(por Cassius Abreu)
Antes de tudo, cabe uma pequena apresentação de minha parte. Sou um fanático e viciado por escolas de samba, em especial as cariocas – confesso ser um pouco bairrista, apesar de estar me dispondo a conhecer o Carnaval Paulistano graças a amigos virtuais como Leonardo Dahi, que faz sua brilhante série de posts “Bodas de Prata” neste site. Adicionalmente, ressalto que sou um “sambista de Internet” até pela distância física (não moro na capital carioca); no entanto, sempre que posso, tento visitar quadras e ir aos ensaios técnicos, além de estar presente nos desfiles na Marquês de Sapucaí.
No entanto, não tenho envolvimento com qualquer escola e pouco procuro saber dos “bastidores” do mundo do Carnaval, atendo-me aos sambas-enredo e aos desfiles (enfim, à parte festiva). Uma das provas disso é que sou indiferente à apuração, até por considerar o Carnaval a maior de todas as artes – e, como toda arte, está passiva a subjetividades –, mas isto não vem à tona.
Pois bem, faço estas ressalvas para dizer que esta postagem é meramente INFORMATIVA, com base no que consegui colher de dados em diversos sites especializados em Carnaval sobre os desfiles da AESCRJ. Assim, pode ser que alguma coisa esteja incoerente – neste caso, convido o leitor a apontar as correções nos comentários.
Há uma enorme dificuldade de se encontrarem notícias das escolas das divisões inferiores à Série A (ou seja, da terceira divisão para baixo), que desfilam na Intendente Magalhães sob o comando da AESCRJ (Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), por diversos fatores. Um deles é a extrema mudança de regulamentos; outro é a indefinição que paira sobre algumas escolas para saber se conseguirão desfilar de fato (o colunista Aloísio Villar viveu um verdadeiro drama com o Boi da Ilha no último Carnaval). Mesmo os mais fanáticos, como eu, só descobrem na apuração quantas escolas cairão/subirão por grupo. Para completar, ocasionalmente ocorrem “viradas de mesa” semanas após o Carnaval.
Esta postagem tentará resumir para o leitor um panorama de como DEVERÃO ser os desfiles dos Grupos B, C, D e Avaliação (o novo Grupo E) de 2015. Sujeito a modificações.
Para tentar entender um pouco as mudanças radicais que tivemos de 2014 para 2015, é preciso voltar um pouco no tempo, mais precisamente ao Carnaval 2013. Naquele ano, os Grupos de Acesso A (que pertencia à LESGA) e B (que era da AESCRJ) fundiram-se e passaram a ter os desfiles às sextas-feiras e sábados sob a direção da Lierj (que, até aqui, tem ido muitíssimo bem, obrigado). Com isso, o antigo Grupo B “deixou de existir” (ele desfilava às terças na Sapucaí) e o Grupo C virou B; o D virou C; e o E virou D. Estes três permaneceram com a AESCRJ, que também organiza os desfiles dos blocos de enredo.
Ao longo dos últimos anos, com a redução de escolas do Especial e do Acesso, as rebaixadas do Grupo E passaram a virar blocos de enredo (ou, simplesmente, enrolarem as bandeiras) com a campeã do Grupo 1 dos blocos ascendendo à última divisão das escolas de samba. Já em 2012, escolas relativamente tradicionais como União de Vaz Lobo (de 1930), Canários das Laranjeiras (de 1949) e Unidos do Cabral (de 1953) caíram de “patamar”.
Eis que em 2013, Vizinha Faladeira, Flor da Mina do Andaraí e Tradição Barreirense, que se apresentaram no Grupo D (quinta e última divisão das escolas de samba), tiveram seus rebaixamentos apontados pela apuração oficial. Para quem não sabe, a Vizinha Faladeira foi campeã do Carnaval Carioca em 1937 e, apesar de ter paralisado as atividades por longos 48 anos, já esteve no Grupo de Acesso A em outras duas oportunidades nos últimos 20 anos. Findada a apuração, as três escolas apresentaram várias acusações aos resultados e conseguiram garantir a permanência de divisão através de recurso – ou seja, o rebaixamento das três escolas foi cancelado e elas foram incluídas no sorteio do Grupo D 2014.
