Apesar do rebaixamento da Gaviões da Fiel, o Carnaval de 2007 novamente envolveu uma decisão polêmica da Liga das Escolas de Samba de São Paulo em relação às torcidas organizadas: a Mancha Verde, que adotou um complicado enredo sobre o apocalipse para aquele Carnaval, mesmo sendo a única dentre as 14 agremiações do Grupo Especial a ter ligações com times de futebol, teria que, novamente, competir sozinha no Grupo das desportivas.

A medida tinha algumas incongruências. Além das mais óbvias – a criação de um grupo para uma escola só -, havia a contradição com o Grupo de Acesso, onde, embora houvesse duas escolas ligadas à Torcidas Organizadas – a rebaixada Gaviões e a estreante Dragões da Real, ligada ao São Paulo -, não haveria tal grupo e todas competiriam ao lado das demais. Bicampeã antecipada, digamos assim, a Mancha já tinha vaga no desfile das campeãs já que venceria seu grupo. O problema é que o título da Gaviões no acesso era muito provável e, aí, a Fiel Torcida também estaria presente.

Ou seja: a Liga/SP praticamente havia decretado um desfile com Mancha e Gaviões se apresentando no mesmo dia, o que era um dos principais pontos contra o qual a entidade visava batalhar. Enfim, para não entrar em uma disputa judicial que poderia, nas palavras do Presidente da Mancha, Paulo Serdan, “desgastar a entidade”, a escola escolheu acatar a decisão. A fala de Serdan pode ser explicada pelo rebaixamento da Gaviões em 2006, que lutou na justiça pelo direito de entrar no Grupo Especial e foi muito injustamente rebaixada. A escola, aliás, desistiu de abandonar o Carnaval e escolheu o Padre José de Anchieta como enredo para voltar ao primeiro grupo.

Lá no Especial, promessa de disputa das mais acirradas. Bicampeã, a Império de Casa Verde anunciava um gasto superior a R$ 3 milhões, valor astronômico para a época, para defender seu enredo sobre os grandes impérios da humanidade, desenvolvido pelo grande Renato Lage. Para tentar bater a Império e recuperar a hegemonia, a Vai-Vai escolheu falar sobre o plástico, enquanto a Mocidade Alegre apostava na leveza de um enredo sobre o riso. A Vila Maria homenagearia a cidade de Cubatão e a Rosas de Ouro falaria sobre as diferentes versões para a origem da Terra e faria um alerta sobre a preservação da natureza. Já a Águia de Ouro queria se firmar entre as grandes potências falando do artesanato. A X-9 Paulistana queria voltar a brigar lá em cima falando do Brasil através das cores, em enredo patrocinado pela Suvinil.

Para tentar alçar voos mais altos, Tucuruvi e Tom Maior adotaram uma explanação sobre a necessidade de se renovar os recursos naturais e uma exaltação aos trabalhadores como enredo, respectivamente. Já a Nenê de Vila Matilde, que havia contratado Royce do Cavaco, tentaria se recuperar com um enredo sobre João Jorge Saad, enquanto a Unidos do Peruche apostava na figura de Mauricio de Sousa para conseguir se firmar na elite. Vindas do Grupo de Acesso, Imperador do Ipiranga e Pérola Negra falariam, respectivamente, sobre a siderurgia e a história do comércio.

A Imperador do Ipiranga abriu a jornada de desfiles com uma infeliz apresentação na defesa do enredo “Siderurgia Forte Constrói Um Mundo de Aço”. A escola trouxe inovações interessantes como a ala das baianas vindo logo após a comissão de frente e a própria comissão de frente com uma boa coreografia e um bom elemento alegórico para representar o domínio do fogo pelo homem, mas trouxe alegorias muito pobres e muito aquém do que se espera em um desfile de Grupo Especial.

Com clara deficiência financeira em relação às demais, a Imperador do Ipiranga deixou a impressão de que não estava pronta para desfilar na elite. Os carnavalescos Anselmo Brito e Carlos Negri fizeram o possível e desenvolveram alegorias de boa concepção, mas não conseguiram desenvolver carros em um tamanho aceitável e muito menos colocar luxo nas alegorias. Também eram visíveis as falhas no acabamento e o samba, apesar de trechos inspirados, não rendeu bem.

Um Anhembi ainda vazio não esboçou muitas reações à passagem da agremiação da Vila Carioca. Para não dizer que foi tudo ruim, o uso do dourado em boa parte do desfile foi muito interessante, dando bom efeito às fantasias e o enredo foi desenvolvido com muita correção, abordando bem a história do aço no Mundo e também no Brasil. Ainda assim, parecia pouco para se manter no Grupo Especial.

A segunda escola da noite foi a X-9 Paulistana, que tentaria superar o horário ingrato de desfile na apresentação do enredo “Força Brasil – O país que surge da tinta num Carnaval de Cores”. O carnavalesco Raúl Diniz, estreando na Parada Inglesa, obviamente apostou em um visual muito colorido, mas também setorizou o enredo de modo que a apresentação da X-9 não fosse uma aquarela do início ao fim.

A ideia central do enredo, que foi desenvolvida de maneira um pouco confusa, era trazer as cores do Brasil. Por isso, alguns setores eram quase monocromáticos, como o segundo, que falava sobre a natureza. Raúl pôde trabalhar com tantas tonalidades quanto fosse possível, mas teve o cuidado de desenvolver fantasias que fizessem sentido dentro do enredo e estas eram, em boa parte, monocromáticas.

