Depois do sucesso do primeiro desfile das escolas de samba na passarela definitiva, a segunda leva de apresentações também foi recheada de grandes momentos. Mas, se em 1984 as polêmicas se restringiram às vésperas do Carnaval, em 1985 houve confusão e disse-me-disse antes, durante e depois dos desfiles.
Ainda no dia 24 de julho de 1984, as agremiações do primeiro grupo fundaram a Liga Independente das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro, que ficou conhecida como Liesa. Sob o comando de Castor de Andrade, patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel, a Liesa era uma ruptura em relação à Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro (AESCRJ) e tinha como objetivo gerenciar os desfiles e repartir os lucros entre as agremiações. Ao longo dos anos, ficou como praxe as escolas ascendentes à elite se integrarem à Liesa enquanto as rebaixadas voltavam a ser filiadas à AESCRJ.
Com o passar do tempo, a Liesa aumentou a receita das agremiações em função das negociações de direitos de televisão e vendas dos discos (depois CDs), mas em algumas ocasiões viu-se envolvida em discussões acaloradas dos sambistas em relação aos resultados e ao acesso e descenso de escolas.
Se no ano de inauguração do sambódromo, a expectativa era pelas “Diretas Já”, em 1985, o horizonte desejado era o do sucesso da Nova República. Vivia-se a expectativa da posse de Tancredo Neves, primeiro presidente civil desde 1964, mas este morreu e nem chegou a assumir, com José Sarney herdando o cargo…
A tão esperada volta da democracia se refletiu nas escolhas dos enredos e dos sambas. Escolas emergentes como a Caprichosos de Pilares, a Unidos do Cabuçu e a São Clemente apostaram as fichas na crítica social e/ou escrachada, numa receita que seria seguida em anos posteriores até por agremiações tradicionais.
Antes dos desfiles, havia uma grande expectativa em relação à Estação Primeira de Mangueira. A supercampeã de 1984 apostava em outro enredo de fácil leitura, sobre Chiquinha Gonzaga, e o samba, embora não sendo considerado tão bom como o de 1984, era dos mais executados nas rádios na fase pré-carnavalesca.
Também vencedora em 1984, a Portela tentaria mais um caneco com o enredo “Recordar é viver”, sobre a noite carioca de outrora. Mas a maior campeã do Carnaval sofria com a dissidência de inúmeros integrantes, que, insatisfeitos com os rumos da escola, fundaram uma nova agremiação chamada Tradição.
Havia também boas projeções para o desfile da Mocidade. Afinal, o gênio Fernando Pinto apostaria numa temática bem diferente da que vinha adotando nos desfiles da Verde e Branco: os aspectos tropicalistas e nacionalistas dariam lugar às espaçonaves e planetas em “Ziriguidum 2001”.
Outras escolas também prometiam, como a Beija-Flor e um enredo bem diferente proposto por Joãosinho Trinta – vamos abordá-lo mais adiante -, a Caprichosos, com um samba-enredo que caiu no gosto popular antes mesmo do desfile – embora seu estilo, digamos, coloquial, tenha feito Fernando Pamplona chamá-lo de “marchinha” -, sem contar agremiações de peso como Salgueiro, Império Serrano e Vila Isabel, que teriam enredos sobre Getúlio Vargas, a cerveja e o universo infantil.
OS DESFILES
O desfile de domingo começou com atraso, aliás um fato que seria muito desagradável em 1985. De volta ao primeiro grupo, a Em Cima da Hora levou à avenida a situação dos nordestinos que deixavam a região em busca de uma vida melhor no Rio de Janeiro.
Uma comissão formada pelos carnavalescos Edson Mendes, Cid Camilo, Sérgio Garcia e Amarildo Costa dividiu o enredo em três partes: a chegada ao Rio, as dificuldades no novo lar, e o divertimento dos retirantes, como a feira de São Cristóvão e o Maracanã.
No entanto, a falta de recursos era patente nas pequenas alegorias, e havia apenas 1.500 componentes. Apesar do bom samba e da cadência da bateria, dificilmente a escola ficaria na elite, até porque houve atraso na armação, e o regulamento previa punição.
A segunda escola a desfilar foi a Unidos do Cabuçu, que contou de forma bem-humorada a história política do Brasil e sonhava com um futuro melhor para o povo. O enredo, que era capitaneado por Zé Carioca, falava da opressão sofrida pelos índios e depois pelos escravos, além de questionar a independência.
