Na última coluna eu falei um pouco sobre os palpites furados que grande parte das pessoas que se dispuseram a prever o que aconteceria no Brasileirão, deu. Pois bem, nem tudo vem sendo tão surpreendente assim. O Atlético Mineiro, por exemplo, era apontado como favorito para quase todo mundo. E não é que vem justificando em campo toda a fama?

Em um início de Campeonato onde Internacional e Cruzeiro não emplacam e São Paulo e Corinthians não se encontram, o Galo mineiro vai despontando como o time com mais cara de campeão. Os outros times do G-4 ainda são incógnitas para se apontar como verdadeiros favoritos ao título. É difícil, faltando 27 rodadas, cravar qualquer coisa a qualquer time. Mas, se as conquistas do Galo ficaram marcadas pelo grito quase solitário de sua torcida – “eu acredito!” -, o bicampeonato Brasileiro, caso venha a acontecer, tem tudo para ser diferente. Nessa conquista todos acreditamos.

Coritiba 0 x 0 Joinville

No jogo que tem tudo para se repetir em 2016 na Série B, bom futebol evidentemente não foi a regra. Os dois times são limitadíssimos e o Joinville, para piorar, ainda é um time para lá de defensivo se considerarmos que falamos de alguém que não tinha chegado a cinco pontos em 10 jogos. O Coritiba é um time um pouco mais acertado, rápido, com um toque de bola um pouco mais refinado e, por isso, dominou a maior parte do jogo.

Não chegou a ser uma atuação brilhante, mas o Coritiba merecia ter vencido o jogo. Até por conta da fragilidade do sistema defensivo adversário, o Coxa criou boas jogadas, fez valer o mando de campo e, especialmente no primeiro tempo, esbarrou na boa atuação do goleiro Agenor para abrir o placar. Também falta pontaria, calma e outras coisas mais. Apesar de continuar apostando no rebaixamento do Coritiba, acho que o alviverde paranaense tem salvação. Já o Joinville, embora ainda não seja “caso perdido”, vai se enfiando cada vez mais em um buraco de onde está ficando difícil sequer vislumbrar a saída.

Chapecoense e VascoChapecoense 1 x 0 Vasco

É, como eu já imaginava, não tem bom momento que resolva a vida do Vasco contra a Chapecoense, que é bem mais time. Mesmo sem jogar o seu melhor futebol (algo que aconteceu pouquíssimas vezes nesse Campeonato, registre-se), a Chape conseguiu dominar o cruzmaltino em Santa Catarina e, bem ou mal, mereceu a vitória. O Vasco, ao contrário do que aconteceu contra o Avaí, voltou a mostrar dificuldades para criar e, contra um time mais sólido defensivamente, pouco atacou.

Por falar nisso, a defesa vem se arrumando um pouquinho de uns jogos pra cá. Corrigiu ligeiramente o posicionamento, está consideravelmente mais calma e, por isso, o número de erros bobos diminuiu. Tanto que o jogo ia se encaminhando para um zero a zero mesmo com a inacreditável insegurança do arqueiro vascaíno Charles. Mas, quando a fase não é boa, até zagueiro acerta meia bicicleta (ou bicicleta inteira, ou puxeta, ou seja lá o que tenha sido) e decreta mais uma derrota do Vasco. Menos mal que, para quem só pode almejar a manutenção na Série A, é uma derrota que não chega a ser ponto perdido na busca pelos 46 pontos.

Cruzeiro 2 x 0 Atlético Paranaense

É difícil entender esse time do Cruzeiro. Desde o início foi uma das minhas apostas para as primeiras posições, e ainda acho que possa conseguir fazer uma boa campanha, mas os resultados e as próprias atuações do time mineiro nos últimos jogos apresentavam um elenco sem sintonia: abatido, desconexo, sem nenhum padrão. Contra o Atlético Paranaense, isso diminuiu um pouco. Vi um time mais inteiro defensivamente que, contra um Furacão que mostrou dificuldades no setor de criação, ajudou os comandados de Vanderlei Luxemburgo a controlarem bem o jogo.

O Cruzeiro mostrou boa movimentação e chegou ao primeiro gol com um belo arremate de De Arrascaeta. Com o Atlético praticamente inerte no jogo, a Raposa pôde administrar a vitória até a entrada de uma personagem que incendiou o jogo. Marinho, o jogador que ganhou fama nacional pela entrevista antológica dada duas semanas atrás, quando ainda jogava no Ceará, marcou o segundo, deu chapéu e sofreu a falta que culminou na expulsão de Walter. Boa vitória do Cruzeiro. Vamos ver se embala.

