Neste 25 de dezembro, o dono, os editores e colunistas do Ouro de Tolo fazem suas mini retrospectivas pessoais e dão votos de Boas Festas.
A partir de amanhã teremos – sem prejuízo das colunas normais – uma retrospectiva de 2014 dividida em temas, até o dia 31. Prestigie!
Pedro Migão, Editor Chefe:
“Tive um 2014 estranho. Não posso dizer que foi ruim, mas esteve longe de ser um bom ano. Muita aporrinhação definiria bem.
Mas, depois de um 2012 (quase) trágico e um 2013 onde realizei dois sonhos, este 2014 simplesmente passou. Tira o carnaval, tira a Copa do Mundo e não sobra nada além da rotina.
Para não dizer que não conquistei nada, aprendi a dirigir carro automático.
Espero que 2015 traga a normalização política do país – imerso em tentativas de “terceiro turno”, que a Portela finalmente quebre seu jejum – estamos trabalhando para isso – e que esta revista eletrônica continue oferecendo aos leitores uma boa opção de leitura. Além disso, é lucro.
P.S. – espero não ter que operar os joelhos…”
Fred Sabino, Editor Adjunto:
“O ano de 2014 foi bastante complicado para o Brasil. As eleições transcorreram em um clima beligerante demais, o que foi um passo atrás numa democracia que custa a amadurecer no país.
Infelizmente, a despeito dos bons números em relação ao emprego, ainda há problemas econômicos que precisam ser debelados, e os recentes escândalos, sobretudo o da Petrobras, geraram um clima de insatisfação e desconfiança.
Espera-se que, com a reeleição de Dilma Rousseff, e a consequente reforma ministerial, essas questões sejam atacadas para que o viés de crescimento da época de Lula seja recuperado.
No esporte, principal alvo da coluna Sabinadas, tivemos um 2014 de altos e baixos. A Copa do Mundo foi um sucesso dentro e fora de campo, mas a nossa Seleção destoou. Destoaram também escândalos em diversas confederações, com destaque para a de vôlei e a de tênis.
Nosso futebol dentro de campo está um desastre, exceto pela dupla mineira, que se sobressaiu em meio à mediocridade. Em outras modalidades, vimos boas surpresas como a de Gabriel Medina no surfe e uma melhora do tênis brasileiro, com excelentes resultados dos duplistas Marcelo Melo e Bruno Soares e a volta do país à elite da Copa Davis.
No basquete, a seleção masculina recuperou parte de seu prestígio com uma boa campanha no Mundial e o Flamengo ganhou tudo entre os clubes. No automobilismo, Felipe Massa começou muito mal a temporada, mas voltou a pilotar bem no fim, com três pódios em sete provas, e talentos surgindo como Felipe Nasr, Pedro Piquet e Pietro Fittipaldi.
Em 2015, no entanto, prevejo dificuldades para o esporte em geral, com uma retração de investimentos à espera do ano seguinte, o da Olimpíada. Que nossos atletas driblem essas dificuldades.”
Aloisio Villar, coluna Orun Ayé:
Eu espero que 2015 esqueça de vir e 2014 ocupe seu espaço por pelo menos mais um ano. Em 2014 criei o ‘Reage Boi’, ganhei prêmios pelo Dendê, emagreci, fiz e encenei peças de teatro em quatro cidades do Brasil, encontrei uma grande companheira, escrevi aqui, no meu blog, entrei pro SRZD e não tenho do que me queixar. Não realizei tudo que quis, mas até do que não consegui me orgulho. Fiz barulho em 2014.
Quanto ao mundo em geral. Menos mortes de gente bacana, menos roubalheira do governo e hipocrisia da oposição, menos lançamentos de comédias da Globo Filmes, uma escola de samba ganhando o carnaval com um bom samba-enredo, Flamengo continuando sua reestruturação e Papa Francisco promovendo a paz entre Pedro Migão e Leonardo Moura está bom.
Emerson Braz, coluna “Vamos à Luta”:
“Era um ano que prometia…
Teríamos a maior festa do mundo em nossa terra…
Oportunidades… País bombando…
Mas é a cara do nosso país perde-las…
O ano eleitoral junto com tudo isso atrapalhou demais.
