O Brasil segue com tudo rumo a Copa América do Chile, que começa essa semana. Domingo, os comandados de Dunga venceram o México por 2 a 0 e conseguiram a nona vitória consecutiva. Desde a disputa do terceiro lugar na Copa de 2014 o Brasil não conhece outro resultado que não a vitória. Sem qualquer ironia, estamos muito bem.
Enfim, o que interessa é que esse amistoso do Brasil em São Paulo mexeu com a tabela do Brasileirão porque a Globo não teria como passar o jogo de domingo a tarde por conta do amistoso. Como o sábado a tarde já estava reservado para a final da Champions League, restou sábado a noite o horário para três jogos dessa sexta rodada. No horário em que geralmente se vê o Zorra Total, se viu o Brasileirão. E pelo que andam jogando Vasco e Joinville, dois dos times que se apresentaram no horário, não é lá muito diferente.
Flamengo 1 x 0 Chapecoense
Demorou, mas o Flamengo finalmente estreou no Campeonato Brasileiro. A Chapecoense mais uma vez esteve muito abaixo do que pode render (isso, aliás, tem sido uma incômoda regra nos jogos do time fora de casa) e o Mengão, mesmo com um evidente nervosismo e um desentrosamento irritante, já jogou um futebol mais interessante.
No primeiro tempo, o Flamengo criou boas jogadas usando as laterais e, como a marcação catarinense funcionou razoavelmente bem, arriscou bastante de fora da área. Para um time que pouco concluía a gol, foi uma evolução interessantíssima. As chances desperdiçadas deixaram o time mais e mais tenso a cada momento, mas a intensidade do Fla foi mantida e o gol suado saiu antes da metade do segundo tempo. Só aí a Chapecoense acordou para o jogo, mas já era tarde. Vitória justa do Mengão para dar moral e começar a caminhada no Brasileirão.
Santos 2 x 2 Ponte Preta
Estou dizendo isso sem parar muito para pensar, então posso estar cometendo uma injustiça com alguém, mas acredito que o Santos é o time que mais tem gerado bons jogos no Campeonato Brasileiro. Com exceção do jogo de estreia, contra o Avaí, que também não foi um jogo ruim, todas as partidas do Peixe no torneio foram bem agradáveis de se assistir. Sábado, contra a Ponte, foi a mesma coisa. Não só pelos gols, um ótimo jogo de futebol.
Convém para muita gente reduzir o Brasileirão a 20 times horríveis sem qualquer conhecimento do que é o futebol, mas basta assistir um pouco o Campeonato para ver que não é bem assim. Santos e Ponte Preta, por exemplo, são dois times excelentes, com ótimos talentos individuais e um futebol ofensivo, intenso, com fundamentos bem trabalhados. O Santos ainda sofre com a teimosia de seu treinador, mas é um time muito melhor do que a pontuação baixa pode sugerir.
Geuvânio, por exemplo, é um dos grandes nomes do Campeonato até aqui. Sábado, fez um golaço e abriu o placar. E o Santos podia ter feito mais, mas desperdiçou algumas chances e não aproveitou o início ruim da Macaca. A Macaca, por sua vez, se acertou e logo empatou. Aí, no segundo tempo, fez um pênalti completamente imbecil e deixou o Santos passar a frente. Foi aí que o jogo esquentou de vez, com boas chances para os dois lados. O empate conquistado pela Ponte Preta em uma falha no sistema defensivo do Santos acabou fazendo justiça ao que se viu em campo.
Atlético Mineiro 1 x 3 Cruzeiro
Não precisava ser o mais pessimista torcedor cruzeirense, nem o mais otimista dos atleticanos, para esperar uma goleada do Atlético após o gol marcado no início do jogo. Ocorre que quem dominou o jogo após o primeiro balançar das redes, quem diria, foi o Cruzeiro. Quem pegou o jogo a partir dali jurava que o time que vinha goleando todo mundo era o Cruzeiro e que o Galo era o mineiro em crise.
Sem querer colocar muitos méritos em Vanderlei Luxemburgo, o Cruzeiro jogou o futebol que dele se espera. O futebol que não sustenta o argumento de que o desmanche no elenco o tornou “fraco”. Como o jogo de sábado mostrou, esse time ainda é um dos melhores do Brasil. Os ataques rápidos, precisos, bem armados, até que demoraram para levar ao empate. O jogo aí até que deu uma esfriada, mas a Raposa voltou com tudo pro segundo tempo e virou com um gol de Gabriel Xavier. Um Atlético apático, apagado, impotente não teve forças para reagir e acabou cedendo mais campo ao Cruzeiro, que matou o jogo com Marquinhos. Vitória incontestável.
Atlético Paranaense 2 x 0 Vasco
Pra ser bem sincero, deu pena do Vasco. Confesso que, ao ver o compacto do jogo, me lembrei do jogo que decretou o rebaixamento do Vasco em 2013, contra o mesmo Atlético Paranaense. Dessa vez não foi 5 a 1, até porque aquele Atlético era muito melhor que esse, mas a surra foi mais ou menos parecida. Do início ao fim, o Vasco foi dominado como já havia sido dominado por Atlético Mineiro e Ponte Preta.