20150705-Avaí-x-Sport-FOTO-Petra-Mafalda-5Avaí 2 x 2 Sport

Como eu disse aqui semana passada, a coisa que mais me agrada nesse time do Sport é o pensamento de que sim, eles podem brigar pelas primeiras posições. O bom início não mostra a fragilidade mostrada por outros times que ocuparam posições semelhantes a essa altura do Campeonato (Ceará 2010, Coritiba 2013 e até alguns grandes como o Atlético Mineiro em 2009). Não acho que vá segurar assim até o final, mas que tem vontade, tem.

Jogar na Ressacada, por exemplo, não é tarefa fácil, mas o Sport teve a atitude de um líder e foi muito bem no primeiro tempo. Abriu o placar aproveitando um vacilo da zaga avaiana e suportava bem a boa atuação dos donos da casa. No entanto, em questão de minutos, o Avaí virou o jogo. No segundo tempo, o Sport pareceu sentir o golpe e criou bem menos. O Avaí, mais uma vez muito bem armado pelo seu treinador, fechou os espaços e venceria um grande jogo não fosse um pênalti absurdo marcado no finzinho, que decretou o empate. O Sport mantém a invencibilidade. O Avaí, conquista mais um resultado bem inferior à atuação.

São Paulo 0 x 0 Fluminense

O São Paulo está em mais uma crise criada por si mesmo. A imprensa não fala muito em crise, a torcida não cria crise, mas o São Paulo cria por si só. Jogador reclama de outro jogador publicamente. Jogador reclama de ficar no banco publicamente. Técnico reclama da diretoria publicamente. Ídolo reclama da diretoria publicamente. E tudo se reflete em campo. O São Paulo, nesse momento, é um time composto por grandes jogadores, mas onde ninguém se entende. Salários atrasados?

Depois de ver o Fluminense mais próximo de abrir o placar no primeiro tempo (inclusive escapando de ver o rival cobrar um pênalti graças a um erro absurdo do árbitro), o São Paulo voltou bem melhor para a segunda etapa. O Fluminense voltou recuado, visando segurar o empate, o que me pareceu pra lá de desnecessário. O São Paulo, por sua vez, foi bem. Criou, chegou, esteve por várias vezes perto de marcar. Mas, também por várias vezes, desperdiçou oportunidades porque quem finalizou não viu um companheiro desmarcado, em condições muito melhores de marcar.

O nervosismo de cada um dos jogadores é evidente. Cada um quer salvar a própria pele, resolver sozinho e, assim, mesmo as coisas boas, como a boa atuação de Thiago Mendes, acabam mascaradas. Desse jeito, as coisas só vão piorar e o São Paulo vai acabar, aí sim, criando uma crise que vai se refletir nas notícias e no comportamento da torcida.

imagem_56494_originalGoiás 0 x 0 Corinthians

Esse Corinthians do Tite está cada vez mais interessante de se ver, mas me irrita profundamente por um motivo: o excesso de cautela no segundo tempo. Após uma ótima primeira etapa, onde o gol não saiu por detalhe e o Timão mais uma vez se movimentou muito bem, encurralando o Goiás em seu campo de defesa como nenhum time havia feito no Serra Dourada, tudo parecia sugerir uma vitória na etapa final. Engano.

O Corinthians voltou recuado, chamou o Esmeraldino ao ataque e só quando ouviu uma resposta tentou novamente se lançar ao ataque. Tite errou ao investir em Romero no lugar de Vagner Love que, bem ou mal, vem melhorando e o time perdeu em qualidade no ataque. Não chega a ser um tropeço, mas, pela diferença técnica entre os dois times, dava para ter feito mais.

Santos 1 x 3 Grêmio

Finalmente caiu o Marcelo Fernandes. O trabalho desse técnico no Santos é uma das coisas mais bizarras de 2015 com certa folga. Tudo bem que o material humano do meio para trás não é de encher os olhos, mas entregar um time que podia tranquilamente estar nas primeiras posições na zona de rebaixamento é uma proeza que poucos treinadores conseguiriam. O jogo da queda é o exemplo mais claro disso.

