É finito 2015. Termina de forma avassaladora a disputa desse ano do Mundial de Pilotos da maior categoria do automobilismo. Ano que coroa Lewis Hamilton como tricampeão mundial de Formula 1. E de uma maneira no mínimo curiosa. Nos Estados Unidos, um negro, no Texas… e sem dar a menor chance à concorrência, a começar por seu companheiro de equipe Nico Rosberg e domar de forma clássica os ímpetos ferraristas do jovem tetracampeão Sebastian Vettel.

Lewis teve um ano mágico, capitaneando uma equipe que faz de suas vitórias uma história de glória para o time de Stuttgart. Acumulando vitórias e recordes construídos a partir de uma sólida base que o time montou desde sua parceria, também vencedora com a McLaren. Em 2009 equipou os carros de Ross Brawn na aventura que o engenheiro fez na categoria e decidiu com essa estrutura dar o passo que faltava para se tornar uma gigante das pistas com grande fome de vitórias. E convenceu o maior piloto da história a voltar a pilotar. Schumacher e seus sete títulos emprestaram enorme quilometragem à Mercedes que trouxe ainda o jovem Nico Rosberg para lapidar seu talento.

Em 2013, num golpe de mestre a equipe tirou da McLaren o sempre rápido Lewis Hamilton e mostrou que a sonhada série de vitórias tinha  planejamento e investimentos necessários. A Mercedes assistiu pacientemente à glória alemã de Vettel acontecer por quatro anos seguidos e se aproveitou de forma única da mudança do regulamento que foi implantado para 2014. A Formula 1 mudava sua história…

Os novos propulsores a turbo, alimentados e somados por baterias de recuperação de energia fizeram a Mercedes imbatível. Com carros desenhados de forma muito elegante, motor fortíssimo em retas e cobiçado por todas as equipes (exceção à escuderia de Maranello, claro), rápidos em todos os circuitos e uma competente equipe de engenheiros, ficou restrita à dupla de pilotos da equipe a briga pelo campeonato. E assim foi em 2014… Nem tanto em 2015.

Lewis Hamilton foi exímio kartista em sua infância e chamou a atenção de alguns importantes figurões do mundo do automobilismo. Fã declarado de Senna, inclusive no capacete amarelo, foi adotado por Ron Dennis nos anos 90 e toda sua carreira foi amparada financeiramente e tecnicamente pela McLaren. Em 2006, foi anunciado como piloto oficial da equipe e ia pilotar o segundo carro da equipe tendo como companheiro o genial, rápido e bicampeão do momento Fernando Alonso.Hamilton

Com um carro vencedor e tendo a Ferrari como feroz adversária, a dupla começou o ano com diversos pódios. Mas com Alonso à frente. Lewis mostrou ao mundo quem seria logo no meio da temporada. Após vencer seu primeiro GP em Montreal, a F1 ia a Indianápolis nos EUA. Disputando cada metro com seu companheiro de equipe Lewis ignorou as reclamações de Alonso e venceu de forma brilhante.

Foi um grande ano do esporte e a decisão em Interlagos reuniu três postulantes. Alonso, Hamilton e Kimi Raikkonen pela Ferrari. Numa estratégia perfeita, esse último acabou conquistando o título. Em 2008 a disputa, já com Alonso fora da McLaren, foi com Felipe Massa e aquele final insano em Interlagos.

Hamilton continuou garimpando um melhor carro na escuderia inglesa até que fez uma aposta que poucos acreditaram. Trocar pela Mercedes. Mesmo com algum tempo no meio do pelotão, quando tinha a chance mostrava todo o seu talento em ultrapassar e fazer coisas dignas dos grandes. Quando teve um carro histórico, fez dele sua catapulta ao sucesso.

Tricampeão ele agora frequenta um clube que poucos conseguiram, tem números superlativos e comparáveis aos maiores. Seu ídolo Senna já foi deixado para trás em vitórias e pode ser superado em tudo se a supremacia alemã continuar no ano que vem fato que muito inclusive esse pobre escriba acreditam. Os números que Lewis persegue a partir de agora são mirar Schumacher e Fangio e se tornar a mais nova lenda viva no esporte.

hamiltonA Formula 1, que vive uma crise de identidade sem precedentes e pouco sabe fazer com as novas mídias e etc., fez nos últimos quatro anos dois pilotos tricampeões, algo raro numa sequência tão perto. Algo que gênios como Senna e Prost fizeram.

Vettel e Hamilton não são rivais àquela altura. Com o espirito de Sebastian, duvido que alguém seja seu rival como os dos anos 90 fizeram. Não cabe mais essa rivalidade nesse esporte tão de plástico como vemos hoje, sem brilho, sem barulho e sem competição. Mas os deuses sempre dão um jeito de fazerem os melhores ganhar e nesse quesito Lewis Hamilton é o grande vencedor….

Benvindo ao clube dos TRI, Sir Lewis!