O penúltimo Carnaval do Século XX seria também o último em que o desfile das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo seria apenas no sábado de Carnaval. A partir do ano seguinte, 2000, as apresentações aconteceriam em duas noites – sexta e sábado – como é até hoje. Para tal, nenhuma das 12 escolas seria rebaixada e o primeiro grupo passaria a ser composto por 14 agremiações, recorde absoluto na cidade até então. Não estava, no entanto, descartada a ideia de promover todas as oito escolas do Grupo 1 para a elite, formando assim um Grupo Especial com 20 escolas em 2000.

Com duas escolas a mais desfilando na elite, o início dos desfiles foi antecipado das 20h30 para as 19h30, o que faria com que as duas primeiras agremiações não tivessem seus desfiles exibidos pela TV Globo, que entraria com sua transmissão às 21h30. Outra mudança se deu no julgamento: ao invés de três, seriam cinco jurados por quesito e haveria descarte da maior e da menor nota. Foi um Carnaval onde o patrocínio minguou e onde as agremiações se dividiram entre os “enredos CEP”, as homenagens à personalidades e também ao futuro. O ano de 1999 era um prato cheio para previsões de como seria o terceiro milênio.

As escolas buscaram se reforçar para fazer bonito na Avenida. Mesmo não correndo risco de ser rebaixada, a Imperador do Ipiranga teve seu desfile assinado por Pedrinho Pinotti e contou com o sambista Moisés Santiago para cantar o samba ao lado de Serginho KT e Maninho. A Acadêmicos do Tucuruvi contratou o intérprete Vaguinho, que era da Mocidade Alegre e ficou afastado do Carnaval em 1998. A Morada do Samba, por sua vez, não ficou para trás. Manteve Nilson Valentim em seus microfones, mas contou também com a luxuosa colaboração do grande Neguinho da Beija-Flor para gravar o samba no CD e cantar na Avenida.

A Rosas de Ouro contratou o experiente Dom Marcos para puxar o samba ao lado de Polenghi do Cavaco e a Vai-Vai montou um trio de muito respeito: Thobias da Vai-Vai ganhou a companhia do ascendente Agnaldo Amaral e do já conhecido Wantuir, que pela primeira vez cantaria em São Paulo.

Voltando aos enredos, a campeã Vai-Vai resolveu mais uma vez ousar: a Saracura escolheu a misteriosa vida do não menos misterioso Nostradamus, bem como suas previsões, para falar sobre o futuro, o Século XXI. A Nenê de Vila Matilde escolheu uma temática mais leve, optando por exaltar a cidade de São Paulo, aproveitando também para comemorar os seus 50 anos de história. O Camisa Verde e Branco resolveu homenagear o cantor Elymar Santos e a Mocidade Alegre tentava sair do jejum de títulos com um enredo sobre a Bahia.

Depois de um quinto lugar pouco comemorado em 1998, a Gaviões da Fiel também escolheu um Estado brasileiro como enredo, no caso Maranhão, ao passo que a Rosas de Ouro mudaria completamente a linha de seus temas e traria um confuso enredo sobre Céu, Inferno, Purgatório, Dante e pecadores. A Leandro de Itaquera prometia passar mensagens importantes em um enredo que criticava a situação da educação no Brasil e que homenageava o educador Paulo Freire.

Tentando mais uma vez dar a volta por cima, a Unidos do Peruche homenagearia “o cérebro do futuro”, Bill Gates, para contar a história dos computadores, enquanto a X-9 Paulistana pretendia se recuperar do péssimo resultado de 1998 com um enredo sobre a união das nações do Mercosul, em temática semelhante à da Mocidade Alegre em 1994. Última colocada no ano anterior, a Tucuruvi escolheu Santa Catarina como enredo, ao passo que a Águia de Ouro, campeã do Grupo 1, falaria sobre mares e oceanos. Por fim, a Imperador do Ipiranga foi buscar nas origens do folclore e em suas influências, inspiração para uma boa abertura dos desfiles.

A Imperador do Ipiranga abriu a maratona de desfiles apresentando o enredo “Canto da Terra”. O desfile, que começou com um Sambódromo ainda vazio e frio no início da noite de 13 de fevereiro, carregava a assinatura de Pedro Luís Pinotti e foi uma abertura simpática para aquele Carnaval. A escola da Vila Carioca não tinha um potencial financeiro gigantesco ou um samba sensacional, mas conseguiu evoluir bem, com fantasias de fácil leitura e alegorias, embora simples, de bom efeito.

O enredo que falava sobre o índio brasileiro passava longe de ser inédito, mas foi corretamente desenvolvido. Sem a pressão por tentar se manter no primeiro grupo, a azul-e-branca fez um desfile leve, alegre, que não empolgou a passarela, mas serviu como bom aquecimento para a disputa ferrenha pelo título que vinha pela frente.

Na sequência, a Águia de Ouro veio falar do mar com o enredo “A criação do terceiro dia”. O enredo, como era de se esperar, tinha um ponto de partida bíblico, a criação Divina. Como se sabe, a Bíblia conta que, no terceiro dos seis dias de criação do Mundo, foram criados os mares. E era a parir daí que a agremiação da Pompéia contaria sua história.

