Depois dos jogos do meio de semana, a Copa do Brasil já tem os semifinalistas conhecidos. Atual campeão brasileiro e líder da competição este ano, o Cruzeiro sofreu para eliminar o ABC e vai enfrentar o Santos, que passou por cima do Botafogo (8 a 2 no placar agregado). Já o Flamengo, campeão da Copa do Brasil de 2013, despachou o América-RN e vai encarar o Atlético-MG, que conquistou uma classificação heroica contra o Corinthians.

Para os defensores do mata-mata em relação aos pontos corridos (particularmente vejo espaço para ambos os formatos coexistirem em competições diferentes), este é um prato cheio. Quatro dos grandes clubes do futebol brasileiro se enfrentando em igualdade de condições por um título de nível nacional e que dá vaga na Libertadores.

Obviamente é impossível dizer com exatidão quem vai ganhar esse caneco. Afinal, mata-mata é sempre imprevisível e o imponderável atua. Sem contar que no futebol as coisas mudam muito rapidamente e quem está mal pode ressurgir, enquanto quem está bem pode cair de repente.

cruzeiroxabcEsse é o caso do Cruzeiro. De favoritíssimo a título em qualquer competição que disputasse nesse ou em qualquer planeta do Sistema Solar, ou até mesmo de qualquer galáxia, a Raposa vem de uma sequência claudicantemente inesperada: venceu apenas dois dos últimos cinco jogos pelo Brasileirão e quase foi eliminado por um time de Série B.

Evidentemente, o time sofreu muito com os desfalques de seus dois principais jogadores, Ricardo Goulart e Everton Ribeiro, cedidos à Seleção Brasileira para inossos amistosos. Resta saber se com a volta deles o bom técnico Marcelo Oliveira conseguirá recuperar o padrão do time. Mesmo que não seja aquele padrão avassalador, um padrão normal já seria fundamental. Caso isso aconteça, ainda é o melhor do Brasil.

Dos quatro semifinalistas, o que menos se fala é o Santos. Afinal, o Peixe, apesar de não ser mineiro, foi chegando de mansinho. No começo da Copa do Brasil tinha um futebol sem muito brilho mas que dava pro gasto. Depois, contou com a eliminação do Grêmio (caso Aranha) e se impôs de forma categórica sobre o combalido Botafogo, mesmo sem Robinho.
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Afinal, o Santos não é só Robinho. Os jovens Geuvânio e Gabriel vêm atuando com muita personalidade e são jogadores promissores. O elenco também conta com jogadores experientes como Aranha, David Braz e Arouca. E, mesmo sem ter a velocidade de outrora, Robinho ainda é um jogador muito habilidoso. Num mata-mata pode surpreender.

flamengoxamericarnJá a outra semifinal reunirá velhos e acirrados rivais. O Flamengo também não demonstrou um futebol fantástico, mas obteve uma excelente recuperação no Brasileiro com Vanderlei Luxemburgo no comando e, aproveitando o fato de ter cruzado com dois adversários limitados (Coritiba e América-RN), chegou rapidamente às semifinais.

Evidentemente o Flamengo ainda tem carências, sobretudo na criação de jogadas, mas é um time muito aguerrido e que reconquistou a torcida. É um chavão, mas o Rubro-Negro é sim um time de chegada e o tetracampeonato da Copa do Brasil, que antes parecia um sonho impossível, já não seria um grande absurdo.

Mas o desafio do Flamengo será dificílimo: afinal o adversário é o embaladíssimo Atlético-MG, sem dúvida o que vive melhor momento. A ascensão no Brasileiro é flagrante e a virada sobre o Corinthians foi simplesmente extraordinária, uma das coisas mais legais de se ver no futebol brasileiro este ano.
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Apesar de não estar contando mais com Ronaldinho Gaúcho e Jô (este por problemas disciplinares), Levir Culpi conseguiu recuperar um time que estava em queda e o Galo voltou a demonstrar aquele futebol ofensivo e sufocante visto em 2012 e 2013. Além disso, os atleticanos estão engasgados pela freguesia histórica deles em relação ao Flamengo…

Num palpite baseado puramente na técnica e no momento dos times, uma aposta conservadora seria cravar uma final entre mineiros – no momento, aliás, vejo o Atlético-MG mais com cara de campeão. Mas por tudo que escrevi aqui, cada os quatro semifinalistas têm suas armas e são clubes de camisa.

Quem ganha é o torcedor brasileiro.