Existem certas armadilhas que o futebol arma para si mesmo. O caso de Ronaldinho Gaúcho e sua curtíssima passagem pelo Fluminense pode ser o maior fiasco da história do futebol brasileiro. Certamente é um dos cinco maiores. Uma sucessão de erros que, confesso, nunca tinha visto. Mas, por outro lado, é um retrato fiel dos nossos dirigentes e de sua relação com as torcidas.
Existe no Brasil uma inexplicável atração por dirigentes falastrões. Durante muito tempo, quanto mais um cartola falasse, mais amado ele era. E que vá pro inferno a gestão, o legado, as finanças. O que vale é ser “mito”. É um raciocínio que perdura até hoje, embora venha perdendo força. Mas, ao mesmo tempo, os novos cartolas com sua “visão moderna” de gestão vêm trocando as frases de efeito pelas promessas absurdas. Um jeito diferente de enganar o torcedor.
Quando o Fluminense contratou Ronaldinho, fez uma aposta de altíssimo risco. Poderia ter dado certo? Sim. Mas a chance era pequena. Mas o que fizeram os dirigentes tricolores? Venderam a “grande contratação do ano”, exaltaram o “pensamento alto” do clube. Fizeram o torcedor pagar ingresso, virar sócio, comprar camisa. Viveram em um conto de fadas. Quando a realidade chegou e o fiasco ficou evidente, não teve espaço para pedido de desculpas. O Fluminense, como se nada tivesse falado ou vendido, exaltou a “postura profissional” e agradeceu o jogador pela nobreza de ter “assumido que não dava mais”. E assim vão enganando o torcedor… Quando ele se irritar, é só fazer outra promessa. Uma arapuca que uma diretoria arma para si mesmo e que depende da inocência de sua torcida para funcionar. A tendência é que não seja sempre assim.
Fluminense 2 x 0 Goiás
Falando em Fluminense, que fase desse time… Ganhou, ficou mais longe do rebaixamento, está ótimo. Mas fez uma atuação muito, mas muito abaixo da crítica. Dá para se contar nos dedos de uma das mãos as investidas do time no ataque no primeiro tempo. E ainda vai sobrar dedo. Em uma mistura de sorte com precisão, o Fluminense conseguiu o gol e conseguiu também segurar o ímpeto do Goiás. Na segunda etapa, o golaço de Gustavo Scarpa definiu um jogo muito ruim e que poderia ter terminado muito pior para os cariocas. A essa altura do campeonato, não faz diferença. O que valem são os três pontos.
Estou até agora tentando entender porque a Arena do Grêmio estava tão vazia, mas mesmo assim não atrapalhou em nada o Grêmio. Mesmo afastado da briga pelo título, o Imortal continua jogando bem, especialmente em sua Arena e venceu até com certa tranquilidade. Os dois gols marcados quase em sequência na metade do primeiro tempo foram resultado de uma atuação segura, de um time que se impôs ante um rival mais fraco e se deu bem.
O Grêmio sofreu um pouco mais do que deveria ao administrar o jogo no segundo tempo e sofrer um gol dos catarinenses. O Avaí até se animou e tentou incendiar o jogo, mas o golaço dos donos da casa destruiu rapidamente essa possibilidade. Apesar desses minutos de tensão, a vitória gremista nunca esteve propriamente ameaçada. O título continua longe, mas o vice-campeonato é uma realidade bastante plausível.
Atlético Paranaense 1 x 2 Ponte Preta
Mais um jogo muito bom da Ponte Preta. A partida teve um começo tenebroso, onde praticamente nada aconteceu, e só foi entrar nos eixos quando a zaga paranaense fez uma trapalhada daquelas e a Macaca abriu o placar. O gol acendeu o Furacão, que acelerou um pouco seu jogo e passou a incomodar. Bem postada, a Ponte tentou responder, mas não vivia seu melhor momento na partida. O bom jogo atleticano deu resultado: veio o empate e só não veio a virada por conta de uma defesa absurda de Marcelo Lomba.
