Eu me lembro que no começo do ano eu comentei com um amigo que estava muito preocupado com o nível do Brasileirão de 2015. Embora tivesse sido muito melhor que a de 2013, a edição de 2014 ainda não tinha sido uma maravilha. Muitos times ruins, candidatos de sobra ao rebaixamento, públicos ruins e jogos fracos predominaram e, para este ano, o cenário me parecia muito pior. Via apenas os dois mineiros com elencos fortes e a impressão que eu tinha era a de que a maioria das equipes havia piorado.

Com o passar dos meses, porém, as coisas foram melhorando, até que, logo nas primeiras rodadas, o Brasileirão já se mostrava promissor. Enquanto os times que foram bem no primeiro semestre começaram com tudo, outros grandes que fizeram péssimos primeiros semestres também despertaram e passaram a jogar um bom futebol. Isso sem falar nos clubes médios e pequenos que, desde o início, jogavam um futebol interessantíssimo. Por isso, aos poucos, o Brasileirão, pelo menos para mim, ia se desenhando o melhor em muito tempo.

Faltava, porém, um ingrediente importante. Para boa parte da torcida e da imprensa, o Brasileirão ainda não estava legal. Via e ouvia muita gente reclamando do nível e do futebol apresentado, o que de certa forma impedia o Campeonato de emplacar. Pois de umas cinco ou seis rodadas pra cá isso mudou. Quase que subitamente, os torcedores passaram a encher mais os estádios, os jogos ganharam uma atmosfera mais especial e, mesmo que o futebol jogado fosse o mesmo ou tenha melhorado pouco em relação ao início, a impressão passada mudou totalmente.

O Brasileirão está muito longe de ser um fenômeno técnico, ou de público, muito menos de marketing. É bem verdade que, enquanto estiver nas mãos da CBF, dificilmente haverá uma evolução que coloque nossa “Liga” entre as mais fortes do Mundo. Porém, é preciso reconhecer que passos importantes vem sendo dados. Se não pela CBF, pelos próprios clubes. Há uma pequena mudança de filosofia tática nos técnicos, os clubes estão um pouco mais preocupados com suas tais “marcas” e o torneio, assim, melhora. Pela primeira vez em muito tempo, há uma perspectiva real das coisas melhorarem. Que as próximas rodadas continuem esse processo e animem mais os responsáveis por tentar virar esse jogo.

corinthians2015Atlético Mineiro 3 x 1 São Paulo

Em três das partidas que fez fora de casa – contra Palmeiras, Atlético-PR e Sport -, o São Paulo jogava bem, de igual para igual, com o adversário. Vinha bem, apertando, pressionando, até que tomou um gol e simplesmente não conseguiu mais jogar. Perdeu os três jogos, sendo goleado em um e passando perto do vexame nos outros dois. Agora, o que aconteceu no Mineirão na quarta-feira passada foi uma coisa que, sem exagero, poucas vezes aconteceu no futebol. Foi algo que beirou o inacreditável.

O São Paulo tem um grande time e isso ficou muito claro. Em 45 minutos, o Tricolor foi absurdamente superior. Dominou completamente o jogo no Mineirão, pressionou, apertou, deixou o Galo sem ar e poderia, com um pouco de sorte, ter matado o jogo no primeiro tempo. Só que o time paulista perdeu no mínimo sete gols inacreditáveis. Só Alexandre Pato desperdiçou quatro chances claríssimas. E o gol não saiu. Pior: o São Paulo vacilou três vezes, o Atlético chegou três vezes e a bola entrou três vezes.

Se um atacante ruim não perderia os gols que o excelente Alexandre Pato perdeu, um atacante bom não faria pelo menos dois dos gols que Lucas Pratto fez. Para fazê-los, só um craque. E Pratto é. Por mais que se fale na falta de sorte do São Paulo, é inegável que ele é, hoje, o melhor homem de frente do Brasil. Em três chances, definiu o jogo. No segundo tempo, o São Paulo conseguiu descontar – não sem antes perder mais algumas chances. Mas já era muito tarde. Mais três pontos perdidos sem merecer e o título vai ficando cada vez mais longe. Já o Galo segue líder com mais sorte do que juízo.

