Passadas 21 rodadas do Brasileirão, seria um excesso de precaução não apontar os times que brigam nas mais diversas faixas do Brasileirão. É óbvio que, como cada time ainda tem 17 partidas para fazer, estamos todos abertos a surpresas. Exemplos de “cavalos paraguaios” não faltam (Palmeiras de 2009 é o que me vem a mente de imediato), bem como de times que arrancaram rumo ao título (São Paulo em 2008 e Flamengo em 2009). Tem também os que se salvaram do rebaixamento por um milagre (Fluminense em 2009) e aqueles que não estiveram tão ameaçados e caíram (a própria Portuguesa em 2013, embora o Fluminense, caso tivesse caído, fosse o exemplo mais nítido).

Porém, agora já dá para dividir os times em grupos sem que as coisas pareçam meio jogadas ao léu. Não me parece possível que a briga pelo rebaixamento se alongue além dos sete últimos colocados. Pelo bom time que tem, a Ponte Preta não deve correr riscos. Em geral, o Figueirense também não correria, mas por ser muito irregular, deve brigar para permanecer junto com Cruzeiro, Avaí, Goiás, Coritiba, Joinville e, por enquanto, o Vasco. Falando na Ponte, sou levado a crer que a Macaca e a Chapecoense são as primeiras a entrar na turma do “feliz 2016”.

A briga por G-4 é a mais legal. Ainda aposto em uma arrancada interessante do Internacional. Santos e Flamengo mostraram no fim de semana que vão brigar firme junto de Sport, Fluminense, Atlético-PR, São Paulo e… Grêmio. É aí que eu quero chegar. Depois de empatar em casa com o Coritiba, o Imortal ficou a oito pontos do líder Corinthians. Se tivesse um time acima da média, daria para sonhar. Mas é, sendo bastante benevolente, do mesmo nível dos dois primeiros colocados. Assim sendo, me parece difícil (note, leitor: difícil, não impossível) que brigue pela taça.

A disputa pelo título, portanto, parece se resumir a Corinthians e Atlético Mineiro. A vantagem dos paulistas é boa e o futebol jogado vem chamando a atenção positivamente, mas há uma sequência muito difícil para o líder do Brasileirão. Sequência que já começou domingo, mas que se alonga por jogos difíceis em casa (Fluminense, Grêmio, Santos, Flamengo…) e pedreiras fora (Palmeiras, Internacional, Ponte Preta, Atlético Paranaense, o próprio Atlético Mineiro…). Esses jogos devem equilibrar as coisas e a briga será intensa. A única coisa que me parece certa é que, ao final do Campeonato, devemos ter uma festa em preto e branco.

alx_vasco-riascos-cortadas_originalVasco 0 x 1 Figueirense

Vou falar… O caso do Vasco deixou de ser “só” incompetência há muito tempo. Eu não me lembro de ter visto, nos últimos anos, um time tão azarado. O Vasco não jogou mal, não. É que o Figueirense tem um time melhor, mais organizado, mais técnico, mas mesmo assim o cruzmaltino foi bem. Na maior parte do jogo, esteve mais perto do gol que o Figueira, que teve no goleiro Alex Muralha o seu grande trunfo. O Figueirense criou boas jogadas, apostando quase sempre no talento de Clayton, mas não fez um jogo dos mais brilhantes. O tempo foi passando e a sensação de que os cariocas perderiam mais dois pontos incomodava… Até que o Guiñazu não conseguiu correr para chegar em uma bola e Marcão mandou pro gol – sem direito a nova saída… De maneira impressionante, o Vasco conseguiu perder mais uma.

São Paulo 3 x 0 Ponte Preta

Ainda falta muito para o ideal: mas o São Paulo, façamos justiça, voltou a jogar bem como não jogava há tempos. Enfrentando o bom time da Ponte Preta, o Tricolor começou a partida muito bem. Ganso estava surpreendentemente participativo, embora o destaque mesmo tenha ficado por conta de uma boa atuação de Michel Bastos, coisa que há muito tempo não acontecia. Alexandre Pato foi outro que jogou muito bem. Depois de fazer o gol, o time da casa viveu um momento complicado no jogo, com a Ponte Preta atacando muito bem e chegando com perigo.

À parte os espaços excessivos na zaga, o São Paulo se virou bem e contou com a colaboração do assistente que não viu Paulo Henrique Ganso em impedimento no lance do segundo gol. Depois, a Ponte sofreu um claro abatimento e até o colombiano Wilder Guisao pôde marcar o seu primeiro gol com a camisa do São Paulo. Vitória tranquila, importante, para recolocar a cabeça no lugar e voltar de vez a brigar por G-4. Título, pela distância para o líder, não vai dar. Mas o G-4 é bem possível.

