Depois da catástrofe que foi a apuração do Grupo Especial em 2012, a expectativa para 2013 era de como o Carnaval Paulistano tentaria se reerguer. Mais do que isso, havia a expectativa também sobre quais seriam as medidas tomadas pela Liga como represália às ações das escolas envolvidas no tumulto. Nesse sentido, houve uma certa decepção. A única escola a ter sido efetivamente punida foi a Império de Casa Verde, que perdeu a subvenção da Prefeitura para os desfiles de 2013.

As outras ações foram, digamos, coletivas. Para começar, a Liga passou a imprimir cópias das notas para qualquer eventualidade, o que era uma medida inteligente e óbvia. Por outro lado, ficou decidido que a apuração seria fechada ao público. Cada escola poderia levar 10 representantes devidamente credenciados para sua mesa e nada mais. Convenhamos, essa atitude tiraria boa parte da graça da apuração e foi mais uma vitória da violência. Pelo menos para mim, surpreendeu o fato de nenhuma das duas escolas rebaixadas, Pérola e Camisa, terem tentado “virar a mesa” na Justiça, afinal de contas existia um argumento lógico para tal: as duas notas que não foram lidas poderiam (embora fosse quase impossível) salvar as duas agremiações. Em todo caso, ambas aceitaram a queda e, pelo menos nesse sentido, tudo seguiu com tranquilidade.

O regulamento sofreu nova alteração, voltando ao esquema adotado em 2010 e 2011 com cinco notas para cada quesito e o descarte da maior e da menor. A diferença é que em 2010 e 2011 ainda eram usadas as notas fracionadas em 0,25 e, em 2013, seria novamente adotado o sistema de notas decimais. Outra mudança vinha na ordem dos desfiles. A partir de 2013, a última colocada dentre as não rebaixadas do ano anterior encerraria os desfiles de sexta e a penúltima os de sábado. No debut da nova regra, Águia de Ouro e Império de Casa Verde o fariam. Campeã de 2012, a Mocidade tentaria conquistar seu primeiro bicampeonato na Era Anhembi com um enredo complicado sobre a tentação por recriar finais. A Rosas de Ouro escolheu fazer um passeio pelas festas populares do mundo todo, ao passo que a Vai-Vai abordaria a saga dos vinhos através dos tempos.

Cada vez mais próxima das primeiras colocadas, a Mancha Verde buscaria seu título inédito com um enredo homenageando o centenário de Mário Lago. Outras três escolas também optaram por homenagear figuras da arte brasileira: a Tucuruvi, depois de anunciar Roraima como enredo, resolveu homenagear o centenário de Mazzaropi; a Águia de Ouro lembrou os 100 anos de João Nogueira; já a Tatuapé, voltando ao Especial, exaltaria Beth Carvalho.

Enquanto isso, a Vila Maria foi atrás de sua primeira estrela com um enredo sobre a Coreia do Sul e a Dragões tentaria manter sua evolução no Carnaval Paulistano exaltando seu símbolo maior: o dragão. A Tom Maior viajaria pelo universo do sexo, enquanto a Gaviões contaria a história da propaganda no Brasil. Já a X-9, embalada pela candidatura paulistana para receber a Expo 2020, adotou como tema a diversidade entre as raças. Tentando superar a multa sofrida, a Império de Casa Verde contaria um enredo sobre a cura para todos os males. Por fim, a Nenê de Vila Matilde relembraria os movimentos que lutaram pela igualdade através dos tempos no Brasil.

Abrindo os desfiles, a Acadêmicos do Tatuapé pegou uma pista ainda molhada pelas fortes chuvas que desabaram em São Paulo durante toda a semana. A despeito do bom início com o grito de guerra do intérprete Vaguinho, que voltava ao Grupo Especial, a azul-e-branca não fez uma boa apresentação no enredo “Beth Carvalho, a madrinha do samba”. A escola esteve empolgada, muito por conta do ótimo samba-enredo, mas não foi feliz nos quesitos plásticos. A comissão de frente tinha coreografia simples e mostrava vários Zés Cariocas dançando a frente de um tripé com imagens dos arcos da Lapa e uma componente representando a própria Beth. Já o abre-alas, que representava os primeiros contatos de Beth com a música, estava grandioso e bem acabado, mas era pouco criativo e de difícil leitura.

O segundo setor foi o mais inspirado de todo o desfile no tocante às fantasias. O carnavalesco Mauro Xuxa bolou bons figurinos que remetiam à infância de Beth e aos seus primeiros passos na música. O segundo carro, sobre o morro de Mangueira, tinha acabamento pobre, mas não foi dos piores. Na sequência, o enredo viajou pelas canções da homangeada e apresentou fantasias pouco criativas – algumas até contando com o nome das canções em faixas diagonais. Diga-se de passagem, esta estratégia também foi usada na fantasia sobre o signo de Beth (Touro, com o símbolo do signo e a inscrição “Touro” abaixo) e em todo o quarto setor. O carro sobre o Cacique de Ramos estava muito pobre, decorado com painéis que traziam fotos de personagens marcantes que passaram pelo bloco.

Mauro Xuxa foi pouquíssimo feliz no quarto setor. O setor tinha cinco fantasias: América, Europa, Oceania, Ásia e África. Convenhamos que Beth teve uma carreira gloriosa demais para que um quarto do desfile se limitasse a descrever os continentes pelos quais ela passou. Em compensação, o quarto carro, que lembrou a sonda Curiosity, enviada pela NASA a Marte e que é “despertada” com a música “Coisinha do Pai”, na voz de Beth Carvalho, passou muito bem mesmo com uma concepção pouco confusa. O encerramento também foi bom, com a alegoria que trazia familiares da cantora que, hospitalizada, não pôde ir ao Anhembi. Apesar de não ter sido um desastre, a Tatuapé era séria candidata ao descenso.

rosasdeouro2013Primeira das grandes favoritas a pisar no Anhembi, a Rosas de Ouro conseguiu mais uma grande apresentação com o enredo “Os condutores da alegria numa fantástica viagem aos reinos da folia”. Era um enredo simples, que prometia viajar pelo Mundo através das grandes festas e assim foi feito com muita clareza. A comissão de frente se destacou ao trazer componentes com vestimentas coloridas a frente de um enorme Rei Momo, iniciando assim a viagem. O carnavalesco Jorge Freitas optou por começar pela África, com um abre-alas todo em marrom e de estética pesada. Várias esculturas de negros lembravam as celebrações tribais com tambores e danças. O acabamento mais uma vez impressionou, mas, para o meu gosto, a concepção foi carregada demais. O segundo setor foi um pouco mais frio pela falta de familiaridade do público em geral com a maioria das festas asiáticas e da Oceania. Ainda assim, o carro do Ano Novo Chinês, apesar de bastante semelhante a outros de outros anos em outras escolas, estava muito bonito.

O terceiro setor passeou pela Europa e as celebrações de países como Espanha, Inglaterra, Alemanha e Holanda. Mas o destaque ficou mesmo para o St. Patrick’s Day, da Irlanda, onde o país todo se veste de verde. O exuberante terceiro carro trouxe uma bela escultura de São Patrício adornada por árvores e pelos rios pintados de verde na comemoração. Brilhantemente iluminado, o carro era todo verde e estava muito bonito. No quarto setor, os costumes e festas da América foram lembrados. O grande destaque ficou para o Dia dos Mortos mexicanos, que ganhou uma ala interessante e um ótimo carro alegórico que trazia uma caveira com chapéu e roupa de festa. É que por lá o Dia dos Mortos tem muita festa.rosasdeouro2013b

Para encerrar, a Roseira chegou ao Brasil e lembrou o festival de Parintins, as festas do Sul, as festas juninas do Nordeste e, claro, o Carnaval. O último carro era uma mistura de todas essas festas, mas não se destacou. Estava bem acabado, era de simples leitura, mas ficou devendo aos demais. Apesar do padrão estético competente como de costume, a Rosas fez uma apresentação inferior à de 2012 e, embora pudesse sonhar com o título, não despontava como uma das grandes favoritas até porque o horário ingrato de desfile provocou uma apresentação um pouco fria.

Depois da interessante evolução apresentada em anos anteriores, a Mancha Verde conseguiu mais uma ótima apresentação no enredo “Mário Lago – um homem do século XX”. Embalada por um bom samba e por um grande desempenho da Bateria Puro Balanço, a escola sacudiu o Anhembi. A comissão de frente representava a vida boêmia de Mário Lago com uma estátua humana em dourado representando o artista sentado em uma mesa de bar com uma garrafa de cerveja e por um copo, além de estar rodeado por malandros a sua volta. Em dado momento, a estátua se levantava e fazia uma coreografia. O problema é que o copo se perdeu no meio do caminho, o que poderia prejudicar a escola.

