Além das eleições presidenciais que tomam conta do país – e devem fazer parte do próximo UFC – algumas outras eleições ocorrem no Brasil dia 26. Para governador nos locais onde ninguém foi eleito em primeiro turno.

O Rio de Janeiro é um deles.

E que eleição complicada a do Rio de Janeiro!! Que candidatos complicados os fluminenses tiveram que escolher esse ano!! O drama continua porque teremos um segundo turno entre dois candidatos que não inspiram total confiança.

Luiz Fernando Pezão. Conhece? Sim, hoje você, especialmente o morador do Rio de Janeiro, conhece já que seu nome foi bem massificado nessas eleições. O que por incrível que pareça muitos não sabem é que ele é candidato a reeleição. Sim, reeleição: porque ele é, pasmem, governador do Rio de Janeiro.

Pezão foi vice de Sergio Cabral nos últimos oito anos e virou governador no início do ano com a renúncia de Cabral. Vários foram os motivos que levaram à renúncia. Primeiro Cabral achou que se elegeria senador e para isso precisava deixar o cargo. Desistiu no meio do caminho do projeto. Cabral saiu para que seu vice se tornasse um nome conhecido e assim mantivesse o PMDB no poder mais 4 anos.

piccianiE dessa forma impede Pezão de tentar uma reeleição em 2018 já que seria um terceiro mandato abrindo oportunidade ao prefeito carioca Eduardo Paes vir na mesma. Eleição que considero barbada, já que ele deve sair muito forte das Olimpíadas em 2016.

Resumindo. Pezão, hoje favorito a vencer a eleição,é mais um poste que surgiu para iluminar a perpetuação no poder de alguns políticos. Prática que começou a se tornar comum com as eleições de Luis Paulo Conde no Rio e Celso Pitta em São Paulo apadrinhados por Cesar Maia e Paulo Maluf respectivamente.

Seu adversário teve a vaga caindo no colo. Marcello Crivella deve agradecer a Deus todos os dias por ter posto Anthony Garotinho em seu caminho. Essa vaga poderia ter sido de Lindberg, mas esse disputava eleitores com Pezão e manteve o nível de votação ridículo do PT fluminense. Foi de Crivella que disputava eleitores com Garotinho.

Crivella é da igreja evangélica como Garotinho, Crivella faz assistencialismo como Garotinho. Mas Crivella nunca foi governador do Rio, não tem alto índice de rejeição e não caiu em desgraça como o pequeno garoto.

Vendeu a ideia de ser um cara simpático e ficha limpa enquanto Garotinho se complicava com ataques de adversários e briga com a Rede Globo. Perdeu a vaga para Crivella no dia da eleição.

Mantendo a tendência das eleições brasileiras de 2014, o segundo turno é uma mistura de Zorra Total e Gigantes do ringue. Uma farsa que nos faz dar risos constrangidos. Pezão resolveu deixar de lado o jeito boa praça para atacar em baixo nível Crivella, associando o mesmo a igreja Universal e provocando medo em parte da população que tem ojeriza à igreja de Bispo Macedo.

Edir MacedoUm medo com sentido. A Universal cada vez aumenta mais seu tamanho, seus tentáculos e dominar um estado como o Rio de Janeiro seria muito importante nesse seu crescimento. O outro lado dessa campanha também provoca medo e tem seus podres, mas pouca coisa apavora tanto quanto o fundamentalismo religioso.

Resumindo: o povo do Rio de Janeiro tá fodi…

Está fundamentalmente entre a cruz e a caldeirinha, numa sinuca de bico. Povo, aliás, que é esquisito porque ao mesmo tempo em que deu votação maciça a Marcelo Freixo deu a Jair Bolsonaro. Povo de cabresto que trata o local onde mora como capitania hereditária, elegendo filhos, irmãos e parentes em geral de políticos. Um coronelismo de frente pro mar e com vista privilegiada.

Mas as eleições de 2014 tiveram seus bons momentos, como a derrocada final de Cesar Maia, e isso abriu margem a dois nomes que surgiram muito bem esse ano.

Um é o professor Tarcisio Motta, candidato a governador pelo PSOL. Começou com seus 1, 2% tradicionais de candidatos nanicos e começou a se sobressair nos debates. Nas últimas semanas ganhou foco com fotos suas caindo em rede sociais curtindo carnaval (abaixo). O que poderia ser jogado contra contou a favor e no fim Tarcisio quase venceu o PT.

O outro é um gigante de 1,68.

