Nem vou usar o resultado de ontem como argumento porque seria um tanto injusto da minha parte. O Flamengo perdeu, como poderia ter ganho e o placar é algo subjetivo demais. Fato é, contudo, que, independentemente de qualquer coisa, ver o Mengão jogar em Brasília, ainda mais lutando por G-4, é terrível.
O torcedor de Brasília merece ver o time. E fez bonito. Lotou o estádio, criou um mar rubro-negro e tudo mais. Mas é um absurdo um time, em troca de alguns milhões de reais, abrir mão de seu estádio. Em outros países, essa ideia é tão surreal que nem entra em pauta. O Tottenham pediu para usar dois campos na Premier League 2015/16 e isso foi prontamente negado.
Prejudica o espetáculo, prejudica o clima, o ambiente. Clubes de futebol devem sim ser administrados como empresas, mas com uma diferença: a empresa visa ao lucro; o time, às vitórias.
O dinheiro é fim para uma empresa e meio para um time. É o meio de alcançar as vitórias. E todo mundo tem que batalhar por essa grana, desde que não cause um prejuízo técnico. Você vai atrás de dinheiro para montar um bom time. Monta e depois tira o jogo do Rio, prejudicando esse mesmo time. Não faz sentido. Os torcedores das praças sem times na Série A podem e devem ser contemplados com amistosos. Em jogos oficiais, o palco tem que ser um só.
Joinville 1 x 1 Sport
Não chega a ser um resultado injusto, mas o Joinville mais uma vez desperdiçou pontos em um jogo em que foi melhor. O time mais uma vez soube usar o fator casa para propor bem o jogo, controlar a posse de bola em seu campo de ataque e impedir as jogadas em velocidades do Sport que, por sua vez, marcou muito corretamente no primeiro tempo.
O resultado foi que, nos 45 minutos iniciais, pouca coisa aconteceu. Com um Sport um pouco mais sonolento no final da primeira etapa, o time da casa encontrou os espaços necessários para criar jogadas e, assim, chegou ao gol. O segundo tempo foi mais aberto, com as chances saindo lá e cá, embora o JEC estivesse mais atuante no ataque. Um descuido quase primário já nos acréscimos, todavia, permitiu ao Sport conquistar mais um ponto e complicou de vez o Joinville que, pela quantidade de pontos desperdiçados ao longo do Brasileirão, está em situação quase irreversível.
Fluminense 1 x 4 Palmeiras
Quando a fase não é boa, as coisas definitivamente não funcionam. O Fluminense, mesmo imerso em uma má fase impressionante, fez um ótimo primeiro tempo. Intenso, ofensivo, de marcação forte e que não deixou o Palmeiras respirar. Os problemas enfrentados pelo time estavam mais ligados ao nervosismo que a qualquer outra coisa. A pressão por vencer deixa a bola mais pesada e as decisões muitas vezes não são as melhores.
Mesmo assim, o Flu abriu a contagem com um bonito chute de Jean, fazendo justiça ao que havia feito ante um Palmeiras apático, sem brilho. No segundo tempo, mesmo com uma melhora dos paulistas, o Tricolor seguia com o jogo aparentemente controlado e inclusive teve um pênalti a seu favor. Era a chance de matar o jogo. Mas Fred, que tanto se desentendeu com a torcida durante a semana, chutou para fora. Foi como se o jogo tivesse mudado fulminantemente.
A partir daí, virou passeio. Jogo de um time só. Barrios empatou e, depois, Gabriel Jesus, em um cochilo de Marcos Júnior, virou. O que era pra ser uma derrota traumática virou uma goleada nos minutos finais com mais dois gols do paraguaio Barrios. O terceiro, aliás, em mais uma bobagem tremenda do sistema defensivo carioca. No fim das contas, quem diria, seria melhor não ter tido o pênalti.