A X-9, porém, sofreu com um problema muito recorrente: começou muito bem e sofreu com uma queda brusca no nível do desfile. A linda comissão de frente que trouxe as cores do arco-íris foi seguida de um belíssimo abre-alas, “Sua majestade o Sol”, que além de grandioso e muito luxuoso, espalhava fumaça pela pista, o que dava ótimo efeito à alegoria. Apesar de não levantar a arquibancada com o samba mediano, a X-9 conseguiu impressionar nesse início.

Mas, na sequência, o conjunto alegórico destoou um pouco do abre-alas. Os carros eram bem mais humildes e, embora não apresentassem falhas no acabamento, também não tinham muito luxo. Ao meu ver, faltou um pouco de clareza nas fantasias e a escola também poderia estar mais empolgada. Não que tenha sido um desfile ruim, muito longe disso, mas parecia insuficiente para brigar pelas primeiras posições. Destaque para a fantasia da bateria, de ótimo gosto.

A terceira escola da noite foi a Tom Maior, que surpreendeu na apresentação do enredo “Com licença, eu vou à luta!”. Amparada por um bom samba, contando com uma interpretação brilhante de René Sobral e com o auxílio de uma bateria que inovou mais uma vez com boas bossas e paradinhas, a escola do Sumaré apresentou uma evolução nos quesitos plásticos. Foi um desfile humilde, com materiais mais simples, mas de muito bom gosto.

Marco Aurélio Ruffim carregou na tinta da crítica social no desenvolvimento do enredo. A comissão de frente, por exemplo, era chamada “Marionetes do Sistema” e trazia operários como se fossem marionetes. O carro abre-alas, todo prateado, era uma crítica à Revolução Industrial. Tudo era trabalho e o homem tinha como única função gerar lucro. O carro estava relativamente luxuoso para os padrões da escola e foi muito bem trabalhado, conseguindo assim um ótimo efeito.

As fantasias tinham fácil leitura e boa comunicação com o público. Leves, permitiam uma boa evolução e foram beneficiadas por uma divisão cromática muito bem estabelecida. As demais alegorias estavam bem mais modestas, algumas até com falhas de acabamento, como o caso da quarta, “Força do ABC”. Por outro lado, outras como a quinta e última, que traziam a esperança de um futuro melhor através do estudo, chamaram a atenção pelas cores e pelo bom gosto.

A escola ainda trouxe uma alegoria de impacto, lembrando da repressão sofrida por trabalhadores em movimentos grevistas pelo mundo. O tema parece ter inflado a comunidade e acabou virando quase um congraçamento entre os trabalhadores. A agremiação do Sumaré podia não ter dinheiro para brigar pelo título, mas chamou a atenção com um belo desfile. Pessoalmente, acho que a crítica poderia ter sido um pouco mais leve, mas, sem dúvida, foi uma apresentação marcante.

Quem também passou como um furacão pela Avenida foi a Império de Casa Verde, que se colocou como fortíssima candidata ao tricampeonato na defesa do enredo “Glórias e Conquistas – A força do Império está no salto do tigre”. Foi um desfile que usou e abusou do luxo e do bom gosto nas alegorias e fantasias. O samba não era dos melhores, a bateria também optou por uma apresentação mais convencional, mas, em termos plásticos, a azul e branca da Casa Verde parecia insuperável.

A comissão de frente tinha uma fantasia lindíssima com os “Arautos da Folia” fazendo uma coreografia simples, porém bem executada. O carro abre-alas tinha nada menos que 82 metros de comprimento (teve que ser desmembrado em dois para poder sair da dispersão) e três enormes tigres. O acabamento impressionou pela riqueza de detalhes e o luxo em cada centímetro da alegoria. O enredo foi desenvolvido com muita clareza e ganhou fantasias grandiosas, coloridas, com muitas plumas. Embora esse luxo todo tenha prejudicado um pouco o canto dos componentes por conta do peso das fantasias, aquele foi talvez o mais belo conjunto de fantasias a passar pelo Anhembi.

A Império estava, de fato, em outro patamar. O carro do Império Macedônico, o segundo, trazia uma representação belíssima de Alexandre, O Grande, sobre um cavalo. O terceiro, o carro do Império Otomano, foi, ao meu ver, o mais bonito de todo o desfile com torres e desenhos que remetiam ao Império em questão. A perfeição no acabamento, o cuidado com cada detalhe faziam a diferença.

Também gostei muito do último carro, que falava da própria Império de Casa Verde. Mais um enorme tigre e uma grande coroa chamavam a atenção em uma belíssima alegoria. Embora também muito bem acabado e luxuoso, o quarto carro, dos Impérios na América, destoou um pouco do resto pelo excesso de verde. A Império tropeçou em harmonia, tinha um samba que não era dos mais brilhantes, mas já despontava, inegavelmente, como uma das grandes favoritas ao título.

Na sequência, foi a vez da Acadêmicos do Tucuruvi surpreender positivamente na apresentação do desfile “Renovar é Preciso… Para que o viver seja possível”. Depois de alguns desfiles bastante fracos plasticamente, a agremiação da Cantareira fez um desfile, dentro das suas limitações, de relativo luxo e de muito bom gosto. Estreando na escola, o carnavalesco Lucas Pinto foi muito criativo e saiu do lugar-comum em um enredo que tinha tudo para ser clichê.

A comissão de frente foi mais uma vez o destaque. Uma menina de 11 anos representava a fênix que renasce das cinzas e era a protagonista de uma coreografia muito bem elaborada e executada. O carro abre-alas era grandioso, com dois enormes gafanhotos (símbolo da escola) representando a força da natureza de renascer. Apesar de ser todo em verde, este carro não foi o início de uma overdose da tonalidade, não. Dessa vez, a Tucuruvi apresentou um desfile colorido. Os carros apresentaram um ou outro defeito de acabamento, mas estavam, de maneira geral, bonitos.