No segundo tempo, entretanto, o Atlético não voltou bem e deu campo para a Ponte jogar. Ao ganhar o meio campo, a Nega Véia pôde ditar o seu ritmo e explorou os buracos na defesa adversária com muita competência. Depois de Borges perder um gol impressionante, a equipe paulista só marcou o gol da vitória em mais uma bobagem do sistema defensivo atleticano. O Atlético, por sinal, deve mesmo focar agora na Sul-Americana. Já a Ponte, quem diria, voltou para a briga pelo G-4.
Santos 3 x 1 Internacional
Essa semana ouvi algum comentarista, não me lembro exatamente qual, dizer que “o planejamento do Internacional para 2015 parece ter dado de ombros para o Brasileirão”. É a mais pura verdade. Em um jogo decisivo como o de domingo, a postura apática e desinteressada do Colorado impressiona e decepciona. E olha que o time até conseguiu aproveitar uma investida no ataque para abrir o placar através de um pênalti que até agora não me convenceu por completo. Mesmo sem merecer, o Inter saiu em vantagem.
Mas foi só o Santos se acertar que o barco afundou. Desfalcado, o Peixe perdeu em qualidade técnica, mas fez valer sua consistência tática e manteve um padrão de jogo veloz e eficiente. Depois do empate, o domínio foi completo durante todo o jogo. Faltou maior competência na hora de finalizar e, por isso, o empate persistiu insistentemente até o segundo tempo, quando o alvinegro teve (mais) um pênalti inacreditável marcado a seu favor e virou o jogo. Sem qualquer reação por parte dos gaúchos, o Santos controlou o jogo com tranquilidade e definiu a vitória no finzinho da partida.
Mas o que tem de azar esse time do São Paulo é uma grandeza… O Tricolor dominou a partida como dominou poucas vezes nesse campeonato, mas mais uma vez não conseguiu sair com a vitória. O primeiro tempo foi um massacre absurdo. Sem qualquer eficiência na saída de bola e encontrando um rival que adiantou a marcação, o Palmeiras ficou preso em seu campo de defesa. O São Paulo, criando e investindo no ataque, chutou de tudo quanto a jeito. A bola, teimosa, não entrava. O Palmeiras deveria ter perdido seu goleiro, que botou a mão na bola fora da área, mas o árbitro não viu. O primeiro tempo ter terminado sem gols foi quase um milagre.
Na metade do segundo tempo, quando o São Paulo vencia por 1 a 0 após um contra-ataque fulminante que culminou no gol de Carlinhos, a impressão passada pelo jogo era a de que seria uma vitória consistente e incontestável do único time que entrou em campo. Só que o São Paulo não matou o jogo e deu, como diz o ditado, sopa para o azar. E o tal azar aproveitou o banquete com requintes de crueldade. Após um recuo de bola infeliz e um chutão ainda mais infeliz de Rogério Ceni, Robinho fez um golaço por cobertura e empatou o jogo. O mais otimista torcedor do Palmeiras talvez não imaginasse um resultado diferente de uma derrota, mas o mais realista dos são-paulinos deve ter cogitado tal cenário durante todo o jogo. É daquelas coisas que, depois do jogo, parecem cristalinas. É quase uma especialidade desse São Paulo.
Joinville 2 x 2 Atlético Mineiro
Tecnicamente, foi o melhor e mais animado jogo da rodada. O Joinville, este inexplicável lanterna, não deixou o Galo dominar o jogo e, se sofreu lá atrás, respondeu lá na frente. O resultado foi um jogo aberto, com boas chances para os dois lados. No primeiro tempo, os catarinenses me pareceram mais ligados e mais dispostos a aproveitar suas chances, tendo inclusive um gol bem anulado. Ao Atlético, faltou toque de bola, faltou tranquilidade, faltou pensar primeiro em fazer o seu resultado e depois pensar no do Corinthians.
