Como diz o genial radialista Washington Rodrigues “vai começar a procissão”. Sim. Podemos chamar o campeonato brasileiro de procissão. Uma romaria devagar e sempre indo para o mesmo lado… Devagar e sempre, devagar e semp… zzzzz
São trinta e oito rodadas. Todos jogam contra todos, seja em seus campos ou do adversário, e por isso chamam de mais justo porque premia o mais regular. Aí me permito discordar.
Todos os campeonatos são justos e os campeões também a partir do momento que o regulamento é discutindo anteriormente. Falam que esse campeonato de pontos corridos faz com que o melhor sempre vença. Ok.
Melhor em que sentido? Por pontuar mais? Mas quem pontua mais não necessariamente foi o que jogou melhor no campeonato. O Fluminense campeão de 2010 e 2012 se especializou nos 1×0. Tomar sufoco, encaixar uma bola e voltar a tomar sufoco. Fez as melhores campanhas. Mas será que merecia ser mais campeão que a máquina dos anos 70, por exemplo, que não foi? Fez mais história que a Maquina?
O Corinthians de 2005, dos jogos remarcados, merecia ser mais campeão que o Bahia de Bobô, que fez uma campanha muito inferior a do Vasco naquele ano, mas entrou pra história? O Cruzeiro campeão no intervalo de um jogo em 2013 mereceu mais que o Santos de Robinho e Diego campeão em 2002 com a oitava campanha na primeira fase?
Campeão no intervalo. Isso não entra na minha cabeça, é anticlímax. O brasileiro dos pontos corridos contou com a “sorte” em alguns anos, como em 2009 que quatro times chegaram à última rodada podendo ser campeões. Devido a anos como aquele os defensores trataram de dizer que o campeonato era um sucesso e tinha emoção.Mas até aí tem contestação. De todos os títulos do Flamengo, por incrível que pareça, esse foi o “menos” justo já que foi ganho principalmente na incompetência dos outros (só vermos que foi o campeão com menos pontos da história dos pontos corridos) e mostrou outro grave problema. O adversário fazer corpo mole para prejudicar rival local.
E sendo mais “grosseiro”. Lugar de justiça é no tribunal, esporte é lugar de emoção. É um dos poucos lugares na vida que o derrotado entra no panteão das glórias junto com vencedores. As seleções da Hungria de 54, Alemanha 74 e Brasil 82 estão aí para provar isso.
Se formos selecionar os grandes jogos da história do campeonato brasileiro quase todos serão do período antes de 2003.
Provavelmente o único citado dos últimos doze anos será Flamengo 5 x 4 Santos em 2011. Acho louvável que aqui se queira imitar o que dá certo em outros países, mas também temos que levar em consideração a cultura de cada local. Os Estados Unidos é a grande referência esportiva e de espetáculo no mundo e nenhum de seus grandes campeonatos é no sistema de pontos corridos.
Também concordo que essa discussão entre pontos corridos e mata-mata é chata. Mas ela é chata porque simplesmente não houve a discussão. Impuseram o sistema que achavam o certo sem ouvir o outro lado. Um debate realmente sério sobre o assunto ajudaria muito.
Mas como o campeonato de 2015 já está definido nesse formato, vamos falar dele.
Os favoritos são os mesmos de sempre nos últimos anos. Aqueles que entenderam como jogar esse campeonato e que precisam de elenco para tal. São os times que estão na Libertadores. Cruzeiro, Atlético, Inter, Corinthians e São Paulo.
Em um patamar abaixo vejo Palmeiras que vem se reestruturando e Santos que mais uma vez vem com uma garotada boa de bola. Vai depender muito da permanência de Robinho.
Daí para baixo é “barata voa”. Tudo pode acontecer. Um time tanto pode brigar em cima quanto no Z4.
Pelo que vimos no campeonato carioca, e pelos elencos montados, os cariocas mais uma vez parece que terão dores de cabeça no certame. O Flamengo é o que parece ter melhor elenco, pelo menos mais distribuído, mas também não é nada que lhe faça brigar por título. Falta um meia criativo, um centroavante e atitude. Esse ano o elenco está longe disso, parece que já alcançou o ápice e vem numa descida. O departamento médico também podia ajudar, curando de verdade os contundidos.
O Vasco é o time de melhor padrão tático do estado, tem um time direitinho, mas esse é um dos problemas. Um time. Não me parece um elenco capacitado para torneio tão grande. O campeonato carioca às vezes engana e a capacidade desse elenco só será testada agora.
Voltando à discussão inicial da coluna o Vasco me parece com mais chances no mata-mata da Copa do Brasil.
O Fluminense é uma incógnita. Perdeu seu patrocínio e tenta ressurgir. Não fez um bom carioca, mas tem jovens promessas. A aposta tem que ser nelas e não nesse punhado de jogadores que tem contratado desde o começo do ano. O negócio é ver até quando irá conseguir segurar essas joias no clube.
O Botafogo subirá sem problemas.
Nesse fim de semana começa. Tendo emoção ou não é o nosso campeonato. Vamos torcer por nossos times.
E que se inicie a procissão.
Twitter – @aloisiovillar
Facebook – Aloisio Villar
Imagens – O Globo, Lance e Ouro de Tolo
Brasileirão com 48 times. Seis grupos de oito. Disputados só em três meses. Definição das equipes de acordo com os estaduais.
Oitavas de final no estilo Libertadores (o melhor primeiro pega o pior segundo e vai assim). Final em jogo único.
Aí sim dá pra fazer um baita campeonato!
Corrigindo: oito grupos de seis.