Os destaques ficaram por conta dos dois últimos carros. O quarto, lembrando do etanol e da campanha “O Petróleo é nosso”. O último, sobre a força que vem do mar. Um carro todo em branco, com boas esculturas e ótimo efeito. Lucas Pinto também caprichou nas fantasias que, mesmo sem luxo, tinham bom resultado, e na divisão cromática que, como dito, valorizou muitas tonalidades diferentes. Alçar voos mais altos seria difícil, mas aquele havia sido o melhor desfile da agremiação da Cantareira em muitos anos.

vilamaria2007Penúltima escola da noite, a Unidos de Vila Maria apresentou mais uma vez uma enorme evolução na defesa do enredo “Vila Maria: Canta, Encanta com minha história… Cubatão Rainha das Serras”. Contando com um grande samba, a escola investiu em um visual luxuoso e de muito bom gosto para surpreender o Anhembi. Embora mais modestos que os da Império de Casa Verde, os carros concebidos pelo carnavalesco Wagner Santos estiveram entre os mais belos daquele Carnaval.

Foi um grande desfile desde o início. A comissão de frente fez uma excelente e muito bem trabalhada coreografia que mostrava a tentativa da morte de “levar” a Mãe Natureza. O carro abre-alas também impressionou pela riqueza de detalhes e pelas esculturas bem trabalhadas. O enredo foi bem setorizado, começou falando sobre os cuidados com a natureza e só depois chegou propriamente à Cubatão, e as fantasias também eram de ótimo gosto.

O desfile foi melhorando com o passar do tempo. Os carros ficaram ainda mais bonitos, mais luxuosos e também mais pertinentes ao enredo. Wagner Santos apostou em uma divisão cromática que privilegiou as cores mais vivas, com muito verde e amarelo. Destaque para o último carro sobre, digamos assim, o renascimento ecológico da Rainha das Serras. O destaque negativo ficou por conta da bateria de Mestre Mi, que não aproveitou o bom samba da escola e apostou em um desempenho excessivamente convencional. Ainda assim, a Vila Maria havia pela primeira vez feito um desfile para brigar de fato pelo título e estava entre as favoritas.

Para encerrar a noite, ainda antes do amanhecer, a Nenê de Vila Matilde conseguiu fazer uma boa apresentação na defesa do enredo “A Águia Radiante Com o Pioneiro das Comunicações – João Jorge Saad – 70 Anos de Conquistas e Realizações”. Apesar da evidente fragilidade financeira em relação às concorrentes, a Nenê fez um bom desfile. O visual não era dos mais luxuosos, mas a criatividade de André Machado mais uma vez prevaleceu e a escola não saiu prejudicada nesse sentido.

A comissão de frente, que representava o show business e a busca pela audiência, por exemplo, tinha uma coreografia bastante simples, mas foi muito bem executada. De se lamentar apenas o abre-alas, muito mais humilde que o recomendável. A Nenê apostou em uma divisão cromática que privilegiou o azul e o branco e conseguiu um ótimo resultado com fantasias leves, de fácil leitura e de muito bom gosto. O conjunto alegórico foi muito superior ao do ano anterior com destaque para as alegorias dois e três, que traziam astros da TV Bandeirantes: a segunda eram os “Amigos da TV” e trouxe nomes como Gilberto Barros, Leão Lobo, Dercy Gonçalves, Zé do Caixão e Raul Gil cantando animadamente o samba; no terceiro, o da TV na era da internet, o destaque foi para o narrador Luciano do Valle, que havia voltado há pouco tempo para a Band.

A vida do empresário João Jorge Saad, muito pautada no Grupo Bandeirantes, foi bem desenvolvida, mas, pessoalmente, creio que foi esteticamente prejudicada em alguns momentos pelo excesso de azul e branco. A harmonia da Águia da Zona Leste viveu noite inspirada e fechou o desfile, já no amanhecer, com a sensação de dever cumprido. Brigar pelo título era quase impossível, uma vaga no desfile das campeãs já parecia muito complicada, mas, ao menos, não havia nenhum risco de rebaixamento.

Abrindo os desfiles de sábado, a Pérola Negra provou que não estava no Grupo Especial a passeio na apresentação do enredo “Venda como arte, comércio como sua principal representação”. A escola já era cercada de alguma expectativa por conta da contratação do carnavalesco Jorge Freitas, mas, ainda assim, foi muito além do que todos esperavam em uma apresentação de muito bom gosto.

Contando com um bom samba, a escola pretendia abordar a história do comércio desde o início da humanidade até os dias atuais. A viagem foi muito bem conduzida por Jorge Freitas. O carnavalesco apostou em cores vivas, fantasias luxuosas e de fácil leitura. O carro abre-alas impressionou por se tratar de uma agremiação vinda do Grupo de Acesso. Estava muito bem adereçado e relativamente grande. Mas, quando as coisas começavam a caminhar muito bem, um problema. O abre-alas já havia apresentado problemas na concentração, mas foi a segunda alegoria, “Baú de Riquezas” que empacou na concentração.

