Como já se anunciava desde o fim do Carnaval de 2007, o famigerado Grupo das Escolas de Samba Desportivas não existiria em 2008. Mesmo com o novo acesso da Gaviões da Fiel e com a presença da Mancha Verde na elite, o que novamente provocaria a presença de duas escolas de samba ligadas a torcidas organizadas no Especial, todas elas competiriam em um mesmo grupo.

Com isso, as maiores polêmicas ficaram mesmo por conta de mudanças no regulamento. Uma delas foi a fusão dos quesitos “Letra do Samba” e “Melodia” em um só, o quesito “Samba-Enredo”. Essa era uma mudança inteligente, convenhamos. Assim, o Grupo Especial teria apenas nove quesitos e não 10. Mas a mudança mais contestável vinha mesmo no sistema da apuração. Os quesitos continuariam sendo julgados por três jurados com notas fracionadas em 0,25, mas haveria a volta dos descartes. Só que seria descartada a menor e a maior nota. Ou seja, só a nota “do meio”, digamos assim, valeria.

Assim, cada escola teria apenas nove notas válidas, o que abria caminho para uma possibilidade gigantesca de empates tanto no primeiro lugar, quanto na zona de rebaixamento. Para amenizar um pouco a situação, a Liga/SP decidiu que os critérios de desempate, caso duas escolas somassem a mesma pontuação em todos os quesitos, seriam as notas descartadas. Assim, só haveria empate se as escolas obtivessem as mesmas notas durante toda a apuração.

A briga pelo título prometia ser das mais intensas da história. A Mocidade Alegre tentaria o primeiro bicampeonato de sua história com uma exaltação à cidade de São Paulo. Vice-campeã, a Vila Maria queria enfim conquistar sua primeira taça lembrando o centenário da Imigração Japonesa, enquanto a Vai-Vai vinha tentando quebrar um jejum de sete anos sem título mostrando a importância da educação no combate à pobreza.

Já a Império de Casa Verde, buscando uma mudança no seu estilo e tentando atrair maior simpatia do público, faria uma exaltação à MPB. Já a Rosas de Ouro, de carnavalesco novo, prometia muitas surpresas em um desfile sobre o perfume. Tal como a Mocidade Alegre, a Tom Maior também exaltaria São Paulo, porém sob a ótica da economia. Enredos iguais tinham a ascendente Águia de Ouro e a Tucuruvi, que falariam sobre o sorvete.

Para tentar voltar ao desfile das campeãs, Nenê de Vila Matilde e X-9 Paulistana abordariam o folclore brasileiro através de Câmara Cascudo e o aquecimento global, respectivamente. Já a Pérola Negra, para se firmar entre as grandes, passearia pela cidade de Jaguariúna. A Gaviões da Fiel, voltando à elite, também buscou inspiração no interior de São Paulo, mas ali em Santana de Parnaíba. Também voltando ao Especial, o Camisa Verde e Branco contaria a história do cabelo. Enfim podendo competir com as grandes, a Mancha Verde resolveu prestar uma homenagem ao escritor Ariano Suassuna.

Com um Sambódromo já lotado, a Gaviões da Fiel sacudiu o Anhembi no primeiro desfile da noite. Novamente voltando ao Grupo Especial, a Torcida Que Samba conseguiu uma boa apresentação no desfile “Nas asas dos Gaviões, rumo ao portal dos Sertões – Santana de Parnaíba: berço dos Bandeirantes”, mas enfrentou alguns problemas que deixavam um bom resultado muito distante.

Os primeiros minutos de Gaviões da Fiel foram empolgantes. O samba, apesar de não ser dos melhores que a escola já trouxe para o Anhembi, “pegou” rapidamente e foi muito cantado nas arquibancadas. No entanto, o grandioso abre-alas da escola teve um pequeno problema na iluminação do escudo do Corinthians, que se apagou. O problema foi solucionado já dentro da Avenida.

A ideia do carnavalesco Mauro Quintaes para o desenvolvimento do enredo foi muito interessante pois saiu do lugar comum de enredos CEP, especialmente aqueles que tratam de cidades do interior paulista. Mauro apostou em uma estética carregada e nos primeiros setores falou do Diabo Velho, lembrando o Bandeirante Anhanguera e trouxe caveiras em algumas alas. Os anos de “sobe e desce” claramente haviam tirado a Gaviões do grupo das grandes potências e, assim, a Fiel Torcida não trouxe um Carnaval para brigar pelo título.

Por outro lado, foi um desfile de bom nível. Pessoalmente, creio que a escola tropeçou no próprio gigantismo. Ao invés de fazer alegorias tão gigantescas, talvez teria sido melhor trazer um conjunto alegórico mais humilde e com mais luxo. Ainda assim, eram carros bonitos. O último carro, porém, teve alguma dificuldade para percorrer a pista por conta de sua largura. A bela alegoria, que representava os tapetes feitos na rua no Feriado de Corpus Christi e a representação da Paixão de Cristo, deu trabalho aos empurradores. Por fim, a escola, muito inchada, com mais de quatro mil componentes, teve que correr no final para não estourar os 65 minutos máximos de desfile. Em condições normais, não haveria risco de rebaixamento, mas, depois de 2006, tudo podia acontecer.

Na sequência, a Acadêmicos do Tucuruvi não foi feliz na apresentação do enredo “Hummm… É tempo de sorvete, do oriente ao ocidente o alimento refrescante e nutritivo”. O desfile até começou bem, com uma bela comissão de frente chamada “Delícia Gelada” e com um lindo abre-alas todo em branco retratando o surgimento do sorvete, mas, dali em diante, o desfile piorou muito.

Para começar, a escola tinha um samba que definitivamente não era dos mais inspirados e o desfile, assim, não conquistou o público – até por conta do sacode da Gaviões. O conjunto alegórico, do segundo carro em diante, apresentou falhas graves de acabamento e o último, que falava sobre a relação do brasileiro com o sorvete, estava bastante pobre. O carnavalesco Armando Barbosa não foi feliz nas fantasias, que eram muito pesadas e prejudicavam a evolução dos componentes.