Chegamos ao fim de 2014, ainda meio sem saber o que pensar o que vem pela frente…
A fragilidade de nossa classe política somada a essas belas notícias do sistema de corrupção enraizado no Brasil desde 1500 deixa a população tensa e as redes sociais radicais.
O mundo deu uma reagida economicamente e o Brasil parece que pegou um retorno errado. Devemos penar em 2015, pagando a conta salgada das barbaridades feitas pelos nossos governantes.
De maneira mais restrita, o setor onde trabalho tem grande mudança para o ano que chega, como nova tributação e grandes perspectivas. O governo parece ter percebido que o apoio irrestrito ao pequeno é uma forma irrevogável de crescimento econômico.
Não acredito muito na nova equipe econômica, nem nas escolhas da Presidente. Sem ter votado nela, nem no tucano, me sinto traído.
Bola pra frente, ano novo, vida nova.
Que esse espaço seja sempre essa forma plural de batermos um papo sem censura.
Futebol, samba , economia , saúde … uma revista enfim!
Que Deus ilumine todas as cabeças e ajude àqueles que realmente precisam.
Leonardo Dahi, Filho Pródigo:
2014 foi intenso. Tão intenso que passou voando. Como todo ano, começou com a expectativa para mais um Carnaval. Um Carnaval de bons desfiles em São Paulo, de desfiles um pouco abaixo do esperado no Rio e de resultados bastante contestáveis nos dois casos.
Passado o Carnaval, geralmente vem aquela saudade, aquele vazio… Mas não em 2014. Logo depois já vinha por aí uma Copa do Mundo. E uma Copa do Mundo em nossa casa! Foram 64 grandes jogos – pude assistir 63 ao vivo, um em compacto e um in loco, a maioria de alto nível, cada um com sua história. O Brasil vibrou em momentos como a vitória contra o Chile, chorou no histórico 7 a 1, mas se divertiu. Foi, em suma, o país feliz e alegre que todos acham que somos.
A saudade da Copa do Mundo foi grande, mas logo foi substituída pela mais intensa corrida eleitoral desde 1989. Uma Eleição com debates intensos, que mostrou um Brasil politizado e também um Brasil que vive um momento esquisito, com um clima estranho pairando no ar. No fim, deu Dilma e a incerteza sobre o futuro incomoda.
Foi um ano bacana, que misturou momentos felizes com outros de reflexão. Um ano que levou muita gente bacana nas artes, nos esportes, no jornalismo, o que, infelizmente, deve virar rotina a partir de agora. 2015 certamente será menos intenso, temos apenas Carnaval, uma Copa América e um Pan-Americano. Mas que possamos manter a alegria que tivemos na Copa misturada a nossa veia politizada das Eleições e sejamos assim, um país que entre nos eixos e volte a crescer sem fugir das nossas principais características. Sem deixar de ser Brasil.
Rodrigo Salomão, O Povo no Blog:
Muitos se queixam de 2014, mas a maioria sabe que foi um ano para ficar marcado na história. Uma das mais espetaculares Copas do Mundo que se teve notícia aconteceu em nosso quintal. Foi tão mágico o momento que me fez criar metas para os próximos anos. Em 2018, estarei na Rússia, a trabalho, para testemunhar de novo a história sendo feita dentro das quatro linhas. Custe o que custar.
No campo pessoal, muitas reviravoltas e novidades. Casei, me mudei, publiquei um livro, fui contratado como jornalista para escrever sobre futebol no site 90min e, por fim, publiquei matéria na Revista Placar (uma das metas mencionadas acima) na edição agora de dezembro. Não posso me queixar.
Também não posso me esquecer, é claro, de que o Ouro de Tolo foi o primeiro lugar em que tive espaço para escrever, um ano e quatro meses atrás. No que sou muito grato e sempre serei. Sigamos em frente. Pode vir, 2015.
Rodrigo Farias, Contêiner Folião:
2014 foi o ano do improvável, do imponderável. Como explicar experiências tão constrastantes? Tivemos grandes alegrias, conquistas, ao mesmo tempo em que tivemos de nos deparar com a dor, tristeza e consternação.
Revivemos a democracia da maneira mais expressiva dos últimos anos. Foram embates, questionamentos, ataques, denúncias, o povo foi às ruas, protestou, festejou, expôs sua opinião e as urnas falaram. Mais quatro anos de Dilma. Mais tempo para aprimorar o que está certo e ter a carga nas costas de consertar tudo o que está errado. Não faltará trabalho para o
governo em 2015.