Como o carro não ia para frente de jeito nenhum, a solução foi passar as alas em frente e trocar a ordem do enredo. Assim, o desfile prosseguiu em alto nível. Jorge Freitas fez um desfile luxuoso como de costume, mas se destacou também pela grande criatividade. Ele usou milhares de CDs e canudinhos plásticos ao longo das alegorias para retratar as mais diversas formas de comércio ao longo da história. Particularmente, não gostei apenas do último carro, que virou o quarto, o da bolsa de valores – a Bovespa “comprou” o último setor da escola – que representava um pregão e que apresentou um acabamento deficiente. Com muito custo, o segundo – e belíssimo – carro entrou na Avenida para encerrar o desfile. Era difícil saber o quão prejudicial isso seria para a escola. O contratempo trazia chances de rebaixamento a um desfile belíssimo.

vaivai2007Na sequência, foi a vez da Vai-Vai entrar na Avenida para apresentar o desfile “O 4º Reino – O reino do absurdo”. Foi um desfile muito complicado. O enredo era uma verdadeira salada sem começo, meio e fim. O plástico aparecia em momentos espaçados e de maneira desconexa sem nenhum sentido aparente. O samba também não era uma grande maravilha, mas sacudiu as arquibancadas. A Vai-Vai veio luxuosa, com carros grandes, impactantes e bem acabados, mas não apresentou um belo visual.

O Carnavalesco Chico Spinosa fez uma aposta ousada e fez um desfile praticamente todo em preto, com fantasias feitas de plástico. O trabalho foi muito bem efeito e, se pegarmos as fantasias individualmente, foi muito bem executado e garantiu ótimas fantasias. O problema foi que, quando colocadas em um conjunto, o visual era prejudicado pelo excesso de preto. As primeiras alas, por exemplo, que vieram antes do belíssimo abre-alas (que representava o Reino da Internet e, curiosamente, era branco), pareciam uma só.

As alegorias, até pelo excesso de preto nas fantasias, estavam muito mais bonitas. A escola surpreendeu por levar, lá naquele abre-alas, um telão com imagens dos títulos da escola e, nas demais alegorias, também mesclou o luxo com o uso de materiais de mais baixo custo. O enredo desconexo, no entanto, fez com que tanto as alegorias quanto as fantasias fossem de difícil leitura. Raras foram aquelas que pareciam fazer sentido dentro do enredo, caso da terceira, a do explorador Marco Polo e a descoberta do Petróleo.

Também gostei do quarto carro, o carro do reino do absurdo, que era uma salada de representações, bem, absurdas como o enredo, mas que conseguiu um ótimo efeito. A bateria de Mestre Tadeu deu seu show habitual e contribuiu para o bom rendimento do samba. A Vai-Vai, no geral, fez um belo Carnaval, mas errou demais em alguns quesitos e, por isso, não podia ser considerada exatamente uma das favoritas. Por outro lado, há de se destacar que a escola conseguiu superar o horário ingrato de desfile e levantou as arquibancadas como nenhuma escola havia feito até aquele momento. A briga, ainda assim, era apenas por uma vaga no desfile das campeãs.

Com objetivos mais modestos – se firmar de vez no Grupo Especial -, a Unidos do Peruche foi a terceira escola da noite e fez uma boa, embora inferior à de 2006, apresentação para o desfile “Com Maurício de Sousa, a Unidos do Peruche, Abre-Alas, Abre-Livros, Abre-Mentes e Faz Sonhar”. A Filial do Samba tentou fazer um desfile mais luxuoso que o do ano anterior, mas acabou apresentando um retrocesso em termos estéticos.

A escola ousou ao trazer uma comissão de frente à moda antiga. Jovens garotos usavam trajes típicos dos anos 1930 e saudavam o público, como faziam as comissões de frente do início dos desfiles carnavalescos. Logo atrás, um livro aberto cumpria o papel que faixas cumpriam antigamente e dizia algo como “A Unidos do Peruche saúda o público e a imprensa escrita, falada e televisada”. Gostei muito do abre-alas que trazia personagens de Mauricio de Sousa. Com boa iluminação e boas esculturas, o carro não era dos mais luxuosos, mas passou bem.

A impressão que tive, porém, é que daí para frente o enredo se perdeu um pouco. A Turma da Mônica, trabalho mais famoso e mais reconhecido de Mauricio de Sousa, ficou um pouco escondida em meio à ideia de representar a importância da leitura e isso prejudicou um pouco a comunicação com o público. O carnavalesco Augusto de Sousa também apostou em uma divisão cromática que usou de muitas cores, mas foi muito irregular na concepção das fantasias. Algumas eram óbvias demais, outras eram de difícil leitura… Também me incomodou o quarto carro, que apresentava Mauricio de Sousa ganhando o Mundo com representações de cada um dos seis continentes. O mesmo não teve uma realização das mais criativas.

O último setor foi o melhor de todo o desfile e voltou a lembrar da Turma da Mônica, com direito a presença do homenageado que cantou forte e estava visivelmente emocionado. Foi, no todo, uma apresentação bastante irregular e que, em um ano onde apenas a Imperador do Ipiranga havia feito um desfile de baixo nível técnico, podia render surpresas desagradáveis à Filial do Samba na apuração.

Dando uma pausa na competição, a Mancha Verde entrou na Avenida para disputar (sozinha) o grupo das escolas de samba desportivas com o enredo “Decifra-me ou Devoro-te. Apocalipse: 4 cavalheiros, 3 profecias e 4 segredos!”. O enredo era, na verdade, mais uma enorme salada feita pelo carnavalesco Cebola. Para falar de Deus, Fim do Mundo e outras coisas mais, ele criou uma história que até tinha começo, meio e fim, mas que era um tanto complicada de ser entendida.

