Continuando as análises dos sambas do Grupo Especial, hoje falo sobre as sete escolas que desfilarão no sábado no Anhembi. O formato é o mesmo: dando notas de 9 a 10 sem uma ligação com regulamento ou quaisquer divisões entre letra e melodia. Comecemos por Peruche e terminamos na X-9.

Unidos do Peruche

Enredo: “Ponha um pouco de amor numa cadência e vai ver que ninguém no mundo vence a beleza que tem o samba… 100 anos de samba, minha vida, minha Raiz”.

Compositores: Jairo Roizen, Ronny Potolski, Madureira, Marcelo Madureira, Alex Barbosa, Sukatinha, Bagé, Tubino, Igor Vianna, Thiago Sousa, Gilson, Kaballa, Victor e Meiners.

Intérpretes: Toninho Penteado e Quinho.

De volta ao Grupo Especial, a Filial do Samba presta uma linda homenagem aos 100 anos do samba. Com um samba de respeito, a Filial se mostra disposta a renascer. Falar da beleza da composição é chover no molhado; a história do gênero é contada de forma perfeita na letra. O refrão de meio é o momento de mais brilho do ótimo samba, fazendo uma síntese perfeita do enredo com uma linda passagem que diz: “O som que aflora é a cara do povo”. E não que é mesmo? A segunda parte beira à perfeição, com várias passagens de destaque. A melodia é forte e te remete aos grandes sambas da história da Peruche e do Carnaval de São Paulo. Enfim, obra brilhante. Toninho Penteado e Quinho fazem uma gravação simplesmente espetacular e mesmo com estilos diferentes, ambos casaram de forma sensacional, agregando a já excelente composição.

Nota: 10,0.

Império de Casa Verde

Enredo: “O Império dos Mistérios”.

Compositores: Carlos Júnior, Fabinho LS e Fabiano Sorriso.

Intérprete: Carlos Júnior.

O Tigre Guerreiro resolveu rugir forte, após dois anos fora do Desfile das Campeãs. De cara contratou Jorge Freitas para ser seu carnavalesco – Jorge que tem de passagens consagradas por Rosas e Gaviões – e em seguida anunciou seu enredo e samba que tem características típicas de sua fase mais gloriosa. A letra da composição para o enredo “Império dos Mistérios” é praticamente primorosa, pecando apenas no rima boba entre “Mistério” e “Império”. A melodia é bastante trabalhada e permite que a “Barcelona do Samba”, como é conhecida sua bateria, brilhe com sua batida mais cadenciada. Por tudo isso, o samba do Império é um dos melhores sambas do ano, fazendo que Carlos Júnior mais uma vez brilhe em sua condução.

Nota: 9.9.

Acadêmicos do Tucuruvi

Enredo:Celebrando a religiosidade, Tucuruvi canta as festas de Fé”.

Compositores: Arlindo Neto, Bruno Govetri, Carlos Jr, Igor Soró, João Batucada, Leandro Augusto, Marcelo Pires e Tim Peixoto.

Intérprete: Alex Soares.

O samba já diz tudo. A hora é essa para a Tucuruvi ser campeã. Voltando a desfilar no sábado, a agremiação da Cantareira segue em sua busca pelo título inédito e cantará as festas da Fé na nova tentativa. A composição é de uma linha diferente do que a escola vinha tendo nos últimos anos. A melodia é mais animada e a letra é menos rebuscada, buscando mais empatia com o público. Ambas as missões são bem sucedidas: você consegue identificar a história que a azul e branca quer contar facilmente na letra. A melodia te contagia apesar de alguns probleminhas, como na cabeça da obra onde há uma mudança melódica bastante incômoda. Apesar da fácil leitura e da melodia correta, não é um samba que me empolgue justamente pela falta de mais emoção para cantar a fé. Alex Soares estreando como cantor na Tucuruvi não faz uma grande gravação; tem desempenho apenas correto.

Nota: 9.7.

Mocidade Alegre

Enredo: “Ayô – A alma ancestral do samba”.

Compositores: Gui Cruz, Luciano Rosa, Portuga, Rafael Falanga, Rodrigo Minuetto e Vitor Gabriel.

Intérprete: Igor Sorriso.