Com um samba mais animado e componentes ainda mais empolgados, a Águia superou as expectativas ao apresentar alegorias relativamente grandes e ligeiramente luxuosas. A evolução foi impecável e a escola preencheu corretamente os espaços do Anhembi. As fantasias, claro, usaram muito do azul e conseguiram excelente efeito. Até porque as diferentes tonalidades da cor foram bastante exploradas e a escola não foi monocromática.

É verdade que, apesar do bom acabamento, as alegorias podiam ter uma concepção mais feliz por parte do carnavalesco Virgílio, que também pecou um pouco no desenvolvimento do enredo, que me soou um pouco confuso. Ainda assim, a impressão geral do desfile foi bastante positiva, principalmente por conta da empolgação fora do comum dos componentes e do excelente desempenho da bateria.

A briga pelo título começou a esquentar quando o Camisa Verde e Branco pisou na Avenida para defender o enredo “Escancarando Corações Verde e Branco, Elymar Mais Popular”. Muito antes de se tornar compositor de samba-enredo, o músico Elymar Santos, torcedor declarado da Imperatriz Leopoldinense, recebeu uma homenagem no Sambódromo do Anhembi.

Tito Arantes iniciava o enredo de maneira um pouco inusitada: com Apolo, o deus da Poesia, tocando sua lira no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, para anunciar o nascimento de Elymar. O carnavalesco buscou explorar no primeiro setor a infância pobre do cantor, cujo cenário serviu como base para suas primeiras influências musicais. Tito ainda teve a sacada de lembrar que, quase ao mesmo tempo em que nascia Elymar, nascia também a própria Imperatriz.

A parte biográfica do desfile seguiu com os seus primeiros empregos – vendedor de brinquedos, office boy e pesquisador do Ibope -, suas primeiras tentativas de sucesso em programas de calouros e seus times de futebol: o Flamengo no Rio e o São Paulo na Terra da Garoa. O enredo não teve um desenvolvimento muito feliz. Depois de todo esse preâmbulo desnecessário, sobrou pouco tempo e espaço para falar de seus sucessos e nenhum – nenhum mesmo – para tirar o tema do lugar-comum. Àquela época isso ainda não existia, mas a verdade é que o enredo parecia mais um verbete da Wikipédia.

A escola passou fria. O samba não era propriamente fantástico e o Camisa não conseguiu empolgar. Faltou, em suma, algo mais popular, que escancarasse corações, como o enredo já dizia em seu título. Ainda com dificuldades financeiras, a escola apresentou um conjunto alegórico superior às duas primeiras agremiações, mas que parecia insuficiente para brigar lá em cima. Para piorar, o Trevo da Barra Funda conseguiu reunir apenas 47 baianas, sendo que o mínimo exigido era de 50, e fatalmente perderia cinco pontos na apuração.

Cercada de curiosidade pelo enredo diferente que escolheu, a Unidos do Peruche foi a quarta escola a pisar na Avenida. O tema “Bill Gates – o cérebro do futuro” não contou, apesar das intensas investidas da Filial do Samba, que passou quase um ano contatando a Microsoft, a presença do próprio Bill Gates. Apesar de toda a dificuldade que já era esperada para trazer o empresário ao Anhembi, a escola prometia que ele viesse no último carro, o do Bug do Milênio, mas isso não aconteceu.

Com ou sem Bill Gates e com ou sem rebaixamento, era hora da Peruche acordar. Não dava mais para ficar sempre lá na parte baixa da tabela com apresentações decepcionantes. Não dava, mas foi assim que aconteceu. No último desfile da década, a Peruche foi a síntese do que foi nos anos 90: uma gigante adormecida, que nem de longe lembrava o que já tinha sido em tempos pré-Anhembi.

No Carnaval, toda ousadia é bem-vinda, mas a verdade é que o enredo da Filial do Samba era quase suicida. Além da evidente falta de apelo popular – vale lembrar que, em 1999, computador ainda não era exatamente um item certo na maioria das casas brasileiras e a internet ainda era coisa de filme de ficção científica por aqui -, o enredo era difícil de dar samba – tanto que não deu – e, se gerou alegorias com concepção interessante e futurista, como já havia dado certo no Rio de Janeiro, era difícil de se preencher em fantasias.

O público presente no Anhembi pareceu, como esperado, não ter entendido exatamente qual era a proposta do tema. Não entendeu bem o que cada alegoria representava e não correspondeu ao desfile. Foi uma apresentação fria, excessivamente técnica e que, com os problemas financeiros que a escola tinha, representados fielmente nas falhas de acabamento de alegorias e fantasias, certamente levaria a Peruche a, mais uma vez, olhar para a parte inferior da classificação.

Quem conseguiu apresentar uma evolução interessante em relação ao desfile anterior foi a Acadêmicos do Tucuruvi, que homenageou os catarinenses com o enredo “Santa Catarina – o circuito da alegria”. O Carnavalesco Jerônimo Guimarães foi muito feliz e a agremiação da Cantareira fez o melhor desfile da noite até então. O intérprete Vaguinho, talvez vivendo o pior momento de sua carreira tecnicamente falando, estava completamente rouco, mas não prejudicou o canto dos componentes, que também estavam bastante soltos e evoluíram com facilidade, a despeito das fantasias pesadas.