Mas foi ali na concentração que o desfile da Mancha se destacou. O intérprete Celsinho, então com 18 anos, emocionou a todos na chamada largada do desfile. Antes de soltar a voz e dar um show na condução do bom samba da escola, ele fez um emocionante alusivo com o refrão do meio do samba. Tal prática era pouco comum na época – em 99% dos casos o intérprete soltava o grito e começava a cantar – e seria adotada em muitos outros casos nos anos seguintes.

Na pista, a Mancha Verde não conseguiu repetir o sacode do ano anterior, mas, ainda assim, fez um bom desfile. A verde-e-branco trouxe um conjunto alegórico sem muito luxo, mas, a despeito do enredo de difícil entendimento, impressionou. Carros como o abre-alas, que retratava “O início e o fim da existência”, chamaram a atenção pela concepção impactante. Digno de nota também foi a comissão de frente com sua difícil coreografia.

O ponto alto do desfile foi o momento em que a bateria abriu passagem para que as baianas passassem pelo meio dos ritmistas. O mais bonito carro foi o último, o do “Planeta Carnaval”, que trazia uma nave espacial como a nova arca de Noé e levava os sambistas para o espaço depois do fim do mundo. As fantasias também estavam relativamente bonitas, muito coloridas e a Mancha, sem muita pressão por resultados, passou bem pelo Anhembi.

Mas quem deu um sacode mesmo foi a Águia de Ouro, que fez o melhor desfile de sua história até aquele momento na defesa do enredo “Deus fez o homem de barro e a Águia de ouro… O Brasil feito a mão”. O belo samba da azul-e-branco rendeu bem por conta da opção da bateria de Mestre Juca por cadenciar mais a obra, valorizando assim sua melodia. O público presente no Anhembi delirou com o desempenho fantástico da Batucada da Pompéia e também com o repeteco da ideia do casal de mestre-sala e porta-bandeira evoluir no meio dos ritmistas.

A Águia de Ouro, ao contrário do que havia acontecido em 2005, apresentou um conjunto alegórico de respeito. Embora bastante inferior ao da Vila Maria e principalmente ao da Império de Casa Verde, este conseguiu reunir algum luxo e um excelente acabamento. O destaque foi para o abre-alas, homônimo do enredo, com uma bela águia dourada vindo à frente de homens feitos de barro. Arrancando gritos de “é campeã” da plateia – algo inédito até aquele momento em 2007 -, a escola errou, em minha visão, no segundo setor, o das religiões, que veio totalmente em branco. As fantasias estavam bonitas, mas perderam o efeito por conta do excesso de branco.

O desfile voltou a melhorar bastante no terceiro setor, que tratou das festas populares e, especialmente no último, que lembrou os artistas do Carnaval. Foi um trabalho muito caprichoso do carnavalesco Victor Santos, que usou e abusou da criatividade e apostou, segundo setor à parte, em uma divisão cromática muito colorida. Possivelmente, as alegorias mais modestas seriam um fator prejudicial na briga pelo título e a azul-e-branco saía em desvantagem. Ainda assim, um título inédito não estava totalmente descartado.

Já a Rosas de Ouro não conseguiu repetir o excelente desfile de 2006 na apresentação do enredo “Tellus Mater – O cio da Terra”. Além do enredo bastante confuso, que misturou ecologia e diferentes lendas para a origem do Planeta, a estética adotada pelo carnavalesco Fábio Borges foi muito carregada, com muitas tonalidades escuras e alegorias que caíam no problema do “excesso de informação”, digamos assim. Por outro lado, foi também o desfile que reservou um dos mais belos momentos daquele Carnaval.

O carnavalesco Fábio Borges queria chamar a atenção para o problema da fome com uma comissão de frente de altíssimo impacto. Para isso, usou como base um quadro de Portinari que representava crianças famintas. A coreografia era brilhante, assim como a caracterização, e impressionou o público. A preocupação com o impacto da coreografia era tão grande que os componentes eram orientados a não dar risada ou acenar para o público em hipótese nenhuma para que a imagem dos famintos fossem transmitida com o máximo de clareza possível.

Os dois primeiros carros da escola caíram no problema descrito do excesso de informação. Eram muitas esculturas juntas e era difícil entender o que representava cada coisa. O destaque absoluto ficou para o terceiro carro, que trazia os céus fertilizando a terra com as águas dos rios, abrindo caminho para o momento do desfile em que eram lembrados os animais aquáticos. Confusão do enredo e de algumas alegorias à parte, a escola trouxe um ótimo visual com alegorias bem acabadas e fantasias luxuosas. Foi um trabalho grandioso e ousado que, no entanto, não conseguiu o resultado esperado e, assim, as chances de título eram pequenas.

mocidadealegre2007c

Para encerrar, com o Sambódromo ainda lotado, a Mocidade Alegre encantou a todos na apresentação do enredo “Posso ser Inocente, Debochado e Irreverente… Afinal, sou o riso dessa gente!”. O ótimo samba teve rendimento espetacular na voz do intérprete Daniel Collête, que teve talvez o seu mais brilhante desempenho na carreira. A bateria de Mestre Sombra mais uma vez deu seu show e, assim, faltava só o visual. Com poucos minutos de desfile, já deu pra ver que não faltava mais.