Passamos pelo medo da volta da inflação, que teima em permanecer acima dos 0,5% ao mês. Mas comemoramos índices recordes de emprego. Nunca tivemos a taxa de desempregados tão em baixa. O Real, assim como outras moedas no mundo, sofreu. Começou tão forte e termina apanhando do dólar.
Pelo mundo, assistimos incrédulos aos ataques do grupo Estado Islâmico. O terrorismo parece não ter fim em um curto espaço de tempo. Mas celebramos a ainda tímida reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, depois de mais de meio século de embargo. Um dos intermediadores da aliança, Papa Francisco, continua em alta com seu rebanho. Apesar das polêmicas decisões sobre homossexualidade e mudanças no próprio Clero, Francisco experimenta a consagração pelo estilo moderno, leve e humano. A Igreja deve continuar discutindo a relação em 2015.
No Brasil, vimos, quase sem acreditar, São Paulo secar. A falta de chuva e principalmente de planejamento, fez faltar água e transformar a vida de milhões de habitantes do Estado. Será que teremos água em 2015?
O carnaval consagrou a Mocidade Alegre em SP. A escola chegou ao tricampeonato e reina soberana entre as grandes paulistanas. No Rio, polêmica. Um título contestado da Unidos da Tijuca, um rebaixamento ainda mais contestado e mais da metade do júri não está em 2015. Teremos mais justiça no resultado? Esperamos, porém com cautela.
Ano de Copa, mas fomos mais felizes no surf. Fizemos de Medina nosso primeiro campeão. Ano de seleção brasileira de futebol, mas foi da Alemanha que recebemos a mais firme lição, apenas com planejamento e seriedade se vai longe. E ficamos longe, longe da conquista, longe do bom futebol.
Ficamos mais tristes. Perdemos atores, cantores. Nossa infância chorou com a partida de “Chaves”, mas renovamos sempre nossa esperança, pois esta é nossa missão.
Que venha 2015, e que tenhamos bons ventos em nossos caminhos!!!!
Rafael Rafic, “Made in USA”
Se for para resumir 2014 em uma palavra seria medo.
Medo de ver um clima sócio-político estranho, com o ovo da serpente sendo exposto. Medo de ver o nosso futebol se esvaindo e nenhum dirigente ou governante tomar nenhuma providência sensata.
Medo de perceber que as entidades esportivas mundiais cada vez mais estão se tornando ditaduras do toma-lá-dá-cá e o COI nem abordou tal ponto em sua ampla reforma.
Medo de ver que alegorias mal acabadas ganham 10 e sambas clássicos 9.6 e acham normal.
Medo de ver que as pessoas perderam o senso crítico em todas as áreas.
P.S.- também estou com medo de ter que operar o quadril antes dos 30 anos.
Gustavo Vaz, Cartas do Freezer:
2014 foi um grande ano.
Você pode até tentar espernear, mas foi. Apenas a Copa do Mundo e as Eleições provam isso. Pessoalmente, um ano agradável. A dureza, mas também o amadurecimento do fim de uma faculdade. A oportunidade de presenciar a Copa das Copas in loco e uma função legal de trabalho. No Brasil em geral, enquanto a Copa uniu, as eleições desuniram. O patriotismo, “refúgio dos canalhas”, unido com o ranço e, creio eu, com as decepções do dia-a-dia, cada vez mais estressante, tornaram o cenário da disputa numa guerra virtual de facções. Pessoas depositaram toda sua fé num lado, abraçaram o maniqueísmo e se digladiavam, como se os concorrentes se importassem com os guerreiros.
7×1, Eduardo Campos, Chaves, direita, esquerda, feminismo, bananas, Papa Francisco, Dona Lúcia, Bolsonaro, Podolski, Levy, Luciana Genro, Cruzeiro, Tijuca, Medina… Tudo isso e muito mais aconteceu em 2014.
Que 2015 possa ser tão movimentado e que deixemos as intrigas desnecessárias de lado. Que haja mais ação e menos mimimi. Enfim, que todos aprendam a levar a vida um pouco menos a sério. Que exista uma união das pessoas em prol da galhofa, e que possamos estar num boteco tomando uma cerveja, seja uma Brahma ou uma Chimay Blue – aquelas que o Migão adora entornar.