Grêmio 0 x 0 Coritiba

O Grêmio não vem vivendo seu momento mais brilhante no Campeonato, não. Embora seja bastante notável a melhora do Coritiba em termos de marcação, o Imortal de umas cinco ou seis rodadas atrás não teria tantas dificuldades para criar jogadas em casa contra os paranaenses. O time de Roger Machado jogou mal, embora tenha sido ofensivo e proposto o jogo, facilitando um Coritiba bem mais organizado. Existem jogos que qualificam o time para brigar pelo título e existem jogos que mostram que não vai dar. Esse jogo deixou claro: apesar da ótima campanha, o Grêmio ainda não tem condições de lutar pela taça.

avai_x_inter_-_1_tempo_13Avaí 3 x 0 Internacional

Eis aí um resultado pra lá de enganoso. O Internacional foi, em boa parte da partida, imensamente superior ao Avaí. O time vem melhorando bastante, voltando a apresentar a criatividade das outras partidas. Do meio para frente, voltou a ser um time dos mais interessantes. Veloz, de passes rápidos e eficientes e com uma postura bastante ofensiva. O Avaí se viu acuado dentro da Ressacada, coisa que poucas vezes aconteceu no Campeonato, e só conseguiu segurar o empate porque marcou muito bem e evitou, na medida do possível, que o Inter tocasse muito a bola.

O jogo seguiu nesse mesmo ritmo por todo o primeiro tempo e por boa parte do segundo, até que o Avaí conseguiu um gol com Léo Gamalho. Gol este, aliás, que veio de um pênalti bizarro em uma jogada onde não aconteceu absolutamente nada. Depois, o Inter se expôs mais para tomar o empate e acabou levando o segundo. No fim do jogo, em um gol digno de final de pelada, Camacho bateu bem na bola para marcar o terceiro. Méritos para o Avaí que foi cirúrgico na hora de definir o jogo, mas que o placar engana, engana. [1]

Fluminense 1 x 2 Atlético Mineiro

O Fluminense é outro time que já viveu dias melhores nesse Campeonato Brasileiro. O time, como eu já disse aqui uns 10 dias atrás, tem jogado um futebol bastante burocrático, suficiente para bater os times mais fracos. Contra o Atlético, até começou bem. Fiquei surpreso com a postura corajosa do Flu, que foi pro ataque mesmo com um atuação apagadíssima de Ronaldinho Gaúcho. A zaga atleticana falhou algumas vezes no jogo aéreo (coisa que vem se repetindo com uma frequência absurda) e o Flu desperdiçou boas chances de abrir o placar.

E desperdiçar chance contra o Atlético Mineiro é quase suicídio. O Galo, que já tinha criado algumas boas jogadas, aproveitou uma falha juvenil da defesa adversária para abrir o placar em uma bela conclusão de Giovanni Augusto. O gol esfriou bastante o Fluminense, que perdeu terreno no meio de campo e viu o Atlético criar as melhores chances da metade final do primeiro tempo.

No segundo tempo, as coisas mudaram. O Flu voltou aceso, empatou o jogo logo na primeira jogada e logo em seguida criou boas chances de virar. Não virou e, na sequência, não conseguiu mais fazer uma boa partida. O Atlético foi retomando o controle do jogo e, pouco a pouco, criou oportunidades até chegar ao segundo gol em mais uma falha na zaga adversária. Uma vitória que reforçou que o time está bastante vivo na briga e que as ambições do Fluminense são bem mais modestas do que o que a metade do primeiro turno parecia sugerir.

rib2116_1Palmeiras 3 x 2 Joinville

O ritmo do Palmeiras começou frenético. Um gol antes dos dois minutos e mais um antes dos 20 e a fatura parecia liquidada. O Joinville, que demorou a entrar no jogo, largou em enorme desvantagem. Mas a fase desse time é boa e não falta vontade. O JEC aproveitou o relaxamento do Palmeiras para descontar com Marcelinho Paraíba (aliás, é só conseguir imprimir um pouquinho de velocidade e essa zaga do Palmeiras sofre que é uma barbaridade). Depois, aproveitando-se de um momento Mussum e Zacarias da zaga adversária, o mesmo Marcelinho empatou o jogo.