A comissão de frente já deu uma ideia da leveza do enredo ao trazer o surgimento do riso inocente, o riso das crianças. Palhaços com belas vestimentas faziam brincadeiras simples aos olhos dos adultos, mas que divertem as crianças. O carro abre-alas também tinha essa ideia e foi o mais bonito daquele Carnaval muito por conta de sua simplicidade. Nada de esculturas gigantescas, efeitos especiais ou muitos jogos de luzes. Bastaram uma infinidade de balões, a presença de muitas cores e de personagens infantis – destaque para Cássio Scarpin, o Nino do Castelo Rá-Tim-Bum – que encantam as crianças para que o carro chamasse a atenção do Anhembi.

mocidadealegre2007bO carnavalesco Zilkson Reis usou e abusou de tantas cores quanto fosse possível. Ele investiu em fantasias leves, maravilhosamente concebidas e de ótimo acabamento. A Mocidade acertadamente não quis fazer o desfile luxuoso da Império de Casa Verde, mas investiu no bom gosto e no capricho. O terceiro setor também mereceu destaque por relembrar a era das chanchadas e do cinema nacional que só queria fazer o público rir. O terceiro carro, que sintetizou esse setor, era predominantemente verde e retratava não só as chanchadas, como o Brasil daquele período.

O quarto setor era uma clara alusão ao programa Zorra Total da Globo. Mas engana-se o leitor que pensa que isso era um merchandising tosco de um programa da emissora. O setor tinha uma mensagem clara, que prefiro resumir em um verso do samba: “mesmo nessa zorra eu vou gargalhar…”. Sim, eram as mazelas enfrentadas pelos brasileiros no dia-a-dia retratadas com o inconfundível dom do brasileiro de rir dos seus próprios problemas. O quarto carro trouxe nomes do Zorra Total em meio à ônibus lotados, filas e demais problemas corriqueiros.

Ainda houve espaço para um espetacular último setor que exaltava o Carnaval. O riso das baianas ao girar, o riso dos componentes da Mocidade Alegre, o riso de felicidade pelos 40 anos da Morada do Samba. A última alegoria trazia belíssimas imagens de membros da escola rindo em ensaios e outros eventos e era grandiosa. Sem dúvida, a Morada do Samba havia deixado a Avenida como a favorita ao título, embora Império de Casa Verde e Vila Maria também estivessem firmes na briga. Vai-Vai, Águia de Ouro e Rosas de Ouro corriam por fora.

Ao final do primeiro quesito, enredo, apenas Mocidade, Vila Maria e Águia de Ouro somaram 30 pontos. A Império de Casa Verde levou um 9,75, a Rosas de Ouro um 9 e a Vai-Vai, que levou apenas um 10, perdeu 1,75 ao tirar um 9 e um 9,25. A Vila Maria assumiu a liderança ao somar os 30 pontos do segundo quesito, alegoria, enquanto a Mocidade levou um 9,75 e a Águia de Ouro deixou 0,75 pela pista. A festa da Vila durou pouco, foi apenas até o quesito harmonia, o terceiro. Com três notas 10, a Mocidade pulou para a liderança com 89,75. A Vila Maria perdeu um ponto no quesito e foi superada no desempate pela Império de Casa Verde, enquanto a Águia de Ouro aparecia em quarto com 88,75.

A Mocidade desperdiçou meio ponto no quarto quesito, melodia, e viu a vantagem, que era de 0,75, cair para meio ponto. A Águia de Ouro assumiu a vice-liderança, empatada com Império de Casa Verde e Vila Maria, todas com 118,75. Rosas de Ouro e Vai-Vai apareciam com 117,75, com vantagem para a Roseira no desempate. No quinto quesito, comissão de frente, todas tiraram três notas 10, menos a Vila Maria, que levou um 9,75. No sexto, bateria, foi a vez da Águia de Ouro perder 0,25. Assim, a Mocidade liderava com 179,25 contra 178,75 da Império, 178,5 de Vila Maria e Águia e 177,75 de Vai-Vai e Rosas.

Em letra do samba, a Mocidade ficou muito próxima do título ao somar 30 pontos e chegar a 209,25 e abrir 0,75 para a segunda colocada, a Império de Casa Verde, que levou um 9,75. A Vila Maria perdeu a chance de retomar a vice-liderança ao perder também 0,25, enquanto a Águia de Ouro perdeu 0,5, ficando apenas 0,25 à frente de Rosas e Vai-Vai. A Vai-Vai assumiu a quarta posição com 237,75 no oitavo quesito, evolução, já que a Águia perdeu um ponto e caiu para 237,25. A Vila Maria perdeu mais 0,25, mas retornou ao segundo lugar com os mesmos 238 da Império, que tirou um 9,5 e deixou de aproveitar o 9,75 da Morada, que ainda ampliou para um ponto sua vantagem. Com um 9,5, a Rosas abandonou de vez a briga.

A Vai-Vai subiu mais duas posições no penúltimo quesito, Mestre-Sala e Porta-Bandeira, e assumiu a vice-liderança com os mesmos 267,75 da Vila Maria, enquanto a Império, que perdeu meio ponto, aparecia com 267,5 e foi ultrapassada pela Águia de Ouro. A Mocidade abriu o último quesito, Fantasia, com um ponto de frente já que também havia perdido 0,25 com seu casal e confirmou seu título com três notas 10, somando assim 298,75.

A Vila Maria também tirou três notas 10 e acabou conquistando o vice-campeonato por conta de um 9,75 tirado pela Vai-Vai, que somou 297,5. A Águia de Ouro tirou um 9,75, mas conseguiu o quarto lugar por conta de um 9,5 da Império. Na sequência, vieram Rosas de Ouro, Nenê, Tom Maior, Tucuruvi e X-9. Crescendo na reta final da apuração, a Pérola Negra somou 287,5 e escapou do rebaixamento. Caíram a Unidos do Peruche com 285,25 e Imperador do Ipiranga com 282,25. Bicampeã das desportivas, a Mancha Verde somou 287,5 e, com essas notas, teria ficado em 11º lugar, superando a Pérola no desempate.