Tentando reconquistar o título, a escola do bairro do Limão vem contar a história ancestral do gênero samba no ano do centenário do gênero. O enredo muito histórico facilitou para a composição ter uma letra explicativa e por isso todos os setores são bem divididos, fazendo com que a letra seja sem dúvida nenhuma o ponto forte da obra. A melodia, no entanto, tem momentos complicados: a cabeça do samba tem uma espécie de introdução que traz uma quebra melódica muito grave. O ponto de mais destaque da obra são os refrães de meio e o refrão que antecede o principal, ambos bem construídos em letra e melodia. Igor Sorriso é outro a ter grande desempenho na gravação, extraindo todo o potencial da composição.

Nota: 9.8

Vai-Vai

Enredo: “Je Suis Vai-Vai, bem-vindos à França”.

Compositores: Zeca do Cavaco, Zé Carlinhos, Ronaldinho FDQ e Dodô Monteiro.

Intérprete: Wander Pires.

O enredo da Saracura é uma homenagem à França. Por ser um enredo CEP, a letra do samba apesar de fácil é daquelas que seguem uma listinha de coisas a se citar. A melodia por outro lado compensa a letra, sendo uma pancada do começo ao fim. O senão da obra fica por conta da falta de um “algo a mais” com a cara do Vai-Vai na letra, mesmo assim é um dos grandes sambas da safra. Wander Pires de volta à escola após dois carnavais tem grande desempenho, agregando muito à obra.

Nota: 9.9.

Dragões da Real

Enredo: “Surpresa! Adivinha o que eu trouxe pra você?”

Compositores: Armênio Poesia, Xandinho Nocera, Wagner Rodrigues, Derico, Maurinho da Mazzei e Tuca Maia.

Intérprete: Daniel Côllete.

Buscando o inédito título do Grupo Especial, a Tricolor cantará a história dos presentes no próximo Carnaval. O samba da escola não é uma obra daquelas marcantes, mas a melodia mais animada compensa em alguns momentos a letra – que é um tanto pobre. A letra, que é cantada em primeira pessoa, não brilha em praticamente nenhuma passagem e tem alguns momentos digamos que “menos coloquiais” como nos versos: “Fui abandonado, deixado de lado/ meu bem me tira desta confusão”. A ideia de colocar o presente e a escola com os mesmos objetivos também não foi bem executada na letra. A melodia, se não brilha, pelo menos é animada e deve fazer o componente cantar. Daniel Côllete já viveu fase melhor e não faz uma gravação sensacional, mas também não deixa a desejar.

Nota: 9.6.

X-9 Paulistana

Enredo: “Açaí guardiã! Do amor de Iaçã ao esplendor de Belém do Pará”.

Compositores: Accyoly Filho, Saulo Mesquita, Turko, Maradona, Fabio X9, Thiago Japa, Rafa do Cavaco, Mixaria, Carlos Alberto, Dom Henrique e MP08.

Intérprete: Royce do Cavaco.

A agremiação da Parada Inglesa segue na sua busca pela volta aos grandes dias. Se no ano passado, o desfile não aconteceu, a expectativa é de uma melhor posição este ano. Para isso, a escola cantará o Açaí e o estado do Pará. A composição da escola para o próximo carnaval remete ao costume para os sambas de enredo CEP: é bastante descritivo, mas cansa um pouco por conta da melodia – que é apenas correta. A letra é apenas razoável e se propõe somente a contar com correção a história que a escola escolheu. A melodia é um pouco abaixo em relação à letra e tem poucos momentos de brilho ou de algo mais contagiante. O refrão de meio mexido após a disputa se tornou o ponto de mais dificuldade para o canto da escola, com muitas expressões complexas. Royce do Cavaco tem mais uma atuação de extrema categoria, realçando a obra da escola.

Nota: 9.7.

A Gravação do CD

Excelente. Há um bom tempo não gostava tanto da produção de um CD em São Paulo. O trabalho do estúdio ficou excelente valorizando algo que acho incrível que são as bossas das baterias – essas muito bem ensaiadas –, outro ponto positivo é sem dúvida alguma os coros que passam a sensação de “Ao Vivo” mesmo em estúdio. O único senão da mesma é a limitação em 5:37 para todos os sambas. Algumas faixas terminam sem duas passadas completas. Uma pena.

Ranking do CD

Como houve notas iguais, vou colocar a preferência no ranking pelo meu gosto e não por achar melhor.