O samba, se não era dos mais poéticos, era bastante animado e tinha um refrão simples de ser cantado. A Tucuruvi, no entanto, ficou marcada mesmo pelo visual. A comissão de frente apresentou uma das mais belas indumentárias daquele Carnaval e abriu bem o caminho para um abre-alas simples, mas muito bem acabado, que representava os mares catarinenses.

O enredo foi desenvolvido não apenas com correção, mas também com muita criatividade. O Zaca soube apresentar bem o Estado de Santa Catarina como um destino de turistas do mundo inteiro e isso gerou alas criativas, como a dos guarda sóis e a das embarcações usadas por estrangeiros, que carregava uma espécie de caravela com várias bandeiras de nações dos quatro cantos do Planeta.

É claro que a Tucuruvi não tinha potencial financeiro para disputar com o título, mas, sem a pressão do rebaixamento, a escola se sobressaiu em um ano de poucos desfiles notáveis. A alegria demonstrada por Imperador do Ipiranga e Águia de Ouro esteve presente, mas a parte plástica também ajudou. Foi uma apresentação bastante simpática e, embora difícil, não era absurdo sonhar com uma das cinco vagas no Desfile das Campeãs.

nene1999Amparada mais uma vez por um dos melhores sambas do ano, a Nenê de Vila Matilde pisou na Avenida para apresentar o enredo “Voa, Águia, que Sampa é toda tua”. Um enredo que mais uma vez tinha um grande apelo popular e conquistou as arquibancadas desde o início. Aliás, a escola já conquistou o público no esquenta, quando emendou um pout-pourri de grandes sambas dos anos anteriores, como por exemplo “Narciso Negro”.

Já dissemos aqui que foi um ano de apresentações menos empolgantes. Pois se faz necessário endossar essa informação e adicionar um complemento: a Nenê foi a única das 12 escolas do Grupo Especial de 1999 que animou a Passarela do início ao fim. A Águia da Zona Leste apresentou um desfile ainda melhor que o de 1998 nos quesitos plásticos e foi, aos poucos, se colocando como grande favorita ao título.

O padrão das alegorias era muito superior ao que São Paulo costumava ver. O lindíssimo abre-alas com uma imponente águia toda em branco, trazia o letreiro: “Nenê 50 anos”. Além de todos os adereços, o carro ainda trazia uma luz artificial própria, o que era pouco usual à época. O enredo tinha uma concepção muito interessante, pois prometia: a Águia vai voar por São Paulo.

O desfile começava homenageando os imigrantes que construíram a cidade e trouxe uma divisão cromática interessantíssima. As fantasias, muito coloridas, garantiram ótimo efeito e tinham fácil leitura. O público foi, aos poucos, empolgando o público, que se via surpreendido a cada alegoria que passava pela Passarela. De fato, a apresentação da Nenê vinha em uma crescente impressionante.

Voltando a falar do samba, ele era a síntese quase perfeita do enredo. Tinha grandes sacadas como adjetivar São Paulo de “tão feia e tão bela”. Era, em suma, uma declaração de amor que quase todo paulistano faz à Cidade. Uma Cidade que, com todos os problemas tem o amor e a defesa incondicionais de todos os paulistanos. Até por isso, as respostas nas arquibancadas eram as melhores possíveis. À medida que o desfile ia chegando ao fim, apareciam os primeiros gritos de “é campeã” vindos do público.

De fato, começava a ficar difícil imaginar o título saindo da Vila Matilde. Começava. Um desfile que vinha quase perfeito sofreu um duro baque quando o penúltimo carro, que representava a noite paulistana, emperrou, quebrou e não entrou na Avenida. O público mal notou e continuava vendo a Nenê como provável campeã – mesmo com outras seis escolas, a maioria de ponta, para desfilar -, mas, sob uma visão técnica, as coisas haviam se complicado. Para piorar, a Nenê ficou tempo demais na pista e teve de apressar o passo no fim para não estourar o tempo máximo de desfile. O título estava quase perdido, mas a expectativa por um bom resultado continuava grande.

O acidente de percurso da Nenê foi lamentável, mas não chegou nem perto do que aconteceu com a Mocidade Alegre, sétima escola a desfilar. O desfile “Bahia…! Um Porto Seguro” também tinha tudo para ser o melhor da escola na década, mas enfrentou uma série de problemas e acabou sendo mais uma apresentação para se esquecer.

O ainda novato carnavalesco Wagner Santos fez o primeiro grande trabalho de sua carreira. Desenvolveu corretamente o enredo, apostou em fantasias de cores vivas e, mesmo com o potencial financeiro reduzido da escola do Limão, conseguiu um ótimo efeito. A Morada fazia uma apresentação boa, que não dava esperanças de título, mas que também não lembrava os anos anteriores, que foram marcados por desfiles pouco felizes.

Tudo ia bem até o quarto carro, “Lavagem do Senhor do Bonfim”, emperrar na concentração. Um dos principais eixos do carro quebrou e ele não foi nem para frente, nem para trás. A tempo hábil, não era possível nem que ele entrasse, nem que ele fosse retirado para a passagem das duas últimas alegorias, a do Pelourinho e a dos trios elétricos baianos. Resultado: apenas três alegorias passaram pelo Anhembi, dois a menos que o permitido e, além dos descontos óbvios em enredo e alegoria, a escola ainda perderia cinco pontos pelo regulamento. Mais uma vez, um Carnaval para se esquecer dos lados do bairro do Limão.