Além disso, a divisão cromática não foi feliz. O começo todo em branco contrastou com as muitas cores que a escola apresentou em seus outros setores. Por outro lado, há de se elogiar o desenvolvimento do enredo, que foi muito correto. Ainda assim, a Tucuruvi apresentou seu pior desfile no Século XXI e era candidata ao rebaixamento.

vilamaria2008Por outro lado, a Unidos de Vila Maria provou que o vice-campeonato de 2007 não havia sido acidente. A escola impressionou o Anhembi pelo gigantismo e pelos belíssimos carros alegóricos que retrataram o enredo “Irashai-Mase, milênios de cultura e sabedoria no centenário da imigração japonesa”. A escola veio gigante, com quase cinco mil componentes, mas estava preparada para tal. Cada chefe de ala recebeu um ponto eletrônico pra se comunicar com os demais e também uma marcação para saber com quanto tempo de desfile a ala em questão deveria passar por cada ponto da avenida, evitando assim estourar o tempo.

O resultado é que, mesmo com esse número assustador de componentes, a Vila Maria passou pela Avenida com uma evolução quase perfeita. Não precisou correr em momento nenhum e passou compacta, sem abrir buracos ou com alas se misturando. O carnavalesco Wagner Santos mais uma vez acertou a mão e fez um de seus mais brilhantes trabalhos. Depois de uma comissão de frente bem coreografa, entrou na Avenida um abre-alas de mais de 110 metros de comprimento com representações tipicamente japonesas. O carro tinha uma infinidade de esculturas que lembravam o “Milênio da Cultura e Sabedoria” e estava impecavelmente acabado.

Wagner mais uma vez se colocou como um dos mais caprichosos carnavalescos da cidade e desenvolveu lindas fantasias. A divisão cromática pendeu para tonalidades mais claras que traziam o público para o universo da cultura japonesa. As fantasias tinham leitura razoavelmente simples e estavam muito luxuosas. O desfile tropeçou, basicamente, em dois pontos. O primeiro foi o samba, que embora tenho rendido muito com a presença sempre marcante do intérprete Quinho (que cantou ao lado de Baby e Fernandinho SP), não era dos mais inspirados do ano. O segundo foi o enredo. Se a ideia era falar do centenário da imigração japonesa, faltou imigração japonesa e sobrou Japão. A ideia central do enredo ficou meio escondida.

Mas o conjunto alegórico foi mesmo de cair o queixo. Pessoalmente acho que as alegorias podiam ser mais coloridas, mas, mesmo assim, há de se dar os parabéns à escola que, curiosamente, está situada no Jardim Japão. As duas últimas, retratando o investimento do Japão na educação e a presença japonesa no Brasil através da agricultura, também estavam dentre as mais belas do ano. Outra surpresa agradável foi a presença maciça de japoneses como destaques de chão e nas próprias alegorias. Mas a surpresa mesmo foi pela riqueza de detalhes, pelo cuidado com cada centímetro de cada fantasia que, desde já, faziam da Vila Maria uma das grandes favoritas ao título.

A quarta escola da noite foi a Águia de Ouro, que voltou a trazer o sorvete para a Avenida no enredo “A taça da felicidade, uma viagem pelos sentidos, a delícia do sorvete”. Apesar da abordagem diferente em relação à Tucuruvi, essa mais histórica e a da escola da Cantareira abordando mais o sorvete no dia a dia, a azul-e-branco da Pompéia foi prejudicada pela inegável sensação de repetição de fantasias e isso, somado a um desfile bem mais morno que os anteriores, fez com que a escola passasse fria como um picolé.

Tal como no caso da Tucuruvi, o começo foi relativamente promissor. A escola tinha um bom samba e apresentou um bom carro abre-alas, também em branco. A ideia central do enredo era interessante, cada setor era destinado a um dos cinco sentidos e era por eles que a história do sorvete era contada, mas não foi tão bem executada. As alas eram de fácil leitura e as fantasias, assim como as alegorias, não tinham uma concepção muito criativa. Para piorar, o quarto carro teve uma roda e um eixo quebrado e foi levado na marra por toda a Avenida. Empurradores saíram com as mãos sangrando para que a alegoria fosse até o fim. O contratempo complicou a evolução da escola, que correu muito no fim para não estourar o tempo. O risco de rebaixamento, assim, existia. Uma pena em se tratando de uma agremiação que havia evoluído tanto em anos anteriores.

Quem continuou demonstrando um processo interssantíssimo de evolução foi a Tom Maior, que fez um bom desfile para exaltar São Paulo através do enredo “Glória Paulistana – São Paulo na vanguarda da economia brasileira”. Mas, antes dos elogios, devo dizer que o desfile foi prejudicado pelo enredo. A ideia do carnavalesco Marco Aurélio Ruffim foi boa e bem executada, mas o primeiro setor era todo destinado a uma crítica à exploração dos trabalhadores para que São Paulo produzisse riquezas. Se a ideia era exaltar a vanguarda paulistana na economia, isso ficou um pouco deslocado.

Também fiquei um pouco desapontado com o abre-alas, que tinha uma concepção interessante dentro desse pequeno deslocamento, mas não foi bem executado. A ideia era mostrar os olhos da ganância, mas a meia dúzia de olhos que cercavam o abre-alas complicaram muito o efeito visual da alegoria. Na sequência, porém, o desfile entrou nos eixos e a Tom Maior fez uma apresentação muito simpática, muito por conta do agradável samba que foi mais uma vez muito bem conduzido pelo intérprete Renê Sobral.

