Semana passada eu disse aqui que achava muito difícil que o Grêmio brigasse pelo título brasileiro. E não, não foi uma vitória suada sobre o Goiás em sua Arena que me fez mudar de ideia. Para mim, a distância de seis pontos com um confronto direto fora de casa em relação ao líder Corinthians não é coisa simples de ser tirada. Desse modo, não vejo o Imortal na briga pela taça.
Mas a coisa não é tão simples assim. O Grêmio, como eu disse, tem seis pontos de desvantagem para o Corinthians e joga com o Timão em São Paulo. Se esse jogo fosse daqui um mês, eu cravaria com certa segurança que o time de Roger Machado está fora. São dois times tecnicamente parecidos, mas o Corinthians tem sido mais regular, mais frio, de modo que tende a aumentar a diferença a longo prazo. A menos…
A menos que o Grêmio vença seu jogo de quarta. O confronto direto entre as duas equipes é justamente hoje, quarta-feira. Ou seja: se vencer, o que é difícil, mas perfeitamente possível, o Grêmio corta para três pontos a diferença e aí ficam Corinthians, Atlético e Grêmio praticamente no mesmo barco. O jogo de quarta é fundamental para o Corinthians, pois joga em casa. Para o Grêmio, porém, é mais que isso. É final de Copa do Mundo. Que até a pé para o que der e vier o seu torcedor irá ao seu lado, todos sabem. A dúvida, que talvez seja respondida em 90 minutos na Arena Corinthians, é até onde pode ir o Imortal nesse Brasileirão.
Vasco 1 x 2 Atlético Mineiro
Depois de levar um chocolate de 6 a 0 que foi humilhante demais até para o nível desse time do Vasco, o cruzmaltino perdeu um jogo sem muitos mistérios. Perdeu em casa para o vice-líder, jogando mal, perdendo gol, com erros bobos e muito nervosismo. Nada que possa ser considerado surpreendente. O time da casa (por mera questão de tabela, pois o estádio estava meio a meio, com os quase 8 mil pagantes bem divididos) começou tentando propor o jogo, mas resvalando em limitações técnicas graves. O time melhorou com a entrada de Diguinho, mas ainda cria pouco.
O Atlético Mineiro, como vem sendo a tônica desde o empate contra o Goiás (com uma única exceção no jogo contra o Fluminense), não jogou bem. O time tem falhado muito defensivamente, tem permitido que o adversário crie e tem perdido terreno no meio campo. No sábado, precisou de apenas um ataque mais rápido para conseguir um pênalti infantil e abrir o placar. Surpreendentemente, o Vasco não teve uma queda moral muito grande e continuou no ataque, mas perdeu chances claras demais.
Melhor e mais eficiente, o Galo chegou ao segundo gol com naturalidade e praticamente definiu o jogo. O Vasco descontaria com um pênalti no segundo tempo, mas foi tarde demais. O rebaixamento já é questão de tempo. O Atlético diminui a diferença em relação a última rodada, mas ainda está cinco pontos atrás do Corinthians. No fim das contas, acabou fazendo não mais que sua obrigação.
São Paulo 2 x 0 Internacional
Outra vitória bastante trivial. Quando joga organizado e com seus jogadores de criação bem dispostos o São Paulo é um dos grandes times do Brasil. Quando enfrenta, em casa, um time ainda irregular e que parece não ter superado totalmente o mês e meio ruim que jogou sua temporada no lixo, é natural que vença. E venceu com uma certa superioridade. O Internacional veio para São Paulo com um time um tanto desorganizado taticamente, apostando muito na velocidade e no jogo individual. Com isso, deu campo para o Tricolor trabalhar.
O São Paulo contou com mais uma boa atuação de Paulo Henrique Ganso, que vem dando outra cara para a equipe. O estreante Rogério, vindo do Vitória, se apresentou muito esforçado e movimentou bem o ataque. Foi ele mesmo quem abriu o placar, de cabeça, após uma boa jogada pela direita, quando o Inter já praticamente não assustava. Depois, foi só continuar dominando o jogo até Michel Bastos, outro que vem melhorando, definir de vez a parada.
