Primeiramente, gostaria de agradecer ao Pedro pelo convite para escrever no blog Ouro de Tolo. Senti-me bastante feliz e lisonjeada com a proposta e, espero, de alguma forma, contribuir com artigos sobre os mais variados assuntos. Esta primeira coluna foi sugestão do próprio Pedro Migão e tem como pauta a disputa eleitoral no meu Estado, o Amazonas.
Neste pleito de 2014 teremos sete postulantes ao cargo de Governador. Entretanto, conforme as pesquisas apontam, a eleição polariza-se entre dois candidatos, quais sejam, Eduardo Braga (PMDB, acima) e José Melo (PROS).
Eduardo Braga já foi governador do Estado no período de 2003 a 2010. Também foi prefeito de Manaus em meados dos anos 90 e, atualmente, é Senador pelo Amazonas. De acordo com as pesquisas eleitorais, possui entre 55 e 60% das intenções de voto, o que o credencia como maior favorito na disputa. Braga é um fenômeno eleitoral, já que tem grande aprovação em todas as classes da sociedade. Durante os dois mandatos de Governador, aliou-se ao então presidente Lula e garantiu milhões em recursos para o Estado, tornando-se um dos governadores mais bem avaliados do país. Entretanto, Braga vem de um grupo político que tem governado o Estado há mais de 30 anos e que teve como maiores lideranças os ex-governadores Gilberto Mestrinho e Amazonino Mendes.
Em segundo lugar nas pesquisas, o Professor José Melo tem as máquinas do Governo e da Prefeitura de Manaus a seu favor. Sempre exerceu um papel de coadjuvante na política do Estado, tendo ocupado o cargo de Vice-Governador nas gestões de Amazonino Mendes e de Omar Aziz. Este, ao deixar o governo em abril para concorrer ao Senado, legou o cargo máximo do Executivo estadual a José Melo, que tenta a reeleição. Todavia, é cria do mesmo grupo político de Eduardo Braga e não apresenta nada de novo na disputa.
Os demais candidatos não alcançam sequer 10% nas intenções de voto. Destaque para os candidatos Chico Preto e Marcelo Ramos. O primeiro teve grande parte de sua carreira política vinculada a Eduardo Braga. Quando Braga governou o Estado, Chico Preto era seu maior defensor na Assembleia Legislativa. Entretanto, com o rompimento de Braga e Omar Aziz, o deputado Chico Preto mudou-se “de mala e cuia” para o ninho de Omar.
Já Marcelo Ramos surgiu como liderança estudantil do Partido Comunista do Brasil – PCdoB – em meados dos anos 90. Foi vereador pelo partido comunista e secretário municipal de transportes urbanos, durante a gestão de Serafim Correa (PSB), entre 2005 e 2008. Neste período, divergiu da direção estadual de seu partido e permaneceu no governo dos socialistas. Após as eleições de 2008, abandonou o PCdoB e migrou para o PSB, legenda pela qual concorre atualmente. Ácido crítico das candidaturas de Melo e Braga, tenta vincular sua candidatura ao fenômeno Marina Silva. Contudo, as pesquisas indicam que Ramos tem apenas 2 a 3% das intenções de voto.
Por fim, é curioso relatar que, no Amazonas, nenhuma das candidaturas majoritárias faz palanque para o candidato à presidência da República Aécio Neves (PSDB). O prefeito de Manaus, o tucano Arthur Neto, até tentou costurar uma aliança entre Aécio e Melo. Este, porém, sabiamente recusou, já que a possível aliança sepultaria de vez suas chances de vencer as eleições.
Estamos apenas a exatos um mês do primeiro turno das eleições. O Amazonas, que nunca levou uma disputa de governo ao segundo turno, deve, mais uma vez, conhecer seu governante no dia 5 de outubro.
Quanto ao Senado, a disputa parece também estar definida. O ex-governador Omar Aziz (PSD) desponta como amplo favorito, com mais de 60% das intenções de voto, ao passo que o candidato do PT, o deputado federal Francisco Praciano tem apenas 14%. Nesta disputa, em específico, Eduardo Braga não tem conseguido converter a sua ampla popularidade em votos para o petista, como ocorrera quatro anos atrás, quando elegeram-se senadores o próprio Braga e Vanessa Grazziotin (PCdoB).
Abraços e até a próxima!
[N.do.E.: Aline Pessoa irá assinar uma coluna quinzenal no Ouro de Tolo, sem dia da semana definido.]