A Tom Maior apresentou uma nítida evolução nos quesitos plásticos. As fantasias estavam bem mais luxuosas, com uma divisão cromática mais pertinente a cada setor do enredo e as alegorias também estavam mais grandiosas e imponentes. Alguns carros, como o segundo, que lembrava a era das ferrovias no interior paulista, apresentaram algumas falhas de acabamento. Outros, como o quarto, que trazia a riqueza do biocombustível (e, que por sinal, estava muito bonito) evoluíram de maneira confusa pela pista, o que atrapalhou bastante a evolução da escola. Já a última alegoria, que apresentava o dragão da inflação já domado, se destacou, pois estava muito bonita. Foi um bom desfile. Pelos erros cometidos, provavelmente ficaria ali pelo meio da tabela, mas, ainda assim, foi o melhor desfile da escola até então.

rosas2008A sexta escola a iniciar o seu desfile foi a Rosas de Ouro, que prometia encantar o Sambódromo com o enredo “Rosaessência, o eterno aroma”. E, na estreia do carnavalesco Jorge Freitas na escola, prometeu e cumpriu. A escola da Freguesia do Ó mais uma vez apostou em uma comissão de frente de alto impacto, mas a imagem de Jesus Cristo pregado na cruz, desfecho da encenação que começava com a mirra levada por um dos Reis Magos, ficou um pouco deslocada no enredo.

Mas, na sequência, a escola de fato surpreendeu o Anhembi com um desfile luxuoso e de muito bom gosto. Jorge Freitas obviamente usou e abusou do rosa, mas estabeleceu uma divisão cromática bastante diversificada, usando das diversas tonalidades da cor em questão e também usando muito de outras cores. A Roseira apresentou um belíssimo abre-alas, grandioso, com muitas esculturas e um acabamento impecável. As fantasias tinham fácil leitura e também estavam bastante luxuosas.

O desenvolvimento do enredo também foi muito interessante, reservando os primeiros setores para toda a mística em torno do surgimento dos perfumes, o que sempre gera uma estética de bom gosto. A partir do terceiro setor, o desfile entrou em seu momento mais histórico, abordando o perfume na França, em Portugal e sua chegada ao Brasil. A Rosas de Ouro conseguiu algo que, em geral, é bastante complicado, que é manter o padrão de luxo e bom gosto do abre-alas em todas as alegorias. Todos os quatro primeiros carros estavam muito bem acabadas, com um enorme capricho e muita criatividade.

O samba, apesar de não ser dos mais inspirados, até que rendeu bem. A escola cantou bem e, embora não tenha sido um desfile que se destacou pelo chão, a Rosas cumpriu seu papel nesses quesitos. O último setor do desfile, porém, destoou um pouco do resto. Destinado a um patrocinador, que lançaria um perfume chamado Rosaessência naquele dia, ele abordou o perfume no dia a dia e trouxe a alegoria mais mal concebida e mais mal executada do desfile. Ainda assim, a Rosas, embora parecesse ter tropeçado mais que a Vila Maria, estava muito firme na briga pelo título.

Para encerrar a primeira noite, a Nenê de Vila Matilde entrou na Avenida e conseguiu mais uma vez apresentar uma evolução em relação ao desfile do ano anterior. Com o carnavalesco Augusto de Oliveira, a escola da Zona Leste fez uma boa apresentação no enredo “Um vôo da Águia como nunca se viu! Também somos folclore do nosso Brasil – 110 anos aprendendo com Câmara Cascudo”.

A escola da Vila Matilde fez um desfile simples em termos de enredo. Câmara Cascudo era apenas a inspiração para a viagem da escola pelo Brasil. Um setor para cada região e vamos conhecer um pouco o folclore de cada pedaço do país. Gostei muito da comissão de frente, que trouxe as rainhas do maracatu. O primeiro carro foi dedicado ao rico folclore do Nordeste e, predominantemente azul, conseguiu bom efeito graças ao bom acabamento e ao trabalho cuidadoso em sua execução.

A Nenê visivelmente não tinha condições de competir com as grandes, mas fez um grande desfile. Foi, sem dúvida, o desfile de melhor chão da noite. O samba rendeu bem, o refrão pegou e, assim, as alegorias e fantasias mais humildes quase não eram notadas. O segundo setor viajou pela região norte, usando e abusando do verde e também abordando o Festival de Parintins. No terceiro setor, destaque para o centro-oeste.

O melhor setor do desfile talvez tenha sido o quarto, dedicado à região Sul do país. A presença de colonos, italianos e gaúchos “nativos”, digamos assim, foi passada com clareza em fantasias leves e de muito bom gosto, que permitiam ao componente uma boa evolução. O quinto setor, dedicado a região Sudeste, também apresentou boas fantasias, mas foi resumido em uma alegoria que apresentou problemas de acabamento. Ainda assim, a Nenê saiu da pista no amanhecer com a sensação de dever cumprido e sonhando com uma vaga no desfile das campeãs.

Para abrir a segunda noite de desfiles, o tradicionalíssimo Camisa Verde e Branco entrou na Avenida pisando forte como de costume para apresentar o enredo “Da pré-história ao DNA: a história do cabelo eu vou contar!”. O samba não era dos melhores do ano, mas tinha trechos empolgantes e conquistou as arquibancadas, que responderam bem à entrada da escola na Avenida. Os componentes também cantaram forte e o Camisa passou, digamos, como o Camisa.

Mas, por outro lado, foi um desfile de baixíssimo nível técnico em relação aos quesitos de chão. A deficiência econômica da escola em relação às outras 13 concorrentes era visível a cada fantasia, a cada alegoria. Além da comissão de frente muito bem coreografada e com boa comunicação com o público, pouco restou. O carro abre-alas até teve boa concepção, lembrando os fios de Medusa, mas o acabamento estava muito deficiente.

O Carnavalesco Rodrigo Siqueira investiu em fantasias mais baratas, aceitando a condição de inferioridade do Camisa e, com o bom trabalho dos ateliês, conseguiu um resultado razoável. A divisão cromática também se destacou, bastante colorida, mas não houve espaço para o luxo. Os três carros seguintes não podiam ser classificados como de Grupo Especial. Pequenos, inacabados e com muitas falhas de acabamento, passaram pelo Anhembi sem deixar saudades. O quinto e último carro, o do “Salão do Futuro”, estava um pouco mais grandioso e mais bem acabado e acabou se salvando. Ainda assim, o Camisa era fortíssimo candidato a voltar para o grupo de Acesso.