O carro abre-alas estava muito além do padrão de luxo e acabamento que a Mancha vinha trazendo. A herança italiana que moldou o caráter do menino Mário Lago foi sintetizada no lindo carro “Ao som de violinos”. A alegoria estava impecavelmente acabada, muito grandiosa e também tinha bastante luxo. Particularmente, acredito que o carro tenha ficado muito escuro, o que prejudicou seu impacto, mas foi um belo início de qualquer forma.

O segundo setor destacou a formação anarquista de Lago, bem como sua paixão pela vida noturna desde muito garoto. O segundo carro, mesmo mais modesto, me agradou mais que o primeiro pela ótima concepção: a Lapa da década de 30 foi retratada com malandros de chapéu panamá, cabarés, bares e o Café Nice, um dos lugares que o homenageado mais gostava de frequentar. Quase auto-explicativo, o carro estava bem bonito e muito alegre.

O terceiro setor destacou a penetração de Mário Lago no mundo das artes. As fantasias seguiram o padrão de luxo e bom acabamento dos dois setores anteriores, mas, nesse setor, algumas eram pouco criativas e outras, em contrapartida, eram de difícil leitura. A divisão cromática, por outro lado, valorizou os figurinos por conta das tonalidades bastante variadas. Cor também não faltou no ótimo terceiro carro sobre o filme “Banana da Terra”, que teve Mário Lago como um dos autores de seu argumento. Uma linda escultura de Carmem Miranda era o destaque da alegoria que trazia belas esculturas e um belo acabamento.

Mas o ápice do desfile, pelo menos em minha visão, foi o quarto carro, que se inspiro em uma declaração do artista: “eu não sou saudosista. Eu não fico lamentando ‘ah, no meu tempo’. Meu tempo é hoje”. Também apegando-se ao título do autobiografia de Lago, o carnavalesco Troy batizou o carro de “Na rolança do tempo” com uma escultura de Mário Lago comandando uma máquina que trazia uma roldana sempre a girar. Essa roldana, claro, era o tempo. Ou seja: Mário estava sempre acompanhando o passar do tempo, sempre se atualizando, se modernizando. Uma ideia simples, mas muito bem executada. Outro destaque foi para a linda fantasia das baianas em vermelho e amarelo, com foice e martelo, lembrando o discurso de um movimento comunista onde ele conheceu sua companheira Zeli.

O último setor optou por destacar a carreira de Lago na TV e a última alegoria lembrou seu trabalho na novela “Barriga de Aluguel”. Foi, sem dúvida, o carro mais pobre e de concepção mais duvidosa de um ótimo desfile. Se seria o suficiente para que a Mancha disputasse o título, era cedo pra dizer. Embora tenha sido uma ótima apresentação, não foi um desfile com cara de campeã. Ainda assim, os torcedores podiam esperar um bom resultado.

Pisando firme como de costume, a Vai-Vai mais uma vez se destacou nos conjuntos visuais. Mesmo de carnavalesco novo, Cahê Rodrigues, a Escola do Povo manteve o padrão de 2012 e passou muito bonita. No entanto, tal como em 2012, tropeçou em alguns pontos que deixavam o título bem distante. Para começar, o samba, que já não era dos melhores, foi demasiadamente acelerado e não se sustentou por muito tempo.

Depois, o enredo “Sangue da terra, videira da vida: Um brinde de amor em plena avenida – vinhos do Brasil!” era um tanto confuso. O título trazia esse “vinhos do Brasil”, mas o enredo trazia a história do vinho no mundo inteiro e, além disso, tinha uma setorização um pouco despretensiosa demais. Em todo caso, foi um grande desfile a começar pela bela comissão de frente que trouxe a história bíblica do momento em que Jesus transformou água em vinho.

O carro abre-alas foi dos mais impactantes do ano com uma enorme e muito bem iluminada arca lembrando a Arca de Noé, onde teriam sido colocadas videiras que garantiram a “sobrevivência das uvas”. O carro ainda espalhava o aroma da fruta pela passarela. No segundo setor, foi abordada a relação dos povos antigos com a bebida e também os porres de Cleópatra e Marco Antônio. O carro que trazia a escultura de Cleópatra estava bonito, mas não se destacou. O desfile esquentou um pouco no terceiro setor, quando as fantasias passaram a ser mais leves, com tonalidades mais interessantes, e o carro alegórico, com uma enorme escultura do deus Baco em uma de suas animadas festinhas regadas a vinho, se destacou por ser alegre e muito bonito.

O quarto setor foi o mais emocionante, mas também o das fantasias menos criativas. Depois de citar o contato dos índios brasileiros com o vinho trazido pelos portugueses, a Vai-Vai celebrou a união de negros e italianos no Bixiga e trouxe um carro dedicado à Festa da Nossa Senhora da Achiropita, que também estava muito bonita. Foram apenas as fantasias que decepcionaram um pouco. Por fim, o último carro, sobre a “arca do futuro” com novas videiras e a salvação da natureza através da consciência dos homens não me agradou pela concepção futurista demais. Em suma, foi um desfile muito bonito, mas que não parecia pronto a brigar pelo título, principalmente porque as duas agremiações que desfilaram antes foram melhores. Ainda assim, a Saracura poderia sonhar com uma boa posição.

Quem fez um desfile animado, mas que escancarou suas limitações foi a X-9 Paulistana, que apresentou o enredo “Se para ter diversidade basta viver com alegria: sorria, pois São Paulo hoje é sua harmonia!”. O samba, mediano, foi muito bem cantado e rendeu bem, mas o visual foi decepcionante. A comissão de frente até passou bem ao trazer 14 componentes com saias que eram globos terrestres representando diferentes países e o abre-alas sobre o “Reino da Raça Negra”, que remetia à África com elementos tribais estava bonito, mas, daí para frente, a coisa piorou.

Para começar, a ideia de trazer setores praticamente monocromáticos era muito pertinente ao enredo, mas deixou a estética um pouco cansativa e repetitiva. Por outro lado, o carnavalesco Flávio Campello foi bem ao desenhar fantasias de leitura simples e que permitiam uma boa evolução ao componente. O segundo setor falou sobre o “Reino da Raça Amarela”, a Ásia e Oceania, e privilegiou os tons mais claros. Elogiei o abre-alas, que estava bem acabado apesar do pouco luxo, mas o segundo carro não teve o mesmo sucesso. A alegoria estava relativamente pequena e com falhas de acabamento, mas, ao menos, também era simples de ser compreendida.

Na sequência, uma overdose de branco no “Reino da Raça Branca”, a Europa. A X-9 destacou o pioneirismo dos gregos na educação e na política e os movimentos científicos e populares em países como França e Inglaterra. O carro sobre as religiões europeias foi de longe o pior do desfile, e talvez de todo aquele Carnaval, com muitas falhas de acabamento e nenhum luxo. No quarto setor, foi a vez da “Raça Vermelha”, a América, com todas as fantasias… em verde. É que a escola abordou a natureza, os índios e o encontro com as outras raças anteriormente abordadas. O quarto carro, também em verde, não estava muito grande, nem muito luxuoso, mas estava bonito, muito por conta da boa iluminação. Por fim, a escola exaltou São Paulo e o encontro das raças neste “quinto Reino” com fantasias simples, mas bem executada. A última alegoria trazia elementos conhecidos da cidade, mas voltou a ter acabamento falho. Apesar do ânimo dos componentes, a X-9 não desfilou bem e corria riscos de cair para o Grupo de Acesso.

dragoes2013Em seu segundo ano no Grupo Especial, a Dragões da Real apresentou uma evolução interessantíssima nos quesitos visuais, mas não conseguiu empolgar na apresentação do enredo “Dragão, guardião real, mostra seu poder e soberania na corte do Carnaval!”. O enredo confuso e o samba, que estava longe de ser dos piores, não teve bom rendimento. Para piorar, a chuva que havia parado minutos antes do desfile da Tatuapé começar, voltou a cair com força nos 20 minutos iniciais da apresentação da escola da Vila Anastácio, o que provocou um súbito esvaziamento das arquibancadas.

Ainda assim, a Dragões passou bonita. A comissão de frente trazia um Bobo da Corte reverenciado por 12 Reis, abrindo assim a viagem pelo enredo. O carro abre-alas, que trazia um enorme Dragão protegendo o “Reino Anhembi” estava belíssimo e muito bem acabado, mas era de difícil leitura. O segundo setor abordou lendas e contos antigos envolvendo dragões. O carnavalesco André Cezari desenvolveu boas fantasias, bastante luxuosas e de leitura razoavelmente simples. Já o segundo carro, sobre os Cavaleiros da Távola Redonda, embora estivesse grandioso e bem acabado, não me agradou por conta da concepção toda prateada.