Quem também esperava se recuperar do ano anterior era a X-9 Paulistana, que contou o enredo “Laços e abraços no mundo do Mercosul”. Ainda que seu samba-enredo não fosse uma obra-prima, ele caiu no gosto do público no início do desfile por conta do refrão fácil de se cantar. Nisso, é claro, fez diferença a presença do grande Royce do Cavaco que, no esquenta e no grito de guerra, chamou o público para “bater na palma da mão”.

Com o tempo, o samba foi se arrastando um pouco e o público foi se sentando. No entanto, plasticamente o desfile seguiu um ritmo bastante interessante do início ao fim. A X-9 se aproximou do padrão das alegorias de 1997: apresentou um bom acabamento, fantasias luxuosas e acima do padrão da época. O abre-alas, por exemplo, em verde e vermelho trazia duas enormes serpentes no chão e que se movimentavam, garantindo bom efeito.

É verdade que o enredo não era dos melhores. O acordo entre países sul-americanos era importante politicamente, mas estava longe de sustentar um desfile de escola de samba. Assim, o próprio Carnavalesco Augusto de Oliveira tratava de explicar: “o Mercosul era só uma inspiração para o que eu pretendo contar”. O que ele pretendia contar, na verdade, era uma mensagem sobre a importância de boas relações entre os vizinhos daqui debaixo da Linha do Equador. Ideia interessante, mas que, ainda assim, não foi suficiente para que o enredo não se repetisse.

Por outro lado, a X-9 foi a primeira escola da noite a apresentar alegorias grandes, bem acabadas, bonitas e que não tiveram nenhum tipo de problema do início ao fim. Todos os carros saíram do Anhembi como chegaram e, em um Carnaval marcado por erros, isso podia ser o grande diferencial na briga pela taça.

É necessário dizer, todavia, que não foi um desfile imune de erros. Se o público se cansou do samba aos poucos, o mesmo pode ser dito dos componentes, que começaram com tudo, mas tiveram uma queda progressiva de euforia ao longo do desfile. No final, algumas alas já não cantavam mais o samba e, para piorar, a evolução, impecável durante a maior parte do desfile, abriu dois enormes buracos depois da saída da bateria do recuo. Ainda assim, quesito a quesito, essa havia sido uma das melhores apresentações do ano até então e o título não estava descartado.

vaivai1999O desfile da Vai-Vai prometia ser polêmico e assim foi. Mais do que isso, não faltou confusão na preparação do enredo “Nostradamus”. O Carnavalesco Chico Spinosa prometia fazer uma viagem pelas profecias do dito cujo, que envolviam temas bastante delicados. Nostradamus previu, por exemplo, que, futuramente, nasceria um “anti-cristo” na Alemanha, previsão que muitos associam a Hitler. Por isso, Chico fez uma ala com representações da suástica nazista.

Ocorre que a Comunidade Judaica Brasileira, que sempre costuma fazer marcação forte sobre esse tipo de tema, pediu para que a escola não levasse o símbolo do nazismo para a Avenida. Assim, a diretoria da Vai-Vai optou por cobrir as suásticas com tarjas pretas, simbolizando luto, o que irritou profundamente o carnavalesco. Chico, que só soube da decisão ali na concentração, gritava que, no Desfile das Campeãs, as suásticas viriam de qualquer maneira.

Apesar dos conflitos internos que antecederam o difícil e pesado carnaval da Vai-Vai, a escola foi uma das poucas a fazer um desfile sem grandes problemas. Acostumada a ganhar campeonatos com seu chão pesadíssimo, a Saracura se colocou entre as favoritas naquele 1999 de outra maneira: com um desfile técnico. As boas alegorias e fantasias, somadas à impecável evolução e à sempre firme harmonia garantiram uma apresentação praticamente perfeita dentro dos dez quesitos.vaivai1999b

O samba, que não era exatamente uma obra-prima, foi muito bem cantado pelo trio Agnaldo Amaral, Thobias da Vai-Vai e Wantuir. Mestre Tadeu, por sua vez, garantiu mais um desempenho impecável da Bateria Pegada de Macaco. Assim, ficou mais fácil notar o excelente trabalho de Spinosa, que usou de alguns efeitos de luz nos carros alegóricos e conseguiu, na medida do possível, suavizar o enredo.

Em alguns momentos, aliás, faltou até um pouco de sutileza. O carro do Titanic, por exemplo, parecia se tratar de qualquer coisa, menos de uma tragédia. Destaques simulavam a histórica cena do casal protagonista do filme sobre o acidente enquanto os demais sorriam. Nem o iceberg causador de toda a desgraça apareceu. De todo modo, foi uma apresentação sem sobressaltos, que credenciava a Vai-Vai, a despeito de não ter empolgado o público, ao título.

