Nesta semana o blog completará seis anos. Mas que medida de tempo é essa? É muito? É pouco? Obviamente, não há uma resposta fechada. O tempo é algo que cada um tem a sua percepção.
Mas a intenção desta primeira coluna especial é justamente entrar no túnel do tempo e relembrar como estava o mundo em maio de 2009, quando o louco do Pedro Migão resolveu abrir um blog pessoal para começar a publicar seus devaneios que ficavam enclausurados em sua cabeça.
Para começar de maneira bem pedestre, o presidente do Brasil ainda era o Lula, que já estava se encaminhando para a segunda metade de seu segundo mandato, tendo sobrevivido a um intenso tiroteio resultado do escândalo do Mensalão e da quebra de sigilo do caseiro Francenildo (lembram dele?).
Como resultado, Lula ficou isolado dentro do brilho do PT e não se falava em outra coisa na política senão a fofoca geral sobre quem seria o “ungido” pelo presidente para ser seu candidato a sucessão.
O nome de Dilma Rousseff, então apenas a ministra de Minas e Energia que acalmou a Casa Civil após a renúncia de José Dirceu, era recém-aclamado oficialmente como a “ungida” para ser a candidata a sucessão de Lula, mas que por não ser uma petista histórica, enfrentava resistências do PT (algo que não mudou nesses 6 anos).
Para piorar, todos tomaram um susto logo no terceiro dia de vida do blog, quando a então ministra Dilma fora internada por conta de reações ao tratamento de quimioterapia que estava fazendo contra um linfoma.
Já a economia, tanto a nacional como a internacional, estava agitada e preocupada ainda sofrendo os efeitos recessivos da crise dos subprime nos Estados Unidos e a Europa e os Estados Unidos viviam sob as sombras da quebra do banco Lehman Brothers, com péssimos resultados econômicos.
Já na economia interna vivíamos a primeira onda de medidas anticíclicas, de claro cunho heterodoxo, que alargou o crédito e fez com que o Brasil resistisse bem à recessão internacional sem perder os avanços sociais ocorridos no governo Lula até então.
Olhando 6 anos depois o sucesso dessa política econômica é inegável, mas seu prolongamento excessivo, já sob a batuta de Dilma, é bastante questionável.
Porém nem só da crise internacional vivia o noticiário econômico brasileiro em maio de 2009. Foi logo no inicio desse mês que a Petrobrás começou a explorar o campo de Tupi, o primeiro do Pré-sal a ser desbravado.
Logo depois, no dia 19, outra notícia balançou o mercado: para salvar a Sadia da bancarrota (por decisões financeiras equivocadas, não produtivas), a Perdigão aceitou se fundir com a primeira para criar uma gigante mundial no setor alimentício, a Brasil Foods S.A. Em seis anos, até o nome da empresa fundida já se modificou. Hoje é BRF S.A. apenas.
Já na esfera internacional, Obama era um recém-empossado presidente americano, mal tendo acabado seus primeiros 100 dias de governo. O frisson de ele ser o primeiro presidente negro americano, algo impensável apenas 18 meses antes, ainda era alto e os Estados Unidos ainda estavam empolgados e anestesiados na onda do “Yes, we can”.
O frisson só se fez aumentar logo nos primeiros meses de vida do blog quando em outubro Obama ganhou um precoce (porém, defendido com maestria após) Nobel da Paz em outubro do mesmo ano.
O mundo também estava em pânico com a epidemia de gripe suína, que fora declarada oficialmente uma pandemia mundial (nível máximo) pela OMS na última semana de abril. Então quando o blog surgiu entrar e sair de qualquer aeroporto internacional era uma tormenta por causa das inúmeras barreiras sanitárias instaladas pelos diferentes países.
Essa pandemia da mesma forma rápida que se alastrou, acabou neutralizada sem maiores tragédias humanitárias em poucos meses. Hoje o problema é o Ebola, muito mais mortal e resistente, cuja epidemia não arrefece há quase 1 ano.
Na cultura, o que estava na moda era ouvir Susan Boyle, a “gordinha feia” que surpreendeu a todos com seu vozeirão em um programa de calouros inglês, cuja final, na qual ela foi vitoriosa, ocorreu no dia 30/05/2009.
Nos esportes era um ano pós-olímpico, logo todas as atenções internacionais estavam na Copa das Confederações de futebol que ocorreria na África do Sul em junho de 2009. Nela o Brasil iria jogar, mais uma vez, com uma equipe comandada por Dunga que inspirava dúvidas tanto nos nomes a serem convocados, como em como ela iria se portar no torneio. Apenas para constar, o Brasil ganhou o torneio.
No futebol nacional, acabara de começar o Campeonato Brasileiro mais louco da era dos pontos corridos, que no final do ano consagrara campeão o Flamengo com a menor pontuação de um campeão na era dos pontos corridos – e com quatro times podendo ser campeões na última rodada.
Uma rápida curiosidade: enquanto o Flamengo estava lutando pela ponta, o Migão estava comemorando a marca de 47 pontos logo no meio do 2° turno, pois assim o Flamengo não corria mais riscos de rebaixamento e podia tirar férias. Ele achava que o time era “fogo de palha”…
Nos outros esportes foi um ano bem calmo, sem maiores eventos. A grande manchete ficou por conta de Cesar Cielo que confirmou sua grande fase na natação (era o atual campeão olímpico dos 50m) e ganhou o ouro nos 50m e 100m livres, mas isso só ocorreu em julho.
No Carnaval Carioca, o Salgueiro era o recém vencedor do Carnaval depois do desfile do “Tambor” quebrando uma hegemonia de 5 títulos em 6 anos da Beija-Flor. Interessante notar que, de lá para cá, apesar de sempre fazer desfiles belíssimos e favoritos, o Salgueiro nunca mais levou o caneco.
Mas a notícia que realmente movimentava o mundo carnavalesco em maio de 2009 havia dois meses era a volta de Paulo Barros, na época apenas um carnavalesco diferente e sem títulos, a sua escola de origem, a Unidos da Tijuca, após passagem claudicante na Viradouro e um 2009 coassinando o desfile da Vila Isabel.
O que ninguém esperava é que a volta já seria bombástica, com a comissão de frente da troca de roupa já em 2010 e com ela o primeiro título da Tijuca em 74 anos e o primeiro da carreira de Barros. Depois desse viriam outros 2, sempre em anos pares, 2012 e 2014.
Para terminar esta pequena retrospectiva aquele maio de 2009 terminou com duas tragédias.
No dia 26, chuvas fortíssimas caíram no Piauí que inundaram, além de Teresina, outras cidades do interior do estado, que foi piorada pelo rompimento de um reservatório de água na cidade de Cocal. Isso deixou mais de 3 mil famílias desabrigadas.
Já no apagar das luzes do dia 31 de maio de 2009, ocorreu o desaparecimento do Air France 447, que fazia a rota Rio-Paris no Oceano Atlântico ao norte da ilha de Fernando de Noronha. Dentro dele estavam 228 pessoas das quais não houve sobreviventes, uma lista com muitos nomes conhecidos.
Com essa nota triste, como não seria diferente em se tratando do nada otimista Pedro Migão, encerro aqui esta breve viagem no túnel do tempo relembrando o que estava ocorrendo quando surgiu o Ouro de Tolo.
Imagens: Petrobras, O Globo, Uol, Ouro de Tolo e R7
[N.do.E.: com este artigo se inicia a programação especial de aniversário do Ouro de Tolo, a se completar no próximo dia 15, sexta feira. PM]