O Atlético Paranaense joga um futebol cada vez mais acertado. Não tem nada muito espetacular, mas funciona. O time é rápido, toca bem a bola e sabe encontrar os espaços deixados pelo adversário. O Vasco, por sua vez, é lento, só toca para os lados e pouco cria. Desse modo, o primeiro tempo só terminou sem gols porque o Furacão finalizou muito, mas muito mal. Na segunda etapa, precisou de um pênalti para balançar as redes. Já na parte final do jogo, o Vasco até se soltou, chegou algumas vezes, mas acabou foi cedendo espaços para um contra-ataque excelente dos donos da casa, que terminou com um golaço de Nikão. Vai mal o Vasco. E muito.
Joinville 0 x 1 Corinthians
É bem verdade que a péssima fase do Joinville – que, por sinal, não acaba nunca – ajudou, mas foi uma boa atuação do Corinthians. Grande parte da torcida criticou, mas talvez porque ainda não entendeu que as limitações do elenco atual do Corinthians não permitem coisa muito melhor. É hora do torcedor entender que o time atual é isso aí e até tem chances de fazer um bom Campeonato assim já que vem somando pontos importantes.
O primeiro tempo foi muito bom em termos de criação. O meio campo com Renato Augusto e Jadson funcionou e o time deu um sufoco no Joinville. O problema foi mesmo no ataque, com o pra lá de limitado Angel Romero. Desse modo, foi de fora da área, com o próprio Jadson, que o Corinthians marcou o gol da vitória. O que deve preocupar mais o torcedor é que o time tem se assemelhado ao Corinthians da “empatite”, que se contentava demasiadamente com o 1 a 0 e cedia muito espaço ao adversário antes da hora. Sábado, foi exatamente isso que aconteceu, mas o Joinville não soube aproveitar e o Timão ganhou mais uma.
Foi um jogo, digamos, trivial. O time que era muito superior ao outro ganhou sem precisar se esforçar muito. Simples. O São Paulo não fez uma partida de encher os olhos, alegará aquele mais desconfiado com o Tricolor paulista – e eu concordo. Mas a pergunta é: precisou? Não. Jogou o suficiente e não correu riscos em momento nenhum. Desde o início, dominou o Grêmio, que não conseguiu atacar e logo sofreu um gol.
O gol mais uma vez relaxou os donos da casa, mas como o Grêmio é bem inferior ao Santos, o único problema foi que o jogo ficou bem chato. No segundo tempo, o São Paulo apertou um pouco mais e acabou marcando o segundo em um pênalti que me pareceu inexistente. Assim, com tranquilidade, venceu mais uma e já é vice-líder. O Grêmio teve um choque de realidade após a boa vitória contra o Corinthians. É time para meio de tabela.
Internacional 2 x 0 Coritiba
No jogo de maior público do Campeonato Brasileiro até aqui, deu a lógica. A diferença técnica entre Inter e Coritiba é tão grande que eu nem vou me alongar muito aqui. O Coxa é muito limitado e, embora tenha tentado impor algum ritmo ao Inter no começo do jogo, logo sucumbiu. As chances do Colorado foram surgindo aos montes e estava faltando apenas acertar o gol. Acertou duas vezes no primeiro tempo, uma delas em um golaço de Vitinho. Aí foi só controlar o jogo no segundo tempo e correr pro abraço. Já é mesmo hora de aproveitar a pausa na Libertadores para somar pontos no Brasileirão.
Goiás 0 x 1 Avaí
Realmente, o começo de Campeonato do Goiás foi só para enganar os mais afoitos. O Esmeraldino continua jogando o mesmo futebol mequetrefe que lhe deu oito pontos em quatro jogos, mas agora está perdendo. O jogo contra o Avaí, acompanhado pelo inacreditável público de pouco mais de mil pessoas, foi bem fraco, com poucas chances para os dois lados. No segundo tempo, o Goiás começou a se soltar um pouco mais, se empolgou, se animou e… Levou um contra-ataque mortal dos avaianos. A jogada muitíssimo bem armada acabou em gol e o Goiás perdeu mais uma nos acréscimos. Tá feia a coisa.
Figueirense 2 x 1 Palmeiras
Talvez quando você estiver lendo isso Oswaldo de Oliveira não seja mais o treinador do Palmeiras. Se ainda for, palmas para a diretoria do Palmeiras por mais uma grande lição de incompetência. O trabalho desse homem a frente do Verdão chega a ser inacreditável. Já são quase cinco meses de trabalho e os tais 22 reforços vivem de boas atuações espaçadas (que muitas vezes nem vitórias geram). O time não tem um padrão, não tem tática. Tem só vontade.