Na sequência, veio o setor de melhor comunicação com o público, já que a escola lembrou filmes como “Harry Potter” e “Como Treinar o Seu Dragão”. A ala das crianças representando o trem fantasma do Parque de Diversões também se destacou e o terceiro carro, sobre o desenho “Caverna do Dragão” foi o mais bonito de todo o desfile, com ótima concepção e belo acabamento. Das artes, a Dragões viajou pelos países onde o dragão é um personagem cheio de simbolismos: foram mencionados o Butão, o Vietnã, Hong Kong e, claro, a China. O ótimo quarto carro, também impecavelmente executado, mencionou o Ano Novo Chinês. Vale lembrar que o ano do dragão havia se encerrado naquela sexta de Carnaval.

O último setor serviu para uma auto-homenagem, já que falou sobre o Carnaval. E o dragão que voa alto no Reino do Carnaval só podia ser o dragão da Dragões da Real. Essa mensagem veio passada no último carro que, no entanto, não me agradou na concepção e muito menos na realização. Apesar do desfile bonito, a Dragões mais uma vez deveria ficar ali pelo meio da tabela.

aguiadeouro2013Já a Águia de Ouro encerrou a primeira noite de desfiles, já no amanhecer, com uma bela apresentação no enredo “Minha missão: o canto do povo. João Nogueira”. Um dos autores do excelente samba da azul-e-branco, Diogo Nogueira, filho do homenageado, comandou um belíssimo esquenta que abriu o desfile. Apesar do samba ser, como dito, excelente, o destaque ficou pelo conjunto visual belíssimo no que tange às fantasias. O conjunto de fantasias foi simplesmente o melhor de toda aquela noite. O Carnavalesco Cebola acertou a mão na divisão cromática com muito azul e branco e aproveitou a luminosidade natural para conseguir ótimo efeito com os figurinos.

A opção por usar muitas plumas ficou evidente já na comissão de frente, que trazia os anjos guardiões do cantor. Mas se a comissão de frente mostrou a tendência de belas fantasias, o abre-alas mostrou que o conjunto alegórico não seria tão competente. O carro com um anjo anunciando a chegada de João Nogueira estava até bonito, mas relativamente pequeno e, em um comparativo com as quatro principais escolas que haviam desfilado, ficou devendo. Logo em seguida, por outro lado, a fantasia do casal de mestre-sala e porta-bandeira se revelou como a mais bonita de todo aquele Carnaval. Um espetáculo de azul e branco!

O segundo setor começou a viajar por prazeres do cantor, destacando o gosto por tomar uma cervejinha. Para isso, lembrou da música “Boteco do Arlindo”, um dos bares preferidos de João Nogueira. Uma escultura de um dono de bar com bigode português, como era o Arlindo, se destacou no carro que representava justamente um bar e que estava bonito a despeito do acabamento simples. No terceiro setor, as principais canções de Nogueira se misturaram a elementos de sua vida pessoal, como o amor pelo Flamengo e a devoção em São Jorge em fantasias bem realizadas e de leitura simples. Por outro lado, o carro alegórico “São Jorge e São Sebastião” estava bastante pobre e apresentou falhas de acabamento.aguiadeouro2013b

No quarto setor, as músicas voltaram a entrar em destaque como instrumento para contar a vida e as paixões do artista. É que João Nogueira sempre retratou em suas obras aquilo que mais gostava de fazer. O setor também lembrou sua ligação com o samba e com a Portela, que foi homenageada no quarto carro. Mas, sendo João um dos principais nomes da Tradição, dissidência da Águia de Madureira, a homenagem foi para “a Portela de tempos atrás”. O carro não estava feio, mas não se destacou. O último setor se destacou pela citação a lindíssima canção “Espelho” com uma bela fantasia toda em branco.

O último carro teve concepção inspirada: o espelho passava a ser o próprio João Nogueira e, por isso, o carro contou com a presença de filhos do cantor, de sua viúva, Angela, e de nomes como o técnico Joel Santana. O carro também estava muito simples e se destacou mais pelo componente emocional. As alegorias foram de longe o ponto fraco de uma bela apresentação, que vinha se credenciando a brigar por uma vaga no desfile das campeãs. Mas, tal como em 2012, a evolução da escola foi muito lenta e o relógio virou inimigo. A Águia correu (menos que em 2012, é verdade), mas fechou o desfile em 1h06min, estourando assim os 65 minutos regulamentares. Com isso, a escola da Pompéia perderia um ponto por estourar o tempo e mais um décimo por minuto a mais (um, no caso). Assim, estava ameaçada até mesmo de rebaixamento.

Abrindo a segunda noite de desfiles, a Nenê de Vila Matilde provocou um dos mais emocionantes momentos da história do Anhembi. A escola voltava mais uma vez ao Grupo Especial e a emoção no olhar de cada componente era visível. O intérprete Celsinho Mody, a exemplo do que havia feito por exemplo em 2007 pela Mancha Verde, incendiou o Sambódromo ao comandar um dos mais belos esquentas da história do Sambódromo. Cercado por nomes como o Presidente Mantega, que não conteve as lágrimas ao conversar com os componentes, ele cantou o hino da escola e foi, claro, acompanhado por todos.

Na sequência, o intérprete Baby, apoio de Celsinho, soltou seu tradicional grito de guerra: “alô, Nenê! Alô, Zona Leste! Pra… Cima deles!”. Ele então passou o microfone para Markinho, que soltou a voz para dizer: “Vila que te quero Vila! Do fundo do meu coração: eu… te… amo! Canta, Celsinho”. Aí veio o grito de guerra seguido pelo espetacular samba da azul-e-branco. Samba forte, com a cara da escola, que já dizia: “de volta ao seu lugar, a Zona Leste incendeia”. Samba este que teve espetacular rendimento e fez a Vila pisar firme como de costume na Passarela.

Mas engana-se quem pensa que foi um desfile só de chão. A Nenê surpreendeu com um extraordinário conjunto visual e com acabamento primoroso do início ao fim para representar o enredo “Da revolta dos búzios a atualidade. A Nenê canta a igualdade” e entrou na pista para mostrar que veio pra ficar. Apesar de ainda apresentar algumas deficiências financeiras, a escola trouxe carros e fantasias de muito bom gosto e, em alguns casos, com um padrão de luxo que não foi visto com muita frequência naquele ano. Gostei da ideia de iniciar o desfile mostrando a luta entre o bem e o mal. Tanto a boa comissão de frente quanto o extraordinário abre-alas eram divididos em duas partes, o bem e o mal. Esse abre-alas foi um dos mais belos do ano, muito grandioso e apresentou um acabamento fantástico.

O segundo setor começou a contar a história do enredo propriamente dito. Para tal, desenvolveu fantasias de fácil leitura que transportaram o público ao cenário de desigualdade da Bahia no Século XVIII. Essa desigualdade levou a conjuração baiana, ou Revolta dos Búzios, um dos primeiros movimentos populares na luta por igualdade vistos no Brasil. Os baianos se organizaram e organizaram a revolta, que veio lembrada no segundo carro com a força da opressão policial aos revoltosos. Carro este que estava bonito, mas ficou devendo, especialmente no acabamento, em relação às alegorias.

Na sequência, a escola passeou por outros movimentos semelhantes através dos tempos. A Cabanagem no Pará e o movimento liderado por Antonio Conselheiro em Canudos foram alguns dos lembrados, além de movimentos estrangeiros como a Revolução Francesa. Já o terceiro carro homenageou o Olodum e trouxe uma representação do Pelourinho com esculturas de ritmistas do grupo com seus tambores. É que o Olodum também tem uma história de luta pela igualdade que, para a escola, mereceu ser exaltada. A alegoria estava no mesmo nível da segunda, mas encontrou problemas na concentração e chegou a abrir um pequeno buraco nos primeiros metros do desfile. No quarto setor, a Nenê abordou a questão racial, com alas que abordavam os movimentos que lutaram pelo respeito aos negros e pela igualdade, abordando inclusive as cotas raciais. O quarto carro foi dos mais impactantes na representação do racismo com corpos brancos no que parecia ser o Inferno. O carro estava bonito e, como todos os outros, bem acabado.

Os movimentos feministas, os movimentos sindicais, os movimentos dos sem-terra e outros tantos mais vieram no último setor, que também homenageava a própria escola que, dentro do enredo, era o “Templo da Igualdade”, um lugar onde todos convivem em perfeita harmonia. A velha guarda da escola abrilhantou o belo último carro, todo em azul-claro, encerrando um desfile que não deixava dúvidas: a Nenê estava de volta e, a menos que fosse muito mal julgada, ficaria tranquilamente na elite.

