A NFL é uma liga onde ha muitas contusões, seja pela intensidade física de como o jogo é jogado ou pelo tamanho dos brutamontes que jogam. Em algum momento da temporada, todo jogador acaba se contundindo e vence no final aquele que tiver mais resistência e sorte a grandes e importantes lesões. Perder um quarterback titular, por exemplo, é algo que geralmente acaba com a temporada de um time.
O futebol americano não é muito difícil de se entender. Primeiro você tem que ter um quarterback capaz de não entregar a bola para o adversário. Depois você tem que fazê-lo se sentir o mais confortável o possível, dando-o proteção e arrumando o esquema de jogo que maximiza suas qualidades e minimiza seus defeitos. E, por último, você tem que fazer o quarterback adversário o mais desconfortável possível. É essa a receita.
Começando pela lesão do linebacker Kiko Alonso, que foi tido como um dos melhores defensores na sua temporada de calouro na NFL em 2013 e desde então ele só tem isso no currículo para mostrar. Logo no começo dos treinos para a temporada de 2014 ele rompeu os ligamentos do joelho e teve que ficar de fora de toda a temporada; este ano foi trocado para o Eagles para ser a peça chave na defesa da franquia.
Entretanto Alonso saiu do jogo na segunda semana devido a outra contusão no joelho; desta vez “apenas” uma torção dos ligamentos, mas todo cuidado é pouco, principalmente pelo fato de que ele também rompeu os ligamentos quando estava na faculdade – sim, todas estas contusões são referentes ao mesmo joelho. Alonso é peça chave na defesa do Eagles e desde então eles não se encontram defensivamente. É bem verdade que o ataque também não está sendo como o esperado, mas há de se ter uma defesa sólida e sem ele não é possível na Filadelfia.
Luke Kuechly, do Carolina Panthers, é outro tido como um dos melhores jogadores de defesa da liga, mas que também está afastado por contusão. Nesse caso, uma concussão sofrida durante o segundo jogo e demorou a passar em todos os testes anticoncussão, protocolo obrigatório da NFL – somente anteontem voltou a treinar.
No domingo retrasado o quarterback do Indianapolis Colts, Andrew Luck, perdeu o seu primeiro jogo desde que entrou na liga devido a uma contusão no ombro. O time ainda ganhou, pois enfrentou o Jacksonville Jaguars, mas se ele perder mais jogos, a franquia está em maus lençóis. O grupo de jogadores dos Colts é horrível e eles precisam de Luck para ser, pelo menos, medianos e ter alguma chance de playoffs.
A minha surpresa é que ele só perdeu um jogo agora no seu quarto ano como profissional. A linha ofensiva, a que supostamente devia lhe proteger, dos Colts é uma das piores da liga há quatro anos e o time não consegue melhorar. Luck é um grande quarterback, mas ele precisa de ajuda ao seu redor. É impossível ele vencer sozinho e muito menos tomando as pancadas que ele toma a cada jogo.
Na quinta-feira, contra o Houston Texans, Luck também não jogou. Algo que levanta suspeita sobre sua real condição. Já começaram a surgir boatos sobre a sua lesão e que parece ser mais séria do que foi anunciada antes. Se ele perder mais jogos, o Colts estará em sérios problemas. Ainda há a expectativa de ele jogar no próximo jogo contra o New England Patriots no horário nobre da TV americana e espera-se que o tempo afastado lhe ajude.
Ben Roethlisberger, ou para os íntimos “Big Ben”, também está fora por tempo indeterminado com uma lesão no joelho. Tony Romo, do Dallas Cowboys, quebrou a clavícula na semana dois e pode não jogar até a semana 11. Jay Cutler, com uma lesão na parte posterior da coxa, também estava fora e retornou na última partida. Drew Bress quase perdeu o jogo do último domingo também por lesão, mas acabou jogando mesmo não estando 100%.
Um jogo durante a temporada sem seu quarterback titular é fácil de se superar, mas, no caso de Tony Romo, oito jogos são um desastre para a temporada dos Cowboys que eram favoritos a vencer a Divisão Leste da Conferência Nacional, mas agora são medíocres sem Romo.
Sei que adoramos nos divertir com as suas falhas, mas sempre que Romo está como titular, os Cowboys tem uma chance real de vencer o jogo. Se eles foram medíocres durante os últimos anos, foi por causa dele, pois o grupo de jogadores era muito abaixo da média. Ele está sempre lá para dar a cara para apanhar ao comandar a maior franquia da NFL, com a torcida que mais cobra e não tem medo disso.
Assim como Jay Cutler. Sem ele, o Chicago Bears enfrentou o Seattle Seahawks e foi para o punt em absolutamente todas as posses de bola que teve. Não marcaram um ponto sequer. Contra o Oakland Raiders – e frise-se que eu não estou comparando os Raiders aos Seahawks – já com Cutler de volta, os Bears marcaram 34 pontos. Isso é uma grande diferença entre o titular e o reserva, mesmo que este titular seja o sempre tão divertido Cutler.
Claro que se o seu principal wide-receiver se lesionar por um bom tempo ou um running-back do calibre de Mashawn Lynch – que está contundido, a propósito, perdeu os últimos dois jogos e ainda não está treinando totalmente – há também uma grande perda de qualidade do time, mas não se engane: o quarterback move a NFL.
Não tenha dúvidas, de qualquer lesão que pode acontecer com o seu time a lesão do quarterback titular é a pior que pode haver. Seja ele uma estrela ou não, se ele é o titular, é porque o reserva não é bom o suficiente.
Por outro lado, há que se ressaltar a durabilidade de Eli Manning, quarterback do NY Giants. Desde que se tornou titular em meados de 2004, jamais perdeu um jogo por contusão e em apenas uma partida precisou ser substituído por este motivo – contra o Washington, na última semana da temporada de 2013.
Imagens: Philly.com, Washington Post, Daily News, NFL