No entanto, a decisão judicial foi tomada um tanto quanto tarde. Com isso, a Tradição Barreirense voltou atrás e desfilou entre os blocos, enquanto as outras duas agremiações não desfilaram no Carnaval 2014. É aí que a história começa a ficar ainda mais complicada.
Ou seja, se você já se perdeu, sugiro voltar outro dia… Ou simplesmente deixar para lá.
Voltemos aos outros grupos da AESCRJ. Em 2014, o regulamento dizia que ocorreriam os seguintes números de promoções/rebaixamentos em cada grupo:
B: 1 subiria, 3 cairiam;
C: 3 subiriam, 3 cairiam;
D: 3 subiriam, 3 cairiam para o Grupo 1 dos Blocos;
Grupo 1 dos Blocos: 1 subiria para o Grupo D.
Ao término da apuração, porém, a AESCRJ anunciou que seria criado um Grupo de Avaliação para substituir o finado Grupo E. A ideia seria preservar as escolas de samba rebaixadas do D, de modo que elas não virassem blocos imediatamente, uma boa medida para tentar evitar “mortes” de agremiações culturalmente importantes. Apesar de ninguém ainda saber como se daria o acesso/rebaixamento entre o Grupo D e o de Avaliação, também foi informado que a campeã do Grupo 1 dos Blocos ascenderia – a partir de 2015 – para o Grupo de Avaliação (e não mais para o D). Ou seja, na prática o Grupo de Avaliação objetivaria equilibrar “novas escolas em potencial” (que vêm de blocos) com “escolas com risco de extinção” (aquelas rebaixadas do último grupo).
O problema é que as mudanças não pararam por aí. Com a criação do Grupo de Avaliação, ficou decidido que nenhuma escola cairia do Grupo D em 2014. E assim deu-se a reviravolta em cascata: só uma escola caiu do C e uma caiu do B. A fim de manter um número par de escolas – ou por alguma outra razão que desconheço –, também foi definido que subiria a quarta colocada de cada grupo (exceto o B, logicamente, pois a Série A segue com a Lierj). Deste modo, tivemos as seguintes promoções/rebaixamentos em cada grupo:
B: 1 subiu (Bangu), 1 caiu (Império da Praça Seca);
C: 4 subiram (Santa Marta, Arame, Rosa de Ouro e Abolição), 1 caiu (Boi da Ilha);
D: 4 subiram (Vargens, Lins, Manguinhos e Arrastão), nenhuma caiu.
Como nenhuma escola caiu do Grupo D, mesmo sem se apresentarem Flor da Mina e Vizinha Faladeira seguiram integrantes deste grupo – e é por isso que foi necessário voltar até 2013 para contar toda esta história (a Tradição Barreirense seguiu como bloco). Para completar, não se podia alterar o regulamento de acesso dos Blocos de Enredo em 2014. Desta forma, a Coroado de Jacarapaguá manteve sua vaga no Grupo D.
Ao final de tudo isso, teremos os seguintes números de escolas em 2015:
Grupo B – 18 (eram 13 e 3 caíram da Série A);
Grupo C – 12 (número mantido);
Grupo D – 12 (número mantido).
Com o aumento de 13 para 18 escolas, o Grupo B foi dividido em dois dias e ganhará destaque em 2015: os desfiles ocorrerão paralelamente aos da Marquês de Sapucaí (domingo e segunda). Com isso, o Grupo C mudou-se para a terça-feira; e o Grupo D foi antecipado para a sexta-feira. Eis que o leitor mais atento poderá indagar: ok, e o Grupo de Avaliação? Bem, é fácil deduzir que ele irá para o sábado – ou seja, serão 5 dias de desfiles na Intendente. Mas quais escolas integrarão este grupo?