Se a Nenê surpreendeu, a Gaviões da Fiel não desfilou como se esperava na apresentação do enredo “Ser fiel é alma do negócio”. Em seu único trabalho no Carnaval Paulistano até hoje, Max Lopes não foi muito feliz e, à parte o bom desempenho do bom samba, o desfile não foi tão bom quanto o enredo sugeria. A comissão de frente foi um dos pontos negativos. O tripé com lápis e livros representando o momento de criação da propaganda estava bacana, mas a coreografia foi demasiadamente simples. Já o carro abre-alas, completamente deslocado do resto do enredo, tinha 43 gaviões representando os 43 anos da Gaviões da Fiel. Apesar de muito grandioso, o carro parecia não representar nada e o resultado final dos gaviões todos não foi bom.

Na sequência, o enredo entrou nos eixos e abordou o encontro entre índios e portugueses. É que, na lógica do enredo, a carta de Pero Vaz de Caminha ao Reino de Portugal, dizendo que “nesta terra, em se plantando, tudo dá”, foi a primeira publicidade feita no Brasil. Também vieram em seguida o dom marqueteiro dos portugueses para conseguir trocar bugigangas pelo pau-brasil e dos índios para vender papagaios pintados com urucum como se fossem araras. As fantasias estavam bonitas e o carro “O espanto dos índios” estava bonito, apesar de não muito grandioso.

O terceiro setor não foi dos piores em termos de fantasias. Foram lembrados os primeiros jornais brasileiros, que serviam como anúncio para compra e venda de escravos e os mascates que, claro, eram antes de tudo ótimos publicitários. No entanto, o carro “Mascates – a riqueza que vem do Oriente” não teve uma concepção das mais interessantes. Mais adiante, a história das propagandas em rádio, TV e internet foi lembrada através das primeiras garotas-propaganda e da figura do grande Chacrinha, que veio em escultura no quarto carro. Este carro teve algumas falhas de acabamento, mas, no todo, passou bem. Por fim, a Fiel exaltou os profissionais brasileiros, em especial o corinthiano Washington Olivetto, e trouxe leões dourados no belo último carro que fazia referência ao Leão de Ouro. Com alguns problemas de evolução, a Torcida Que Samba fez um típico desfile de meio de tabela.

mocidade2013cDepois de nove desfiles que não deixaram a sensação de que a campeã havia desfilado, a Mocidade Alegre fez uma exibição arrebatadora e começou a desenhar seu bicampeonato na exibição do enredo “A sedução me fez provar, me entregar à tentação. Qual será o final?”. Lá no início eu disse que o enredo da Morada era complicado. De fato, era. Mas, na Avenida, tudo se resolveu brilhantemente. Com a melhor plástica apresentada pela escola em todos os tempos até então, a Mocidade conseguiu ótima comunicação com o público. O belo samba rendeu bem e Mestre Sombra voltou a dar um verdadeiro show com bossas e paradinhas que levantaram o público. A escola havia sofrido a inesperada perda de sua porta-bandeira, Adriana Gomes, que havia sofrido um acidente e veio em um tripé no final do desfile. Em seu lugar, entrou Karina Zamparolli, que deu conta do recado (e seria fundamental, como veremos adiante).

A comissão de frente era um convite ao pecado, um convite para que o público mordesse a maçã e viajasse pelo enredo da escola. A ótima coreografia contava até com efeitos pirotécnicos. Um fantástico abre-alas tinha uma belíssima serpente, de acabamento absurdamente bem detalhado, segurando uma maçã nos Jardins do Éden. Era o pecado original abrindo alas para a história desenvolvida pelos sempre competentes Sidnei França e Márcio Gonçalves. O segundo setor trouxe alas quase auto-explicativas remetendo a cada um dos sete pecados capitais. As luxuosas e belas fantasias tinham cores vivas e boa comunicação com a platéia. Já o segundo carro era a redenção que nos levará ao Reino dos Céus. Com uma concepção mais clara, pendendo para o branco, ele trazia elementos desses sete pecados capitais no próprio paraíso. Atrás da placa “Bem vindos ao céu”, por exemplo, vinha uma roleta daquelas dos cassinos. Um carro muito bem pensado e ainda melhor executado.

Após esse carro veio o setor que falava sobre o incontrolável desejo de brincar de Deus. A evolução da ciência que tenta criar vidas, o desejo da imortalidade e o sonho de ser super-herói foram alguns dos elementos exibidos com uma caracterização impecável e, em alguns casos, com alas muitíssimo bem coreografadas. Já o terceiro carro, lembrando Frankstein, teve concepção que não me agradou muito.mocidade2013b

O quarto setor da escola merece uma menção especial. Vi praticamente todos os desfiles da história do Anhembi para escrever essa série e posso dizer que vi poucas coisas tão inteligentes quanto esse setor. Um humor leve e inteligente bolou alas divertidas. O setor falava sobre finais alternativos e daí surgiram o Pinóquio que se conformou em ser boneco, o Robin Hood que roubava dos pobres para dar aos ricos, a princesa que beijou o sapo e, ao invés de transformá-lo em príncipe, se transformou em rã, as famílias de Romeu e Julieta unidas no almoço de domingo, a Chapeuzinho Vermelho periguete e a “boadrasta” que veio representada na Ala das Baianas. Foi um show! Pensa que acabou? Nem pensar. O quarto carro trazia simplesmente a Branca de Neve com cara de malvada cozinhando criancinhas em um caldeirão. À frente, os sete anões com roupas de presidiários. A ideia de que o público recriasse os finais de suas histórias e das histórias que conhecia estava mais do que transmitida. Um espetáculo.

E se a Branca de Neve pode cozinhas criancinhas, por que não sonhar com um Mundo de paz, um Mundo sem fome e em perfeita harmonia? O mundo perfeito da Mocidade veio em alas coloridas, lindas, que também mencionaram um mundo onde o samba mantivesse suas tradições. O desfile se encerrou com o apocalipse. Mas um apocalipse de alegria, que eternizaria o Planeta! Com muita alegria, o último carro fechou de maneira brilhante o desfile que credenciava a Mocidade a brigar pelo bi. Até ali, nenhuma outra escola havia sequer se aproximado da Morada no geral.

Mantendo o clima de tentação e sedução no Anhembi, a Tom Maior entrou na Avenida para apresentar o enredo “Parque dos desejos – o seu passaporte para o prazer”. O carnavalesco Marco Aurélio Ruffim foi muito feliz no desenvolvimento do enredo, criando um “parque temático” para contar a historia do prazer e o bom samba foi muito bem cantado. Nos conjuntos visuais, porém, a vermelho-e-amarelo não foi bem. A escola, a exemplo de outras como Tatuapé e X-9 estava visivelmente em um patamar abaixo das demais.

Gostei bastante da simples comissão de frente com personagens de Nelson Rodrigues e uma fechadura que servia de portal mágico para a entrada nesse parque dos desejos. O carro abre-alas também resgatou a história de Adão e Eva e teve boa concepção, mas o acabamento foi falho. Nas fantasias, a Tom Maior também não pôde exibir muito luxo e o carnavalesco foi obrigado a desenvolver figurinos simples, de fácil leitura e, consequentemente, sem muita criatividade.

O setor da pré-história foi encerrado com o segundo carro, que, mesmo simples, estava interessante com representações medievais e uma placa com a inscrição “Divirtam-se”. No terceiro setor, a escola viajou pelas primeiras formas de evitar que o sexo gerasse descendentes, ou seja, os primeiros métodos contraceptivos. O terceiro carro, chamado “Carrus Navalis” lembrava as animadas festinhas de Baco, o deus do vinho, regadas de muito prazer. A concepção, apesar de um pouco confusa, foi boa, mas o carro não passou muito bem.

Na sequência, foi lembrada a história das Mil e Uma Noites. A história do Rei que matava as mulheres com quem dormia e se viu preso à curiosidade pela continuação das histórias contadas por Sheharazade ganhou um carro não muito bem acabado, mas que ainda assim esteve acima da média da escola. Por fim, a Tom exibiu a mensagem da importância de se prevenir para adentrar nesse mundo de prazer e exaltou a sensualidade do Carnaval em um carro de concepção simples e péssima execução, que também figurou na lista dos piores do ano. Foi uma exibição animada, mas de nível fraco, que poderia fazer a escola conseguir um resultado bastante desagradável.

Sonhando com o primeiro título no Grupo Especial, a Unidos de Vila Maria não fez uma boa exibição na homenagem à Coreia do Sul através do enredo “Made in Korea”. A escola veio luxuosa, com carros grandiosos e fantasias bem acabadas, mas, além de ter passado fria, sofreu com um dos trabalhos menos felizes do carnavalesco Chico Spinosa, que errou feio na concepção da maior parte das alegorias.

