E agora, José?
A “pátria de chuteiras” tomou uma lapada da organizada Alemanha (dentro e, principalmente, fora de campo) e você não sabe onde enfiar a cara? Quer distância do futebol? Está se perguntando se essa tragédia marca o fim de uma potência e pensa em se afastar de acompanhar esportes?
A boa notícia é que, diferente do que pensam 70% dos brasileiros, o futebol não é o único esporte da face da Terra, nem o único no qual o Brasil tem boas participações. Para curar a ressaca do futebol masculino, dentro de poucos dias começarão os mundiais de vôlei e de basquete. Ainda melhor: serão em dose dupla, já que teremos o masculino e o feminino logo depois em ambos. O Brasil, mesmo que aos trancos e barrancos no basquete, participará de todas as quatro competições.
A única notícia chata é que, graças à falta de organização entre a FIVB e a FIBA, os mundiais serão praticamente concomitantes. Aproveito para analisar cada uma das equipes brasileiras que irão nos representar.
Começaremos pela equipe de vôlei masculino, cujo mundial na Polônia se iniciará em 30/08 e a final será no dia 21/09. Após duas gerações fantásticas, o Brasil passa por um momento de renovação e a geração que está despontando parece ser razoavelmente inferior a de 2010. Por mais que ainda seja uma seleção, ao menos no papel, para chegar no mata-mata, há muito tempo perdeu a condição de favorita, que hoje Rússia e Estados Unidos dividem.
Também mantenho minha opinião, já escrita neste blog desde antes dos Jogos Olímpicos, que mesmo com todos os méritos nesses 14 anos já passou da hora de retirar Bernardinho do comando da seleção.
Apesar de tudo, não dá para negar que ele é um cara de sorte. Justamente no seu pior momento desde que a assumiu a seleção, tomando vareios consecutivos dentro do Ibirapuera até do Irã na Liga Mundial, ninguém estava dando a mínima para o vôlei porque só se pensava na Copa do Mundo no Brasil.
Do mesmo jeito que, de repente, a seleção desaprendeu a jogar vôlei, na mesma velocidade ela reaprendeu e fechou a primeira fase com 3 vitórias fora de casa sobre Polônia e Itália, jogando com aquela autoridade que nos acostumamos a ver do atual tricampeão mundial. Assim, a improvável vaga na final foi conquistada, com muito suor e nervosismo, no set average contra a Polônia.
Ainda é cedo para afirmar se os 9 péssimos jogos eram apenas um “aquecimento” ou se esses 3 últimos é que foram pontos fora da curva. A fase final da Liga mundial, último período de testes e ajustes, começa neste dia 16 e o Brasil caiu no mesmo grupo da Rússia e Irã. Acho que aí poderemos ter uma ideia melhor do que esperar desta geração que, agora sim, será a 3.0 da era Bernadinho (e não aquele “remendo” que batizei de 2.5 de 2012).
No mundial em si o Brasil caiu no Grupo B junto com Cuba, Alemanha, Tunísia, Coreia do Sul e Finlândia. Um grupo tranquilo no qual os únicos adversários que ainda podem impor algum respeito são Cuba e Alemanha. Porém o primeiro ainda sofre bastante a perda do fenômeno Wilfredo Leon (por deserção) e o segundo é apenas um time bem arrumado.
Esse Grupo B cruzará com o grupo A na segunda fase, no que também demos sorte. Esse é o grupo mais fácil dos qutro do torneio e, se tudo correr como esperado, deveremos enfrentar Polônia, Argentina, Servia e Austrália. Todos velhos fregueses do Brasil e sem maiores destaques; apenas creio que a Argentina e a Polônia possam causar alguma surpresa.
Na 3ª fase só ficarão as 6 melhores e aí não há mais prognósticos a fazer. Será jogo duro com quem quer que venha.
Discussões sobre Bernardinho e renovação a parte, confio bastante que a seleção ao menos chega às semifinais. Por mais que não aposte, um inédito tetracampeonato não pode ser descartado, ainda pelo menos.
Depois, será a vez das nossas meninas do vôlei tentarem o único título mundial que nos falta, seja no masculino ou no feminino. Perdemos a final para a Rússia no tiebreak tanto em 2006 como em 2010. O torneio será na Itália, de 23/09 a 12/10
A preparação do selecionado de Zé Roberto Guimarães ainda está no início, já que o Grand Prix (versão feminina da Liga Mundial) só começa no próximo dia 25. Por hora, apenas fizemos dois amistosos com a seleção americana e o resultado foi negativo. Neste momento, nada que assuste.
A seleção feminina também vem se renovando, porém de forma mais amena e tranquila. Para mim, nosso conjunto de atacantes é o melhor do mundo. O problema é que desde a aposentadoria de Fofão não tem quem levante a bola para elas! Este problema tem matado a seleção.
Nos Jogos Olímpicos de 2012, após o sufoco da quase desclassificação na primeira fase, Dani Lins jogou 4 partidas inacreditáveis, como nunca havia jogado em toda sua carreira, e levou o Brasil ao bicampeonato olímpico. Porém, do mesmo jeito que ela nunca havia jogado daquela forma, nunca mais voltou a jogar e a carência continua. Por hora, Fabíola ainda não conseguiu desabrochar na seleção e Dani Lins continua sendo a opção menos pior.