Corinthians 3 x 0 Vasco

O Vasco não tinha muito o que fazer. Tinha que ir lá à Arena, marcar direitinho, jogar recuado e rezar para o tempo passar logo. No primeiro tempo, teve sucesso. Bem organizado defensivamente, não ofereceu muitos espaços e se aproveitou de um Corinthians fraquíssimo. O time chegava bem até o meio-campo, mas não conseguia encontrar um homem de referência na frente. Anular o Vagner Love ultimamente tem sido coisa que até o Vasco consegue, afinal de contas. Como não chutava de fora da área, o Timão não ameaçava e nada acontecia. O Vasco até ensaiava algumas saídas pro ataque, mas parecia haver uma voz que dizia: não vai, volta, calma, zero a zero é goleada.

Com a entrada de Luciano no lugar de Vagner Love, no intervalo, tudo tendia a mudar. E Vasco e Vagner Love são tão azarados que bastou um minuto e meio para o Timão encaixar uma linda jogada e abrir o placar. Daí para frente, foi só Corinthians, com um raro bom momento vascaíno após o primeiro gol corintiano. Logo em sequência, veio o gol sem querer do Gil. E, por fim, o golaço de Elias. Vitória justa do vice-líder do Brasileirão. A vantagem talvez tenha sido excessiva, mas o resultado foi até óbvio.

FOTOS-Ronaldinho-Gaucho-Fluminense-FOTOAlexandre_LANIMA20150711_0136_40Fluminense 1 x 0 Grêmio

O jogo parecia mais um amistoso para o Fluminense. Além da festa e da ocasião especial para a estreia de um novo jogador, todas as jogadas pareciam obrigatoriamente ter que passar por ele. Ele, no caso, é Ronaldinho, que até fez um bom jogo. Sem muita mobilidade, joga parado, distribuindo bolas e aproveitando a velocidade dos companheiros. Pensando a longo prazo, é uma estratégia que tende a dar certo pelas características do Tricolor carioca, embora seja algo relativamente fácil de se deter.

Fato é que o Grêmio foi para o Rio de Janeiro para esperar o Fluminense propor o jogo e, quando isso aconteceu, o Imortal não conseguiu mais reverter o quadro. O Flu dominou o meio de campo e jogou melhor. Faltava mais qualidade no passe e na finalização. No segundo tempo, o jogo caiu de qualidade, até que os donos da casa encaixaram uma jogada e mataram o jogo. O Grêmio, depois de levar o gol, enfim foi para o ataque, na base da pressão, e ainda teve uma chance incrível de empatar. Perdeu o gol e o jogo. Vitória justa do Fluminense.

Coritiba 1 x 1 Goiás

O jogo foi ruim como era de se esperar, mas foi bem mais divertido do que se supunha. Diante de um bom público no Couto Pereira, os dois times foram para frente, quase que assumindo que era jogo para fazer três pontos ou arrumar as malas para a Série B. O Goiás foi melhor na maior parte da partida, aproveitando as crateras deixadas por um Coritiba mais desorganizado do que de costume. Como pontaria não é o forte do Esmeraldino, seguiu tudo zero a zero. O Coritiba também arriscou suas saídas, mas nada muito espetacular.

No segundo tempo, o Goiás enfim conseguiu o seu gol e aí entendeu que já estava bom demais. Tentou cozinhar o jogo em banho-maria e até conseguiu. O Coritiba chegou muito menos ao ataque do que havia chego contra o Corinthians, por exemplo, mas o final foi o mesmo. Evandro empatou – dessa vez com uma pitada de sorte – e os dois times seguiram em situação para lá de difícil no Brasileirão.

Palmeiras 0 x 1 Atlético Paranaense

Quando o Atlético Paranaense anunciou Milton Mendes como técnico para o Brasileirão, eu fiquei bem preocupado. Apesar do bom trabalho na Ferroviária, ele não tinha o melhor dos currículos aqui no interior de São Paulo. E não é que ele está indo muito bem? Domingo de manhã, por exemplo, conseguiu anular completamente o excelente time do Palmeiras, que jogava em casa apoiado por sua torcida. O Palmeiras tem ótimos homens de frente e o Furacão, muito inteligentemente, tratou de não deixar a bola chegar em nenhum deles.

A ideia era fechar os espaços e isso aconteceu. Sem ter como chegar muito perto do gol, restou ao Palmeiras tentar chutar de fora da área e apelar pro jogo aéreo. Não deu certo e o zero a zero seguia no placar. No segundo tempo, não sei se o Verdão se deixou levar pela ausência do gol ou se sentiu fisicamente pelo jogo intenso que fazia. Seja lá o que tenha acontecido, o Atlético acabou crescendo no jogo, como se tivesse esperado a hora certa para atacar. De uma hora para outra, os rubro-negros passaram a controlar o jogo e o Palmeiras não sabia o que fazer. De tanto deixarem o gordinho Walter sozinho, os donos da casa sofreram o gol e não tiveram forças para buscar o empate. É o tipo de tropeço perfeitamente natural em um Campeonato longo, mas que não pode acontecer com um time que quer ser campeão e já cumpriu todas as cotas de tropeços no início da disputa.