Atlético Paranaense 0 x 0 Joinville
O jogo não foi tão ruim quanto o resultado pode sugerir. A sensação de derrota para o Furacão, depois de tão bom resultado contra o Galo e tendo dois jogadores a mais, é inevitável, mas foi uma pelada até que animada. O Atlético foi melhor em boa parte do jogo, mas não conseguiu criar muito bem. O Joinville marcou bem, quando esteve em desvantagem numérica soube se portar bem em campo, mas dava pro time da casa ter vencido. Walter perdeu uma chance inacreditável nos minutos finais, aliás.
Chapecoense 0 x 0 Ponte Preta
Também não foi um jogo muito ruim. A Chapecoense começou bem, se aproveitando de uma Ponte Preta sonolenta e desorganizada. Criou pouco para o time que tem, ainda mais se tratando da Arena Condá, mas ainda assim teve algumas boas chances. Da metade do primeiro tempo para o fim do jogo, a Macaca se acertou e foi melhor. Primeiro se organizou defensivamente, recuperou a posse de bola e depois acelerou um pouco mais o jogo. No geral, foi uma partida decepcionante pelos dois elencos, e que deixa muitas dúvidas quanto ao futuro de ambos.
Que atropelamento. Não acho que seja dedo de Mano Menezes, mas não dá para não citar o treinador. Ele fez alguma coisa do básico, que foi escalar direito o time e deu certo. Willian, por exemplo, vinha esquentando banco sabe lá o Luxemburgo por qual motivo. Entrou e marcou quatro vezes. O Figueirense jogou muito mal, apático, atônito, sonolento, tudo bem. Mas o Cruzeiro fez, com certa folga, seu melhor jogo desde a vitória sobre o River Plate em Buenos Aires.
Os cinco gols saíram com uma naturalidades espantosa. Os vacilos do Figueirense não foram perdoados e, com a torcida jogando junto, a Raposa brilhou. Foram cinco, mas poderiam ter sido pelo menos sete, já que Vinicius Araújo, autor do gol que não foi de Willian, perdeu duas chances claríssimas. O gol do Figueira saiu justamente em um raro momento de descuido do time da casa, quando o jogo ainda estava 3 a 0. Vitória brilhante do Cruzeiro, que agora tenta pelo menos fazer um Campeonato sem muitos sustos.
Grêmio 2 x 1 Goiás
O primeiro tempo do Grêmio foi um negócio pavoroso. Faça-se justiça, os jogos recentes vem sugerindo que a atuação do Goiás contra o Atlético Paranaense foi um ponto tão fora da curva quanto a atuação contra o Vasco. O time segue sendo ruim, mas é muito bem organizado em campo e sabe explorar as adversidades alheias. Quando joga fora de casa, joga com o fator tempo. Deixa o adversário nervoso quando os minutos vão passando e as jogadas não saem. O Grêmio claramente rodava a bola procurando um espaço que não vinha. Quando veio, teve um pênalti e perdeu.
E o Goiás, ao contrário de outros times ruins desse Brasileirão, não desperdiça muitas chances. No primeiro tempo, aproveitou a que teve e abriu o placar. No segundo tempo, porém, o Grêmio voltou com outra postura. Teve sorte de empatar rápido e diminuir um pouco a pressão da batalha contra o relógio. Com mais calma e acertando mais as jogadas, chegou a virada porque tem mais time e porque o Esmeraldino não conseguiu se segurar. Vitória importante antes da decisão de quarta-feira.
Palmeiras 3 x 3 Corinthians
Que jogaço! Só não foi o melhor jogo do ano porque os dois times erraram muito na defesa, mas foi um jogo espetacular. Os dois times propuseram um jogo bastante ofensivo. Tite, tão criticado por ser retranqueiro, abandonou nesse 2015 a filosofia defensiva. O Corinthians raramente joga recuado (quando não ataca, é por incapacidade). Desde os primeiros minutos, o jogo era bola-lá-bola-cá. O gol do Palmeiras, por exemplo, começa em um gol inacreditável perdido por Malcon e Vagner Love. No contra-ataque, a sorte esteve do lado do Verdão (muito embora a Avenida deixada pelo Timão no lado direito tenha ajudado) e o placar foi aberto.
Fosse o Corinthians um time lento, fraco, desanimado, talvez o jogo terminasse 1 a 0. Ou 1 a 1. Ou talvez 2 a 0. Mas foi a resposta rápida do Corinthians, em ótima jogada pela esquerda culminando em um belo gol de Guilherme Arana, que incendiou o jogo. Os dois times seguiram se lançando ao ataque até que Ralf falhasse e Gil falhasse em dobro e Robinho marcasse o segundo gol. O Corinthians foi novamente atrás e conseguiu o empate com o azar de Amaral. O palmeirense chutou a bola com o pé esquerda na perna direita e ela entrou.