No mundial, o Brasil também ficou no grupo B ao lado de Sérvia, Turquia, Canadá, Camarões e Bulgária. É um grupo mais chato e um tropeço nessa primeira fase não desesperaria. As maiores ameaças são Sérvia e Turquia.
Após, também cruzaremos com o grupo A, provavelmente com Itália, República Dominicana, Alemanha e Argentina ou Croácia. Um grupo diria até mais fácil do que o B, apesar da forte equipe da casa e da perigosa República Dominicana. Após isso, também só ficarão as 6 melhores e só teremos jogo duro pela frente.
Creio que o desempenho do Brasil será de acordo com a solução do problema de levantadora. Se alguém salvar como Dani Lins em 2012, diria que nos tornaremos favoritos ao título. Mas sem levantadora, uma classificação para a 3ª fase já estará de bom tamanho.
Já o basquete masculino começa sua saga na Espanha no mesmo dia 30/08, no qual começará o mundial de vôlei, e a final será no dia 14/09.
Depois de um vexame absurdo na Copa América, no qual perdemos para os “possantes” Jamaica, Uruguai e México (que ganhou o louco torneio) e fomos eliminados na 1ª fase sem direito a vaga, o Brasil foi salvo pelo wildcard (convite) da FIBA.
Agora nossa equipe tem a chance e a obrigação de se redimir do circo da Copa América fazendo um bom mundial. É bom lembrar que pelas novas regras da FIBA o país-sede dos Jogos Olímpicos não tem vaga automática no basquete, devendo receber um aval da FIBA para poder ter sua vaga sem disputar qualificatórios. Por mais que essa possibilidade sequer seja imaginada neste momento, nem pela própria FIBA, não custa lembrar que a Confederação Brasileira de Basquete está em situação financeira calamitosa e ainda não pagou em sua totalidade os R$ 2,6 milhões prometidos à FIBA pelo convite.
A própria FIBA admitiu que só deu o convite ao Brasil por um misto de falta de opção e escolha pelo bom nível técnico do mundial, afinal o Brasil estava desfalcado de suas estrelas da NBA, e está aceitando a quitação total só em 2016. Porém nem ela própria acredita que a CBB conseguirá cumprir o acordado.
Para o Mundial a seleção deverá vir completa com as estrelas da NBA, inclusive Thiago Spliter que no mês passado se tornou o primeiro brasileiro campeão da liga americana em uma atuação soberba na série final, compensando as “pixotadas” feitas na final do ano passado.
Essa será a melhor seleção do Brasil desde, pelo menos, 86 e temos boas chances de caminharmos na competição.
É um time bastante experiente, com longas rodagens na NBA e na liga europeia. Como ponto fraco fica a “marcelinho-dependência” que ainda nos acomete. É algo tão escandaloso que o técnico Magnano (o argentino mais querido do basquete brasileiro) pediu “pelo amor de deus” para ele rever a aposentadoria da seleção anunciada. Pedido feito e atendido.
Além disso, a diferença entre o time titular e o reserva em um esporte que utiliza todos os seus jogadores é gigantesca.
No sorteio, o Brasil caiu no grupo A. Pelo terceiro mundial consecutivo, um grupo bastante difícil junto com Espanha, Sérvia, Franca, Egito e Irã. Em condições normais o Brasil seria o 3° ou 4° colocado do grupo, disputando tal posição com a França, se classificando para as oitavas de final.
O problema de se classificar em 4° é que nas oitavas enfrentaria o 1° colocado do Grupo B, que provavelmente será a Argentina, repetindo o confronto de oitavas-de-final de 4 anos atrás no qual fomos eliminados em jogo duro.
De qualquer forma uma passagem para as quartas de final já poderá ser comemorada. É algo que não conseguimos desde 2002 (na qual sofremos outra derrota para a Argentina). Essa é exatamente minha aposta para a seleção: quartas-de-final.
Já a seleção feminina irá… Bem, se o intuito é esquecer a sova tomada no futebol, recomendo fortemente que fujam deste mundial feminino.
Voltando a falar seriamente. Nossa entressafra continua, a seleção é mediana (sendo complacente) e só conseguiu a vaga direta porque os Estados Unidos como campeões olímpicos ganharam vaga automática, liberando a 3ª vaga das Américas para nós.
A única jogadora fora de série desta geração, Iziane, é rebelde (se com ou sem causa, é discussão interessante) e tem tantos ataques de estrelismo que não consegue fazer parte da seleção e pode sequer ser convocada. Sem ela, Érika sozinha não faz milagre. O problema aqui é gigantesco e ainda me reporto aos meus posts pré e pós-olímpicos do basquete porque quase nada mudou de lá para cá. Talvez só tenha piorado.
No mundial, que começará no dia 27/9 a 5/10 na Turquia, o Brasil caiu no grupo A junto com Japão, Espanha e Republica Tcheca; talvez o grupo da morte da competição. Quero estar completamente errado, mas não vejo nossa seleção ganhando de Espanha e República Tcheca e consequentemente dando adeus ainda na primeira fase.
2 Replies to “E agora, José? Acabou o futebol, mas o esporte brasileiro não!”
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