O carro abre-alas, por exemplo, estava muito grande e razoavelmente luxuoso. Mas, ao retratar a “jovem Coreia”, Chico usou elementos impactantes, como vários dragões, mas que não traziam um efeito visual dos melhores. Tal fato se repetiria com a segunda alegoria, sobre os tigres asiáticos, com um gigantesco tigre robotizado que não era dos mais belos. Esse carro ainda apresentou um problema na concentração que atrapalhou um pouco a evolução da Vila Mais Famosa.

O enredo foi muito bem desenvolvido e não focou tanto na herança coreana no Brasil. Somente entre o meio do terceiro setor e o meio do quarto foi lembrada a importância dos asiáticos na agricultura e no comércio em vários cantos do país. A cultura sul-coreana também ganhou espaço e veio em destaque no terceiro carro, “Cinco mil anos de cultura”. A alegoria estava muito colorida e bem acabada, mas também teve uma concepção um pouco complicada.

No quarto setor, o destaque também foi para os hábitos dos sul-coreanos. As alas estavam bem vestidas, com fantasias bem trabalhadas, mas o carro da culinária, com um polvo gigante, foi bastante infeliz. Para encerrar, a escola tratou da influência da Coreia do Sul no mundo com desenhos animados, tecnologia e até a moda. O último carro, que trazia justamente uma mistura de tudo isso, foi de longe o mais bonito e encerrou bem uma apresentação típica de meio de tabela.

Penúltima escola a desfilar, a Acadêmicos do Tucuruvi encantou e emocionou o Anhembi com o melhor desfile da sua história. A homenagem a um dos mais brilhantes comediantes brasileiros no enredo “Mazzaropi, o adorável caipira – 100 anos de alegria!” rendeu um desfile com a cara do Zaca: muita alegria e muita beleza. A concentração foi das mais tocantes do ano: Mestre Adamastor inflamou os componentes e levou o Presidente Jammil às lágrimas ao mencionar Dona Edna, esposa do Seu Jammil, que havia falecido após o Carnaval de 2012.

Visivelmente abalado por, pela primeira vez, não estar ao lado de sua companheira naquele momento, o Presidente acompanhou ainda os versos em homenagem a ela, que fechavam a segunda parte do samba, serem cantados em forma de alusivo por Igor Sorriso: “atrás de um sonho eu vou / o final feliz encontrar / a estrela do meu Carnaval (lá do céu) / é a força que vai me guiar”. Com tanta emoção assim, a Tucuruvi entrou pisando forte e se mostrou a mais forte ameaça ao bicampeonato da Mocidade Alegre. A melhor comissão de frente do ano era chamada “Sai da frente, a alegria vai passar” e tinha palhaços fazendo uma ótima coreografia.

Melhor do ano também foi o abre-alas. Wagner Santos mais uma vez mostrou o seu capricho e seu cuidado com cada detalhe ao criar uma alegoria que era um circo, a inspiração de Mazzaropi. Uma linda escultura de um palhaço em vermelho, azul e amarelo vinha atrás de uma infinidade de balões nas mesmas cores e, ao fundo, o picadeiro era representado. Nas laterais, imagens de palhaços adornavam um carro que abriu muito bem o desfile.

Pessoalmente, acho que o enredo poderia ter sido um pouco mais bem desenvolvido e não se limitar a ser um recorte das principais obras do comediante paulista. Ainda assim, há de se destacar os brilhantes figurinos cheios de cores e de boa comunicação com o público. As primeiras obras de Mazzaropi foram lembradas com muito bom gosto. Para melhorar, embora ainda tenha tropeçado, a escola solucionou quase que totalmente os problemas de harmonia de 2012 e cantou forte. O segundo carro, por outro lado, apesar da boa sacada de representar o cenário das obras de Mazzaropi, ou seja, o interior e a zona rural, destoou das outras alegorias: estava bem mais pobre e relativamente pequeno.

Mas o desfile seguiu seu curso natural na sequência e a Tucuruvi esbanjou luxo nas fantasias como jamais havia mostrado até então. A ala “Capeta”, sobre uma das películas estreadas pelo homenageado, foi um show. O terceiro carro, que mostrava a chegada de Mazzaropi ao rádio, foi perfeitamente trabalhado e continha uma riqueza de informações imensa. Com boa iluminação, trouxe o expectador ao cenário das rádios da década de 1940 e lembrou a popularidade do comediante que chegou a criar um concurso para que os ouvintes descobrissem qual era o seu primeiro nome (Amácio).

No quarto setor, foram lembradas outras obras, agora as que já haviam abandonado o Jeca Tatu. Gostei muito das fantasias do “Fuzileiro do Amor” e “Ele é corintiano”. O quarto carro foi outro espetáculo. Falando sobre a chegada de Mazzaropi à TV, trazia “um rancho muito alegre” em referência ao título daquele que muitos consideram o primeiro programa de humor da TV brasileira: Rancho Alegre. A escultura de um caipira na porteira de um sítio à frente de uma casinha simples e de uma paisagem cheia de vida foi uma belíssima maneira de representar o programa.

No último setor, a escola resumiu suas homenagens no carro do cinema, que trazia uma escultura do próprio Mazzaropi filmando uma cena. O carro estava bem acabado, mas a concepção não me agradou muito. No conjunto, a Tucuruvi pareceu ligeiramente inferior à Mocidade, mas fez uma apresentação digna de campeã e poderia esperar um bom resultado na apuração.

imperiodecasaverde2013Para encerrar o Carnaval, falando em “curar a injustiça” (em uma clara referência à multa sofrida), a Império de Casa Verde se recuperou dos dois anos anteriores e fez uma apresentação de bom nível na defesa do enredo “Para todo mal, há cura… e quem canta seus males espanta”. O carnavalesco Alexandre Louzada foi mais uma vez muito competente e desenvolveu um enredo interessante, com boas alegorias e ótimas fantasias. Atrapalhada pelo samba excessivamente cadenciado, a Caçula do Samba não chegou a empolgar, mas passou bem.

A comissão de frente trouxe um ritual xamânico de cura. A coreografia bem ensaiada e as vestimentas bem acabadas impressionaram e abriram com muita competência o desfile. O título do enredo já dizia que para todo mal há cura e quis mostrar isso no abre-alas contando a história dos Jardins Suspensos da Babilônia. Dois tigres dourados abordavam a bela representação de uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, construída a mando do Rei Nabucodonosor para que sua amada, Myrtes, curasse a saudade dos jardins do Reino vizinho onde morava. Apesar de não muito luxuoso, o carro estava grande, bonito e bem acabado.

O segundo setor falou sobre a medicina no Egito e destacou os processos de mumificação. Para tal, Alexandre Louzada usou a figura dos deuses, que escolheriam aqueles responsáveis por comandar os egípcios e, consequentemente, os que deveriam ficar eternamente presentes através da mumificação. As fantasias estavam bonitas, apesar de óbvias, mas a escultura da múmia de cara feia com o coração à mostra na segunda alegoria não me agradou muito.

O desfile seguiu dali para os ensinamentos que, através dos tempos, ajudaram os homens a viverem de maneira mais saudável. As fantasias passaram a possuir melhor comunicação com o público, mas o terceiro carro, todo em azul, apresentou algumas falhas de acabamento. O mesmo pode ser dito do quarto carro, sobre Obaluê, que sintetizou o setor sobre a cura através da fé. Os tambores adornados por palhas estavam bonitos, mas a parte traseira estava “vazia” demais, ficou faltando algo.

Para encerrar, a escola dissertou sobre a medicina moderna e seus avanços, mas o último carro com uma cabeça humana aberta exibindo um cérebro verde foi bastante infeliz. A Império passou bem, mas conseguir uma vaga no desfile das campeãs parecia bastante improvável. A Mocidade Alegre despontava como maior favorita com a Tucuruvi também com boas chances de levar o caneco e com o trio Rosas, Mancha e Vai-Vai correndo por fora.

A apuração confirmou a perda de 1,1 ponto por parte da Águia de Ouro, que foi uma das seis escolas a somar 30 pontos no primeiro quesito, comissão de frente. As outras cinco, que assim dividiam a liderança, foram Rosas de Ouro, X-9, Dragões, Nenê e Tom Maior. A Mocidade Alegre somou 29,9 contra 29,8 da Tucuruvi, 29,7 da Mancha e 29,5 da Vai-Vai, que sequer brigaria pela taça naquela apuração. No segundo quesito, evolução, a Mocidade Alegre pulou para a ponta. Apenas ela, Águia e Império levaram 30 pontos. A Morada foi para 59,9 contra 59,8 da Rosas, 59,7 da Nenê e da X-9 e 59,5 de Mancha e Império. Com sete décimos desperdiçados, a Dragões saiu da briga ao lado da Tucuruvi, que perdeu inacreditáveis nove décimos.