O jogo aéreo do Corinthians tem feito inveja às trapalhadas defensivas do Flamengo. Cada bola na área de Cássio é um “ai Jesus”. Foi assim que o Palmeiras fez o terceiro, com Dudu inteiramente livre após três jogadores do Corinthians terem saído de suas posições e três palmeirenses terem aparecido livres. Diga-se de passagem, vi falta de Arouca em Vagner Love no lance, mas nada escandaloso.
No segundo tempo, o jogo foi outro. O Corinthians, com a saída de Marciel para a entrada de Cristian, perdeu completamente o meio-campo e o Palmeiras dominou inteiramente o jogo. Não matou o clássico por incompetência e abriu margem para Tite concertar o time com as entradas de Rildo e Danilo no lugar de Malcon e Ralf. Foi Rildo quem disparou pela esquerda (coisa que o time não conseguia mais fazer no jogo) e sofreu a falta que terminaria no gol acidental de Vagner Love, que balançou as redes depois de tomar uma bolada. Foi 3 a 3 e ainda teve tempo para os dois goleiros fazerem grandes defesas. Prass pegou duas absurdas (ambas quando o Palmeiras vencia por um gol – 1 a 0 e 3 a 2) e Cássio fez um milagre no último lance do jogo. O Palmeiras foi melhor, mas ninguém mereceu perder.
Fluminense 1 x 3 Flamengo
Vitória soberba do Mengão. Começou esquisita, tudo bem, já que o gol do Flamengo nasceu de um toque com o braço de Wallace tão claro, mas tão claro, que não precisou nem de replay, zoom, congelamento de imagem e coisas do tipo para ser identificado. Não deu nem tempo do Fluminense reclamar muito porque alguns minutos depois o lado direito virou uma enorme Avenida pronta para que o rival abrisse 2 a 0. O jogo apontava para um sacode daqueles históricos, mas o Fla não manteve o ritmo e se contentou com a facilidade absurda que encontrou para impedir o Flu de incomodar – o primeiro chute a gol só veio aos 46 do primeiro tempo.
Na segunda etapa, o Mengão mais uma vez teve muitas dificuldades com uma queda brusca de rendimento. O Fluminense ganhou muito espaço para jogar e as chances foram aparecendo. Naturalmente, estava na cara, veio o desconto que poderia mudar o rumo da partida. Mas o gol serviu apenas para animar de novo o Flamengo, que, sem muito esforço, conseguiu marcar o terceiro e definir de vez a parada. Hoje, quem manda no Rio é o Mengão. Melhor time do Estado com certa folga.
Avaí 0 x 2 Coritiba
O Coritiba jogou por um empate para lá de útil por um bom tempo. Ficou lá, recuado, fechadinho, tentando brecar o Avaí. Só que o Avaí jogou tão mal, tão mal, criou tão pouco, tão pouco, que convenceu o Coritiba de que dava pra conseguir coisa melhor. Ao meu ver, o jogo teve dois lances estranhos, onde talvez o Avaí tenha sofrido pênalti. Mas, ainda assim, o gramado encharcado e em péssimo estado prejudicou o jogo e o time da casa pouco fez. O Coritiba, assim que se lançou ao ataque, aproveitou dois vacilos defensivos da zaga adversária para marcar os dois gols que lhe tirou do Z-4. O Avaí, por sua vez, entrou nele. E vai ser difícil de sair.
Sport 1 x 1 Santos
Jogo morno, chato… O Sport meio que deu de ombros pro Campeonato, o Santos sentiu a sequência de jogos em alta intensidade e ambos fizeram muito pouco. O Santos abriu o placar em um gol absolutamente irregular e aí o Leão deu uma pequena despertada. Empatou em uma falha na zaga rival e controlou a maior parte do jogo a partir dali. Não fez muito, mas esteve mais perto de vencer e perdeu algumas boas chances. O Santos ainda sai com um ponto importante para o jogo ruim que fez. Sem crise, mas que eu esperava bem mais, esperava.
Classificação
A 15 rodadas do fim, assim está o Brasileirão.