Quem também voltava a competir no Grupo Especial era a Mancha Verde. Após dois desfiles competindo sozinha no grupo das desportivas, a escola fez uma apresentação razoável com o enredo “És imortal… Ariano Suassuna, sua vida, sua obra, patrimônio cultural”. A escola apostou em uma boa comunicação com o público para exaltar o escritor nordestino e, para isso, optou por causar uma boa primeira impressão.

A comissão de frente foi das mais criativas do ano, relembrando “O Auto da Compadecida” e foi bem recebida pela plateia. O carro abre-alas foi dos mais belos do ano, também relembrando a obra mais famosa do escrito. Predominantemente marrom, o carro estava grandioso, bem iluminado e com boas esculturas, que remetiam ao cenário retratado na peça que virou filme e minissérie de TV.

A impressão que eu tenho, todavia, é que a escola não conseguiu manter o padrão de luxo e grandiosidade desse primeiro setor, nas demais partes do desfile. As fantasias estavam bonitas, muito coloridas, e fizeram a Mancha passar muito compacta pela Avenida. O Nordeste de Ariano Suassuna também foi retratado com muita fidelidade nas alas e a escola conseguiu revisitar as principais obras do autor sem ficar presa a elas.

Gostei muito da fantasia do casal de mestre-sala e porta-bandeira, que homenageou os dois Estados do coração do autor: a Paraíba e Pernambuco. Mas o desfile perdeu muito por conta das alegorias 2 e 3, que destoavam muito do resto. Os carros não apresentavam problemas de acabamento, mas estavam muito pequenos. O segundo ainda se destacou pela escultura que representava o cofrinho da peça do avarento que guardava dinheiro em um porquinho de madeira, mas a terceira passou como se fosse um tripé.

Ainda assim, o desfile melhorou bastante na quarta alegoria, que foi a grande surpresa da passagem da Mancha. O carro era, na verdade, um palhaço gigante, deitado. O carro era muito colorido e foi muito bem executado, passando de maneira belíssima pelo Anhembi. O último setor foi dedicado à vida pessoal de Ariano, relembrando por exemplo sua cadeira na Academia Brasileira de Letras. O carro, se não era dos mais espetaculares, passou bem e se destacou por trazer o homenageado visivelmente emocionado. Cantando o samba o tempo todo, acenou e mandou beijos para a arquibancada e foi ovacionado pelo público. Foi, em suma, um bom desfile, mas que parecia insuficiente para brigar pelas primeiras posições.

A terceira escola da noite foi a X-9 Paulistana, que apresentou o enredo “O Povo da Terra está Abusando… O Aquecimento Global vem aí – A Vida Boa e Sustentável Pede Passagem”. O desfile chegou a ter o cronômetro zerado quando o mesmo marcava nove minutos por um desentendimento entre escola e coordenação, mas tudo foi resolvido. A escola também impressionou em seu início com uma ótima comissão de frente que colocava a deusa Gaia, que é a Terra, no centro de uma batalha entre os homens.

O abre-alas foi talvez o mais impactante do ano. Todo em branco, trazia um enorme urso polar simbolizando o derretimento das calotas polares e estava muito bonito. O enredo, apesar de bem desenvolvido, não teve boa comunicação com o público. O carnavalesco Raúl Diniz trouxe boas fantasias para o Anhembi, mas as mesmas eram de difícil leitura. A X-9 teve alguns problemas de evolução porque o segundo carro emperrou na concentração e uma ala que vinha atrás deste, teve que vir à frente, o que também prejudicava o enredo.

O samba, apesar de mais um bom desempenho do intérprete Daniel Collête, não teve um rendimento dos melhores e a escola, com o perdão pela ironia, passou fria pela Avenida. Os carros relativamente grandiosos e bem acabados chamaram a atenção, mas não foi um desfile marcante. Assim, a X-9 ainda podia sonhar com uma vaga no desfile das campeãs, que já parecia bastante complicada, mas estava totalmente fora da briga pelo título.

A quarta escola a abrir o seu desfile no sábado de Carnaval foi a Pérola Negra, que apresentou o enredo “A onça vai beber água. Jaguariúna, desenvolvimento e qualidade de vida nos trilhos do tempo.” A escola, que estava longe de ser das mais aguardadas, não chegou a levantar o Anhembi, mas surpreendeu a todos com um desfile muito bonito dentro das suas limitações.

A escola mais uma vez mostrou ter um chão de respeito. Os componentes estavam animados, cantaram forte e o samba, que era apenas razoável, passou muito bem pela Avenida. Mas a surpresa mesmo ficou por conta das fantasias e alegorias concebidas pelo carnavalesco Delmo de Moraes, que estavam muito acima do que se esperava da modesta agremiação da Vila Madalena.

Para começar, é preciso dizer que o enredo foi desenvolvido com muita correção e conseguiu abordar a história de Jaguariúna sem cair no lugar-comum de enredos sobre cidades do interior de São Paulo. A Pérola Negra apostou no luxo em algumas fantasias, como a da comissão de frente, mas, nos carros alegóricos, optou por fazer algo mais humilde, dentro de suas condições. Essa opção, somada a um cuidado imenso com cada detalhe e a um acabamento que beirou a perfeição, resultaram em ótimas alegorias.

Os destaques ficaram por conta do abre-alas, com uma enorme onça negra, e para o último carro, o do rodeio de Jaguariúna, que trazia ainda uma homenagem a um dos melhores profissionais do Brasil, Virgílio Gonçalves, que havia sido assassinado em outubro de 2007. O setor do desfile que falou sobre a colonização e a agricultura também ganhou ótimas alas, com destaque para a coreografada que apresentou uma dança maravilhosa e uma excelente caracterização.