O terceiro quesito, fantasias, manteve a Mocidade na ponta com 89,9, um décimo a mais que a Rosas de Ouro. A X-9 seguiu com dois décimos a menos, enquanto a Nenê caiu para 89,5. O quesito bateria foi uma loucura total. A Mocidade tirou suas notas mais baixas da história: um 10 (descartado), um 9,9, um 9,8, um 9,7 e um 9,3 (descartado), perdendo assim seis décimos e indo a 119,3. A Morada foi ultrapassada pela Rosas, que perdeu três décimos e foi a 119,5 e pela Império, que também tinha 119,3. A Mancha tinha 119, mesma pontuação da X-9, enquanto a Águia de Ouro já aparecia em sexto. Invicta nos quesitos, tinha perdido apenas o 1,1 da punição e tinha os mesmos 118,9 de Tatuapé e Nenê. Uma apuração maluca demais.

Em alegoria, a Rosas aumentou sua vantagem de 0,2 para 0,5 com os dois décimos perdidos pela Morada, que foi a 149 e ficou 0,2 à frente da Águia de Ouro, que pulou para terceiro com os mesmos 148,9 de Mancha e X-9. Com 148,8, a Império de Casa Verde abandonou a briga, bem como Tatuapé (148,7) e Nenê (148,5). Em harmonia, tanto Rosas quanto Mocidade perderam 0,1, deixando o placar em 179,4 a 178,9 a favor da Roseira. A Mancha perdeu cinco décimos e despencou, saindo da briga, enquanto a X-9 perdeu um décimo a menos e também despencou. A Águia de Ouro perdeu um décimo, o primeiro, mas se isolou em terceiro com 178,8. A briga estava fechada entre Mocidade e Rosas com a Águia ainda sonhando.

Depois da Tatuapé ser a única a perder ponto em samba-enredo (0,1), a Rosas se aproximou do título. Faltando dois quesitos, tinha 209,4 pontos contra 208,9 da Mocidade e 208,8 da Águia. Mas enquanto a segunda e a terceira colocadas gabaritaram o quesito mestre-sala e porta-bandeira, a Rosas levou dois 10 (um descartado), um 9,9, um 9,7 e um 9,6 (descartado), perdendo quatro décimos no total. Karina Zamparolli, a porta-bandeira que substituiu às pressas Adriana Gomes, havia recolocado, junto a seu mestre-sala, a Morada no páreo: a Rosas ainda estava na ponta com 239 contra 238,9 da Mocidade e 238,8 da Águia, mas tudo estava em aberto.

A primeira nota do quesito enredo foi 9,8 para a Rosas e 10 para as outras duas. A Roseira ainda continuou com a mão na taça ao levar dois 10 na sequência, mas perdeu a liderança com um 9,9 na penúltima nota. Na última, a Mocidade tirou 10 e garantiu seu primeiro bicampeonato na Era Anhembi com os mesmos 268,9 pontos da Rosas, que foi novamente vice. Com 268,8, a Águia terminou em terceiro. Com os 11 décimos perdidos, teria feito 269,9 e se sagrado campeã com um ponto de frente para a Morada do Samba. Convenhamos, isso não representaria bem o que se viu na pista. A Dragões da Real cresceu na reta final e abocanhou uma vaga no desfile das campeãs com o quarto lugar, seguida pela Império de Casa Verde.

Na sequência, vieram Tucuruvi, Vai-Vai, Nenê de Vila Matilde, Gaviões da Fiel e X-9. Com 267,7, a Tatuapé se salvou do rebaixamento com os mesmos 267,7 da Tom Maior, que também escapou. Em um dos resultados mais inacreditáveis da história, a Mancha Verde acabou rebaixada com 267,6 ao lado da Vila Maria (outra surpresa), que fez 267,5. Com quatro décimos de vantagem para a segunda e seis para a terceira, a Pérola Negra voltou tranquilamente ao Especial ao lado da Leandro de Itaquera.

Curiosidades

– Mudanças na transmissão da Globo. Foi abandonado o estúdio aéreo no meio da pista, que foi trocado por um novo, lá no início. O narrador Cléber Machado passou a ganhar a companhia da jornalista Mariana Ferrão no comando das transmissões. Já o Estúdio Globeleza, saiu do meio da pista e foi para o final, ao lado do portão que abre a dispersão. De lá, Chico Pinheiro comandou o time de comentaristas formado por Aílton Graça, Celso Viáfora, Paula Lima e Negra Li. O desfile não foi transmitido para o Rio de Janeiro, uma vez que a Globo Rio iniciou naquele ano a transmissão dos desfiles da Série A carioca.

– O enredo da Gaviões só foi anunciado no começo de setembro. O prazo entre a entrega da sinopse e dos sambas concorrentes foi de 20 dias.

– Já a Mancha, primeira a divulgar seu enredo, escolheu o tema após uma edição do programa “Sarau”, da GloboNews, comandado por Chico Pinheiro, sobre Mário Lago.

– Já citamos aqui enredos como a soja e o México que foram rebaixados tanto no Grupo Especial de São Paulo, quanto no do Rio de Janeiro. Mas nada se compara à Coreia do Sul, que foi rebaixada nos dois grupos no mesmo ano. Tanto a Vila Maria em São Paulo quanto a Inocentes de Belford Roxo no Rio apostaram no país asiático como tema e caíram.

– Três carnavalescos cariocas fizeram uma passagem rápida pelo Carnaval de São Paulo em 2013: Cahê Rodrigues, da Imperatriz, fez o Carnaval da Vai-Vai; Max Lopes, à época, se dividiu entre Viradouro e Gaviões; André Cezari, então membro da comissão de carnaval da Beija-Flor, desenvolveu o Carnaval da Dragões. Nenhum dos três seguiu na Terra da Garoa em 2014.

– Último desfile do intérprete Wander Pires pela Vai-Vai. Ele se transferiria para a Tatuapé após aquele Carnaval.

– Chegou ao fim também a passagem de Clóvis Pê pela Mocidade Alegre. O intérprete não só substituiu Daniel Collête, muito identificado com a escola, como também virou marca registrada da Morada. De 2008 a 2013 foram três títulos, dois vices e um sétimo lugar. Ele seria substituído por Igor Sorriso, que estreou em 2013 no Anhembi cantando pela Tucuruvi.

– A Presidente Solange voltou a abrir a faixa da Morada, dessa vez com uma homenagem ao compositor Seu Beto, que faleceu em 2012: “Baiano, carioca, mineiro. Poeta e brasileiro… Seu Beto: foram tantos Carnavais que a sua história não esqueceremos jamais”. O próprio Clóvis Pê mencionou Beto no início da segunda parte na segunda passada.

– Na Tucuruvi, as homenagens foram para Dona Edna, esposa e companheira do Presidente Jammil, que havia falecido em 2012.

– Pela segunda vez na carreira o intérprete Celson Mody cantou dois anos seguidos por uma mesma escola. Intérprete da Nenê em 2012 e 2013, ele repetiu o que havia feito em 2008 e 2009 pelo Camisa. Nos outros anos, mudou sucessivamente de escola: cantou em 2005 no Camisa, 2006 na Tatuapé, 2007 na Mancha, 2010 também na Mancha, 2011 novamente no Camisa e, em 2014, faria breve passagem pela Pérola Negra.

– A propósito, Celsinho dividiu com Luizinho Andanças, que havia gravado a versão que venceu a disputa de samba, a faixa da Nenê no CD. No disco do Acesso, Tinga gravou ao lado de Jorginho Soares o samba da Santa Bárbara. Em um raro hiato fora do Carnaval paulistano, o intérprete Agnaldo Amaral, contratado pela Mangueira, auxiliou Igor Vianna no carro de som do Camisa no Acesso.

– Já Douglinhas Aguiar fez o que poderia ter sido seu último desfile como intérprete oficial. Após subir com a Pérola Negra, ele anunciou a aposentadoria, mas quis o destino que ele assumisse o microfone principal da Águia de Ouro em 2015 com a saída de Serginho do Porto.

– Os desfiles do Acesso foram marcados pela morte do lendário compositor Xixa, da Leandro de Itaquera. Ele se sentiu mal na sua casa horas antes de ir ao Anhembi ver sua escola desfilar e acabou falecendo.

– No pré Carnaval, destaque para o leve atrito entre Liga/SP e UESP. Durante algumas semanas, chegou a se decidir que ninguém cairia do Acesso para o Grupo I e que ninguém do Grupo I subiria para o Acesso. No fim, tudo foi mantido como antes: caiu a Santa Bárbara e subiu a Colorado do Brás.