A facilidade que o Grêmio encontrou para abrir 2 a 0 chega a ser vergonhosa. Em seis meses de trabalho, Marcelo não conseguiu armar uma defesa minimamente sólida, enquanto outros times, com jogadores ainda piores, conseguiram. Que o time é bom, me parece claro. As jogadas de ataque e o gol – este já depois da vergonhosa expulsão de Geuvânio, que claramente foi autorizado pelo árbitro a voltar a campo e levou o segundo amarelo justamente por ter voltado sem autorização – evidenciam isso. Por outro lado, o terceiro gol do Grêmio deixa claro que o treinador não tinha a menor condição de continuar.

Já o Grêmio, ciente de suas limitações, vai ficando cada vez mais enjoado. Nos três gols, a despeito das falhas santistas, os gaúchos apresentaram ótima movimentação. Acho que o time chegaria a esse patamar mesmo com Felipão (desde o início do Campeonato achava um elenco com potencial), mas o grande mérito de Roger Machado foi acelerar assustadoramente o processo de evolução gremista a ponto de já iniciar o Campeonato entre os líderes. Ainda acho que não tem time pra ser campeão, mas é bom ficar de olho.

Internacional 1 x 3 Atlético Mineiro

Internacional e Atlético Mineiro faziam mais um dos grandes jogos do Campeonato Brasileiro. São duas ótimas equipes, com futebol ofensivo, rápido, de muito toque de bola e muita movimentação. Foi um primeiro tempo muito equilibrado, com boas chances para os dois lados e o empate só não era mais justo porque não saiu gol. O Atlético chegou ao gol com Maicosuel, em ótima jogada, já no segundo tempo. De fato, o Galo voltou mais ligado (o que, em se tratando do Inter nesse Brasileirão, não chega a ser uma novidade).

Só que depois do gol o Internacional teve Anderson expulso e, ali, o jogo acabou. Com alguma facilidade, o Atlético fez mais dois e liquidou a fatura. O Inter até aproveitou uma bobeada no fim para descontar, mas já era tarde demais. O novo líder do Brasileirão tem sorte, mas também tem muita competência. Mais uma grande vitória.

flamengo_figueirense_andredurao-6Flamengo 1 x 2 Figueirense

O que eu vou dizer pode parecer óbvio (e é!), mas sempre precisa ser dito quando um time pequeno ganha de um grande fora de casa. Para alguém perder, alguém tem que ter ganho. Ao invés de dizer que o Flamengo perdeu vergonhosamente, prefiro dizer que o Figueirense venceu brilhantemente. Porque o que determina se foi A que perdeu ou B que ganhou são as atuações e, definitivamente, o Flamengo não foi mal.

Cristóvão Borges é fraco, o Flamengo ainda tem uma penca de problemas, mas o time é muito melhor que aquele que começou o Campeonato. Vive péssima fase, isso é fato, mas é outro time. Tanto que vencia bem o jogo, mas, quando tomou o gol de empate, desmoronou. O valente Figueira não se intimida facilmente e não se contentou com o empate. Como prêmio, uma pane na zaga rubro-negra e a virada no último lance do jogo. Ainda acho que o Figueirense vai perder muito jogo que não devia e acabar brigando lá embaixo, mas torço para que engrene. Tem time pra aprontar muito.

Ponte Preta 0 x 2 Palmeiras

Eu não tenho palavras para descrever o quanto eu odeio ver um duelo paulista em Cuiabá. Na verdade, eu já odiaria ver um Ponte Preta x Palmeiras com mando da Ponte no Pacaembu. Mas ver um dos melhores times do Campeonato abrir mão de sua torcida em Campinas para jogar fora de casa por conta de uns mil reais me deixa irritadíssimo. Enfim, falemos do jogo. O Palmeiras definitivamente engrenou. É outro time também, porém com resultados. Está confiante, entrosado, não se intimida e apresenta ótimo futebol. Fez de um jogo equilibrado uma vitória encaminhada em dois lances. Era isso que faltava.

A Ponte Preta vive um momento complicado, não tem mais aquela pegada dos primeiros jogos e precisa recuperar logo isso. Quando o Palmeiras diminuiu o ritmo no segundo tempo, poderia ter assustado, mas não conseguiu. Vamos ver se melhora daqui pra frente.

Classificação

Eis aí a classificação do Campeonato Brasileiro.