Passados dois desfiles sem grandes problemas, os dramas voltaram a acontecer no desfile da Rosas de Ouro, que apresentou o enredo “A Divina Comédia de um Folião”. Antes mesmo do início do desfile, o carro abre-alas empacou na concentração e não ia nem para frente, nem para trás. E foi aí que aconteceu o momento mais emocionante do Carnaval de 1999 e um dos mais emblemáticos da história do Anhembi. Um momento que comprovou de uma vez por todas a grandeza do então Presidente da escola, Eduardo Basílio.

O nervosismo tomou conta de toda a concentração. Componentes choravam e se desesperavam para tentar solucionar o problema e então surgiu uma ideia: os empurradores sugeriram ficar abaixo do carro e leva-lo no braço por todo o Anhembi. Era a única chance do primeiro carro entrar na Avenida a tempo hábil e não prejudicar todo o desfile. Foi aí então que, com uma serenidade impressionante para um momento daquele, Seu Basílio, com sua habitual voz mansa, vetou a ideia: não queria colocar em risco a vida e a integridade física dos componentes que estivessem sobre a alegoria.

Com um sorriso sincero no rosto, repetia à reportagem da Globo, enquanto outros componentes já levavam as letras do abre-alas para o segundo carro: “esse acidente tira as nossas chances, mas Carnaval tem todo ano, o que eu não posso é colocar essas pessoas em risco”. A nobre ordem de Seu Basílio, no entanto, não foi cumprida e sem que ele percebesse, o primeiro carro foi carregado pela Avenida até que seu eixo fosse consertado.

O problema evidentemente provocou um abatimento nos componentes, que mais choravam que sorriam. A ideia do Carnavalesco Raúl Diniz era fazer da Roseira uma escola mais alegre e isso, infelizmente, se perdeu com o acidente. Aliás, apesar do bom desfile, a Rosas de Ouro fez uma apresentação bastante confusa do ponto de vista do desenvolvimento do enredo. Como também já disse aqui em algumas oportunidades, Raúl, inegavelmente um dos melhores profissionais da cidade em termos de criatividade e capricho, sempre teve alguma dificuldade na hora de desenvolver os seus temas.

Com “A Divina Comédia de um Folião”, infelizmente, não foi diferente. A ideia central era viajar pelos sete pecados Capitais e mostrar um pouco da obra de Dante, “A Divina Comédia”, escrita lá no Século XIV. Assim, a Roseira traria os diferentes Infernos de Dante para a Avenida. Não sei se por conta da tentativa de suavizar o tema com uma pitada de bom humor ou por falta de clareza na concepção de alegorias e fantasias, a verdade é que tudo acabou ficando um pouco confuso.

A impressão que ficou é que a Rosas de Ouro tinha dois enredos em um só: um sobre pecados Capitais e outro sobre a obra de Dante. Em todo caso, o nível das alegorias e fantasias estava bastante interessante, no nível das principais concorrentes. Apesar de não estarem muito luxuosos, os carros traziam belas esculturas e foram prejudicados apenas por serem, em sua maioria, monocromáticos. Aliás, a divisão cromática poderia ter sido mais bem feita: os primeiros setores tiveram excesso de roxo e talvez fosse mais interessante mesclar com tonalidades mais claras, que começaram a aparecer na segunda metade do desfile.

As fantasias, por outro lado, foram o ponto alto do desfile. A do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, essa sim toda em branco, foi a mais bela da noite e o samba agradou bastante e foi bem acompanhado pela bateria. As fantasias, leves, ajudavam o canto dos componentes, que foram ficando mais soltos ao longo do desfile, à medida que aquele problema do começo foi ficando para trás. Usando de muitas plumas, Raúl conseguiu ótimo efeito nas alas, o que beneficiou o conjunto visual da Roseira. Outro ponto a se lamentar, por outro lado, foi a evolução completamente confusa da escola da Freguesia do Ó.

Além de deixar espaços muito grandes entre as alas e as alegorias, a evolução durante a entrada da Bateria no recuo foi um completo desastre. As alas subsequentes literalmente correram para não deixar um “clarão” gigantesco no desfile e até o pessoal mais lento alcançar os mais apressadinhos, levou um tempo considerável. No geral, foi um bom desfile, mas prejudicado por uma série de problemas que tiravam da Rosas qualquer chance de título.

Na sequência, a Leandro de Itaquera entrou na Avenida cercada de expectativa. O enredo e o samba “Educação um salto para a liberdade ‘Por Paulo Freire’” eram muito bem avaliados no meio e, no Anhembi, o Leão Guerreiro cumpriu com as projeções e voltou a fazer um bom desfile no Grupo Especial. A mensagem da importância da educação, que passaria pelo Sambódromo em outras oportunidades em anos seguintes, foi transmitida através da figura do educador Paulo Freire e transbordou clareza.

Já com o dia começando a surgir na Terra da Garoa, a escola fez uma apresentação bastante simpática. A Leandro era nitidamente uma escola mais humilde e evidentemente não poderia bater de frente com as grandes potências, mas acabou se destacando em um ano de poucos desfiles marcantes. O já citado samba se destacou muito mais por conta da letra irrepreensível que por conta da melodia, muito lenta. A letra era de fato muito boa e resumia bem o enredo, além de ganhar, é claro, com a voz de Eliana de Lima.

