Conhecia Steve Jobs, evidente, quem nunca ouviu falar nele? Ainda mais quem convive com o mundo virtual.
Mas conhecia muito pouco. Sabia que era ligado a uma empresa de informática, nem lembrava qual era e vi o noticiário de seu falecimento em 2011. Lembro que na ocasião vi seu famoso discurso para os formandos em Stanford, ouvi falar de sua importância, mas eu mesmo não dei toda essa importância. Conhecia mais Bill Gates e Mark Zuckerberg.
Mas gosto de biografias de vencedores, sabia que ele era um e uma noite de bobeira na casa de minha noiva Hellen vi que começaria o filme “Jobs” que contava sua história. Como todos dormiam na casa, parei pra assistir.
Muito interessante a história do adolescente, que na garagem de sua casa montou a maior empresa do mundo. Muito interessante ver como foi demitido da própria empresa.
Fui me envolvendo aos poucos, mas o que me pegou de vez foi o comercial “Pense diferente”. Texto que boto abaixo.
“Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os que são peças redondas nos buracos quadrados.
Os que veem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discorda-los, glorificá-los ou difamá-los.
A única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas.
Eles inventam. Eles imaginam. Eles curam. Eles exploram. Eles criam. Eles inspiram.
Eles empurram a raça humana para frente.
Talvez eles tenham que ser loucos.
Como você pode olhar para uma tela em branco e ver uma obra de arte? Ou sentar em silêncio e ouvir uma música jamais composta? Ou olhar para um planeta vermelho e ver um laboratório sobre rodas?
Enquanto alguns os veem como loucos, nós vemos gênios. Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo, são as que de fato, mudam.”.
Acabou o texto do comercial e acabou o filme. Acabou o filme e eu tinha uma nova pessoa para seguir, para admirar.
Comecei a fazer pesquisas no Google, Wikipedia e descobrindo mais sobre sua vida, frases e jeito de ser. tudo isso culminou em um ato de extremo carinho de minha noiva rodando a cidade inteira e comprando sua biografia pra mim.
Biografia com mais de 600 páginas e que devorei vorazmente em 10 dias. No momento que escrevo essa coluna faltam 18 páginas para o fim.
Costumamos criar ídolos e referências na juventude, não com 38 anos. Por quê então comigo, já tão “velho e decolado”, Steve Jobs virou meu ídolo de infância, passo a falar nele regularmente e usar suas frases?
Não é porque saiu de uma garagem e ficou bilionário. Não foi porque criou o Apple II, o Macintosh, a NeXT, a Pixar, o IMac, Ipod, Iphone, Ipad ou voltou a Apple e lhe tirou da falência tornando a maior empresa do mundo. Nada disso. Até porque não entendo tanto assim de computadores e celulares pra ter a dimensão exata do que fez mesmo sabendo que é muita coisa.
Mas porque era um gênio, revolucionou o mundo e principalmente, era humano.
Muitos defeitos, gigantescos defeitos. Tirânico, humilhava seus funcionários e para muitos era intragável. Louco, fazia dietas absurdas e não tomava banho na juventude. Drogado, curtiu LSD e sempre defendeu o uso. Demorou para reconhecer uma filha, tinha preferência por um dos filhos porque era homem e tinha certo distanciamento dos outros. Fracassou, sofreu, deu a volta por cima.
Mesmo bilionário, mesmo gênio, mesmo poderoso, morreu de câncer mostrando que era um homem como outro qualquer.
Nessa humanidade toda, nesses defeitos moram toda a diferença.
Porque era uma pessoa comum. Com virtudes, defeitos, que causava asco e veneração. Corajoso e teve medo, que parecia imortal e morreu de uma doença que muitos têm. Esse cara conseguiu fazer a diferença. Como eu disse em algumas colunas de meu blog era um inconformado e não são os gênios que mudam o mundo e sim os inconformados.
Não foi ele que criou o Apple II, foi o Steve Wozniack, mas ele viu o tamanho daquela criação assim como tinham sempre gênios ao seu lado em todos as criações. Mas um gênio conformado não faz nada. Um inconformado talentoso sim.
Ele tinha o poder, tinha carisma, sabia do seu tamanho e como diz minha noiva “quem tem conhecimento não se submete”.
Depois de velho aprendi que a simplicidade é a máxima sofisticação, que não existe limite quando alvejamos o infinito e devemos sempre continuar famintos. Evidente que não mudei minha personalidade ao conhecer Steve Jobs, mas deixei voltarem aspectos meus guardados com o tempo.
Impulsos, vontades, pensamentos. Pro momento importante que eu vivo Steve Jobs foi meu LSD.
E incrível pensar que nossas vidas hoje são entrelaçadas ao seu legado. Não conseguimos passar um dia sem entrar em uma de suas invenções. A maçã caiu da árvore e mais uma vez mudou a humanidade, o seu tempo.
Essa coluna de hoje foi para os loucos.
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