– Pelo segundo ano consecutivo o carnavalesco Eduardo Caetano desenvolveu o desfile que abriu o sábado de Carnaval. Em 2013, com a Dragões. Em 2014, com a Nenê.

– Pela primeira vez desde 2005 as duas escolas que vieram do Acesso conseguiram a manutenção no Especial. Tatuapé e Nenê repetiram o feito de Mancha e Tom Maior.

– Pela última vez até o momento, a Liga/SP adotou o formato de gravação do CD com a captação de um coro formado pelas escolas. As dificuldades para levar as comunidades ao Auditório Elis Regina e o custo maior da produção fizeram com que o formato adotado em 2014 e 2015 fosse o da gravação somente em estúdio, com os coros profissionais.

– Diga-se de passagem, chamou a atenção a dificuldade em se conseguir o CD oficial, que foi comercializado junto com o Jornal Diário de S. Paulo. Era simplesmente impossível encontrar o CD nas bancas e houve um “jogo de empurra” entre distribuidora e Liga para justificar o problema. Eu mesmo só consegui o meu no meio de janeiro de 2013, graças ao pai do amigo Gabriel Curty que encontrou dois em uma banca da Capital e me enviou um. Foi a última vez até o momento em que o CD foi comercializado dessa forma.

– Três Presidentes do Grupo Especial deixaram seus postos após o Carnaval: Donizete (Gaviões) e Roberto Munhoz (Tatuapé) foram substituídos por seus vices, Wagner da Costa e Eduardo dos Santos. Já na X-9, José Manoel Gaspar foi substituído por André Santos. Presidente da Liga, Paulo Sérgio Ferreira comandaria pela última vez a Vila Maria no Especial. Após o título do Acesso em 2014, ele passaria o comando para o então diretor de Carnaval Adilson.

– O Prefeito Fernando Haddad, recém-empossado, compareceu aos desfiles ao lado da mulher e se declarou torcedor da Vai-Vai.

Vídeos

O bom desfile da Rosas

O inacreditável rebaixamento da Mancha Verde

O belo desfile da Vai-Vai

A surpreendente Águia de Ouro

O emocionante esquenta da Nenê de Vila Matilde

A bicampeã Mocidade Alegre

A extraordinária exibição da Tucuruvi

10 Replies to “Bodas de Prata – 2013: com arrancada no fim, Mocidade é bi e deixa Rosas de novo com vice”

  1. De 2013 guardo bons momentos, tanto por ver todas as escolas quanto ao bom nível dos desfiles. Vamos ao pitacos:

    – A Tatuapé voltou ao Especial depois de 10 anos do seu título no Acesso (falando nada mais, nada menos que o Abacaxi). A parte plástica não foi das melhores, mas ano seguinte a escola progrediu e está melhorando os defeitos.

    – Esse deve ter sido o desfile mais animado da Rosas desde o começo dos vices. Nos outros anos a escola veio muito bonita, mas sem tanta empolgação.

    – Extremamente BIZARRO o rebaixamento da Mancha, mais uma vez eu tinha ficado na torcida de ver o Império rebaixado.

    – Os anos de ’12 a ’14 não foram os melhores pra Saracura. Depois de 3 carnavais com as
    mãos fora do título, a escola vem forte esse ano.

    – Eu fiquei o pré-carnaval inteiro apostando numa boa colocação da X-9 por conta do enredo e do samba (um dos melhores do ano). Vocês devem saber como foi o meu sofrimento na quarta-feira.

    – Apresentação simpática da Dragões, me lembro de me divertir muito no setor das homenagens com o Harry Potter e outros.

    – Águia é sem comentários. A escola estava com alegorias não tão boas quanto a Morada? Sim, mas o chão da escola compensou e muito isso. Vi que ela ia sair campeã quando escutei as arquibancadas cantando o samba a todos pulmões. Claro que tudo isso me deu desespero quando vi a escola estourando o tempo.

    – Foi bom ver a volta da “velha Nenê” ao carnaval paulistano. Espero que volte a ser a grande escola que merece.

    – Não me surpreendi com o desfile da Gaviões não ter empolgado muito. Tinha o pressentimento que era desfile pra meio de tabela até antes do desfile.

    – Se não surpreendi com a Gaviões, o mesmo não pode ser falado da Tom Maior. Pra quem achou que a escola viria igual a Grande Rio em 2004 foi uma baita surpresa rs

    – A Morada fez um desfile fantástico, o França teve muita criatividade ao longo do desfile e isso contribuiu bastante pro bicampeonato.

    – A Vila Maria fez o que ela sabe fazer de melhor: dar sono e ser o break entre 2 desfiles incríveis. Muito bonita, muito luxuosa mas sem um pingo de animação.

    – A Tucuruvi deu um salto de qualidade gigante, os enredos alegres da Zaca sempre dão certo com os componentes e foliões. Estamos em 2015 e é bom ver que a escola criou uma identidade de desfile.

    – Império foi outro que deu um bom soninho.

    Também esse ano teve algumas curiosidades:

    – Pela 3ª vez na história de SP uma escola perde o título por tempo: antes da Águia, foi a vez da X-9 ter perdido pontos em 2002 (se não tivesse estourado, teria empatado junto à Gaviões) e mais atrás ainda, lá nos tempos da Tiradentes a Barroca Zona Sul em 1985 teria ganhado da Nenê e ido desfilar na Sapucaí se não tivesse sido punida pelo tempo de concentração da escola.

    – Esse ano tivemos um único enredo ditando os destinos de duas escolas diferentes: João Nogueira seria campeão na Águia e na Em Cima da Hora lá no Rio, já a Coréia do Sul (tal como o Dahi falou) teve a proeza e levar pro buraco a Vila Maria e Inocentes.

    – E por último, vai aí a classificação pelo meu ponto de vista: Águia, Mocidade,Rosas, Tucuruvi, Dragões, Vai-Vai, Nenê, X-9, Gaviões, Tatuapé, Tom Maior, Vila Maria e Império

    1. Bem lembrada essa questão das três escolas que perderam o título no cronômetro. Só ressalvo, como sempre, que as vezes os jurados ficam mais benevolentes com as escolas que estouram o tempo.

  2. -eu achei bom de chão,mas ruim na parte plástica o desfile da tatuapé.

    -um desfile simpaticíssimo da rosas de ouro,mas para levar o titulo insuficiente.

    -rebaixar a mancha verde,foi um absurdo do caramba,e a apuração foi maluca mesmo.
    -a vai-vai,até veio bonita,mas falhou num diferencial,a emoção.

    -realmente a x-9 que tinha um bom enredo foi uma decepção.

    -desfile simpático,mas com falhas da dragões da real.

    -no rio,me lembro que agrande rio,ia ser campeã,mas estourou ,o tempo limite quase como a águia de ouro que cantou muito mais o samba do que a grande rio em 2006.

    -a nene rugiu alto,e se fosse melhor julgada,beliscaria um top-5,mas o oitavo lugar ficou de bom tamanho,ainda mais com celsinho,tendo um belíssimo desempenho.

    -desfile tipico de meio de tabela,com um samba que acho até fraco,ao contrário de voce.

    a tom maior é até simpática,mas faz desfiles muito irregulares,como esse,realmente 2008,foi uma exceção de regularidade em todo o desfile,aliás eu quero de voce dahí,uma visão da irregularidade da tom maior,no grupo especial,seria interessante.não é mesmo dahí.um abração.e estou do seu lado na questão dos intérpretes do império serrano.

    -a vila maria,pelo que vi,me fez um desfile bastante simpático sobre a coréia do sul,ao menos pra mim,mas esse edmar silva seu cantor oficial naquele ano,é feio demais filho.

    -a tucuruvi aposto cegamente como campeã do carnaval paulista nesse ano,ao manter essa linha de enredos alegres,criou uma identidade de desfiles como disse o renato.

    -pelo que ouvi,o desfile da império de casa verde não foi tudo isso,seria até favorita ao rebaixamento,não é mesmo dahí.e eu moro no rio de janeiro.um abraço a voce ,ao migão,ao sabino,ao aloisio villar,todo mundo.

    1. Quanto à irregularidade da Tom Maior, acho que é um reflexo da deficiência estrutural que a escola sempre teve com relação às demais. Assim, quando acerta um Carnaval em termos de enredo e samba, pode até beliscar um 5º lugar como em 2008, mas sempre foi muito difícil. Isso parece estar mudando, vamos ver em 2015.
      Abração!

  3. -leonardo,2014 também foi uma apuração bastante absurda ,mas que teve seus bons momentos,como a liderança da tatuapé,e desse tricampeonato foi talvez o desfile mais fraco da mocidade alegre para ser campeã.