O desfile, porém, sofreu um contratempo com o segundo carro, que tinha tudo para ser o mais belo do desfile, com um trem em uma ferrovia puxando as riquezas do “ouro verde”. Mas um eixo do carro se quebrou e, para não atrasar o desfile, a direção da escola optou por retirar a parte da ferrovia e do trem, reduzindo bastante o tamanho e o impacto visual da alegoria. Ainda assim, foi um grande desfile que não trazia à Pérola nenhum risco de rebaixamento.

vaivai2008Mas o Anhembi veio mesmo abaixo quando a Vai-Vai entrou quebrando tudo na Avenida para apresentar o enredo “Acorda Brasil! A saída é ter esperança”, do carnavalesco Chico Spinosa. Para começar, a escola distribuiu milhares de bandeirinhas nas arquibancadas e os torcedores fizeram uma coreografia com as mesmas, dando o tom do que seria mais um sacode da Escola do Povo.

Para ajudar, a escola vinha amparada por um dos melhores sambas do ano e que ganhou uma interpretação brilhante do intérprete Carlos Júnior, que levantou o público com gritos de empolgação e cacos que se adaptavam à obra. A comissão de frente chamou a atenção e vinha “despertando” o Brasil. O abre-alas também se destacou por seu luxo e grandiosidade. Três carros, com direito a efeito pirotécnico, acoplados remetiam ao deus Apolo, o deus da música, para dar início à mensagem de esperança que a escola pretendia passar.

Se em 2007 o desfile ficou marcado pelo excesso de preto, dessa vez Chico Spinosa caprichou nas cores e criou fantasias luxuosas, de alto impacto visual e de fácil entendimento. Em meio as cores, o branco também apareceu com destaque em belíssimas fantasias como a da Ala das Baianas e a da Velha Guarda. O segundo carro tinha uma ótima concepção, com barracos de favela atrás de uma escultura de um jovem dormindo. Era essa a representação do Carnavalesco para o que ele chamava de “Talento Adormecido” que morava nas favelas.
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Antes de mostrar como acordar esse talento, Chico usou o terceiro setor para criticar o Governo pelo descaso com a educação. Esse setor ganhou aquele que foi o pior carro do desfile, com uma coruja à frente de esculturas que simbolizavam o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. O carro não foi bem executado. Mas, na sequência, o desfile voltou a entrar nos eixos. O preto começou a aparecer com maior destaque e as fantasias impressionaram o Anhembi, bem como a favela branca com um arco-íris que veio na parte traseira do carro.

Mas o grande setor do desfile foi mesmo o último. O carnavalesco quis fazer uma homenagem à Orquestra Sinfônica de Heliópolis, projeto do Maestro Silvio Bacharelli que nasceu após um incêndio nessa favela. A mensagem de esperança veio passada no último carro, que trazia membros da orquestra regidos pelo próprio Silvio Bacharelli. O carro, todo em dourado, também estava muito luxuoso e foi um ótimo encerramento para o desfile. A Vai-Vai, sem dúvida, estava entre as grandes favoritas a vencer aquele Carnaval.

mocidadealegre2008Mas ainda havia duas fortíssimas concorrentes para passar pelo Anhembi. A primeira era a Mocidade Alegre, que apresentou o enredo “Bem Vindo a São Paulo. Sabe por que? Porque São Paulo é tudo de bom!!!”. E a Mocidade provou que vinha muito forte em busca do bicampeonato. O enredo era assumidamente ufanista e pretendia exaltar São Paulo em suas mais diferentes formas. E assim foi feito.

O abre-alas foi, com sobras, o melhor de 2008. Um gigantesco e muito bem iluminado carro trazia São Paulo como uma máquina, uma São Paulo “arlequinzada” como dizia Mário Quintana. O carro impressionou pelo ótimo acabamento e pela perfeição de cada detalhe. No segundo setor, foi a vez de exaltar a bravura paulistana com mais um belíssimo carro, que homenageava os motoboys. Minha única crítica é quanto às tonalidades muito parecidas com a do abre-alas, que davam uma sensação incômoda de repetição.
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Por falar em cor, o carnavalesco Zilkson Reis caprichou e fez um desfile colorido, com fantasias luxuosas, bem pensadas e de fácil leitura. A bateria de Mestre Sombra foi mais um show à parte e arrancou muitos aplausos da plateia quando parte dos ritmistas se deslocou dos demais e formou a letra “S” em verde e a letra “P” em vermelho, resultando assim em SP. O terceiro setor mergulhou na vida noturna da Terra da Garoa e fez bonito com aquele que talvez tenha sido o mais belo carro de todo o desfile, com a representação de boates, bares e casas noturnas.

O quarto setor foi especialmente dedicado à gastronomia e, aí, embora muitas fantasias parecessem cópias de desfiles anteriores de outras escolas, o alto nível se manteve. O carro que retratou o setor também é digno de nota, principalmente pela escultura de um garçom carregando um globo terrestre como se fosse uma bandeja que, quando aberta, tinha dentro dela a própria cidade de São Paulo. Ainda teve tempo para uma homenagem à Parada do Orgulho Gay para encerrar com chave de ouro o desfile. A Mocidade assim se colocava ao lado e Vila Maria e Vai-Vai no grupo das grandes favoritas.

Mas ainda faltava a sempre poderosa Império de Casa Verde com seu “Sambando, cantando e seguindo a canção. Vem, vamos embora para a festa da MPB”. Apesar de mais uma vez querer mostrar sua força com carros alegóricos gigantescos, a Império queria fazer um desfile diferente. Queria obter melhor comunicação com o público, passar menos fria. Para isso, o carnavalesco André Machado investiu em fantasias mais leves, que permitissem que o folião brincasse mais e assim foi feito.

A Império não tinha um grande samba e, assim, mesmo mais alegre, não empolgou o público. Mas, por outro lado, voltou a impressionar. A comissão de frente prestava uma homenagem aos sambistas que caíram no gosto popular e, embora muito mais simples, tanto na vestimenta, quanto na coreografia, em relação aos desfiles anteriores da escola, passou muito bem. O carro abre-alas trouxe os já tradicionais tigres gigantescos celebrando o Carnaval antigo, o Carnaval das marchinhas de sucesso que conquistaram o país. O carro contou mais uma vez com muito luxo e esculturas perfeitamente acabadas.