Mesmo assim, no começo do segundo tempo, o Galo conseguiu o seu gol em um vacilo tremendo da defesa adversária. Algum tempo depois, justamente quando o JEC parecia entregue, a zaga atleticana bobeou mais uma vez no jogo aéreo e permitiu o empate catarinense. O jogo mais uma vez pegou fogo e virou lá-e-cá. A ótima conclusão de Thiago Ribeiro aliviou a torcida mineira, mas a festa durou pouco. William Popp, com um golaço, empatou novamente e, depois, sobrou tempo apenas para o vice-líder desperdiçar duas chances impressionantes. No fim das contas, empate ruim para os dois.
Mais uma vitória soberba do incontestável líder do Brasileirão. O golaço de Elias no começo ajudou a tranquilizar o time, é verdade, mas dominar um adversário jogando fora de casa como o Corinthians dominou é coisa para poucos. A dupla Jadson e Renato Augusto é disparada a mais brilhante do campeonato e carrega um time inteligente, rápido, ofensivo, taticamente irrepreensível e que transforma a posse de bola em volume de jogo, em oportunidades.
O Figueirense só conseguiu responder de alguma forma no começo do segundo tempo. Voltou controlando melhor o jogo, rondou a área corintiana, mas, impotente, teve que se contentar com algumas bolas alçadas na área. Logo, cansou e viu o Corinthians voltar a dominar a partida. Em uma linha de impedimento mal feita, o Figueirense deixou Gil marcar o segundo e, aí, desmoronou de vez. Foi só o tempo de Renato Augusto marcar o terceiro – e ainda ficou barato. Ainda teve um prêmio de consolação que foi o desconto no fim, mas nada que tire o time do buraco. E o Timão segue cada vez mais perto da taça…
Foi melhor do que o do primeiro turno, até porque pior era impossível. Mas que clássico horroroso no Maracanã… Depois de o Flamengo marcar o primeiro gol com Emerson Sheik, nada aconteceu. O Vasco não fez nada porque não tem time para fazer alguma coisa. O Flamengo não fez nada porque mais uma vez jogou muito mal e perdeu totalmente sua capacidade de criação. Era de se imaginar que, se o jogo estivesse durando até agora, o placar continuaria 1 a 0.
Mas em clássico, diz o clichê, tudo pode acontecer. O golaço de falta de Rodrigo empatou o jogo, afundou o Flamengo e deu ânimo para o Vasco. O cruzmaltino mais uma vez compensou na vontade a falta de técnica e foi recompensado com a virada com um gol de pênalti de Nenê. A dor de cabeça rubro-negra aumenta cada vez mais e o Vasco continua acreditando em seu milagre. No ponto em que chegou, tem mais é que acreditar mesmo.
Cruzeiro 2 x 0 Coritiba
O Cruzeiro de Mano Menezes jogou bem como vem jogando, mas teve muito mais sorte do que juízo. Depois de um ótimo primeiro tempo, onde o Cruzeiro dominou o jogo e não deu espaço para o Coritiba, abrindo o placar com um golaço de Ceará, os mineiros voltaram tranquilos, achando que a vitória estava ganha. Me lembrou muito o jogo contra o Avaí… Só que dessa vez o final foi feliz para os mineiros. Com uma certa colaboração do juizão, que ignorou um pênalti claro para os paranaenses e, logo na sequência, viu o time da casa fazer 2 a 0. A Raposa vai se afastando de qualquer risco de rebaixamento, mas precisa abrir o olho para evitar sustos como esse.
Sport 3 x 0 Chapecoense
Finalmente o Sport voltou a jogar bem. A Chapecoense até começou melhor, segura, mais ligada, mas foi só dar uma bobeada e tomar um gol que afundou. O Leão, sentindo o adversário vulnerável, ditou seu ritmo, atacou, tocou rápido, se soltou e conseguiu mais dois gols. Vitória para dar moral nem tanto no Brasileirão, onde a zona da marola parece definitiva, mas na Sul-Americana.
Classificação
Após quase metade do segundo turno, assim está o campeonato.