Figueirense 3 x 1 Ponte Preta

É difícil entender como esse time da Ponte caiu tanto. O time está jogando muito mal, mas, vamos combinar: está em uma maré de azar complicada… Levar um gol daqueles que levou com quatro minutos de jogo, estando em má fase, é para acabar com a moral de qualquer um. Depois de sofrer o primeiro gol, a Ponte Preta ficou visivelmente abatida e não levou mais por sorte. No segundo tempo, conseguiu se ajeitar um pouquinho e empatou. Mas, durante toda a partida, o Figueirense jogou bem e esteve melhor, mais perto do gol. Já na reta final, achou o segundo tento e, aí, a ‘Nega Véia’ desmoronou de vez. No fim, ainda levou o terceiro e nada da crise passar.

FlagreFlamengo 2 x 2 Santos

Era um domingo bacana no Maracanã. Sol, estádio cheio, dois times grandes em campo… Faltava o bom futebol. E ele apareceu. Flamengo e Santos estão longe de momentos maravilhosos, mas tem bons times. Particularmente, achei o Santos um tanto covarde no primeiro tempo. Talvez até um pouco assustado, intimidado com o clima no Maracanã. Em todo caso, o Flamengo se animou e dominou o jogo. O Peixe tem problemas crônicos gravíssimos na defesa e não faltam espaços para quem quiser atacar. E o Flamengo precisa é de espaço. Teve e criou bastante. O gol não saía no detalhe.

Quando a demora para a bola entrar já começava a incomodar, Alan Patrick acertou um chute de fora da área e abriu o placar. E logo na sequência, Emerson Sheik marcou o segundo disparando pelo lado direito e encaminhando ainda mais a vitória flamenguista. O problema é que ele não tem mais condição de jogar 90 minutos carregando o piano. O Flamengo é excessivamente dependente dele e a queda de rendimento no segundo tempo é visível. Resultado: Santos chamado pro ataque e renascendo no jogo. Depois de diminuir no erro do adversário, o Santos se animou e empatou com um golaço de Lucas Lima. O jogo então ficou intenso, mas o Santos voltou a recuar e acabou sofrendo mais do que deveria. Haja sorte para conseguir segurar esse empate.

Internacional 0 x 0 Chapecoense

O jogo não foi lá uma maravilha, mas dava para ter saído uns golzinhos. A Chapecoense começou bem demais o jogo. Com postura surpreendente, chegou com muito perigo ao gol Colorado e, em boa parte do primeiro tempo, esteve perto de abrir o placar. Depois, o Inter melhorou e viveu seu melhor momento na partida. Mesmo de ressaca pela queda na Libertadores, jogou bem e não abriu o placar por falta de pontaria. Mas depois desse momento de empolgação, voltou a cair e viu a Chapecoense se aproximar novamente do gol. Só mesmo uma grande atuação do goleiro Alisson para evitar a vitória catarinense.

Joinville 2 x 0 Avaí

O que falta para esse time do Joinville é clássico. Depois de ter vencido o Figueirense, o JEC fez seu melhor jogo no Campeonato contra o Avaí. Não foi uma atuação de um grande time, mas foi de um time que pode sim brigar para ficar na primeira divisão. É bem verdade que o Avaí jogou muito mal e pediu para tomar os dois gols, mas durante toda a partida o Joinville foi bem. É um time que vem se organizando, fechando um pouco os espaços e tem atacado bem. Se vai chegar a ter esperanças de se manter na Série A, só o tempo dirá, mas não tem cara de quem vai dar vexame, não. Já o Avaí, vai ficando cada vez mais pra trás e, pelo menos para mim, é o único que pode dar esperanças aos hoje habitantes do Z-4.

20150705-Avaí-x-Sport-FOTO-Petra-Mafalda-5Sport 0 x 0 Cruzeiro

Não tem muito o que falar desse jogo. O Cruzeiro foi para Pernambuco para não deixar o Sport jogar e foi bem. Jogou recuado, fechou os espaços, tentou trabalhar a posse de bola e foi bem. Marcou direitinho, até tentou sair um pouquinho pro ataque, criou algumas chances, sofreu um pouquinho em alguma parte do jogo, mas controlou tudo mais ou menos como deu pra controlar. O empate também aconteceu muito por conta de um Sport pouco criativo, mais lento do que costuma ser e que teve imensa dificuldade para criar jogadas. Foi, aliás, o pior jogo da rodada. Uma decepção.

