Quando abordamos o fenômeno bullying, isto inclui também a questão de uma educação que leve em conta o debate e a inserção de temas como a homossexualidade, pois trazer a diversidade para dentro da escola é imprescindível no que diz respeito ao reconhecimento dos direitos humanos.

Cabe à escola o papel de acompanhar e orientar tudo que diz respeito ao tema, pautando-se na diversidade, pluralidade, por uma educação emancipatória.

Sabemos que uma formação não se dá apenas no conhecimento das disciplinas obrigatórias que por vezes acaba por cristalizar ainda mais a concepção preconceituosa que parte dos alunos constroem sobre a questão LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais e, transexuais).

Nossa sociedade vive um processo de rápido crescimento e profundas transformações, nesse contexto o grupo LGBT vem emergindo por conta da publicidade vinda das conhecidas paradas gays, ou pela caracterização em personagens de novela e séries.

E o que vem sendo feito para garantir os direitos desse grupo “minoritário” que representa cerca de dez por cento da população brasileira?

Esse é um questionamento necessário e procedente, num país que por um lado tem um número recorde de participantes em paradas gays, amarga também o lado negativo de ter um dos mais altos índices de violência homofóbica do mundo. Superando países islâmicos, onde existe a condenação para atos homossexuais.

Sabemos que por mais que tenham ocorrido alguns “avanços”, ainda estamos longe de países onde a legislação e prática já estão bem efetivadas.

O bullying pode ser considerado uma das violências a qual a criança e suas características sexuais são as vitimas principais.

A linguagem é uma questão muito importante dentro dessa conjuntura em que se encontra a escola e o bullying, pois a criança acaba ouvindo e reproduzindo termos pejorativos como sapatão e viado, sejam através da família, amigos (as) de escola, mídia, vizinhos etc.

Durante o período escolar infantil todos nós já presenciamos mesmo que com terceiros um episódio de bullying. Aquele amiguinho ou amiguinha que tem um comportamento diferenciado, que para si em um primeiro momento é normal, mas para os colegas não passa despercebido.

Diante deste fato, como o professor pode ser um agente de combate ao bullying?

É uma questão difícil de se responder, pois na escola o professor terá um posicionamento firme contra o preconceito. Em contrapartida nem sempre a homossexualidade é vista com bons olhos em casa, logo esta criança irá repudiar e tomar o assunto como algo abominável espelhando-se na opinião dos pais. A masculinidade se constrói e se afirma contra a homossexualidade, o que logo se concentra sempre uma violência prestes a explodir de na forma do bullying.

Pois se é dito com tanta ênfase, ou até mesmo na entonação de voz deixando claro que se trata de algo ruim, ou gesto ao se repudiar alguém inferindo injurias como mulherzinha, e machinho acaba deixando uma lacuna aberta para que este repúdio e a injuria se reproduzam com facilidade. Assim sendo, dentro das práticas sociais o menino é preparado a se portar como um homem viril, com a sensibilidade aparada, e as meninas tratadas como mocinhas delicadas, e submissas.

Na Suécia, atualmente, há escolas onde o banheiro é unissex: não há separação clara entre meninos e meninas. Da mesma forma há relatos em alguns países que estão abolindo o uso do azul para meninos e rosa para em meninas em atividades escolares.

Podemos afirmar que o bullying está intrinsecamente associado à prática da homofobia. Cabe às escolas e comunidade em geral (professores, gestores, funcionários, pais) se voltarem mais para este assunto, já que a homossexualidade não é tratada na escola como se deve – isso quando é colocado em pauta.

Os professores parecem preferir pensar que as tendências homossexuais das crianças irão desaparecer quando estas forem crescendo, e por isto atribuem as agressões a outros fatores, e ignoram o verdadeiro motivo de perseguições, humilhações etc.

Apenas quando a sociedade se mobilizar em prol da cooperação de todos e que iremos modificar o quadro de violência que encontramos em nossas escolas e sociedade.