas na partida. Talvez por isso (não tenho certeza), o número de quiosques e vendedores ambulantes de cervejas foi reduzido, o que gerou filas inexistentes em partidas anteriores, mesmo durante o jogo. Por outro lado, desta vez o copo da Budweiser também estava personalizado para a partida, talvez para diminuir a perda de vendas em relação à Brahma observada em partidas anteriores.
Ao alcançar meu lugar, na penúltima fila do Setor Leste Superior – na realidade, entre o Leste e o Sul – uma falha grave: devido a um dos banners da Fifa meu lugar simplesmente não tinha visão de nenhum dos telões do estádio. Isso porque era Categoria 1, a mais cara disponível aos mortais… Além disso, com o sol e calor a lona rígida que forma a cobertura do Maracanã acaba se tornando uma estufa para quem está nas fileiras mais altas de assentos. E tome cerveja para aplacar o calor…
Desta vez busquei conversar mais com os turistas e tirar fotos. Uma curiosidade foi encontrar dois torcedores do Reading (foto), clube inglês pelo qual tenho simpatia, e ver a alegria deles em saber que a equipe, da Segunda Divisão inglesa, tem simpatizantes no Brasil. Imediatamente entabulamos uma conversa cornetando o técnico da equipe… Ouvi alguns alemães dizerem também que passaram a “torcer” pelo Flamengo devido ao episódio da camisa.
Também conversei com franceses e com um colombiano “perdido” no Maracanã.
O estádio foi enchendo aos poucos e uma vez mais tivemos lotação praticamente completa para a partida. Os alemães eram maioria, com uma concentração grande no Setor Sul, bem perto de onde estava. Os franceses ficaram concentrados no Setor Norte, ao contrário da partida contra o Equador, na qual ficaram do lado Sul. A torcida alemã se mostrou bastante participativa, quase ao nível dos sul-americanos que vi anteriormente.
Engrossados pelos brasileiros, em especial os rubro negros, os alemães dominaram as ações em termos de torcida. Os franceses praticamente só se fizeram ouvir na hora de seu hino nacional, a “Marselhesa”, e em outros espasmos. Também houve duelo entre rubro negros e torcedores de outras equipes: nós gritávamos “Mengo” e a resposta era um “tomar no …, Mengo”. Coisas de estádios.
O jogo em si, como tradição carioca nesta Copa do Mundo, foi muito chato. Além do calor, a Alemanha abriu o placar logo no início da partida e literalmente “cozinhou o galo” (no caso, francês, como indica o símbolo na camisa) até o final, a ponto do time gaulês só ter exigido o goleiro Neuer já nos acréscimos da segunda etapa. Poucas chances de gol reais e os goleiros saíram com os uniformes praticamente intocados.
Para a tradição histórica deste clássico, deixou bastante a desejar – a ponto de perder os sete, oito minutos finais do primeiro tempo fazendo compras na loja oficial e nada de importante acontecer em campo.
Aliás, este é um ensinamento que o Brasil deve tirar desta partida: não deixar os alemães abrirem o placar. Se isso acontecer a chance de termos algo parecido amanhã com o que vi na última sexta feira é imensa. Aliás, sem essa de que os rubro negros irão torcer pela Alemanha: somos brasileiros. Embora seja um enorme simbolismo ver uma seleção jogar uma semifinal de Copa do Mundo apoiada na mística da camisa flamenga. É bonito, mas amanhã são adversários.
Mais uma vez retorno tranquilo e cheguei em casa a tempo de ver o jogo do Brasil. Na saída, a musiquinha do “Maradona cheirador” foi entoada em coro pelos brasileiros – com direito a alguns gaiatos emendarem “e o Aécio!” ao final…
No balanço destas sete partidas, seis aqui no Rio, digo que valeu pela oportunidade histórica de ver ao vivo partidas de Copa do Mundo e participado de um momento histórico, do qual jamais irei me esquecer. Chile e Espanha e Colômbia e Uruguai foram bons jogos, embora não exatamente emocionantes, além do segundo tempo de Equador x França e momentos de Argentina x Bósnia. Por outro lado, os dois jogos envolvendo seleções europeias foram bem fracos.
Algumas “estatoscas” da minha presença “in loco” na Copa do Mundo:
1) dos oito finalistas da Copa, vi seis.
2) dos oito finalistas, tenho a camisa de sete – me falta a Costa Rica;
3) adicionando-se o que recolhi dos esquecidos pelos colombianos e descontando-se os que dei de presente e os que esqueci/surrupiados, devo ter mais de 40 copos da Copa do Mundo em casa – juntando cervejas e refrigerante;
4) vi 14 gols ao vivo até agora – média de 2 por partida;
5) vi ao vivo os três melhores jogadores da Copa até agora, Messi, Neymar e Rodriguez;
6) vi seis sul americanos (todos), seis europeus e um africano;
7) se não conseguir ingressos para a final, a única seleção que terei visto duas vezes foi a França. Na Copa das Confederações, em quatro jogos repeti três seleções – Brasil, Itália e Espanha;
8) ainda sobre a França, no primeiro jogo torci a favor e, no segundo, contra;
9) passei seis vezes pelo Shopping Nova América, comi um cozido, duas pizzas, uma massa e dois sanduíches;
10) vi Erazo fazer um partidaço, parando Benzema, para retornar ao normal no domingo seguinte e entregar um jogo-treino contra o Tupi de Juiz de Fora;
11) pena que está acabando;
E ainda estou atrás de ingressos para a final da Copa das Copas! Abaixo, o registro que fiz dos dois hinos nacionais.
One Reply to “Copa do Ouro: “França 0 x 1 Alemanha””
Comments are closed.