Liderada por Therezinha Monte, primeira mulher eleita presidenta numa escola de samba, a Cabuçu também não tinha como investir em alegorias e fantasias luxuosas, e por isso mesmo segurou-se na criatividade, na garra dos componentes e no agradável samba, que dizia: “Os índios antes livres foram massacrados / Trocaram sua tanga pela calça Lee.”, numa crítica à influência estrangeira no país.
Além da comissão de frente formada por casais vestidos de papagaios e Carmens Mirandas, destacou-se a bateria, bastante cadenciada – como era comum naquela época – e com bons desenhos de tamborins.
Mesmo com apenas 2.500 componentes, Cabuçu ocupou bem os espaços na Praça da Apoteose e animou o público com uma alegre evolução. A escola deixou a pista com boas expectativas de permanecer no grupo.
Outra escola que vinha com bom samba era o Império da Tijuca, que homenagearia o pianista e ator Custódio Mesquita, tio de Albino Pinheiro e morto em 1945, com apenas 34 anos. O conjunto visual respeitava o verde e branco da escola e tentou retratar o Rio de Janeiro dos anos 1910 a 1940, mas a escola também não tinha grandes recursos.
Curiosamente, um dos destaques em figurinos foi o do único filho do homenageado, Custódio Antônio Georges Monkhine de Pinheiro Mesquita, com uma roupa de anjo branco na qual representava o próprio pai. Mas as quebras de três alegorias (sobre a canção Feitiçaria, o Theatro Municipal e o pierrô) acabaram atrapalhando a divisão do enredo.
Mesmo assim, em outros quesitos de pista, a escola tijucana foi bem na comparação com as que a antecederam, principalmente com um bom canto dos componentes, e havia chances de permanência no grupo. Curiosamente, um dos pontos altos do desfile, a bateria, passou por um susto, já que mais da metade dos integrantes chegou a apenas 15 minutos do começo da apresentação.
Das escolas chamadas grandes, o Salgueiro foi o primeiro a pisar na pista da Sapucaí, homenageando Getúlio Vargas. Os especialistas se dividiram: houve os que aprovaram a forma como os carnavalescos Edmundo Braga e Paulino Espírito Santo dividiram o enredo, enquanto outros acharam que houve uma ode exagerada ao presidente.
E foi justamente o salgueirense Fernando Pamplona, durante a transmissão da Manchete, o maior crítico: “Pra mim pessoalmente não vejo diferença em um terço de ditadura, meia ditadura ou ditadura inteira. Estou triste com o meu Salgueiro querido, porque depois de tantos anos cantando a liberdade, absolutamente a liberdade, homenageia um ditador fascista. E mais triste ainda porque isso me cheira a puxação de saco, coisa que o Salgueiro nunca fez”, disparou o antigo carnavalesco da escola, lembrando a fase do Estado Novo e acusando a diretoria de tentar a simpatia do então governador Leonel Brizola, grande entusiasta de Getúlio.
Com Haroldo Costa na comissão de frente, o Salgueiro começou o desfile com um busto de Getúlio no abre-alas, numa mostra do bom conjunto visual que viria a seguir – destaque para os carros do Palácio das Águias – como também era conhecido o Palácio do Catete, antiga sede da Presidência – e da Cidade Sol – o Rio de Janeiro, tendo como destaque Isabel Valença.
O desfile mostrou ainda as tradições do Rio Grande do Sul, estado natal de Getúlio, relembrou a trajetória política do estadista e retratou os dias finais que culminaram no suicídio de Vargas, em 1954. Apesar de não ser uma “pedrada”, o samba era bastante correto, e a escola teve bom canto.
Mas o destaque absoluto do desfile foi a bateria de Mestre Louro, com excelente andamento e até coreografias como a que os ritmistas se abaixavam e subiam nos primeiros versos do samba. O Salgueiro fez um desfile melhor do que nos anos anteriores, sem grandes problemas de evolução e harmonia, mas título parecia ser outro papo.
Já a União da Ilha foi uma grande decepção. Mesmo com a excelente bateria e um ótimo samba tecnicamente (diga-se de passagem com a primeira atuação de Quinho como primeiro cantor da escola), o tema que falava sobre a Revolta da Chibata, não tinha nada a ver com que a Tricolor sempre fez de melhor, ou seja, apresentar enredos leves e de boa comunicação com o público.
Os problemas começaram já na concentração, com a quebra do abre-alas, que teve de ser puxado para a pista por um guincho, e houve ainda uma grande discussão entre os diretores de harmonia. Com o grande atraso para o começo do desfile, havia a expectativa de uma punição na apuração.