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Público e Gols

– O péssimo público de todos os 10 jogos desta rodada fez a média da rodada ficar abaixo de 10 mil pagantes. Agora, a média é de 14.117 torcedores por jogo o que, num comparativo com as 11 primeiras rodadas dos demais anos, é inferior não só a 2007 (15.141) e 2009 (14.603), que já vinham à frente faz tempo, como também à 2008 (14.378). 2013 fica ali na cola, com 13.940. Para os outros anos, a vantagem ainda é tranquila: 10.659 em 2006, 11.989 em 2010, 12.589 em 2011, 11.620 em 2012 e 12.653 em 2014.

– O que segue firme em penúltimo lugar é o índice de gols. 245 até agora, 15 a mais que no ano passado, mas bem menos que nos demais anos: 292 em 2006, 303 em 2007, 268 em 2008, 330 em 2009, 275 em 2010, 273 em 2011 e 285 em 2012 e 2013.

Palpites para a 12ª rodada

Goiás x Santos – Quarta-feira, 8/7, às 19h30, no Serra Dourada, em Goiânia

Marcelo Fernandes vai ter sua última oportunidade para arrancar uns pontos do Santos, mas palpito que não irá conseguir. 2 a 0 para o Santos.

BC_-Atletico-Mineiro-e-Joinville-Mineirao-Campeonato-Brasileiro-2015_280620150002-850x567Coritiba x Ponte Preta – Quarta-feira, 8/7, às 19h30, no Couto Pereira, em Curitiba

Outro bom jogo, como foi o de ida da terceira fase da Copa do Brasil e como deverá ser o de volta. Vai depender muito da postura da Ponte, mas acho que o momento ruim vai continuar. 2 a 1 para o Coritiba.

Chapecoense x Grêmio – Quarta-feira, 8/7, às 19h30, na Arena Condá, em Chapecó

Um dos grandes jogos dessa rodada e um grande teste para o Grêmio. Mesmo sem vencer, creio que irá passar. Qualquer ponto ganho em Chapecó é pra se festejar. Empate em 1 a 1.

Palmeiras x Avaí – Quarta-feira, 8/7, às 21h, no Allianz Parque, em São Paulo

Na atual fase, é ruim do Palmeiras perder ponto em um jogo desse. Vence e vence bem. Mais uma vez 2 a 0 para o Palmeiras.

Figueirense x Joinville – Quarta-feira, 8/7, às 21h, no Orlando Scarpelli, em Florianópolis

Clássico é clássico e vice-versa, como diz o outro, mas o Figueirense, jogando em casa e com um time bem mais acertado, deve vencer. Figueira 2 a 1.

Atlético Mineiro x Sport – Quarta-feira, 8/7, às 22h, no Mineirão, em Belo Horizonte

Enfrentar o melhor time do Brasil com estádio lotado é o maior teste possível para o Sport nesse momento. Mesmo que não vença, deve mostrar a que veio. Galo leva a melhor, 3 a 1.

Vasco x São Paulo – Quarta-feira, 8/7, às 22h, no Mané Garrincha, em Brasília

O Vasco não levou mais que 7 mil pessoas em jogo nenhum em São Januário. Aí a torcida faz besteira e o time é punido. Tem que jogar fora do Rio. Aí manda o jogo em Brasília e vai sair com o bolso cheio. Que punição brilhante. Enfim, quanto ao jogo, nem nesse momento difícil o São Paulo deve tropeçar. Vitória paulista por 2 a 0.

Internacional x Flamengo – Quarta-feira, 8/7, às 22h, no Beira-Rio, em Porto Alegre

A tabela anda ingrata para o Flamengo. Vai pegar um Internacional querendo vitória para respirar um pouco antes dos jogos pela Libertadores. Aí complica. Mais um 2 a 0, agora para o Inter.

Corinthians x Atlético Paranaense – Quinta-feira, 9/7, às 19h30, na Arena Corinthians, em São Paulo

Jogo bom. O Corinthians está pedindo faz tempo para empatar um jogo absolutamente controlado em casa. Acho que vai ser esse. Empate em 1 a 1.

Fluminense x Cruzeiro – Quinta-feira, 9/7, às 21h, no Maracanã, no Rio de Janeiro

Um bom teste para os dois times. Se a torcida do Fluminense comparecer, e acho que comparecerá, o time vai ficar ainda mais enjoado. Vou dar esse voto de confiança. 1 a 0 pro Fluzão.

Simulador

Simulador agora vem confiando mais ainda no Grêmio e no Fluminense. No Palmeiras também.

Captura de tela 2015-07-05 às 23.48.13Imagens: Globoesporte.com, Espn e sites oficiais do Avaí e do Corínthians