Marco Aurélio Ruffim mais uma vez se destacou por ser um dos Carnavalescos que mais sabem trabalhar com orçamentos reduzidos. Bolou alegorias e fantasias criativas e de bom efeito, ainda que com materiais mais baratos. Os carros eram quase auto-explicativos e as fantasias estavam bastante coloridas. Os componentes estavam animados e também não tivemos muitos problemas na evolução. Assim, ainda que o potencial econômico reduzido não trouxesse esperanças de título, havia a expectativa por um bom resultado.

gavioes1999Por fim, já com o sol raiando, a Gaviões da Fiel iniciou o último desfile de 1999. “O príncipe encoberto ou a busca de S. Sebastião na Ilha de São Luiz do Maranhão” não era um enredo com o perfil dos componentes da escola e isso acabou se refletindo no samba, provocando reações pouco vistas na escola tanto por parte dos componentes, quanto nas arquibancadas. De início, foi vista aquela euforia habitual, com a arquibancada cantando forte. Depois de cerca de 15 minutos, no entanto, o público foi esfriando e passou a apenas balançar as bandeirinhas distribuídas pela diretoria da escola.

Para piorar, não faltou drama na concentração. A comissão de frente se atrasou e chegou apenas quando o carro de som já fazia seu esquenta. As alegorias também ficaram prontas em cima da hora e os destaques só subiram nos carros quando o cronômetro já fora disparado. Aliás, algumas alegorias foram acabadas, ou mesmo acopladas, já com o desfile em andamento.

Quando tudo ficou pronto e a escola entrou na Avenida, tudo isso foi para o espaço. Depois de uma leve queda de rendimento, a Gaviões voltou a apresentar o padrão de qualidade mostrado no meio da década e fez, talvez, o desfile mais luxuoso de sua história até então. Para começar, o enredo foi muito bem desenvolvido por Roberto Szaniecki e fugiu do lugar-comum (que à época nem era tão comum assim) dos enredos CEP. A ideia de retratar a lenda do português D. Sebastião foi muito interessante.gavioes1999c

O abre-alas foi, com alguma folga, o melhor de 1999. Todo em dourado e com símbolos que remetiam à Coroa Portuguesa, estava impecavelmente bem acabado e manteve o padrão da comissão de frente, que estava muito bem coreografada. Uma pena que, durante o desfile, um dos componentes perderia o seu chapéu. Desfilando de dia, a escola optou por abandonar um pouco o preto, predominante em anos anteriores, e usou muito amarelo e vermelho. A exceção foi o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira que, representando a luta entre o bem e o mal, veio todo em alvinegro. A divisão cromática foi muito interessante e usou tonalidades sempre muito pertinentes a cada setor do enredo.

Gostei muito do segundo carro, o da Batalha de Alacer, que simbolizava a disputa entre espanhóis e portugueses que teria vitimado D. Sebastião. As alas subsequentes, lembrando os demais países colonizados por Portugal, também ganharam excelente fantasias. A fantasia do segundo casal, toda em branco e com motivos portugueses, foi a mais bonita do desfile. Quando o desfile enfim chegou ao Maranhão e suas colonizações francesa, holandesa e portuguesa, a Gaviões se colocou de vez como maior favorita ao título.

O branco voltou a aparecer com força e algumas alas se destacaram: a da Lenda da Praia dos Lençóis, que estaria esperando alguém quebrar seu encanto para que entregasse todos os seus tesouros, veio com uma linda fantasia em azul claro e branco, adereçada com muitos plumas. As lendas maranhenses continuaram ganhando espaço em alas de fácil leitura e em uma linda alegoria. Já a ala da Festa do Divino, em laranja e branco, se destacou pela riqueza de detalhes. Exaltando as belezas naturais do Maranhão, a riqueza cultural, a religião e o boi-bumbá, a Gaviões ia encerrando o seu desfile como a maior favorita ao título…

… até estourar o tempo máximo o desfile. A escola não conseguiu encerrar a sua apresentação em 65 minutos e, além da perda de pontos, ainda tomaria uma multa por não retirar seus carros da dispersão no tempo máximo estipulado. Posteriormente, a Fiel Torcida escaparia das duas punições alegando que, tanto o estouro no tempo quanto o atraso na retirada dos carros foi causada justamente por conta do “engarrafamento” de alegorias por ali, deixadas por outras escolas. Segundo a diretoria, punir a Gaviões seria admitir que a última escola a desfilar entraria em uma enorme desvantagem em relação às demais.

A Liga aceitou a argumentação e a escola não foi punida, se tornando assim a grande favorita ao título, com Vai-Vai, X-9 e Nenê de Vila Matilde também sonhando com a taça. A Rosas de Ouro, apesar do bom desfile, corria muito por fora e tinha tantas chances quanto a Leandro de Itaquera, mas as perdeu por completo ao ser punida em cinco pontos por excesso de integrantes entre a comissão de frente e o abre-alas (oito, cinco a mais que o permitido). A apuração foi bastante tumultuada, paralisada algumas vezes, e teve notas bastante contestadas. Mestre Lagrilla, da própria Leandro, por exemplo, não entendeu os dois 9,5 que o Leão Guerreiro recebeu em Bateria, enquanto o Camisa Verde e Branco se surpreendeu com dois 9,5 para o seu casal sempre nota 30 de mestre-sala e porta-bandeira.