Goiás 1 x 2 Ponte Preta
Jogo muito bom da Ponte Preta, fazendo o que poucos times fizeram no Serra Dourada: controlando o jogo e ditando o ritmo da partida. Mesmo sem o brilhantismo do começo do Campeonato, a Macaca recuperou um pouco a consistência tática, a velocidade e os resultados voltaram a aparecer.
O primeiro gol, pela boa troca de passes, lembrou muito aquela Ponte das primeiras rodadas. Depois, veio aquela Ponte sonolenta, triste, burocrática, que acabou levando o empate. Empate este que, diga-se, despertou o time, que mesmo um pouco intenso, conseguiu no fim do jogo marcar o gol de uma justa vitória.
Figueirense 0 x 1 Avaí
Embora não se compare com a piscina formada na Ressacada para o primeiro turno, o clássico foi mais uma vez prejudicado tecnicamente pela chuva. Além do mais, Figueirense e Avaí, longe de viverem momentos brilhantes, tiveram problemas de criação e, no gramado molhado, pouco fizeram.
Vendo o VT, fiquei com a sensação de que o Avaí esteve o tempo todo mais ligado no jogo. Criou a maior parte das grandes chances do jogo e enfrentou um rival que mais uma vez se apresentou sem qualquer consistência tática.
Foi um jogo típico de 0 a 0, mas o Avaí conseguiu a vitória com um gol no segundo tempo, levando o rival ao desespero no final da partida. Vitória importante em um jogo de seis pontos que acende de vez o alerta vermelho no Furacão.
Atlético Paranaense 1 x 2 Grêmio
A tal atmosfera da Arena da Baixada fez falta. Não exatamente pelo Furacão, porque esse fez uma atuação em sua média. Mas o Grêmio parece ter ficado muito mais a vontade sem o caldeirão formado pela torcida rubro-negra.
Foi uma partida muito equilibrada, sobretudo no primeiro tempo. Os dois times jogaram pra frente, tentando controlar o meio de campo e alternaram bons e maus momentos. Com a partida em aberto, venceu quem falhou menos. No caso, o Grêmio, que aproveitou duas crateras no sistema defensivo adversário para fazer 2 a 0, dificultando muito a missão paranaense. O Atlético ainda descontaria no fim e ensaiaria uma pressão, mas já era tarde demais. Boa vitória do Grêmio, que pelo menos volta a sonhar com o título. O Furacão tem o consolo da rodada ruim para os líderes e a tristeza de não tê-la aproveitado.
Internacional 2 x 1 Corinthians
Tecnicamente não foi um jogo maravilhoso, mas foi divertido. O Inter começou massacrando o Corinthians. Em dez minutos, dois chutes a gol e um pênalti ignorado. O Corinthians mal tinha passado do meio de campo quando contou com um desvio de Paulão para abrir o placar.
O gol claramente destruiu o Inter, que viveu seu momento mais complicado no jogo. O Corinthians conseguiu dominar o jogo e ditar seu ritmo, mas sofreu um golpe parecido com os que aplica na Arena. Mal no jogo, o Inter aproveitou uma pane na zaga alvinegra para empatar. Os minutos finais do primeiro tempo foram de boas chances para os dois lados e o Corinthians também teve um pênalti ignorado.
No segundo tempo, o Inter esteve melhor depois de alguns minutos de bom futebol do Corinthians. Naturalmente, criou boas chances e virou o jogo com um golaço de Valdívia após linda jogada de Paulão. O Corinthians, sem forças e com um ataque ruim, pouco pôde fazer. Perdeu após 17 jogos e continua com uma vantagem segura. Nada fora do planejamento. Pro Inter, claro, é a alegria completa e absoluta de enfim entrar na briga pelo G-4.
Santos 4 x 0 Atlético Mineiro
Que passeio! O Santos fez um primeiro tempo até que fraco. Não encontrou um Atlético muito propositivo e teve dificuldades para furar uma defesa bem postada. Só mesmo o talento do sensacional Gabigol para colocar o Peixe em vantagem.