    -a tom maior não cair foi uma sacanagem com evolução e samba ruins ,mas a tom maior,parece um pouco á tradição com alguns desfiles discutiveis como 2005,2011,2012.

    -leonardo,gosta do celsinho,e do rene sobral.

  4. Boa noite!

    Caríssimo:

    Chegando não tão atrasado aqui para despejar pareceres que, em muitos pontos, destoam bastante dos seus!

    Sobre a ida a SP: o mesmo esquema se manteve. Poder visitar a concentração na quinta-feira à noite, e ainda ensaiar com a Morada não tem preço!

    Sobre as Escolas.

    – Tatuapé
    Comissão de Frente lamentável! O Abre-alas era muito bonito…e só! Valeu pelo bom samba.

    – Rosas de Ouro
    Estava bom, mas poderia ser melhor. O Rei Momo da Comissão de Frente era um exemplo disso. Os carros mantiveram o padrão de “bolos confeitados” que mencionei no post sobre 2012, ainda que, excepcionalmente em 2013, tivessem algum movimento.
    O Abre-alas sofreu com a iluminação do Anhembi, perdendo a festa de luzes que prometia quando estava na concentração. O mesmo valia para as outras alegorias.
    Aliás, adotou-se uma estética “gordinha” nas esculturas centrais, e parecia que tudo havia saído do mesmo molde/protótipo.
    O setor dedicado à festa dos mortos foi o mais bonito e divertido. Infelizmente o último carro, que poderia ser o ápice das festas, decepcionou. Havia tanta informação, que no final, paradoxalmente, não falava nada! Péssima realização dele também.
    Primeira discordância: Fria? O Rosas foi muito melhor plasticamente e em termos de chão que em 2012! Aliás, os comentários anteriores corroboram isto. O público interagiu com a escola cantando o samba a plenos pulmões. A direção da Escola tenta repetir este feito até hoje…

    – Mancha
    Sacudiu? O samba morreu, ficou chato, e eu não via a hora de acabar logo! Além disso, as fantasias eram bem complicadas…
    Sobre o Abra-alas, a Mancha poderia ter mais respeito com o público! Reciclar as chaminés do abre-alas de 2012 foi de doer… Bem, foi o carro mais alto que vi até hoje!
    A terceira alegoria chamava a atenção por ser vazada de forma diferente, mas carecia de melhor realização.
    E o quarto carro era realmente único!

    – Vai-Vai
    A idéia da Comissão de Frente era boa, mas a realização…
    O abre-alas não era bem iluminado! Ficou clara (Sem trocadilhos, por favor!) a falta de dinheiro para completar o neon na alegoria, o que acabou por prejudicar o seu visual.
    A falta de acabamento marcou o segundo carro, e, dai para frente, o resto do desfile.

    – X-9
    A falta de recursos era evidente! O samba, de um único autor (Um mártir na era dos “escritórios”), não rendeu, e foi mais um desfile para se desejar que acabasse logo!

    – Dragões
    O samba já era chato. Com a chuva, piorou!
    O Abre-alas era…”geométrico” demais! Cheguei a pensar que fosse o último carro quando o vi na concentração.
    O segundo carro poderia ser bem mais bonito, mas concordo que cinza não é das cores mais fáceis de se trabalhar.
    O carro da Caverna do Dragão teve boa concepção, mas deixou um pouco a desejar no carrinho da montanha-russa e no acabamento da parte inferior traseira. Destaque para a ala do Goku, personagem de Dragon Ball. Eles se lembraram de tudo!
    O carro da China também pecou no acabamento da parte inferior. Parece que faltou grana para terminá-lo, e inseriram aquela “saia” feia e destoada do resto.
    …e falando em grana ausente, o último carro careceu de adereços e brilho, mas era de fácil leitura.

    – Águia
    Valeu pelo samba. Leve, mas nada excepcional. E pelas fantasias.
    O conjunto alegórico nem merece menção…

    – Nenê
    Vimos a mesma Escola? Ouvir, ok, o samba incendiou, mas visualmente a Nenê parecia saída de um Acesso. Acho que você está falando do desfile de 2014…
    A idéia do Abre-alas era interessante, mas as cores usadas não funcionaram muito bem por serem pouco contrastantes (Na escala cromática, azul e roxo são “parentes” quase próximas). Foram as piores esculturas do carnaval! As da parte traseira tinham os braços maiores do que as pernas! Fora que certos recursos decorativos, como o acetato purpurinado, foram mal distribuídos, e o carro entrou na pista parecendo inacabado.
    Em aspectos visuais, a Nenê encerrou o seu desfile por aí, pois o resto conseguiu ser pior.

    – Gaviões
    Max “cagou” a Escola! Desenhou-a para desfilar na Sapucaí, e o resultado foi uma Gaviões pequena!
    Para completar a desgraça, o segundo carro, “O espanto dos índios”, era IGUAL ao carro “Terra do Deus Tupã”, da Imperatriz Leopoldinense em 2010, no enredo “Brasil de todos os Deuses”. Segue um link para confrmação: http://www.galeriadosamba.com.br/images/uploadea/10%5C5200/749397.jpg
    Não foi a primeira que Max repetiu idéias…

    – Mocidade
    Só discordo sobre um fato: 2012 foi um carnaval campeão sim!
    De resto, 2013 foi novamente fantástico. Senti falta de um samba mais forte. Novamente o último carro decepcionou (Menos do que em 2012…).

    – Tom Maior
    Pelo segundo ano consecutivo, o samba surpreendeu!
    A Comissão de Frente ótima e um abre-alas que perdeu muito de seu potencial por causa da luz branca do Anhembi (Mesmo fenômeno que acometeu a Rosas). Filmei este carro na quinta-feira à noite, e ele mudava de cor! Alguém viu isso na pista? Pois é…
    O carro da pré-história foi um achado! Eu nunca vi uma alegoria com tais formas, e funcionou muito bem, além de ser divertidíssimo!
    O terceiro e o quarto carros pecaram no acabamento. Deve ter faltado verba…
    O último era tenebroso! Além de feio, assim como a Mancha reciclou suas chaminés, a Tom Maior reciclou os anjos do abre-alas de 2012. Lamentável!

    – Vila Maria
    Sabe aquela hora de ir ao banheiro?
    Não posso deixar de falar do polvo…que coisa medonha!

    – Tucuruvi
    Dizer que foi o melhor desfile é resolver uma equação visual/animação. Sobrou animação, e faltou visual (Em 2012 foi exatamente o contrário).
    O samba era disparado o melhor do ano (Só perdeu para a Vila Isabel no Rio).
    O abre-alas era bonito, mas não tanto como exaltado no texto. O segredo de sua beleza eram os balões. Com vento e chuva este carro teria acabado “vazio”, “estourado”. Na quinta-feira à noite, em visita à concentração, o carro era bem feio pela ausência dos infláveis. Eles ajudaram, mas o da Mocidade estava anos-luz à frente!
    No resto, foi delicioso o enredo, uma justa homenagem digna de ser lembrada no carnaval. Tirando a plástica dos carros, a Tucuruvi apresentou um ótimo desfile.

    – Império
    Discordo novamente!
    Desfile chato e feio. Esperei apenas o último carro adentrar a pista para ir embora “sem culpa”.
    …e esta coisa ainda voltou no desfile das campeãs…

    No geral, a Mancha não merecia ter sido rebaixada.
    …mas não merecia ter voltado nas campeãs em 2012, assim como, no mesmo ano, a Gaviões foi jogada para a parte inferior da tabela tendo feito um desfile campeão…
    Cada injustiça a seu tempo, e nos olhos dos outros é refresco!

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

    P.S.: Gostaria de saber se o autor está no Facebook. Estarei em 2015 em sampa no mesmo esquema de sempre: chegarei na quinta-feira pela manhã, e irei embora no Domingo, assim que a última Escola encerrar a festa paulistana. Assistirei a tudo da Monumental, e novamente curtirei o ensaio da Morada na quinta-feira à noite. Meu perfil na rede é Fellipe Barroso mesmo. Mande um alô!

    1. Estou sim no Facebook: Leonardo Rodrigues Dahi.
      Quanto ao seu comentário, ainda discordo quanto ao samba da Mancha, que foi bem cantado sim. E não disse que a Mocidade não fez desfile de campeã em 2012. Só não foi soberana, arrebatadora.
      Quanto as demais discordâncias, não adianta: é gosto. hahahahahha

      Valeu pela participação!

  5. Pra mim, era Tucuruvi até com certa sobra ao meu ver. Mas a Mocidade fez grande desfile também.

    Parabéns pela série e pelo seu senso de pesquisa apurado que vem demonstrando nesta e em outras colunas. Já virei fã.

    Abraço.

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