Também causou estranheza o fato da Gaviões ter gabaritado o quesito comissão de frente mesmo com o problema da perda do chapéu por parte de um dos componentes. A grande confusão na apuração, no entanto, se deu ao final da leitura das notas. Depois da Nenê liderar a contagem nos seis primeiros quesitos, tanto a Gaviões, quanto a Vai-Vai terminaram com 299,5 pontos dos 300 possíveis. O grande problema era que o regulamento não dizia nada sobre critérios de desempate. Não dizia nem se eles existiam ou se um empate em pontos levava as agremiações à mesma colocação, como acontecia em anos anteriores.

Para piorar, as duas possíveis saídas para acabar com o empate, que foram usadas em outros anos, levavam a campeãs diferentes. Se fossem consideradas as duas notas descartadas por quesito, a Vai-Vai somaria 496,5 pontos contra 492,5 da Gaviões. Se fosse adotado o critério do ano anterior, de desempate por peso do quesito. As duas terminaram empatadas com nota 30 nos quatro primeiros – bateria, harmonia, evolução e melodia -, sendo o desempate decidido no quesito letra do samba. Neste, a Torcida Que Samba somou 30 pontos contra 29,5 da Saracura.

Lembrando da rivalidade existente entre as escolas, o leitor pode imaginar a confusão. Assim, o Presidente da Liga, Robson de Oliveira, decidiu que o empate era a melhor saída para resolver o impasse. Para dar maior credibilidade à decisão, ele disse que considerou os três primeiros quesitos-desempate, onde ambas haviam somado nota máxima, e, com a igualdade, optou por dividir o título. Por todos os pequenos problemas que a Gaviões enfrentou e pelo desfile convencional feito pela Escola do Povo, não acabou sendo de todo injusto.

O vice-campeonato ficou com a Nenê de Vila Matilde, que perdeu o título nos quesitos evolução, mestre-sala e porta-bandeira e comissão de frente, somando 297 pontos. A X-9 Paulistana acabou em terceiro com 294,5, seguida por Leandro de Itaquera e pela Acadêmicos do Tucuruvi, que conseguiu pela primeira vez uma vaga, a última delas, no desfile das campeãs. A vaga foi conquistada apenas por conta da punição à Rosas de Ouro, que acabou em sexto com 286 pontos, 1,5 a menos que o Zaca. Com os cinco pontos perdidos, a Roseira teria ficado em quarto lugar.

A Mocidade Alegre e o Camisa Verde e Branco, sétimo e oitavo, também perderam a oportunidade de voltar a desfilar por conta dos cinco pontos perdidos. Com 285,5, a Morada também seria a quarta colocada sem a punição, assim como o Trevo da Barra Funda, que somou 284,5. Por fim, vieram Unidos do Peruche, Águia de Ouro e Imperador do Ipiranga. No Grupo 1, Tom Maior e Morro da Casa Verde garantiram suas participações no Grupo Especial em 2000, enquanto as demais escolas aguardariam a decisão da Liga de subir todo mundo para a elite, ou fazer o primeiro grupo com “apenas” 14 agremiações, o que acabaria de fato acontecendo.

Curiosidades

– Mais uma vez, a TV Globo contou com o narrador Cléber Machado e Mariana Godoy no comando da transmissão dos desfiles. Maurício Kubrusly seguiu firme nos comentários.

– Essa foi a última vez até o presente momento em que a emissora carioca deixou de exibir algum desfile do Grupo Especial Paulistano ao vivo. No caso, a Imperador do Ipiranga teve sua apresentação exibida em compacto ao final dos desfiles.

– Wantuir só voltaria a cantar no Carnaval de São Paulo em 2014, quando foi o intérprete da Acadêmicos do Tucuruvi. O cantor não teve o seu contrato renovado com a agremiação da Cantareira para 2015.

– Falando em Tucuruvi, a escola foi a responsável pelo retorno do intérprete Vaguinho ao Carnaval. Afastado dos desfiles em 1998 por se dedicar à religião e para tentar abandonar as drogas, ele voltou para não sair mais. Depois da Tucuruvi, fez sucesso por diversas agremiações como Leandro de Itaquera, Mancha Verde e Tatuapé, onde está hoje.

– A falta de patrocínios prejudicou a qualidade dos desfiles. O aumento de 10% da subvenção da Prefeitura não conseguiu sanar as dificuldades financeiras das escolas.

– Depois de resolvidos os problemas da Nenê de Vila Matilde, o saudoso Alberto Alves da Silva, Seo Nenê, com uma latinha de cerveja na mão, brincava: “Não interessa a quebra do carro. A Nenê é campeã sempre. A Vai-Vai só tem garganta, fala demais”.

– Na concentração, sentado sobre a alegoria da lavagem do Senhor do Bonfim, que causou todo o problema, o Carnavalesco Wagner Santos chora e, inconsolável, repetia: “estragaram o trabalho de um ano todo”.

– O refrão do samba de 1999 da X-9 Paulistana fez sucesso, mas foi só o primeiro da linha “arrasta-povo”, que seria a grande marca do desfile em 2000.