O segundo setor foi dedicado à Bossa Nova, que completava 50 anos naquele 2008. O público reviveu o Rio de Janeiro dos anos 50 em lindas fantasias e em um belíssimo carro alegórico que contava com a presença da Garota de Ipanema, Helô Pinheiro – em escultura e em pessoa. Nas laterais, dois violões com imagens do Rio de Janeiro. No terceiro setor, foi a vez da tropicália e dos anos de chumbo. Aí foi a deixa para o Carnavalesco usar e abusar das cores e prestar homenagem a grandes ícones do período em mais uma bela alegoria. O quarto carro homenageou o forró e a música brega e também apresentou fantasias muito coloridas. A alegoria que sintetizava o setor, porém, foi a mais pobre do desfile.

O quinto setor veio homenagear a “MPB do futuro”, lembrando artistas de sucesso do Século XXI como Ivete Sangalo e o pagodeiro Belo. Um belíssimo carro com enormes tigres robotizados e esculturas dos cantores em questão empacou no início da Avenida e comprometeu a evolução da escola. Assim sendo, as chances de título tinham ido para o espaço e a briga deveria ser entre Vila Maria, Vai-Vai e Mocidade Alegre, com a Rosas de Ouro correndo por fora.

Nenhuma escola foi penalizada, a exemplo do que ocorrera em 2007. Ao final do primeiro quesito, alegoria, sete escolas conseguiram os 10 pontos: Vila Maria, Tom Maior, Rosas, X-9, Vai-Vai, Mocidade e Império, embora apenas Rosas, Vai-Vai e Império tenham conseguido notas máximas. No segundo quesito, samba-enredo, apenas cinco das 14 escolas perderam ponto e uma delas foi a Império de Casa Verde, que tirou um 10 e dois 9,75 e ficou mais longe do título. A X-9 também perdeu 0,25. Rosas e Vai-Vai, com seis notas 10, lideravam com os mesmos 20 pontos de Vila Maria e Mocidade, que haviam tirado um 9,75 e Tom Maior, que havia tirado um 9,5 em cada quesito.

Em enredo, as cinco escolas somaram 10 pontos, mas a liderança passou a ser dividida entre Vila Maria e Mocidade, que gabaritaram o quesito, assim como a Tom Maior, que passou para terceiro. A Vai-Vai tirou um 9,75 e ficou em quarto, seguida da Rosas com seu 9,25. Todas com 30 pontos, 0,25 a mais que a Império. Na comissão de frente, as cinco líderes voltaram a conquistar os 10 pontos, mas a Vila Maria se isolou na ponta, seguida pela Vai-Vai, que também tirou três 10. A Mocidade caiu para terceiro com um 9,75, seguida por Tom Maior e Rosas, que também tiraram um 9,75. A Império seguia na cola com 39,75.

Mas no quesito mestre-sala e porta-bandeira, o quinto, a casa da Vila Maria caiu com os dois 9,75 que a escola tirou, deixando assim de somar os 10 pontos. A liderança voltou a ser da Vai-Vai, com os mesmos 50 pontos de Mocidade, Rosas e Tom Maior – esta com um 9,75 descartado. A Império perdeu mais 0,25 e saiu da briga. No sexto quesito, fantasia, Vai-Vai e Mocidade tiraram três 10 e se tornaram as únicas com pontuação máxima, 60 pontos. A Vila Maria assumiu a terceira posição com 59,75, já que Rosas e Tom Maior perderam 0,25 cada.

No quesito bateria, a Mocidade ultrapassou a Vai-Vai, que teve um 9,75 descartado. As duas tinham 70 pontos contra 69,75 de Rosas, Tom Maior e Vila Maria, que teve um 9,5 descartado e caiu para quinto. No oitavo quesito, evolução, a Mocidade se manteve na ponta com três 10 e ainda viu a Vai-Vai sofrer ao tirar um 9,75 na primeira nota, que acabaria descartada após os dois 10 nos jurados seguintes, mantendo assim o sonho do título vivo. A Vila Maria se manteve em terceiro, seguida da Rosas, ambas com 79,75. A Tom Maior, com um 10, um 9,5 e um 8,5, saiu da briga.

No último quesito, as quatro líderes receberam 10 do primeiro jurado. Mesmo tirando 10 no segundo, Vila Maria e Rosas perderam as chances de título com os dois 10 tirados por Vai-Vai e Mocidade, que confirmaram assim seus 90 pontos. Na última nota, a Mocidade precisava apenas de uma nota igual ou superior à da Vai-Vai para se sagrar campeã. Depois de lidas as notas de Gaviões, Tucuruvi, Vila Maria, Águia, Tom Maior, Rosas, Nenê, Camisa, Mancha, X-9 e Pérola, veio o 10 da Vai-Vai. A Morada do Samba precisava de um 10 para ser campeã… e ele não veio. O 9,75 calou o Bairro do Limão e fez o Bixiga explodir em festa com mais um título, fazendo da Mocidade vice.

Os critérios de desempate deram à Vila Maria o terceiro lugar, superando a Rosas. A Tom Maior surpreendeu e conquistou uma vaga no desfile das campeãs ao somar 89 pontos, 0,25 a mais que a X-9, que foi seguida por Mancha, Nenê e Império que, julgada com certo rigor, somou 88,25. A Pérola Negra terminou em décimo, seguida da Gaviões da Fiel, que só se garantiu na elite no último quesito. O sorvete da Tucuruvi somou 87,25, 0,25 a mais que o sorvete da Águia de Ouro, que foi rebaixada ao lado do Camisa.

No Grupo de Acesso, vitória da Unidos do Peruche, que subiu junto com a Leandro de Itaquera. A Leandro somou surpreendentes 2,25 pontos a mais que a Barroca, terceira colocada. No Especial, com o mesmo regulamento, a distância da campeã para a nona colocada foi de apenas 1,75 ponto.