Além disso, apesar de a Ilha ter tido muitos recursos para a confecção de bonitas alegorias e fantasias, o enredo não foi transmitido de forma cristalina, com os críticos considerando tudo pesado demais para o perfil da escola, que teve um excesso de alas coreografadas e de passos marcados.
Destaque para a alegoria Dragão dos Mares e para a homenagem a Elis Regina pela canção “Mestre-Sala dos Mares”, que homenageava João Cândido, o líder da revolta contra os castigos na Marinha brasileira. Mas, apesar do canto dos componentes, foi um desfile arrastado.
“É melhor ser uma União da Ilha do que uma Beija-Flor mal resolvida”, admitiu o presidente Maurício Gazelle após o desfile.
Se a Ilha decepcionou, a Vila Isabel fez excelente apresentação. Com o enredo “Parece até que foi ontem”, o carnavalesco Max Lopes, que havia concebido o enredo supercampeão da Mangueira de 1984, promoveu um lindo passeio pelo imaginário infantil e homenageou personagens genuinamente brasileiros de autores como Maria Clara Machado, Monteiro Lobato e Maurício de Souza.
Não faltaram os personagens do Sítio do Picapau Amarelo e da Turma da Mônica, representados por componentes em ótimas fantasias. Já as alegorias, além de bonitas esculturas, mostravam a natureza usada nos cenários desses personagens.
Chamou a atenção o fato de as alas distribuírem guloseimas durante o desfile, que teve um dos momentos de maior participação do público na entrada de Jairzinho e Simony, que viviam o auge da fama com a Turma do Balão Mágico.
Falando em balão, o samba do grande David Corrêa (que venceu uma polêmica eliminatória e foi criticado por ser um “forasteiro” na Vila) funcionou a contento, principalmente no famoso refrão que falava dos balões. Diga-se de passagem, havia um grande balão posicionado na Praça da Apoteose.
A escola teve algumas falhas de evolução, mas ainda assim foi a melhor apresentação até aquele momento, e o fato de a Vila ter desfilado no amanhecer deu ainda mais magia ao momento.
Em seguida, surgiu a Mangueira, cercada por muita expectativa. Com o sambódromo lotado, a escola realizou um dos seus desfiles mais erráticos. A começar pelo próprio desenvolvimento do enredo – o Migão fez um post sobre esse desfile.
Depois da saída de Max Lopes, a direção da escola optou por modernizar a concepção do desfile e mandou os carnavalescos Edinha Diniz, Bia Dumont e Elói Machado a Hollywood, nos Estados Unidos, para um estágio nos estúdios de George Lucas, um dos diretores de cinema mais famosos do mundo, e criador da saga “Guerra nas Estrelas”.
O que se viu na pista foi um conjunto visual até bem acabado, mas com alegorias e fantasias sem criatividade. Para que se tenha ideia, até mais da metade do desfile, entraram alas vestidas apenas com fantasias claras, rosas ou até roxas. Enfim, um estilo bem diferente do qual o mangueirense estava acostumado. Destaque apenas para a comissão de frente, que tinha Leci Brandão representando Chiquinha. No mais, críticas pesadas:
“O carnavalesco Elói Machado não precisava viajar aos Estados Unidos… para lançar na Mangueira chafariz com mulatas em cima e carros envoltos em fumaça colorida”, apontou o jornalista Luiz Eduardo Rezende em texto publicado no Jornal do Brasil.
Para piorar, pela primeira vez desde 1949, Jamelão não cantou o samba na Sapucaí porque tinha shows marcados em Nova York no fim de semana anterior ao desfile, e seu voo atrasou. Com o grande compositor Jurandir tendo uma correta apresentação ao lado do veterano Dirceu da Mangueira, o samba explodiu só no começo do desfile mas depois foi murchando, murchando…
E, por fim, o grande erro. A escola entrou na pista inchada como nunca, com mais de 5 mil componentes, muitos descompromissados com a então escola da moda no Rio. Evidentemente houve graves problemas de harmonia – agravados por quatro falhas no sistema de som – e evolução.
O grande casal de mestre-sala e porta-bandeira Lilico e Mocinha, por exemplo, teve de se apresentar muito rapidamente nos módulos de julgamento, e a bateria passou direto pelo box. Houve até uma ala que se dividiu em duas antes de entrar na pista e desfilou em momentos distintos.