No grupo de acesso, duas das quatro agremiações que haviam caído em 2006 subiram. A Gaviões teve uma vitória tranquila com 298 pontos, 2,25 a mais que o Camisa, que subiu ao superar a Leandro de Itaquera em meio ponto. A Acadêmicos do Tatuapé terminou em sexto com 286,75. No desfile das campeãs, Gaviões e Mancha passaram uma mensagem de paz com direito aos casais das duas agremiações desfilando juntos. A Liga já dava a entender que o grupo das escolas de samba desportivas não existiria em 2008.

Curiosidades

– A transmissão da Globo, mais uma vez comandada por Chico Pinheiro e Renata Ceribelli com comentários de Maurício Kubrusly e Leci Brandão, não evitou em nenhum momento dizer o nome do Grupo Bandeirantes – ou dos contratados do canal – durante o desfile da Nenê.

– Única exibição do intérprete Karlinho’s Madureira no Carnaval de São Paulo. Sua presença na X-9 culminou na sua saída da Rosa de Ouro de Osvaldo Cruz, abrindo assim caminho para a estreia do intérprete Márcio Alexandre. Sete anos depois, este se tornaria o cantor principal da Vai-Vai.

– Foi a primeira exibição de Royce do Cavaco pela Nenê de Vila Matilde. Ele cantaria pela escola até 2011, quando voltou para a X-9.

– Fim da vitoriosa passagem de Daniel Collête pela Mocidade Alegre. De 1999 a 2007, foram dois títulos e uma série de apresentações inesquecíveis. Ele iria dali para a X-9 e, depois, para a Dragões da Real, onde está atualmente. Nesse 2007, ele usou pela primeira vez uma fantasia que tinha relação com o enredo. Collête surpreendeu a todos ao cantar vestido de palhaço.

– Última participação de Serginho KT no Grupo Especial. Vaguinho cantou pela primeira e única vez na Vai-Vai e, em 2008, estaria de volta à Mancha Verde.

– Já o intérprete Carlos Júnior, mais uma vez adaptou o seu grito de guerra no CD oficial: dessa vez, foi “alô, Tigre! O mundo quer te ver! O povo quer ver ti! E aqui tem, hein! Fogo neles!”. Foi, aliás, o fim de sua primeira passagem pela escola. Nos dois anos seguintes, ele cantaria pela Vai-Vai, voltando para a Caçula do Samba no Carnaval de 2010.

– O desfile da Império de Casa Verde foi o último do intérprete Afonsinho no Grupo Especial. Dono do inconfundível grito “para a alegria do meu povo, vai começar tuuuuuuudo de novo”, ele cantou em grupos menores e ficou um tempo afastado do Carnaval por não concordar com os rumos da festa. Ele, que se orgulha de ser o intérprete com mais títulos da cidade (entre intérprete oficial e de apoio são, segundo ele, 12) adicionou aquele ano o insólito “bota água na chaleira pra não azedar o pé do frango” ao seu grito.

– Esse desfile marcou também o único trabalho do carnavalesco Renato Lage em São Paulo.

– O pagodeiro Belo, ainda casado com a rainha de bateria Viviane Araújo, mais uma vez participou do CD do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. Ele cantou o samba da Mancha Verde ao lado do intérprete Celsinho. Na Imperador do Ipiranga, destaque para o time de cantores de apoio, que contou com a presença do rapper Rappin Hood.

– Fim da passagem de Fábio Borges pela Rosas de Ouro. O talentoso carnavalesco ficou por anos afastado do Carnaval e voltará em 2015 para assinar o desfile da Pérola Negra. A partir de 2008, Jorge Freitas iniciaria uma jornada de bastante sucesso na Roseira.

– Falando em Pérola Negra, esse foi o início da mais longa passagem da escola pelo Grupo Especial. Foram seis Carnavais na elite até 2012, quando foi rebaixada.

– A ideia inicial da Mocidade Alegre era fazer um enredo sobre os Mamonas Assassinas, contando com um patrocínio bastante interessante de uma gravadora. Mas, na semana limite para o envio dos materiais, a produtora desistiu e a escola resolveu apenas trocar o último setor do enredo: ao invés de falar dos Mamonas, falar da própria Mocidade Alegre.

– Quem sofreu com algo parecido na preparação para o seu Carnaval foi a Imperador do Ipiranga, que escolheu o enredo sobre o aço e a siderurgia pensando em um bom patrocínio.

– O desfile da Tom Maior foi marcado por um momento de desespero. O “Carro da CUT”, como ficou conhecida a alegoria toda vermelha simbolizando a força dos trabalhadores, e que tinha o Senador Eduardo Suplicy entre os destaques, prensou um funcionário da escola entre suas duas partes. Os outros empurradores precisaram batalhar para evitar que ele fosse esmagado pelo carro.

– Para justificar sua pouca preocupação com o fato de não competir no mesmo grupo das demais – embora manifestasse o desejo de que isso mudasse para 2008 – o Presidente da Mancha, Paulo Serdan, exemplificou: “Lá na Bahia tem 80 trios e ninguém compete em nada”.

– O Governador José Serra, que destacou o crescimento do Carnaval de São Paulo, mas que afirmou este ser “incomparável” com o do Rio, e o Prefeito Gilberto Kassab, estiveram presentes nos camarotes do Anhembi. O segundo, que havia sido empossado no fim de 2006 por conta da eleição do primeiro para Governador, foi bastante vaiado quando anunciado no sistema de som.