Público e Gols
– Apesar dos quatro jogos abaixo dos 10 mil pagantes, a rodada foi boa em termos de público e elevou a média geral do Brasileirão para 17.103 torcedores. Eis o comparativo com os demais anos: 11.790 em 2006, 14.817 em 2007, 15.280 em 2008, 15.486 em 2009, 13.905 em 2010, 13.663 em 2011, 11.934 em 2012, 14.193 em 2013 e 15.264 em 2014.
– Apesar de dois zero a zeros, a rodada foi até que boa em termos de gols, de modo que chegamos a 526 no Brasileirão. Nas 24 primeiras rodadas, foram 614 gols em 2006, 636 em 2007, 586 em 2008, 665 em 2009, 559 em 2010, 625 em 2011, 573 em 2012, 571 em 2013 e 501 em 2014.
Palpites para a 24ª rodada
Ponte Preta x Vasco – Quarta-feira, 9/9, às 19h30, no Moisés Lucarelli, em Campinas
Apostar nessa Ponte Preta sonolenta e irregular não tem sido fácil, mas apostar no Vasco tem sido impossível. Tudo leva a crer que a Macaca vencerá. Ponte 2 a 1.
Atlético Mineiro x Avaí – Quarta-feira, 9/9, às 19h30, no Independência, em Belo Horizonte
Mesmo sem vir jogando muito bem, o Atlético Mineiro tem tudo para vencer com certa tranquilidade e jogar ainda mais pressão nos dois rivais diretos na briga pelo título. 3 a 0 para o Galo.
Internacional x Palmeiras – Quarta-feira, 9/9, às 19h30, no Beira-Rio, em Porto Alegre
Jogaço. O Palmeiras vive uma fase complicada e precisa reagir, ao passo que o Colorado corre contra o tempo para ainda brigar por alguma coisa. Na dúvida, vou de empate. Tudo igual, 1 a 1.
Joinville x Chapecoense – Quarta-feira, 9/9, às 21h, na Arena Joinville, em Joinville
Clássico dos mais interessantes entre um time desesperado e um que precisa retomar rápido seu bom futebol. Jogo com cara de empate. Tudo igual, 1 a 1.
Figueirense x Atlético Paranaense – Quarta-feira, 9/9, às 21h, no Orlando Scarpelli, em Florianópolis
O Atlético tem mais time e vive um momento melhor, mas os momentos interessantes do Figueirense vem sendo, em sua maioria, em casa. O time é muito irregular e, depois de um jogo tão ruim, sou levado a crer que irá bem. 2 a 0 para o Figueira.
Corinthians x Grêmio – Quarta-feira, 9/9, às 22h, na Arena Corinthians, em São Paulo
O grande jogo da rodada. Mais do que isso, o grande jogo do Campeonato até o momento. Por ter mais frieza e jogar em casa, aposto no Corinthians, mas é jogo para ir no triplo da Loteca sem medo de ser feliz. Corinthians vence por 2 a 1.
Santos x São Paulo – Quarta-feira, 9/9, às 22h, na Vila Belmiro, em Santos
Outro grande jogo. Aliás, só tem jogo equilibrado nessa rodada. A Vila Belmiro tem feito diferença e acho que o Santos tem mais a explorar as falhas do São Paulo do que o contrário. Mas também é uma aposta sem muita convicção. Peixe 3 a 1.
Coritiba x Fluminense – Quarta-feira, 9/9, às 22h, no Couto Pereira, em Curitiba
A aposta mais segura é que será um jogo ruim toda vida. Não consigo ver o Fluminense perdendo cinco jogos seguidos, embora esse seja meu pressentimento. Vou de empate. Empate em 1 a 1.
Goiás x Sport – Quinta-feira, 10/9, às 19h30, no Serra Dourada, em Goiânia
Fosse um mês atrás eu cravaria vitória do Sport sem medo de ser feliz. Hoje, fico na dúvida. Por puro achismo, mantenho a aposta. Vitória rubro-negra por 1 a 0.
Flamengo x Cruzeiro – Quinta-feira, 10/9, as 21h, no Maracanã, no Rio de Janeiro
O Flamengo já embalou. Agora é correr atrás do G-4. O Maraca deve estar cheio, do jeito que a torcida gosta e o time vem em fase muito melhor que a do Cruzeiro. Qualquer resultado que não uma vitória será uma grande decepção. 2 a 0 para o Mengão.
Simulador
Pela primeira vez no simulador aponto o Corinthians campeão com alguma folga. A frieza desse time não cansa de me impressionar.