Na segunda etapa, o Galo cometeu um suicídio que já havia tentado contra o Cruzeiro. Se lançou desesperadamente para o ataque antes da hora e deixou seu setor defensivo aberto. Aí, amigo, esse ataque do Santos não perdoa. Logo veio o segundo gol em um contra-ataque fulminante e os mineiros meio que jogaram a toalha. Com o jogo novamente sob controle, o Santos chegou ao terceiro e, por fim, ao quarto, comprovando a ótima fase e jogando um balde de água fria no Atlético, que poderia ter reduzido a diferença para o Corinthians. Não reduziu e ainda viu o Grêmio se aproximar muito.
Cruzeiro 2 x 2 Vasco
Depois de três bons jogos, o Cruzeiro fez seu primeiro jogo ruim sob o comando de Mano Menezes. Embora o Vasco de fato esteja melhorando e jogando bem, o domínio cruzmaltino só aconteceu porque o Cruzeiro jogou muito mal. Não se impôs, errou muito e foi surpreendido.
O Vasco já vinha muito bem no jogo quando fez 1 a 0. Depois, bobeou duas vezes em 10 minutos e acabou levando a virada. Foram esses os únicos bons minutos do Cruzeiro. Depois, os cariocas dominaram. Mesmo com a deficiência técnica, criaram, perderam gols, tiveram um pênalti ignorado e empataram na marra no fim do jogo. Um ponto que não faz muita diferença para a tabela, mas que ao menos mantém viva a esperança.
São Paulo 0 x 0 Chapecoense
Jogo horroroso. O São Paulo, que tudo tinha para viver uma rodada perfeita, repetiu o filme de 2014 e não conseguiu superar a excelente Chapecoense. Guto Ferreira mal chegou e já deu um show ao armar o time de maneira perfeita em termos defensivos. Tanto que a maioria das chances dos donos da casa surgiram de erros bobos individuais.
O São Paulo, de futebol tão criativo e intenso em Porto Alegre, foi burocrático, comum. O tempo passou e, para repetir 2014 mesmo, faltou só o gol catarinense. Não veio, mas a sensação de derrota, apesar da entrada no G-4, foi a mesma. Osorio preferiu reclamar da torcida, o que mais uma vez me leva a pensar: “ah, se fosse o Luxemburgo…”.
Flamengo 0 x 2 Coritiba
O Flamengo pagou um preço altíssimo por 15 minutos de coma profundo. O preço comum em casos assim é o jogo ficar chato, a torcida chiar um pouco e nada de mais interessante acontecer. Mas o Fla, azarado, cochilou contra um Coritiba ligado no 220V. Foi fatal. Desde o primeiro minuto, o Coxa foi pro ataque como quem enfrentasse o lanterna (aliás, quando enfrentou o lanterna foi bem mais tímido – ê diferença que faz o Maracanã…). Fez 2 a 0 em duas bobagens (um pênalti e uma pane geral da zaga misturada a uma falha do goleiro Paulo Victor) do Flamengo e pôde esticar um pouco as pernas.
A partir daí, o time “da casa” até assumiu o controle do jogo, mas foram 75 minutos de latifúndio da posse de bola. Ela estava com o Flamengo, mas ele nada fazia com ela. Tocava, tocava, tocava… E nada. Quando conseguia chutar, errava o alvo. A torcida, que começou empolgada, murchou. E o Coritiba, que se deu ao luxo até de perder ótimas chances, venceu com alguma tranquilidade, freando a arrancada rubro-negra e acabando com essa palhaçada de que o time pode lutar pelo título. Não dá pra desafiar a matemática.
Classificação
Agora está assim a classificação do Brasileirão.
Público e Gols
– O jogo no Mané Garrincha salvou a média de público da rodada. O que era para ser uma catástrofe ficou bom, inclusive elevando um pouco a média do Campeonato para 17.104 torcedores. Eis o comparativo com os demais anos: 11.740 em 2006, 14.978 em 2007, 15.433 em 2008, 16.001 em 2009, 13.745 em 2010, 13.896 em 2011, 12.106 em 2012, 14.316 em 2013 e 15.472 em 2014.