  1. Unidos do Peruche
  2. Império de Casa Verde
  3. Vai-Vai
  4. Rosas de Ouro
  5. Águia de Ouro
  6. Acadêmicos do Tatuapé
  7. Mocidade Alegre
  8. Unidos de Vila Maria
  9. Gaviões da Fiel
  10. Pérola Negra
  11. Acaêmicos do Tucuruvi
  12. X-9 Paulistana
  13. Nenê de Vila Matilde
  14. Dragões da Real

E você leitor, qual é o seu ranking? Comentários, elogios, divergências ou xingamentos ao autor podem ser feitos nos comentários. Estarei respondendo a todos.

É isso!

Um abraço!

Imagem: Renato Cipriano

9 Replies to “Os sambas de enredo do Grupo Especial de São Paulo – Sábado”

  1. Concordo com quase tudo Bruno… Mas, como jah conversamos algumas vezes, nao acho o samba da Império tao digno a ponto d diser q eh um dos melhores… Acho um samba médio/bom… Ainda acho o samba da Mocidade um samba Bom (mesmo com tantas quebras melodicas)… de resto concordamos em tudo… Vamos as notas…
    10 Peruche
    9.7 Império de Casa Verde
    9.8 Tucuruvi
    9.8 Mocidade Alegre
    9.8 Vai-Vai
    8.9 Dragões da Real
    9.6 X-9 Paulistana

  2. Meu Ranking…
    1° Peruche
    2° Rosas de Ouro
    3° Acadêmicos do Tatuapé
    4° Vai-Vai
    5° Vila Maria
    6° Mocidade Alegre
    7° Águia de Ouro
    8° Império de Casa Verde
    9° Gaviões da Fiel
    10° Acadêmicos do Tucuruvi
    11° Pérola Negra
    12° Nenê de Vila Matilde
    13° X-9 Paulistana
    14° Dragões da Real

    **** Embora a Tucuruvi tenha tirado mais nora q Império e Gaviões ainda achos estes melhores…

    1. Só vi os comentários agora, concordo com quase tudo, só acho o samba do Império pouco valorizado por você, é uma boa obra que peca apenas numa rima bobinha no refrão principal.

      Obrigado pela leitura e pelo comentário.
      Abraços!

  3. Vamos lá para a última análise sobre os sambas ainda no CD. Será que o autor me estrangula? Veremos…

    Peruche -> 10, Nota 10! (Confesso: no começo quando escutei a primeira vez eu achei um samba ok, mas super valorizado pelo pessoal. Mas depois de uma passadas eu vi como ele é delicioso. Me arrisco a dizer que entra pro rol dos melhores sambas da Peruche – dominado por sambas dos anos 87 até 90-. Toninho e Quinho foi uma dupla que deu muito certo, e que deve surpreender na avenida já que o Quinho será apoio da Peruche. Momentos maravilhosos: “Entãããoo…meu Brasil brasileiro…”, “Até a Lua e suas faces vão brilhar”, “Eu sou Peruche, não leve a mal/A grande campeã de carnaval”. Ou seja: toda a segunda parte. Se Deus – e os jurados- quiser, a Peruche pode morder um 10º lugar louvável)

    Império -> 9.9 (Eu não dou nada pro Império desde 2011, e quando menos espero ele acorda e mostra um belo samba. Carlão arrebentou como sempre e mostra que o Tigre pode surpreender a “trinca de ferro” do carnaval paulistano. De longe o refrão principal é a melhor parte [“Ba-te for-te co-ra-ção!”]. Mas alerto um problema: se acelerarem esta obra é possível que o pessoal se canse depois de meia hora de desfile.)

    Tucuruvi -> 9.9 (Eu não acompanhei as eliminatórias do Gafanhoto, mas a obra escolhida mantém o nível de qualidade já apresentado pela escola nos anos anteriores, o que garante um desfile agradável tanto pro componente – lembrando que a Tucuruvi é a única escola do GE que não tem NENHUMA ala coreografada- quanto pra quem assiste. Alex Soares estréia nem piorando nem realçando a obra. Algo que me incomodou foi a subida de tom que ele dá no “Miscigenou com gente vinda de além mar”, mas isso não deve atrapalhar no desfile. Melhor momento: refrão principal, não dá. Esse samba consegue me levar a viajar na luz desse povo guerreiro, acreditando que é possível ser feliz e vendo que essa é a hora da Tucuruvi)