Curiosidades

– Pelo sexto ano consecutivo, a transmissão da Globo contou com a narração de Chico Pinheiro e de Renata Ceribelli com comentários de Mauricio Kubrusly e Leci Brandão.

– Fim da passagem do carnavalesco Zilkson Reis pela Mocidade Alegre. Ele, em 2009, estaria na Gaviões da Fiel.

– Mas foi também o começo da mais longa passagem do intérprete Clóvis Pê pela escola. Ele ficaria até 2013, conquistando três títulos no período. Em 2014, cantaria pela primeira vez na Vila Maria.

– A atriz Monique Alfradique, através de um desafio do programa Domingão do Faustão, desfilou em todas as 14 escolas do Grupo Especial.

– O público presente no Anhembi respondeu bem aos aromas de sorvete espalhados por Tucuruvi e Águia, além dos picolés distribuídos pela primeira. Já o perfume da Rosas de Ouro provocou enjoos e irritações nos olhos do público.

– Depois da fantasia de palhaço na Mocidade Alegre em 2007, o intérprete Daniel Collête voltou a surpreender o público ao cantar o samba da X-9 vestido de urso polar.

– Foi o terceiro título do intérprete Carlos Júnior, que havia sido bicampeão no Império de Casa Verde em 2005 e 2006. Apenas Royce do Cavaco (1991, 1992, 1994, 1997 e 2000), com cinco conquistas, Thobias da Vai-Vai (1993, 1998, 1999 e 2000) e Ernesto Teixeira (1995, 1999, 2002 e 2003), com quatro, venceram mais no Anhembi. Carlão e Royce, por Império e Vai-Vai e Rosas e X-9, respectivamente, venceram por mais de uma escola na história do Sambódromo.

– O carnavalesco Chico Spinosa pretendia que os 81 membros da Orquestra de Heliópolis tocassem seus instrumentos durante o desfile da Vai-Vai. Chico classificou a recusa da Liga à ideia como “uma burrice do tamanho do regulamento”.

– Na Mancha Verde, o destaque foi para Ariano Suassuna, que cantou do início ao fim o samba da escola. Ao final do desfile, atravessou quase toda a passarela no sentido inverso, recebendo aplausos do público.

– A Mancha Verde, aliás, esteve envolvida em uma polêmica pré-carnavalesca. É que o pagodeiro Belo se separou da rainha de bateria da escola, Viviane Araújo, e abandonou também a Mancha. Ele foi parar no Império de Casa Verde, que tinha sua nova namorada, Gracyanne Barbosa, como Rainha. Daí para a presença na faixa da escola no CD foi um pulo. A Mancha colocou, no livreto com as letras, uma mensagem alegando “falta de comprometimento” e “desrespeito” de Belo com a entidade.

– Esse desfile da Império, aliás, marcou a única presença do intérprete Bruno Ribas no comando de um carro de som em São Paulo. Ele seria contratado, em 2012, para cantar o samba de 2013 da Vai-Vai, mas foi demitido logo após gravar o samba para o CD.

– Depois das vaias em 2007, o Prefeito Gilberto Kassab não foi anunciado no sistema de som. Animado, percorreu todas as cabines de rádio e pela primeira vez confirmou que pretendia ser candidato à reeleição nas Eleições daquele ano.

Vídeos

O grande desfile da Vila Maria
https://www.youtube.com/watch?v=-NTmLqLL4t0

A surpreendente Tom Maior
https://www.youtube.com/watch?v=eAeHX-aIi7Y

O perfume da Rosas de Ouro
https://www.youtube.com/watch?v=JbxpBXjLPcE

O bom desfile da Nenê
https://www.youtube.com/watch?v=9cnEcbF2org

A campeã Vai-Vai
https://www.youtube.com/watch?v=Qw9J0FJBG-I

A vice Mocidade
https://www.youtube.com/watch?v=7VwoYzimPVo

Império de Casa Verde e a MPB
https://www.youtube.com/watch?v=XqLt7pXtcNQ

14 Replies to “Bodas de Prata – 2008: com virada na última nota, Vai-Vai é campeã e frustra sonho do bi da Mocidade”

  1. “A Mocidade Alegre tentaria o primeiro bicampeonato de sua história com uma exaltação à cidade de São Paulo.”

    Mocidade Alegre

    1969 Campeã Especial-Bloco
    1970 Campeã Acesso
    1971 Campeã Especial
    1972 Campeã Especial
    1973 Campeã Especial

    69 e 70 são as duas estrelas que estão na parte inferior do logo.

    abraço,
    Rodrigo Prates

      1. Vc tb trocou os anos do Bruno Ribas contratado na Vai-Vai: Ele foi contratado ano passado para cantar o samba deste ano, mas por falta de comprometimento (cantava rouco, fora do tom nos ensaios) foi dispensado, aí ele foi pra Mocidade do RJ…

  2. Aliás, fica o aviso: esse texto foi o último da série nesse ano de 2014. A Bodas vai entrar em recesso no fim fo ano e volta no dia 5 de janeiro com o Carnaval de 2009. Daí para frente, seguirá em ritmo normal até o Carnaval.