– Foi uma rodada bem acima da média em gols (2,7 a aproximadamente 2,2) e, agora, temos 594 tentos marcados no Brasileirão. Ao final de 26 rodadas, tínhamos 685 em 2006, 719 em 2007, 667 em 2008, 745 em 2009, 656 em 2010, 697 em 2011, 643 em 2012, 652 em 2013 e 575 em 2014.
Palpites para a 27ª rodada
Internacional x Figueirense – Sábado, 19/9, às 18h30, no Beira-Rio, em Porto Alegre
O Inter vem embalado, joga em casa, pega um time em crise. Cenário perfeito para mais uma vitória. 3 a 0 para o Colorado.
Palmeiras x Grêmio – Sábado, 19/9, às 18h30, no Pacaembu, em São Paulo
“Desfalcado” do Allianz Parque, o Palmeiras terá uma atmosfera diferente contra um time em melhor fase. Jogo difícil de palpitar, prefiro ficar em cima do muro. Empate em 1 a 1.
Ponte Preta x Fluminense – Sábado, 19/9, às 21h, no Moisés Lucarelli, em Campinas
Jogo típico para aprofundar a crise do Fluminense e confirmar o bom momento da Macaca. Ainda acho que não será a hora do “fato novo” criado com a saída de Enderson surtir efeito. Ponte vence por 2 a 1.
Goiás x Joinville – Domingo, 20/9, às 11h, no Serra Dourada, em Goiânia
Eu não tenho palavras para descrever o tamanho do absurdo que é a CBF marcar um jogo para as 11 da manhã em Goiânia. Ainda mais para o Joinville, que já jogou no horário uma vez no Rio, uma em Santos, uma em São Paulo e ainda jogará mais uma no Rio e uma em Santa Catarina. O fator calor sem dúvida pesará a favor do Goiás. 2 a 0 para o Esmeraldino.
Corinthians x Santos – Domingo, 20/9, às 11h, na Arena Corinthians, em São Paulo
O grande jogo da rodada, também muito prejudicado pelo horário. Apesar da melhor fase do Santos, o Corinthians tem um time mais sólido e joga em casa. Fecho com ele. 2 a 0 para o Timão.
Atlético Mineiro x Flamengo – Domingo, 20/9, às 16h, no Independência, em Belo Horizonte
Outro jogão. Não é nem por ter perdido para o Coritiba, mas acho que o Flamengo, apesar da excelente fase, ainda não tem bola pra segurar o Galo em Minas. Vitória dos donos da casa por 2 a 0.
Avaí x São Paulo – Domingo, 20/9, às 16h, na Ressacada, em Florianópolis
Esse São Paulo é tão imprevisível que está se tornando previsível saber onde vai tropeçar. Esse jogo, por exemplo, tem toda cara de mais um empatinho sem vergonha. Empate em 1 a 1.
Vasco x Sport – Domingo, 20/9, às 16h, no Maracanã, no Rio de Janeiro
Com a torcida do Vasco apoiando e o Sport ainda baqueado pela perda do técnico, o cenário para uma vitória cruzmaltina está armado. Mas desconfio que vai ser um jogo para mais uma vez mostrar que a Série B é o caminho. Empate em 1 a 1.
Chapecoense x Cruzeiro – Domingo, 20/9, às 18h30, na Arena Condá, em Chapecó
Mais uma vitória típica da Chapecoense. Aquele jogo bem armado, tático, que encurrala o adversário. O Cruzeiro, ainda em formação, não deve resistir. 1 a 0 para a Chape.
Coritiba x Atlético Paranaense – Domingo, 20/9, às 18h30, no Couto Pereira, em Curitiba
Clássico dos bons com os dois times buscando algo na tabela. Nesses casos, prefiro sempre ir no empate. Tudo igual, 2 a 2.
Simulador
Com os meus palpites para as 12 rodadas finais, ficaremos assim.
Fotos: UOL e Globoesporte.com