Mesmo ocupando bem a Apoteose e recuperando o fôlego do começo do desfile com uma participação maior do público, a Mangueira desperdiçou uma ótima possibilidade de brigar por uma boa colocação com tantos – e grandes – equívocos.
Mas, se o público se decepcionou com a Mangueira, depois percebeu que valeu muito a pena ficar na arquibancada sob sol forte.
Isso porque a Mocidade realizou uma apresentação histórica para encerrar o primeiro dia de desfiles “projetando” como seriam os personagens do nosso folclore e o próprio Carnaval no século XXI no espaço.
Embalado por um grande samba-enredo da parceria formada por Tiãozinho da Mocidade, Gibi e Arsênio, pela voz do intérprete Ney Vianna e pela Bateria Nota Dez, os componentes não ligaram para o calor fortíssimo e desfilaram com uma garra impressionante – houve até alguns desmaios durante a passagem da escola.
O espetáculo começou às 8h25 com uma criativa comissão de frente, com 14 crianças vestidas de astronautas, e carregando bandeirinhas do Brasil – entre os componentes, o futuro cantor e compositor Dudu Nobre e Andrezinho, filho do lendário Mestre André. Após a comissão, um pede-passagem com os dizeres “Um Corso na Lua”.
A concepção de desfile do genial Fernando Pinto encantou do começo ao fim. No imaginário do carnavalesco, desfilaram os pierrôs e colombinas siderais, o bumba-meu-boi com três cabeças e os caboclinhos marcianos, sem contar as novas danças como o Frevo de Urano, o Maracatu Solar e o Reisado de Netuno.
Já as baianas e a bateria desfilaram com figurinos que tinham capacetes e asas que brilhavam sob a luz do sol. E, claro, havia ainda a exuberância da madrinha de bateria Monique Evans no auge da beleza, o que também ajudou a proporcionar um espetáculo memorável.
Mas o grande momento foi desfile foi a entrada da tão aguardada alegoria da nave-mãe, que levava em discos voadores os componentes de uma escola de samba (no caso, da própria Mocidade), como mestres-sala e porta-bandeiras, baianas e bateria, rumo ao espaço.
Apesar de problemas que impediram a entrada da alegoria de um dragão que cuspia fogo, o brilho dos carros também foi fantástico com a luz do sol. Um momento monumental dos desfiles de escolas de samba.
Mesmo com oito escolas ainda a desfilar na segunda-feira, entre elas Beija-Flor, Império Serrano e Portela, a Mocidade deixava a Praça da Apoteose já como candidata ao título, aclamada pelo público e pelos críticos carnavalescos.
O desfile de segunda-feira acabaria até rendendo boas apresentações, mas nenhuma no nível da Mocidade. Pior: foi o dia mais caótico da história do sambódromo. Dificilmente tantas confusões e atrasos se repetirão algum dia.
Os trabalhos começaram com uma valente exibição da São Clemente na defesa do enredo “Quem casa, quer casa”, sobre o direito à moradia do povo brasileiro. Com uma hora de atraso, a escola estreou na elite do Carnaval mostrando a crítica contundente que a marcaria no fim dos anos 80, com direito a gritos dos componentes na concentração “queremos casa e o direito de morar!”.
A comissão de frente estava supercriativa, com diversos pares de recém-casados à procura de um lar. Havia alas de homens com barrigas de pano e trouxas na cabeça, além de noivas grávidas, presidiários e ciganos. Até a “moradia” após a morte, ou seja, no cemitério, foi lembrada.
Mas a São Clemente era outra agremiação sem o poderio econômico das grandes, e as alegorias infelizmente deviam. Os destaques foram a garra dos desfilantes e um samba-enredo que não tinha meias-palavras, escrito por Izaías de Paula. Mas ficar na elite era difícil com tantos percalços.
Houve uma gigantesca demora na entrada da segunda escola a desfilar, a Acadêmicos de Santa Cruz. Também estreante no primeiro grupo, a escola da Zona Oeste já era cercada por ceticismo devido ao enredo sobre o colunista social Ibrahim Sued.
Para piorar, houve o choque de uma das alegorias com um carro da Beija-Flor, causando um enorme transtorno. Chegou-se a cogitar uma inversão de desfile com a Estácio de Sá, mas, depois de mais de duas horas, finalmente a Santa Cruz desfilou. Mal como se temia…
Houve até uma boa injeção de recursos no barracão, com o auxílio do próprio homenageado e de amigos. Mas, se havia até luxo nos figurinos, faltava organização. Houve dificuldades para levar à Sapucaí a própria alegoria em que desfilaria Ibrahim, uma representação de um carro Cadillac.