– O tema da Leandro de Itaquera, a importância da educação, renderia um título no Carnaval de 2008, quando a Vai-Vai se sagrou campeã.

– Outro enredo que voltaria a passar pelo Anhembi foi o da Gaviões da Fiel: a capital do Maranhão receberia a homenagem da Acadêmicos do Tucuruvi no Carnaval de 2010.

– Volante do Corinthians, Gilmar Fubá saiu ao lado de outros jogadores do time no desfile da Gaviões. Ele, por outro lado, já havia desfilado em seis das outras 11 agremiações. Sem saber da mudança de regulamento que elevaria o número de participantes do Especial, ele prometia sair nas 12 agremiações em 2000.

– Depois da zona que se instalou em 1998, o camarote da Prefeitura recebeu um público reduzido em 1999: 1500 convidados, dentre eles o prefeito Celso Pitta.

– Com o título, a Vai-Vai superou o Camisa Verde e Branco e empatou com a Nenê de Vila Matilde no posto de maior campeã do Carnaval de São Paulo, com dez conquistas cada uma. O bicampeonato foi o quarto título da Vai-Vai no Sambódromo (1993, 1996, 1998 e 1999), superando a marca da Rosas de Ouro (1991, 1992 e 1994).

– A Gaviões foi a primeira escola a vencer dois títulos no Anhembi depois do “trio de ferro” Vai-Vai, Camisa e Rosas de Ouro.

– Dentre as muitas escolas que saíram irritadas da apuração, nenhuma superou a Nenê de Vila Matilde. O Presidente Betinho berrava: “Os jurados trazem a nota pronta de casa. Isso é caso de polícia”. O vice-presidente Adalberto Alves da Silva destacava que o povo aprovou o desfile e “os jurados parecem não fazer parte do povo”. A frustração por não quebrar o jejum de 14 anos sem título também chegou à Carnavalesca Vaníria Nejelschi, que não entendia o fato de sua comissão de frente ter tido nota inferior à da Imperador do Ipiranga, última colocada.

– Aliás, nem o Presidente da Vai-Vai, Solón Tadeu, entendeu o 1,5 perdido pela escola da Zona Leste no quesito Evolução.

– Já a diretoria da Rosas de Ouro, se retirou da apuração assim que foi anunciada a punição, que não havia sido notada durante o desfile e só foi vista no vídeo do desfile.

Vídeos

O início do desfile da Tucuruvi
https://www.youtube.com/watch?v=PXyrlHuOaCw

A excelente apresentação da Nenê
https://www.youtube.com/watch?v=a0ZwomJEo1c

Um pouco da campeã Vai-Vai
https://www.youtube.com/watch?v=Us6SL4RVZYk

Em duas partes, o drama da Rosas de Ouro

https://www.youtube.com/watch?v=_XNMlgtQ4uQ

O desfile da Roseira
https://www.youtube.com/watch?v=ee49DGPUpEw

A outra campeã, Gaviões da Fiel
https://www.youtube.com/watch?v=uKrYGWp9HS8

4 Replies to “Bodas de Prata – 1999: rivais, Gaviões e Vai-Vai dividem último título do “Carnaval de um dia só””

  1. Dois detalhes: Primeiro que o Neguinho da Beija-Flor já havia desfilado na Mocidade Alegre em 1998. E segundo que ele não participou da gravação do CD em ambos os anos.

  2. Caramba, show de bola a lembrança sobre a participação do Neguinho da Beija-Flor na Morada, eu mesmo não sabia dessa história, sobre os desfiles, pouco a acrescentar ao texto.

    Apesar da divisão, acho que a Gaviões no todo foi superior ao Vai-Vai, principalmente no quesito Enredo, aliás, se fosse dividir o título, a Gaviões deveria ter dividido com a Nenê que fez um desfile melhor que a Vai-Vai pra mim.

    Houveram muitos problemas nos desfiles, o que é sempre uma pena, isso prejudica bastante a análise das escolas, inclusive das melhores.

    Sobre a questão da transmissão, desde 2000 não temos nenhum escola sem ser transmitida num todo em SP, e pensar que no Rio isso acontece, é…

    Pra concluir, o grande vencedor do Carnaval, foi o seu Eduardo Basílio, que ato de grandeza espetacular, a ordem foi desacatada, mas o ato foi doce, gentil e de uma grandeza peculiar, grande Basílio.

    Que venha 2000, e um dos carnavais mais polêmicos da era Anhembi.

  3. Comentando a poucas horas de um novo texto ser inserido na página (O do carnaval de 2000), não posso deixar de registrar algo neste que foi, de fato, o primeiro carnaval paulistano que eu comecei a acompanhar.
    Quando digo comecei, deve-se ao fato de ter assistido à maioria dos desfiles (O sono me venceu em alguns…), e de ter aprendido, pela primeira vez, todos os sambas de enredo do grupo especial da garoa graças a uma Fita K7 gentilmente me enviada por correio!

    A bem da verdade, após ler o texto, percebo que lembro-me bem pouco deste “legítimo primeiro ano”, principalmente por, à época conhecer praticamente NADA destas agremiações, o que mudaria bastante no ano seguinte.

    Mais uma vez, parabéns por esta série!

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