– Por falar em camarote, lá pelas três da manhã da segunda noite de desfiles, uma repórter que trabalhava nos desfiles comentou: “As principais estrelas do camarote são o Olivier Anquier (aquele do Teste de Fidelidade) e o Jorge Ben Jor. O pessoal da Contigo (revista especializada em acompanhar os famosos) está desesperado”.

– Indignados com o quinto lugar, integrantes da bateria da Império de Casa Verde desfilaram com narizes de palhaço e com placas que traziam as notas que consideravam absurdas.

Vídeos

O bom desfile da Tom Maior
https://www.youtube.com/watch?v=Ki98uGVTO1o

A excelente apresentação da Vila Maria
https://www.youtube.com/watch?v=Fqfd8mF8GWI

A Nenê com João Jorge Saad
https://www.youtube.com/watch?v=BPkDP0IGy0M

A volta da Pérola Negra
https://www.youtube.com/watch?v=TaTd5bMqJqY

Vai-Vai e o reino do absurdo
https://www.youtube.com/watch?v=C7uoMb5tz_I

A emocionante largada da Mancha Verde
https://www.youtube.com/watch?v=qVn-o3F3UyA

O grande desfile da Águia de Ouro
https://www.youtube.com/watch?v=i-vrezhulaY

E a campeoníssima Mocidade Alegre
https://www.youtube.com/watch?v=Jp4wOkA705U

13 Replies to “Bodas de Prata – 2007: rindo à toa, Mocidade encanta e leva o título; Gaviões volta ao lado do Camisa”

  1. Não foi um grande ano, mas teve seus destaques. Concordo com quase td que vc disse, menos me relação a Tucuruvi, não gostei, achei mto confuso… A minha campeã é a Vila Maria, que trouxe um samba maravilhoso, enredo emocionante e um desfile de muita qualidade e criatividade ao trazer todo mundo de máscaras, o que rendeu perda de pts em Harmonia, o que não concordei… A Mocidade não foi td isso, a CF era um pouco desorganizada, o enredo em alguns momentos dava a entender que só existe humor na Globo e o pior, a evolução: Com 38 minutos de desfile, a 5ª alegoria já estava chegando ao meio, e a Escola terminou com 63 minutos, ou seja, esta 5ª alegoria levou 25 minutos para fazer um trajeto que dura menos de 15… Mas enfim, fora isso foi emocionante tb!
    A Império trouxe o que considero o melhor conjunto visual DA HISTÓRIA Anhembi, mas correu, SEM NECESSIDADE, no final… Tinha tempo suficiente para passar tranquilo, mas correu no no final… Águia ARRASOU mais uma vez! Não curto o início da Vai-Vai, muito prateado, e o Thobias saiu da Apuração afirmando que não ia reclamar e quem em 2008 ia buscar esses 1,75 perdidos em enredo… De fato iria, mas eica pra semana que vem rsrsrs
    Defino o desfile da Rosas em uma frase: Belo samba e desfile frio! Mas a CF emocionou msm!
    Na segunda-feira de tarde eu fiquei matutado quem eu rebaixaria junto com a Imperador, uma prova do equilíbrio… Escolhi a Peruche, assim como os jurados! Até pq a Pérola Negra foi demais! Quem viu essa escola em 2001 não acreditava que 6 anos depois estaria naquele nível! Gostei mto da Tom Maior, mal julgada, merecia um 7º lugar! X-9 fraquíssima, assim como esse tal Karlinhos Madureira, Mancha não chamou a atenção e a Nenê emocionou demais quando a 3ª alegoria passou e o pessoal da Globo não se fez de rogada ao falar de uma concorrente… falar, não, exaltar!

  2. Concordo que a Águia de Ouro deu um sacode, mas vamos combinar, o visual da escola não era nem de longe um dos 5 melhores do ano. Tem alegoria que me dá pesadelos até hoje, frase muito utilizada já aqui.

    Também concordo que o título da Vila Maria era mais do que justo. Desfile fantástico.

    Também discordo e muito em relação à Tucuruvi. Falar que as alegorias estavam um pouco mais modestas que a Vila é no mínimo curioso. A diferença era gritante, ainda mais desfilando seguido uma da outra.

    As esculturas da Império foram feitas e depois polidas como fazem em carros. Fantástico!

  3. Foi o primeiro ano que me lembro de ter assistido aos desfiles de carnaval, e ainda sim só lembro de flashes dos desfiles da Tom Maior (achava que tavam ainda construindo uma alegoria em pleno desfile rs) e o da Peruche (me recordo do Maurício bem alegre em cima do último carro) e o desfile da Viradouro lá no Rio

  4. Ótimo relato como todos dessa coluna, mas discordo radicalmente do comentário sobre o samba do Império. Pra mim é um dos sambas mais bonitos que já passou pelo Anhembi e o mais didático também. Uma verdadeira aula de história. Eu gostei da Vai-Vai mais preta do que de costume, mas nesse ano nenhuma combinação de cores superaria o furacão da Mocidade, título justíssimo.

  5. Com todo respeito, mas não concordo sobre o luxo do abre-alas da X9.

    Que luxo aquele carro todo dourado (ferro coberto por tecido), uma escultura de uma esfinge super mal acabada com um colarinho de arco-iris que não combinou com nada.

    X9 foi a grande decepção do ano, pois poderia ter se ampresentado melhor.

  6. Daria o título pra Vila Maria ou ICV (que acho o samba do cacete). Mocidade veio bem, mas um pouco abaixo. Vale registrar que a bateria do Mestre Sombra chegou a absurdos 160 bpm no desfile.

Comments are closed.