“Toda escola que sobe para o primeiro grupo sofre um grande impacto. Nosso processo foi ainda mais radical. De uma hora para outra recebemos muito dinheiro e divulgação. O resultado é isso aí”, lamentou o carnavalesco Gil Ricon ao Jornal do Brasil.
O criticado samba-enredo foi defendido pelo grande Aroldo Melodia, e a bateria esteve cadenciada. Mas o desfile da escola foi marcado por vaias dos setores populares e aplausos dos camarotes durante todo o tempo. Surgia, então, mais uma candidata forte ao descenso.
Já a Estácio de Sá se exibiu com um maravilhoso samba sobre o choro (ganhou o Estandarte de Ouro na categoria) e fez uma apresentação que certamente a deixaria longe de qualquer risco, apesar de o conjunto visual não ter sido dos mais impactantes – o carnavalesco Fernando Alvarez teve de assumir os trabalhos a apenas um mês do desfile.
Foram utilizados diversos corações em fantasias e alegorias, a mais interessante a que homenageou Pixinguinha e o choro “Carinhoso”. Houve ainda elementos que lembraram de outras canções como “Tico-Tico no Fubá”, “Urubu Malandro” e “Brasileirinho”.
Dominguinhos esteve impecável na condução do samba. Os componentes evoluíram bem, e o público cantou com a escola, que claramente só não ficaria mais acima na tabela por não ter mais recursos.
“Que a Estácio volte para o ano, se Deus permitir!”, desejava o cantor Dominguinhos após o desfile.
Depois do desfile da Estácio, mais atraso: o carro abre-alas da Imperatriz Leopoldinense quebrou na armação, e não havia quem conseguisse retirá-lo para a passagem das demais alegorias. O Império Serrano, que estava pronto, aceitou inverter a ordem do desfile e passou bem.
Mesmo com críticas dos imperianos mais tradicionais, os carnavalescos Renato Lage e Lílian Rabello desenvolveram com correção o enredo “Samba, suor e cerveja, o combustível da ilusão”, contando desde o surgimento da bebida no Egito até o grande consumo contemporâneo. Como de costume nos desfiles de Lage, o enredo foi bem dividido em quadros: “Descoberta”, “Fabricação”, “Consumo”, “Viagem” e “Escape”.
As alegorias aliavam criatividade, bom acabamento e o uso de materiais como néon, exemplificado no elemento que transformava uma lata de cerveja em nave espacial. Havia tripés simbolizando a cevada e o lúpulo, além de uma divisão cromática que não ficava presa ao verde e branco da escola e apresentava bastante dourado. Havia até espuma saindo da boca das garrafas nas alegorias.
Cantado por Quinzinho, que voltava à escola depois de um ano na Ilha, o samba-enredo do imortal Beto Sem Braço funcionou, e a bateria deu o recado com competência. O Império saiu da pista já com o dia claro e credenciado a brigar por uma boa posição.
Mesmo com mais tempo para resolver seus problemas, a Imperatriz não conseguiu consertar o abre-alas, e o carro abriu o desfile rebocado por um guincho. E até que a agremiação de Ramos, que chamara o grande Arlindo Rodrigues às pressas para terminar a concepção do enredo “Adolã, a cidade mistério”, desfilou com dignidade.
Com apenas 27 dias de trabalho, o carnavalesco conseguiu fazer milagre e utilizou muitos materiais espelhados para contar o denso enredo criado por João Felício dos Santos sobre uma fictícia cidade na Ilha de Marajó que havia sido visitada por extraterrestres e tinha habitantes com poderes incríveis como telepatia e vida mais longa.
“Os discos voadores existem, o que significa que na Ilha de Marajó, Adolã (palavra indígena que traz a ideia de infinito) foi por eles visitada. Os habitantes do Deus Sol, de inspiração Inca, eram seres extraordinários, que voavam e possuiam poderes fantásticos”, dizia o resumo distribuído pela escola.
O jovem Preto Jóia, que havia cantado o samba no disco, acabou substituído no desfile por Sobrinho, que havia saído da Vila Isabel após a gravação do samba no “bolachão”. A bateria esteve num grande dia, com o naipe de tamborins, como de costume na Gresil, “falando” bem alto.