Público e Gols
– Rodada fraquinha que rebaixou a média de público para 17.083 torcedores por jogo. Eis o comparativo com os demais anos: 11.881 em 2006, 15.419 em 2007, 15.625 em 2008, 16.200 em 2009, 13.555 em 2010, 14.125 em 2011, 12.532 em 2012, 14.401 em 2013 e 15.548 em 2014.
– Gols, foram 656 até o momento contra 747 em 2006, 769 em 2007, 726 em 2008, 806 em 2009, 705 em 2010, 753 em 2011, 690 em 2012, 700 em 2013 e 619 em 2014.
Palpites para a 29ª Rodada
Internacional x Sport – Sábado, 3/10, às 18h30, no Beira-Rio, em Porto Alegre
Mesmo com toda essa preguiça, o Inter deve vencer. Joga em casa, contra um time também não muito elétrico nesse momento e tem um time mais forte. 2 a 0 para o Inter.
Coritiba x Atlético Mineiro – Sábado, 3/10, às 18h30, no Couto Pereira, em Curitiba
O Atlético tem tropeçado muito contra os times da parte inferior da tabela, mas vez ou outra tem atuado bem. A irregularidade do time sugere uma boa partida após uma não tão boa e uma vitória é bem possível. Vitória do Galo por 2 a 0.
São Paulo x Atlético Paranaense – Sábado, 3/10, às 21h, no Morumbi, em São Paulo
Com o Furacão em crise, o São Paulo tem um cenário ideal para vencer. Não que isso signifique muita coisa nos últimos tempos, mas deve vir uma vitória por aí. 2 a 1 para o São Paulo.
Flamengo x Joinville – Domingo, 4/10, às 11h, no Maracanã, no Rio de Janeiro
E lá vai o Joinville torrar no calor de novo. O Flamengo terá o cenário todo a seu favor, com time melhor, torcida jogando junto e adversário desgastado. A vitória é quase óbvia. 1 a 0 para o Mengão.
Avaí x Vasco – Domingo, 4/10, às 11h, na Ressacada, em Florianópolis
Mais um jogo de seis pontos para o time carioca na busca de seu milagre. Adepto da tese de que em breve o Vasco voltará a afundar, não consigo apostar em vitória. Empate em 1 a 1.
Cruzeiro x Grêmio – Domingo, 4/10, às 16h, no Mineirão, em Belo Horizonte
Esse Cruzeiro do Mano Menezes tem me agradado bastante. Falta uma vitória em um grande jogo, por enquanto. Tenho a impressão de que será nesse. 3 a 1 para a Raposa.
Santos x Fluminense – Domingo, 4/10, às 16h, na Vila Belmiro, em Santos
Fortíssimo na Vila Belmiro contra um time totalmente perdido e afundado na crise, o Santos não tende a ter muitos problemas. Na teoria, vence com tranquilidade. 3 a 0 para o Peixe.
Ponte Preta x Corinthians – Domingo, 4/10, às 16h, no Moisés Lucarelli, em Campinas
Por mais que o Corinthians seja esse timaço, eu não consigo entender essa sequência incrível de vitórias em jogos onde tem tudo para tropeçar. Mais uma vez, tenho que duvidar do líder. Vence a Ponte por 2 a 1.
Goiás x Figueirense – Domingo, 4/10, às 16h, no Serra Dourada, em Goiânia
Em condições normais, eu apostaria no Figueirense. Mas a apatia do Figueira me leva a apostar em um jogo ruim daqueles. Tudo igual, 0 a 0.
Chapecoense x Palmeiras – Domingo, 4/10, às 18h30, na Arena Condá, em Chapecó
O Palmeiras faz um segundo turno muito ruim, especialmente fora de casa e a Chapecoense, cedo ou tarde, vai sair desse buraco em que se enfiou. A reação pode começar domingo. Vitória catarinense por 2 a 1.
Simulador
Após simular as dez rodadas finais, meu campeonato ficou assim.