O sistema defensivo é uma piada. O primeiro gol do Figueirense foi de um amadorismo dos marcadores que demonstra uma clara falta de treinamento. Pelo menos serviu para acordar o Palmeiras, que passou a criar algumas boas jogadas, embora não conseguisse se aproximar muito do gol. O empate veio em um gol meio espírita de fora da área e aí o time morreu de novo. O segundo tempo foi todo do Figueirense, que chegou ao segundo gol e podia até ter feito mais. A zona de rebaixamento se aproxima e o time do Palmeiras não é para isso. Com Oswaldo, vai ser difícil sair desse buraco.
Fluminense 0 x 0 Sport
Se o Santos faz os melhores jogos do Campeonato, o Fluminense é o que está envolvido nos mais chatos e intermináveis. O jogo mais legal do Fluzão no Campeonato foi uma surra que ele tomou do Atlético Mineiro. Ainda teve um jogo legal contra o Flamengo, mas os outros quatro… Meu Deus. O duelo contra o Sport até teve boas chances para os dois times, mas ambos estiveram bem abaixo do ideal. Pouco avançaram, pouco atacaram. O que sobrou foi porrada para tudo quanto é lado e a arbitragem foi ruim para os dois lados. Enfim, um jogo para se esquecer.
Classificação
Eis aí a situação do Brasileirão após quase um terço do primeiro turno.
Público e gols
– Os mais de 15 mil pagantes em média nesta rodada levaram o Brasileirão a uma média de público de 14.451 torcedores por jogo. Para as seis primeiras rodadas de 2006 para cá, é uma média inferior apenas a 2007 (15.153) e 2009 (15.224). Supera 2006 (11.255), 2008 (12.708), 2010 (13.682), 2011 (12.532), 2012 (10.652), 2013 (12.193) e 2014 (12.350).
– Foram apenas 20 gols na rodada, média de dois por partida, o que nos leva a uma média de 2,25 gols por jogo no Campeonato. Além de 2014, com os mesmos 2,25, nunca, de 2006 para cá, houve média tão baixa nas seis primeiras rodadas: 2,62 em 2006 e 2011, 3,05 em 2007, 2,38 em 2008, 2,67 em 2009 e 2010, 2,45 em 2012 e 2,6 em 2013.
Palpites para a 7ª rodada
Atlético Mineiro x Santos – Quarta-feira, 10/6, às 19h30, no Independência, em Belo Horizonte
Jogo isolado da quarta-feira que vai servir de aquecimento para mais um amistoso do Brasil e também para criar uma crise absolutamente desnecessária no Santos. Atlético vence por 3 a 1.
Corinthians x Internacional – Sábado, 13/6, às 16h30, na Arena Corinthians, em São Paulo
Jogo difícil de apostar. O Internacional é muito mais time e está em fase muito melhor, mas o histórico em São Paulo não é dos melhores. Corinthians vence por 2 a 1.
Chapecoense x São Paulo – Sábado, 13/6, às 19h30, na Arena Condá, em Chapecó
A Chapecoense é sempre um adversário enjoado em casa e, mesmo sem estar em boa fase, vai arrancar uns pontos do São Paulo. Empate em 1 a 1.
Coritiba x Flamengo – Sábado, 13/6, às 19h30, no Couto Pereira, em Curitiba
Essa vai única e exclusivamente por conta da sina que o Flamengo tem de voltar de Curitiba com uma derrota no lombo. Coritiba vence por 2 a 0.
Sport x Joinville – Sábado, 13/6, às 21h, na Ilha do Retiro, em Recife
Pela fase dos dois times, não tem muito o que discutir. Sport vence por 2 a 0.
Vasco x Cruzeiro – Sábado, 13/6, às 21h, em São Januário, no Rio de Janeiro
Ainda não vai ser dessa vez que a crise vai acabar no Vasco. Ela vai acabar, mas não agora. Cruzeiro é mais time e vence por 2 a 0.
Ponte Preta x Goiás – Domingo, 14/6, às 11h, no Moisés Lucarelli, em Campinas
Finalmente indo de encontro a sua torcida, a Ponte Preta não deve ter muitas dificuldades contra o frágil time do Goiás. Vitória tranquila da Macaca por 3 a 0.
Avaí x Figueirense – Domingo, 14/6, às 16h, na Ressacada, em Florianópolis
Mais um belo clássico na Ressacada. Jogo difícil de cravar qualquer coisa, mas vou na coluna da direita. Figueirense vence por 2 a 1.
Grêmio x Atlético Paranaense – Domingo, 14/6, às 16h, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre
Por mais que esse time do Atlético esteja me convencendo, já é hora de sair da liderança. Grêmio vence por 2 a 1.
Palmeiras x Fluminense – Domingo, 14/6, às 16h, no Allianz Parque, em São Paulo
Se o Oswaldo for demitido até lá, eu cravo vitória do Palmeiras com bastante confiança. Nada contra o Fluminense, mas é um jogo bem ganhável para o bom time do Palmeiras. E, pensando bem, acho que nem o Oswaldo atrapalha. Mais uma vez vou de 2 a 1, agora para o Palmeiras.
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