Romário se candidatou a deputado federal em 2010 com muitos torcendo o nariz achando que era mais uma celebridade oportunista tentando um empreguinho fácil. Mas o baixinho surpreendeu. Foi voz forte no Congresso, apresentou propostas, enfrentou poderosos e teve mais de 60% dos votos para o Senado, humilhando o outrora poderoso Cesar Maia.

Detalhe. Ninguém dessa vez votou no ex-jogador de futebol e sim no deputado de grande trabalho. [1]

motta3Romário, para mim, hoje é o político mais forte do Rio de Janeiro e seria favorito à prefeitura de nossa cidade em 2016 (ele disse que não quer). Vocês podem dizer “Romário? Tá de sacanagem?” eu respondo com outra pergunta “Quem então?”.

Marcelo Freixo? Vamos ver se o PSOL tem cacife pra isso.

Enquanto isso vamos rezar para que o governador eleito faça uma boa administração. Que Deus não se esqueça que não temos apenas evangélicos no estado ou que a gente não tome um pezão na bunda.

Deus… Taí, ele que fez do Rio de Janeiro o local mais bonito do mundo.

Eu votaria nele.

[N.do.E.: além dos fatores citados, acho que cabe nesta votação consagradora de Romário a altíssima rejeição ao ex-prefeito Cesar Maia. Talvez até um poste fosse competitivo enfrentando o político em questão. PM]

3 Replies to “As eleições no Rio de Janeiro”

  1. Mais umas duas semanas e alguns debates o Tarcísio teria chegado ao segundo turno. E se chegasse o Rio de Janeiro o elegeria no lugar do Pezão. O povo fluminense quer mudanças, mas nessas eleições não tivemos opções. “Lindoberg?” Tenho nojo, mesmo sendo petista. Aliás, ele não é petista. Só está no partido por conveniência política. “Crivella é o novo Garotinho”, sempre disse isso. E vai levar o Rio de Janeiro a falência como fez o Marcelo Alencar. Olhava para as opções e sentia enjoo.

    Em 2016, acho que o Eduardo Paes elegerá o seu sucessor e aposto em Luiz Guaraná como candidato da situação. Romário realmente me surpreendeu, mas não acho que ele deva tentar um cargo no Executivo. Precisamos de pessoas assim no Legislativo e torço para que desempenhe muito bem a sua função até 2022. Freixo é outro nome que deveria continuar a sua luta no Legislativo. O próprio Tarcísio é um nome forte do PSOL para a Prefeitura nas próximas eleições.

    Enquanto isso, no domingo que vem, teremos que escolher entre o candidato apoiado pelo Bispo Macedo e o candidato apoiado pelo Bispo Malafaia. Ai, meu Rio de Janeiro. Tenho vontade de chorar.

  2. Se o PCO e o PSTU defendem a tomada do poder pela luta porque estão disputando eleições? Eles deveriam repaginar o seu discurso para eleger mais membros no Legislativo e começar a lutar por dentro. Não como uma Leão, mas como um vírus. Esse discurso atual só conquista os jovens universitários de classe média. Não precisa mudar a sua ideologia, mas aproximá-la da linguagem do povo. De que adianta falar de Teorias Capitalistas se o povo está mais preocupado em como vai ser atendido em caso de doenças? Tem que mostrar em que essas teorias vão ajudar a população. Ou seja, tem que traduzir esse discurso. Sair dos muros acadêmicos e chamar o povo para a luta. Isso vale para o PSOL também. O povo tem que amadurecer nas eleições legislativas.

  3. Aliás desde o Desgoverno FHC eu já falava: “De que adianta eleger o Lula, se o Congresso será recheado com as velhas raposas?”. A maior decepção do brasileiro é que elegeram o Lula como o Salvador da Pátria, mas ninguém faz nada sozinho. Ninguém governa sozinho. Tem que ter o apoio do Legislativo. E se o Legislativo está cheio de ladrões e aproveitadores, como fazer um governo decente? E não adianta falar que todo político é ladrão porque a culpa deles roubarem é SUA, eleitor. Eles não apareceram lá por mágica. Foi VOCÊ quem deu ao ladrão a chave do cofre. E é nesse nível que precisamos amadurecer. Nessas eleições, depois de anos reclamando não só reconduzimos os velhos ladrões como ainda colocamos os filhos, as filhas, os sobrinhos, as esposas, os netos, ou seja, a quadrilha toda. Mesmo depois de 25 anos ainda temos muito o que aprender sobre Política.

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