Neste primeiro dia do ano, a tentação de buscar prever o que ocorrerá neste período de 365 dias que se inicia é alta. Ainda que o índice de acertos seja baixo – e o post do último dia 30 mostra isso, análise de cenários é algo que se transformou quase em um esporte nacional.
O colunista Aloisio Villar fez algo bastante divertido em seu blog esta semana, mas a ideia aqui, como bom economista que é este Editor, buscar traçar alguns cenários sobre o que poderemos esperar, por temas. Obviamente errarei quase tudo, mas faz parte do show.
Vamos lá:
Política:
O ano político vai depender muito do comportamento da atual oposição. Vejo dois cenários possíveis: um com a vida política seguindo seu curso normal após a posse hoje da Presidenta Dilma Rousseff em seu segundo mandato; outro, com a oposição buscando a radicalização e saídas extra-constitucionais.
No primeiro caso, o Governo Federal irá lidar com um Congresso Nacional bastante conservador, tendo dificuldade em aprovar suas demandas. O eleitorado tem aquela percepção de que o Presidente “pode tudo”, mas não adianta eleger um Congresso destes e reclamar da atuação do Executivo ou dos chamados “conchavos”. O próprio Ministério anunciado já demonstra a dificuldade de se lidar com os deputados e senadores eleitos em outubro.
Para o segundo cenário, pode-se esperar um país paralisado à espera do desfecho de uma crise política causada pela não aceitação do resultado das eleições. Parece claro que neste caso setores da oposição irão buscar algum tipo de golpe de estado, ainda que “constitucional” – com prejuízo da vida política e econômica do país.
Vale ressaltar o comportamento do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, buscando compor com o Governo Federal e desautorizando colegas de partido mais afoitos. Óbvio que ele depende do poder central para a resolução do seu problema de abastecimento de água, mas é salutar ver sua postura moderada neste caso.
Minha aposta: cenário 1, com alguma turbulência institucional nos primeiros meses do ano.
Economia:
Vejo apoiadores e eleitores da oposição, ainda em ritmo eleitoral, dizendo que o governo “fará as mesmas medidas que a oposição prometeu”. Nada mais falso.
Desde a campanha a situação havia deixado claro que algum tipo de ajuste seria feito, apenas de forma mais gradual e suave e buscando não mexer nos níveis de emprego e salários. Podemos esperar um 2015 recessivo sim, mas com alterações discretas nos níveis de salários e emprego – ao contrário do pregado na campanha do PSDB, que visava uma violenta compressão salarial e pregava elevação rápida do desemprego como forma de ajustar a economia.
A provável elevação da taxa de juros americana no meio do ano – o que será um erro interno, mas esta é outra história – deve ter reflexo nas taxas brasileiras no segundo semestre, também de forma discreta.
Com o aumento das taxas de juros e a normalização do ambiente político, podemos esperar uma apreciação do real em relação ao dólar. Também deve se esperar uma inflação menor que em 2014.
Acredito, também, que haverá medidas de forma a estimular o setor privado e retomar o crescimento econômico a partir de 2016.
Meus palpites: Taxa Selic 14%, dólar a R$ 2,45, crescimento 0,2% e inflação de 5% ao final do ano. Isso em um ambiente de normalidade democrática.
Não dá para esperar nada menos que a continuação do processo de mediocrização da cultura de massa e sua imposição quase que como unanimidade nos meios de veiculação de maior alcance que estamos observando nos últimos anos.
Entretanto, veremos um interesse menor em “reality shows” como o Big Brother Brasil e assemelhados. Por outro lado, tudo o que não for axé, sertanejo, funk ou música romântica disfarçada de pagode com letras de quinta série fundamental estará confinado a guetos.
Carnaval:
Poderemos esperar um desfile carioca com alegorias menores, dada a redução para sete carros no Grupo Especial, a redução dos acoplamentos para apenas uma alegoria e a proibição dos “puxadinhos” que as escolas faziam em seus barracões na Cidade do Samba. Além de algumas questões financeiras existentes neste momento.
O mesmo deveremos esperar do Grupo de Acesso, às voltas com fontes de recursos insuficientes para o nível do espetáculo exigido. Aliás pretendo abordar este assunto em breve nesta revista eletrônica.
Não pitacarei sobre resultados dada a indefinição do júri e ao fato de que carnaval se resolve na avenida, mas posso dizer que a Portela estará vindo muito forte neste 2015.
Esporte:
O Vasco será campeão estadual do Rio, na bola ou na marra. O Cruzeiro será novamente o time a ser perseguido no Brasileirão. O Botafogo terá dificuldades para retornar à Série A e o mesmo Vasco, além do Palmeiras, de se manter na mesma.
O Flamengo deverá ter um ano de ‘marola’: sem grandes conquistas, mas sem grandes preocupações. O time deverá ser um pouco melhor que o de 2014.
O campeão da Libertadores será argentino e o da Sul-Americana, um chileno. O Corinthians não passará da primeira fase da Libertadores.
Lewis Hamilton e Nico Rosberg irão repetir o resultado de 2014 na Fórmula 1. Massa será engolido por Valtteri Bottas e encerrará a carreira na categoria. Nasr fará uma temporada razoável – algo como 15 pontos.
O Green Bay Packers será o campeão da NFL na temporada 2014/15 e o NY Giants, após mais um ano sem playoffs, finalmente demitirá Tom Coughlin e Jerry Reese ao final de 2015.
A final da NBA será entre Cavaliers e Warriors. Os Knicks vão deixar apenas Carmelo e Hardaway Jr. em seu elenco para a temporada 2015/16.
Sociedade:
Teremos manifestações cada vez maiores de preconceito, homofobia e racismo, com maior e crescente apelo junto à população. Defensores dos direitos humanos e de minorias – como este escriba – serão ridicularizados em público e ameaçados.
Crescerá a pressão pela adoção da pena de morte e da redução da maioridade penal. Teremos ao menos dois massacres em presídios, com os responsáveis impunes. Aumentará o preconceito social.
A imprensa irá acompanhar este movimento dando maior espaço a jornalistas e colunistas reacionários e que verbalizam opiniões preconceituosas.
Salvo algum imprevisto, irei após o Carnaval conhecer pessoalmente meu irmão famoso, o Pateta. Obviamente, continuarei reclamando.
E Aloisio Villar será recolhido pelo Samu em dezembro após dar 758 voltas completas no corredor esportivo do Moneró e cair no chão espumando dizendo “preciso dar mais 300 voltas para poder comer um pãozinho, me deixem! ”
Bem, isto é o que eu espero de 2015. Veremos o que ocorre.
O que posso garantir que ocorrerá, em nome da Equipe Ouro de Tolo, é que esta revista eletrônica continuará com visões plurais, analíticas e democráticas de todos os assuntos que forem abordados neste espaço.
Feliz Ano Novo!
Como o Nasr fará 15 pontos apos um ano zerado da Sauber? Previsão exageradamente otimista.
Imaginei que a Sauber não teria outro ano tão ruim, Rodrigo :)
Que as previsões sobre a Sociedade não se realizem! :(
Acho que esse é o primeiro desejo negativo de ano novo que eu expresso!
Abraço!