    Mocidade Alegre -> 10 (CALMA QUE TENHO UMA ÓTIMA DESCULPA, dou 10 pois estou avaliando como o samba ficou no CD. A avaliação final e a que se aproxima mais a realidade será dada lá em fevereiro. Então como eu estava falando: é um típico samba da Mocidade, que te envolve do início ao fim mesmo que você deseja que ela perca. Igor Sorriso deitou e rolou com o samba. Porém como nem tudo são flores a obra ela mata o componente – e o intérprete – já na primeira parte, pois é entoada sem pausas. Outro problema que só fui reparar último ensaio técnico da escola foi a quebra que a melodia faz no refrão. A harmonia terá muito trabalho pra conseguir fazer com que a escola não perca o fôlego pra cantar. E um conselho Igor: vá preparando a água quente com mel pra recuperar a garganta a tempo do desfile do Pai Arraiá. Melhor momento: o maior acerto dessa obra é o final da segunda parte e o deságue pro refrão principal, que irá grudar na minha cabeça por bastante tempo…)

    Vai-Vai -> 9.9 (Pra começar eu sempre acho que a moça da introdução vai falar “Monstequieu”. Já sobre o samba eu acho que faltou algo a mais, uma explosão genuinamente saracurazense na obra – o máximo que vi disso foi a parte do Alan Kardec – que ficou encorpada na voz do Wander Pires, que retorna a Vai-Vai depois de 2 carnavais. Melhores momentos: me lembrem de usar em qualquer contexto as frases “sabores orgia” e “loucura verde”. E por increça que parível gostei do verso do Alan Kardec e o que o segue)

    Dragões -> 9.7 (De longe o samba mais genérico da escola desde a sua estréia no GE. Mesmo que o Collete estivesse lá pra dar algo a mais na faixa não conseguiu. Penso às vezes que estou canetando a escola, mas sinceramente não há o que falar sobre esse samba)

    X-9 -> 9.8 (Por mais que eu deteste as mudanças feitas no refrão do meio, a obra como um todo subiu do nível que a escola vinha apresentando. Royce continua fazendo um excelente trabalho a frente do microfone principal da Parada Inglesa. O adendo que faço a este samba é justamente as mudanças que a escola fez: julgo que elas complicaram um pouco mais a fluidez do samba, principalmente – e vou cornetar até 2016 – no refrão do meio. Mas como nem tudo são espinhos, destaco a parte da Virgem Santa, que é sem dúvida muito bonita e a melhor da obra)

    E agora, a classificação geral, lembrando que o desempate de notas é feito pelo meu singelo gosto pessoal:

    1º Peruche
    2º Mocidade
    3º Águia
    4º Rosas
    5º Tatuapé
    6º Tucuruvi
    7º Vai-Vai
    8º Império
    9º Vila Maria
    10º Gaviões
    11º X-9
    12º Nenê
    13º Pérola
    14º Dragões

    Uma coisa que tiro dessa safra: vai ter muito samba que não achei muito bom podendo me surpreender na avenida, bem como samba que estimo indo de mediano pra mal (vide o caso da Mocidade: acho um samba nota 10 no CD, mas vimos bastantes problemas no ensaio técnico). Espero que até a apuração eu tenha notas mais coerentes que a realidade rs

    1. Minha maior discordância quanto as suas notas e avaliações são:?

      Tucuruvi e Mocidade.

      O Zaca levará uma obra correta, mas abaixo do nível que vinha se estabelecendo, principalmente no que diz respeito a letra. Enfim, não é um samba que me emociona e acho que não emociona o componente.

      Mocidade Alegre levará um samba correto e só. A letra é até interessante, bem feita e tem dois ótimos refrães (O de meio é o segundo antecedendo o principal), mas a quebra melódica da primeira e o fraco refrão principal me incomodam muito ainda, vamos ver até o Carnaval.

      Valeu pela leitura e o comentário, Renato.
      Abraços!

  4. continuo achando q a X9 vai surpreender a todos o samba gostoso e ela focou em algo….

    mocidade esta perfeita

    1. O samba da X-9 não é horrível, mas também não é exatamente bom. O Royce ajudou muito na boa gravação do samba, mas achei a construção de letra um tanto confusa.

      Mocidade tem um samba muito abaixo de seu enredo, o que é uma pena.

      Obrigado pela leitura e pelo comentário
      Abraços!

  5. continuo achando q a X9 vai surpreender a todos o samba gostoso e ela focou em algo….

    mocidade esta perfeita

    1º Peruche
    2º Mocidade
    3º Águia
    4º Rosas
    5º X9
    6º Tucuruvi
    7º Vai-Vai
    8º Império
    9º Vila Maria
    10º tatuape
    11º Gaviões
    12º Nenê
    13º Pérola
    14º Dragões

Comments are closed.