Ganharam direito a participar deste grupo as treze agremiações a seguir (algumas jamais desfilaram como escolas de samba): Unidos do Cabral, Alegria do Vilar* (ex-Independente da Praça da Bandeira), Império da Uva* (desfilava em Nova Iguaçu), Oba Oba do Recreio, Tupy de Brás de Pina* (parada desde 1998), União de Vaz Lobo, Delírio da Zona Oeste* (desfilava como bloco na Zona Oeste e, anteriormente, como escola de samba), União de Rocha Miranda* (idem à Tupy), Samba é Nosso* (desconheço a escola), Colibri de Mesquita, Chora na Rampa, Acadêmicos de Madureira e Amizade da Água Branca. As escolas marcadas com asterisco (*) estavam inativas; enquanto as demais desfilaram como blocos de enredo. Detalhe: Canários segue como bloco.
Apesar de tantas mudanças que dão um nó na cabeça da gente – e que ainda podem mudar, nunca se sabe, confesso que fico feliz com o aumento no número de escolas em atividade (se todas aparecerem conforme o prometido, teremos 27 na Sapucaí e 82 ao todo). Estávamos vendo cada vez mais escolas de samba enrolando bandeiras ou tendo de virar blocos, e muitas delas representam bairros e comunidades com características próprias; além de algumas em especial terem toda uma história que deve ser preservada – afinal, samba é cultura nacional e carioca!
Agora pairam várias dúvidas no ar: sabe-se que descenderão 2 escola da Série A para o Grupo B, do qual ascenderá apenas 1 escola das 18 participantes. Mas quantas cairão no B, no C e no D? Quantas subirão do C e do D? Como se dará a transição dos blocos para o Grupo de Avaliação e deste para o Grupo D? Os jurados serão os mesmos para os 5 dias de desfile? As respostas ninguém deve saber ao certo.
O jeito é aguardar até fevereiro… Fico na torcida para que os desfiles deem certo e que este número de agremiações possa se manter por um longo tempo, bem como que o regulamento permita alternância de escolas (i.e., alto número de rebaixados/acessos dos Grupos B ao D) com proteção às que forem para a Avaliação (aqui, sugeriria apenas 1 rebaixamento ara bloco de enredo).
ORDENS DOS DESFILES
GRUPO “B”
Domingo, 15/02/2015 – 20h – Intendente Magalhães
01) Mocidade Unida do Santa Marta 02) União de Jacarepaguá 03) Acadêmicos da Abolição 04) Arranco do Engenho de Dentro 05) Favo de Acari 06) Tradição 07) Unidos do Cabuçu 08) Unidos do Jacarezinho 09) Unidos da PonteSegunda-feira, 16/02/2015 – 20h – Intendente Magalhães
01) Arame de Ricardo 02) Unidos da Vila Santa Tereza 03) Unidos da Vila Kennedy 04) Acadêmicos do Engenho da Rainha 05) Rosa de Ouro 06) Unidos de Lucas 07) Acadêmicos do Sossego 08) Acadêmicos da Rocinha 09) Sereno de Campo GrandeGRUPO “C”
Terça-feira, 17/02/2015 – 20h – Intendente Magalhães
01) Unidos da Villa Rica 02) Império da Praça Seca 03) Unidos das Vargens 04) Mocidade de Vicente de Carvalho 05) Acadêmicos do Dendê 06) Boca de Siri 07) Lins Imperial 08) Arrastão de Cascadura 09) Mocidade Unida da Cidade de Deus 10) Leão de Nova Iguaçu 11) Unidos de Manguinhos 12) Difícil é o NomeGRUPO “D”
Sexta-feira, 13/02/2015 – 20h – Intendente Magalhães
01) Chatuba de Mesquita 02) Mocidade Independente de Inhaúma 03) Unidos do Anil 04) Unidos de Cosmos 05) Coroado de Jacarepaguá 06) Gato de Bonsucesso 07) Vizinha Faladeira 08) Corações Unidos do Amarelinho 09) Acadêmicos de Vigário Geral 10) Boi da Ilha do Governador 11) Flor da Mina do Andaraí 12) Matriz de São João de MeritiGRUPO DE AVALIAÇÃO
Sábado, 14/02/2015 – 20h – Intendente Magalhães
01) Unidos do Cabral 02) Amizade da Água Branca 03) Império da Uva 04) Oba Oba do Recreio 05) Tupy de Brás de Pina 06) União de Vaz Lobo 07) Delírio da Zona Oeste 08) União de Rocha Miranda 09) Samba é Nosso 10) Colibri de Mesquita 11) Chora na Rampa 12) Acadêmicos de Madureira 13) Alegria do Vilar
Parabéns pela pesquisa! Ficou muito bacana, bastante esclarecedor. A dificuldade de informações dos grupos inferiores é muito grande, sempre busco notícias das escolas tradicionais que estão penando, mas é complicado achar.