  3. Último ano de alto nível dos desfiles de SP, pois 4 escolas fizeram belíssimos desfiles, mais a Império de Casa Verde que estava linda, mas teve dois problemas, que além do que vc citou tb teve na dispersão, quando a 2ª alegoria demorou pra sair, travando a escola… Problemas tb com a fantasia do Casal, que foi trocada às vésperas do desfile, e isso explica suas notas…Foi um grande trabalho do sempre competente Andre Machado, mto bom gosto foi a tônica do desfile!
    Vai-Vai deu show, emocionante, nem tenho mto o que falar pq fica redundante, mas este enredo foi o melhor do ano no Brasil inteiro!
    Mocidade Alegre tb foi mto competente, mas am alguns momentos parecia o desfile de 2004, pecou nisso e na evolução abrindo alguns buracos.
    Vila Maria arrasou tb, competentíssima ao passar sem correr msm com tanta gente! Ela perdeu o título no casal de MS e PB, que tirou duas notas abaixo de 10, se uma dessas “não 10” fosse 10 ela seria campeã no desempate…
    Começava o belo casamento entre Jorge Freitas e Rosas de Ouro, que faria a escola sair da fila dois anos depois (casamento este que já em parece desgastado hj). Muito luxo e bom gosto marcaram uma bela apresentação! Um excelente cartão de visitas do Jorge…
    Gostei da Tom Maior, mas achei exagero o 5º lugar, preferia a Nenê, com o melhor samba do ano e que mostrou garra e qualidade msm sem as mesmas condiçõe$ das concorrentes. A X-9 passou fria, normal, sem nenhum destaque, mas gostei no geral…
    A Mancha entre 2007 e 2011 tinha um defeito: Seus desfiles eram mto rápidos, a escola terminava seus desfiles enrolando no final para não passar antes do tempo mínimo, e neste 2008 isso ficou claro na boa apresentação da Escola!
    Gostei da Pérola demais, e a Gaviões merecia sorte melhor, apesar dos problemas…
    Foi uma decepção a Águia de Ouro, me lembro que no pré-Carnaval, seus componentes sempre pintavam nas comunidades do Orkut afirmando que a escola faria uma apresentação histórica… Chega o desfile e, msm sem o problema do 4º carro, decepcionou, e o Victor Santos não foi feliz na realização do enredo. E sobre o problema na 4ª alegoria, ficou uma marca, um riscado no chão do sambódromo, que durou a noite toda… Mereceu cair, apesar do fraco desfile da Tucuruvi. Camisa apenas passou… e pobre demais…

    Realmente emoção foi o que não faltou no final da Apuração! hehe
    Apuração que pela última vez foi realizada na terça-feira de manhã, a partir de 2009 seria de tarde, como é até hoje!

  4. Boa noite!

    Meu caro:

    Mantendo a tradição de chegar aqui “atrasado”, seguem pareceres e complementos sobre este carnaval de 2008.

    – O álbum
    No ano em que o quesito samba enredo se fundiu, as escolas capricharam nas melodias! As letras ficaram aquém, prejudicando a evolução de muitas delas como você bem mencionou.
    Este CD foi gravado em uniformidade, abandonando o sistema “cada uma por si” que passou a vigorar em 2006. Infelizmente o carnaval de 2009 traria dois álbuns para o público em episódio bizarro que será tristemente lembrado no próximo capítulo das “bodas”.

    – Gaviões
    Inchaço! Isto define um desfile que poderia ter ido além do que se viu.

    – Tucuruvi x Águia
    Apesar da abordagem diferente, ficou parecendo a mesma coisa. Prefiro a linha da Tucuruvi. Águia parecia meio perdida.

    – Vila Maria
    Indiscutivelmente a melhor apresentação dela no Grupo Especial Paulistano. Eu daria alguns anos de minha vida para voltar no tempo, e assistir a este desfile ao vivo! Ele foi a sensação das redes sociais (Aka Orkut e alguns fóruns), amolecendo corações até de dos mais severos críticos ao carnaval de São Paulo.
    Além do gigantismo alegórico (Muito bem realizado), as fantasias, primando por adereços de mão e sem as “cangalhas”, causaram ótimo efeito.
    …e o samba rendeu! O refrão do meio era uma explosão só!

    – Tom Maior
    Belo samba! 2008 foi um ano em que duas alegorias (Uma na Tom Maior e outra na Beija-Flor) me dariam pesadelos. Ambas com o tema abstrato de “olhos da ambição / cobiça”…

    – Rosas
    Outro desfile belíssimo! Um início de extremo impacto! O que eram as Rosas gigantescas que se abriam para lançar perfume antes do abre-alas?
    Jorge Freitas concebeu um belo desfile, muito superior ao que deu título à escola dois anos depois, e muito melhor que qualquer outro que ela tenha apresentado desde então.
    Atualmente as alegorias da Rosas são muito bonitas na concentração, paradas. Quando entram na pista, parecem incompletas, não possuem muitos movimentos…enfim “bolos de noiva”.
    Que esta má fase mude, e os bons tempos voltem (Ok, teve 2013, mas ainda assim foi bem inferior a 2008)!

    – X-9
    Só um adendo: o urso polar do abre-alas se abanava com um leque! Irreverência na seriedade do tema.

    – Vai-Vai
    Vale lembrar que o enredo do Vai-Vai foi baseado numa peça de Antonio Ermínio de Moraes, que acompanhou o desfile da escola de um camarote no Anhembi.

    Aproveite bem o fim de ano. Parabéns por esta ótima série! Feliz 2015…e que venha 2009!

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

  5. Não sei como a Vila Maria não foi campeã naquele ano. Na minha opinião plasticamente perfeita e apesar do número de concorrentes passou redonda.

    Mocidade Alegre colorida, com enredo ufanista e de fácil entendimento. Era cheiro de título na certa…

    Mas quando tem que ser, não tem jeito: Vai-Vai arrebentou!!! Canto, alegorias, bateria, fantasias, comunidade, chão, baianas…enfim todos os ingredientes de um grande desfile.

  6. “A Mocidade Alegre tentaria o primeiro bicampeonato de sua história com uma exaltação à cidade de São Paulo”

    Como assim??????

    Então os títulos de 71, 72 e 73 não vale mais nada?

  7. Acho que só eu considero esse um dos 5 melhores sambas da história da Gaviões.

    Quando não pende pro lado somente do corintiano, a Gaviões quase sempre vem com sambas antológicos!! Basta ver 1994, 1999, 2001, 2002, 2003, 2008 e 2009. O resto, tirando 1995 e 2004, pode jogar no lixo!!

    O de 2015 também é esquecível!!

    Em tempo: esse Carnaval de 2008 teve uma das apurações mais enfartantes!!

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