Classificação

Agora a classificação do Campeonato ficou assim.

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Público e Gols

– A rodada ultrapassou mais uma vez os 25 mil de média e elevou a média do Campeonato para 16.529, abrindo boa folga em relação aos demais anos no atual formato, considerando as 16 primeiras rodadas: 11.823 em 2006, 14.099 em 2007, 15.142 em 2008, 15.232 em 2009, 13.787 em 2010, 13.229 em 2011, 12.002 em 2012, 14.079 em 2013 e 14.439 em 2014.

– Gols, são 353 até o momento contra 338 no ano passado. Nos outros anos: 422 em 2006, 448 em 2007, 413 em 2008, 469 em 2009, 374 em 2010, 420 em 2011, 391 em 2012 e 404 em 2013.

Palpites para a 17ª rodada

Avaí x Fluminense – Sábado, 8/8, às 18h30, na Ressacada, em Florianópolis

O Avaí é um time complicado de ser batido na Ressacada. Acho que, mesmo tendo um time bem melhor, o Fluminense vai tropeçar. 2 a 1 para o Avaí.

Santos x Coritiba – Sábado, 8/8, às 21h, na Vila Belmiro, em Santos

Primeiro jogo de uma série bem tranquila que o Santos terá no Campeonato e que pode enfim afastar o time da zona de rebaixamento. Aposto em vitória tranquila. 2 a 0 para o Peixe.

Atlético Paranaense x Sport – Domingo, 9/8, às 11h, na Arena da Baixada, em Curitiba

Jogo bom e que promete ser muito equilibrado. O Sport é mais time, mas o Atlético joga em casa. Tudo pode acontecer, diria o outro. Empate em 1 a 1.

Vasco x Joinville – Domingo, 9/8, às 11h, no Maracanã, no Rio de Janeiro

Sinceramente não sei porque esse jogo vai ser no Maracanã, mas isso não importa muito. O Vasco tem um time ligeiramente melhor e, jogando em casa, deve vencer. 1 a 0 para o Vasco.

São Paulo x Corinthians – Domingo, 9/8, às 16h, no Morumbi, em São Paulo

Clássico que promete ser excelente no Morumbi. Sempre tenho dificuldades em apostar quando São Paulo e Corinthians se enfrentam e, em geral, acabo pendendo sempre para o empate. Agora, com dois grandes times e um retrospecto recente equilibrado, não vai ser diferente. Tudo igual, 1 a 1.

Cruzeiro x Palmeiras – Domingo, 9/8, às 16h, no Mineirão, em Belo Horizonte

Outro jogo equilibrado. O Cruzeiro tem sido um time bastante inconstante, mas vem melhorando e acho que pode fazer frente ao Palmeiras, que pode talvez estar em uma leve oscilação baixa nesse momento da temporada. Cruzeiro vence por 1 a 0.

Goiás x Atlético Mineiro – Domingo, 9/8, às 16h, no Serra Dourada, em Goiânia

Olha, só com muita vontade de ganhar sozinho na Loteca para apostar qualquer coisa diferente de vitória do Atlético nesse jogo. É o melhor time da Série A contra o pior. 2 a 0 para o Galo.

Ponte Preta x Flamengo – Domingo, 9/8, às 16h, no Moisés Lucarelli, em Campinas

Trocar de técnico sempre dá um gás, mesmo que seja de Guto Ferreira para Doriva. A Ponte em breve deve voltar a vencer e acho que domingo começa a ensaiar uma reação. 2 a 1 para a Macaca.

Grêmio x Internacional – Domingo, 9/8, às 18h30, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre

Clássico Gre-Nal tem sido sinônimo de empate. O Internacional é mais time, mas o Grêmio tem jogado mais. Com certeza vai ser um jogo tenso, amarrado, com os dois times mais preocupados em não perder do que em ganhar. Tudo igual, 1 a 1.

Chapecoense x Figueirense – Domingo, 9/8, às 18h30, na Arena Condá, em Chapecó

Os clássicos catarinenses não andam seguindo muito a lógica, mas tudo sugere que a Chapecoense, com time melhor, fase melhor e jogando em casa, leve vantagem. 2 a 0 para os donos da casa.

Simulador

Simulador com poucas diferenças em relação ao da última rodada.

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