Mantendo a tradição iniciada no carnaval de 2013, vamos à análise dos finalistas da União da Ilha.

No último sábado foi realizada a semifinal do concurso insulano. Cinco sambas se apresentaram e o eliminado foi o samba da parceria de Walkir. Um bom samba, que poderia estar na final.

Talvez aí esteja o problema da União da Ilha em matéria de samba para o carnaval 2016. Tem bons sambas, mas nada de extraordinário. Qualquer um dos quatro sambas que for escolhido não vai alterar muito a situação da escola na avenida. Não terá um samba Estandarte de Ouro nem vai passar vergonha.

Terá um samba mediano, escolhido em uma safra mediana que poderia perfeitamente ter o samba do Walkir, do André de Souza, do Junior Nova Geração ou do Cléber Augusto. Quer dizer. Poderíamos ter outros quatro sambas na final que não mudaria quase nada.

Mas os quatro sambas têm suas qualidades. Por exemplo, alguns deles acho melhores que o samba de 2015 – que nem acho ruim.

Um outro problema da escola é se acostumar com o mediano. Faltam grandes sambas. Faltam inovações e a coragem para inovar. A Ilha é uma escola inovadora em seu comportamento, mas conservadora em suas escolhas de samba. Não permite muito a ousadia, o novo – e esse ano o enredo também não ajudou.

Mas vamos parar de fazer críticas e elogiar também. Mesmo sendo mediana a disputa foi boa. Quadra cheia, compositores empenhados, com excelentes cantores – e isso tirando um ranço em que falavam que a Ilha ficava longe e assim fora do mapa dos cantores do grupo especial e sua rota para ir a várias quadras ao mesmo tempo. Disputa nivelada, o que acaba trazendo emoção.

Temos quatro sambas: não descarto a vitória de nenhum deles, nem junção. Mas não ficarei no muro. Vou dizer o que acho em minha opinião e o que acho que vai ocorrer.

Em meu gosto temos dois sambas que representam estilos diferentes e disputas diferentes. A parceria consagrada de Marquinhus do Banjo, várias vezes campeã na agremiação, veio forte esse ano. Com bastante dinheiro, torcida gigantesca desde o início – numa mistura de componentes da casa e torcida organizada, de fora do bairro. Foi a parceria que predominou desde o começo, com apresentações de qualidade e ótima recepção. Um samba mais cadenciado que o normal da parceria e da agremiação com letra refinada, superior ao de 2015.

Do outro lado uma parceria “zebra”, que ninguém apostaria que pudesse chegar na final. Nem eu mesmo, que sou há anos parceiro deles, acreditava. Não por falta de talento – isso eles têm de sobra, mas de política, dinheiro e estrutura.

É a parceria que menos bota torcida na quadra, que menos tem dinheiro, mas é o samba com mais “cara da Ilha”. Samba alegre, alto astral, com sacadas muito boas como os refrães e a parte do “carioca é legal, maneiro…” Um samba que dá pra sentir o Ito cantando perfeitamente.

Não era falado, como eu disse, mas começou a se popularizar aos poucos. Segmentos começaram a torcer e até fora do bairro começou a ser falado. Deixou pelo menos duas parcerias mais tradicionais da escola para traz. Falo da parceria de Lobo Junior.

No meu gosto ficaria entre os dois sambas e os dois estilos. Qualquer um dos dois representaria bem a Ilha.

Mas conhecendo a União acho mínimas as chances da parceria de Lobo, mesmo com essa qualidade. Estou na escola desde 1997 e não lembro de uma parceria nessas condições vencer. Seria algo inédito na Ilha e consagrador para a parceria. Aposto no conservadorismo na escolha e aí dividindo favoritismo com a parceria de Marquinhus colocaria a de Beto Mascarenhas no lugar. Não é um samba tão inferior aos outros dois, apesar de eu não gostar do verso “Sobe o morro / desce o morro / é o meu jeito de malhar”.

Mas é um samba que vem sendo muito comentado nos bastidores e provoca medo nos adversários.

Então: Para meu gosto apostaria entre Marquinhus e Lobo Júnior, mas meu palpite é que fica entre Marquinhus e Beto Mascarenhas, com leve favoritismo para Marquinhus.

Brincando com porcentagens: colocaria 45% Marquinhus, 35% Beto 15%, Junção (em que entraria o samba de Lobo com alguém), 4% Lobo e 1% Marinho que é o samba menos falado, mas nem acho o pior da final.

A sorte está lançada e vocês descobrirão o resultado pela Rádio Sambista.com na madrugada de sábado para domingo, nessa parceria Ouro de Tolo / Bar Apoteose / Rádio Sambista.com que só está começando. O editor chefe Migão e o colunista Alex Cardoso também estarão comigo na transmissão da rádio, a partir da meia noite.

Boa sorte aos finalistas.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

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