Despertado à força para o jogo, o Palmeiras voltou a jogar bem. Com uma postura mais ofensiva, controlou o Joinville e voltou a atacar. Dudu jogou muito bem e Gabriel Jesus mais uma vez ajudou a comandar o ataque e o setor de criação. Com justiça, marcou o terceiro gol, o gol da vitória. O Palmeiras precisa jogar melhor do que vem jogando para atingir o objetivo de terminar no G-4 e o jogo de domingo deixou isso bem claro. Menos mal para os palestrinos que a vitória veio.

Chapecoense 1 x 3 Corinthians

Agora mesmo eu falei sobre jogos que mostram que um time está pronto para ser campeão. O Corinthians já fez alguns desses ao longo do Brasileirão e, em alguns outros, mostrou-se frio e cirúrgico para conquistar pontos importantes. A maioria dos times que jogam em Chapecó começam acuados, esperando a Chapecoense. O Corinthians, não. Em 10 minutos, marcou dois gols e criou pelo menos outras duas oportunidades. Deu o seu cartão de visitas, propôs o jogo e encaminhou a vitória.

A Chapecoense me pareceu um pouco espantada com essa postura alvinegra e, quando conseguiu a assimilar, jogou de igual para igual. Especialmente depois da contusão de Uendel, as laterais viraram um parque de diversão para o alviverde e o Corinthians teve muitas dificuldades até sofrer o primeiro gol. A partir daí, entrou em cena mais uma vez a frieza característica de times campeões.

O jogo parecia se encaminhar muito mais para um empate da Chape do que para qualquer outra coisa. E o Corinthians voltou para o segundo tempo tranquilo, evitando ao máximo que a bola chegasse ao campo de ataque, onde a marcação se mostrava quase impossível. Deu certo. Apenas mais um gol saiu e foi do lado do Corinthians. Rildo, que entrou muito bem, sofreu pênalti e Jadson (melhor em campo ao lado de Renato Augusto) definiu a contagem.

2015_sport_0x1_flamengo_560_3Sport 0 x 1 Flamengo

Finalmente uma grande vitória do Mengão nesse Campeonato. O Flamengo, mais ou menos como o Corinthians, foi muito bem no início do jogo. Atacou, usou da qualidade de seis homens de frente e abriu o placar, vejam, pelo jogo aéreo. O Sport não deixou barato e respondeu bem. Usando bastante o jogo aéreo, que ainda é um calvário para os cariocas, assustou bastante – com direito a bola na trave. Aí teve um jogador muitíssimo bem expulso e o jogo mudou. O Flamengo dominou o meio campo, impediu o Sport de criar e poderia ter vencido tranquilamente não fossem algumas boas chances desperdiçadas. Venceu e está firme na briga por G-4.

Atlético Paranaense 3 x 0 Goiás

Time mais irregular do Campeonato, o Goiás voltou a ser dominado completamente por um adversário. A grande exibição do Furacão não deu chances para o Esmeraldino respirar. Walter, em uma surpreendente grande atuação, comandou um time muito rápido, ligado e criativo, que soube usar as falhas no sistema defensivo rival para abrir o placar no primeiro tempo. Outras chances mais foram criadas, mas a bola acabou não entrando. O Goiás, por seu turno, quase nada fez.

No segundo tempo, o Atlético conseguiu definir a partida. Primeiro com um gol de pênalti que tranquilizou os presentes na Arena da Baixada e, depois, com o terceiro tento. Atuação de quem quer sim brigar por G-4 e de quem ainda vai incomodar muito no Brasileirão. O Goiás volta para a realidade de quem deve sofrer muito para escapar da Série B.

imageCruzeiro 0 x 1 Santos

O Cruzeiro é outro que anda com um azar danado. No último jogo de Vanderlei Luxemburgo no comando Celeste, o Cruzeiro não jogou mal. Um Santos desfalcado e preguiçoso incomodou pouco e o Cruzeiro, que não tem um ataque ruim, criou boas chances. Falta, como falta para todo time nessa situação, um pouco de calma, de paciência para definir as jogadas. No segundo tempo, Ricardo Oliveira, que mal tinha pego na bola, fez um golaço de fora da área (coisa rara). Aí entortou de vez pra Raposa, que foi pra cima na base do desespero e perdeu um bom número de chances de empatar. Aí, não há “pojeto” que aguente.

Classificação

Essa é a classificação do Brasileirão até o momento.

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Público e Gols

– Após mais uma rodada que, em termos de público, não destoou muito do resto do Campeonato, o Brasileirão ultrapassou a marca de 17 mil pagantes por jogo. Para ser mais exato, são 17.073. Nos outros anos, a essa altura do torneio, tínhamos: 11.473 em 2006, 14.602 em 2007, 15.082 em 2008, 15.361 em 2009, 13.900 em 2010, 13.294 em 2011, 11.914 em 2012, 14.131 em 2013 e 15.046 em 2014.