Torço que a Vizinha consiga êxito nesse retorno.
Temos de ser justos e dizer que muitas vezes as próprias escolas não ajudam no acesso às informações
Sem dúvidas
Obrigado, Sérgio!
Única coisa que faltou na matéria foi dizer que as escolas do grupo de avaliação desfilam sem subvenção, logo elas terão que arranjar o dinheiro para fazer o carnaval e só para constar os blocos não são de responsabilidade da AESCRJ e sim da Federação de blocos, mas fora isso a matéria está perfeita !!!!Eu apoio esse tipo de matéria, pois infelizmente os grupos inferiores não tem um grande espaço na mídia, logo matérias como essa podem dar um up nas mesmas, no entanto é como o amigo disse as vezes é difícil encontrar informações na própria escola e eu já presenciei isso algumas vezes, porém não são todas, mas tem um número de escolas bastante sifnificativo!!!
Obrigado, Daniel, tanto pelo comentário quanto pela observação da subvenção – como comentei no começo do texto, não sei quase nada de “bastidores” do Carnaval, por isso preferi não comentar e evitar erros.
E, finalmente, agradeço pela correção quanto à Federação dos Blocos. Acabei me confundindo, pois a apuração dos grupos da AESCRJ e da Federação costuma ocorrer no mesmo dia (5a pós-Carnaval) e há esta relação de transição último grupo de escolas de samba primeiro grupo dos blocos.
Também acho que a mídia ‘especializada’ poderia buscar mais informações sobre estas escolas. Alguns sites até divulgam, mas apenas os eventos que as assessorias de imprensa das escolas repassam – logicamente, portanto, só as que possuem assessoria atuante conseguem algum espaço – ou quando ocorrem fatos ‘extraordinários’ como o da disputa da Santa Tereza.
Espero que ao menos em 2015 o Carnavalesco faça aquele especial às vésperas do desfile, como ocorreu em 2014; porém sinto mais falta de encontrar informações justamente APÓS a divulgação dos resultados.
Então eu tive um blog,que tinha informações de todos os grupos do carnaval desdo especial ao acesso D e mirins, mas por falta de tempo eu tive que ir largando os poucos, porem eu passei muitos apertos pra saber certas informações sobre enredo da escola e carnavalesco e entre outras coisas!
O nome do blog era Carnaval Folia e o link era esse aqui:http://carnavalfoliaa.blogspot.com.br/?m=0
Pessoal, só uma informação adicional que o amigo Matheus Araujo me passou via Twitter: a escola de samba SAMBA É NOSSO realmente é nova e foi fundada este ano (2014).
Mais um adendo feito pela DENISE SILVA: a escola é de Quintino.
Parabéns! Mas confesso que é demais entender as coisas da AESCRJ.
Tenho uma bomba surgida nessa semana, pois 13 das 15 escolas de samba do Grupo B, encabeçada pela Unidos da Ponte, migraram para a LIERJ. há ponto de não mais existir o Grupo B em dois dias, conforme citado. provavelmente a AESCRJ só ficará com os Grupos C, D, E . sendo o C com 17 escolas devido a essa intervenção da RioTur em querer mandar nos regulamentos das ligas de carnavais, eles não querem mais saber de falcatruas.