– Até agora, foram marcados 476 gols no Campeonato. Em 2006, foram 563; em 2007, 571; em 2008, 539; em 2009, 608; em 2010, 495; em 2011, 568; em 2012, 521; em 2013, 528; em 2014, 443.

Palpites para a 22ª rodada

Joinville x São Paulo – Quarta-feira, 2/9, às 19h30, na Arena Joinville, em Joinville

Voltando a viver dias mais tranquilos, o São Paulo tem uma pedreira, que é enfrentar o Joinville em Santa Catarina. Jogo difícil, onde vale a máxima de que tudo pode acontecer. Aposto no JEC, mas sem muita certeza. 1 a 0 para os catarinenses.

Internacional x Vasco – Quarta-feira, 2/9, às 19h30, no Beira-Rio, em Porto Alegre

O Vasco vai entrar menos pressionado já que esse é um jogo onde o que vier é lucro, mas acho que nem isso vai resolver. Inter deve vencer com certa tranquilidade. 3 a 1 para o Colorado.

Ponte Preta x Cruzeiro – Quarta-feira, 2/9, às 19h30, no Moisés Lucarelli, em Campinas

Eu não acho que o Cruzeiro vá cair, nem que vá sofrer para se livrar do rebaixamento. Mas que vai passar um aperto nos próximos jogos, ah, vai. Em Campinas, Macaca tende a levar a melhor. Vitória da Ponte por 2 a 1.

20150812_212517Flamengo x Avaí – Quarta-feira, 2/9, às 21h, na Arena das Dunas, em Natal

Ô saudade que eu estava de ver time mandando jogo longe do seu estádio… Apesar da atitude lamentável da diretoria de mandar o jogo para Natal, o Flamengo deve vencer. Está jogando bem e o Avaí não deve ser páreo. Flamengo 2 a 0.

Atlético Mineiro x Atlético Paranaense – Quarta-feira, 2/9, às 21h, no Independência, em Belo Horizonte

Depois da boa vitória no Rio de Janeiro, o Galo tem um jogo um pouco mais tranquilo. Para vencer, vai precisar jogar bem. Aposto em vitória mineira, mas não vai ser um jogo tranquilo. 2 a 0 para o time da casa.

Coritiba x Sport – Quarta-feira, 2/9, às 22h, no Couto Pereira, em Curitiba

Eis um jogo muito interessante. O Coritiba vem evoluindo razoavelmente bem e o Sport está em sua fase mais complicada no Brasileirão. Não vejo os pernambucanos voltando para casa com vitória, mas também tendo a desconfiar de uma vitória paranaense. Empate em 1 a 1.

Corinthians x Fluminense – Quarta-feira, 2/9, às 22h, na Arena Corinthians, em São Paulo

Bom jogo, apesar do Fluminense ter caído muito de produção. Mesmo com alguns problemas em seu elenco, o Corinthians está em fase melhor e deve continuar embalado na liderança. 2 a 1 para o Timão.

Goiás x Palmeiras – Quarta-feira, 2/9, às 22h, no Serra Dourada, em Goiânia

Essa é a minha cota de palpites sem qualquer embasamento da rodada. O Palmeiras tem tudo e mais um pouco para vencer, mas vou apostar no Esmeraldino. 1 a 0 para o Goiás.

Santos x Chapecoense – Quinta-feira, 3/9, às 19h30, na Vila Belmiro, em Santos

Na fase atual, jogando um grande futebol, é ruim desse Santos perder em casa. 2 a 0 para o Peixe.

Figueirense x Grêmio – Quinta-feira, 3/9, às 21h, no Orlando Scarpelli, em Florianópolis

Acho que há uma tendência natural, como eu disse no início, de que Corinthians e Atlético se descolem do resto. Nessa rodada, por exemplo, acho que os dois vencem e o Grêmio dá uma empacada. 2 a 1 para o Figueira.

Simulador

No simulador de hoje, desisto de dizer quem cai. Avaí, Goiás e Coritiba que se entendam.
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[N.do.E.: pessoalmente está me chamando a atenção a quantidade de erros grosseiros de arbitragem a favor do Avaí dentro de seu estádio. É gol onde a bola sai meio metro, pênalti nos acréscimos onde ninguém chega perto do jogador, pênalti onde o jogador cai sozinho… Curioso. PM]

Imagens: Gazeta Press, Uol, Avaí, Diário de Pernambuco, Globoesporte.com, Hoje em Dia, Diário de Pwernambuco e Arquivo Ouro de Tolo