Muito prejudicada pelo enorme atraso de seis horas na programação, a Beija-Flor, que havia se preparado para desfilar à noite, despontou já com sol forte. Mas a agremiação nilopolitana fez um grande desfile com o criativo enredo “A Lapa de Adão e Eva”.
Joãosinho Trinta soube que o Pão de Açúcar era uma das formações rochosas mais antigas do planeta, então ele resolveu provocar e inventar: Adão era o primeiro malandro da Lapa e Eva na verdade era a primeira Garota de Ipanema. Daí ambos eram expulsos do paraíso da Lapa e perambulavam em Sodoma e Gomorra, no caso, a Praça Tiradentes. E, vejam só, os Tenentes do Diabo lutavam contra assírios e babilônios.
O delírio de João 30 foi retratado em alegorias e alas criativas e escrachadas – a bateria, por exemplo, tinha um figurino que era metade anjo, metade malandro carioca. Diz o samba-exaltação da escola que a Beija-Flor é “um festival de prata em plena pista”, mas pelo menos em 1985 o que se viu foi uma divisão cromática bem variada, o que deu ótimo efeito dada a proposta do enredo.
Com boas convenções, a bateria de Mestre Pelé sustentou bem o samba defendido por Neguinho, que ganharia o Estandarte de Ouro de melhor puxador. O samba-enredo, aliás, aproveitava o tom escrachado do tema e atacava aqueles que estavam preterindo o samba por outras tendências musicais: “o crioulo só quer ‘Michael Jeckiar'”.
Depois do frio desfile de 1984, a Beija-Flor e João 30 reagiram muitíssimo bem e fizeram a melhor apresentação da segunda-feira no conjunto dos quesitos.
Por volta das dez da manhã, entrou em cena a Caprichosos de Pilares. Depois do bom desfile sobre Chico Anysio em 1984, a Azul e Branca apostou no enredo “E por falar em Saudade”, do carnavalesco Luiz Fernando Reis. Ele dividiu a escola em três quadros: “Saudade dos Costumes”, “Saudade dos Tempos Menos Piores” e “Saudade dos Antigos Carnavais”.
Ou relembrar, como dizia o samba, “o que sumiu do dia a dia”, como “o leite sem água”, a “gasolina barata”, “o bonde”, “o amolador de facas”. Outra cobrança, como no desfile da escola em 1984, era a eleição direta para presidente e havia o lamento pelo roubo e derretimento da Taça Jules Rimet, conquistada em definitivo em 1970 após a Copa do México.
O samba era popular até a raiz dos cabelos, com o perdão da expressão. O refrão principal “Tem bumbum de fora pra chuchu / Qualquer dia é todo mundo nu” era divertidíssimo, e a interpretação irreverente de Carlinhos de Pilares contagiou o público, que cantou com a escola do começo ao fim.
A escola não tinha os mesmos recursos das grandes, mas usou e abusou da criatividade, como uma alegoria em que o Palácio do Planalto era iluminado por um sol como uma esperança para a Nova República, e outra ironizando o jejum de títulos do Botafogo (desde 1968) com um bolo de aniversário.
Satirizando personagens polêmicos como Paulo Maluf e Delfim Netto, e criticando o sistema político nacional, a Caprichosos desfilou colorida sem ser pesada, conquistou a crítica e o público, e ganhou o Estandarte de Ouro de melhor escola.
É claro que plasticamente a Azul e Branco devia em grandiosidade a outras escolas, e Mocidade e Beija-Flor fizeram desfiles fortíssimos. Mas a agremiação de Pilares ficou orgulhosa de uma apresentação que seria a mais lembrada de sua história.
Já passava das 12h30 de terça-feira quando a Portela finalmente iniciou seu desfile. Depois de um lindo esquenta com Silvinho do Pandeiro (veja aqui), a Majestade do Samba fez uma exibição muito agradável, passando pelos antigos bailes, os cassinos e os teatros de revista, além dos próprios desfiles anteriores da Portela.
Dentre as alegorias mais interessantes apresentadas pelo carnavalesco Alexandre Louzada estava a do circo, com uma enorme lona azul e branca. Aliás, foram incondicionalmente respeitadas as cores da maior campeã do Carnaval.
Com a inesquecível bateria de Mestre Marçal e o belo samba de Noca da Portela, a escola passou bem mas não tão vibrante quanto poderia, principalmente por causa do horário desumano. Já eram 14h de terça-feira quando os últimos integrantes chegaram extenuados à Praça da Apoteose.
Mesmo assim, sem problemas de evolução, a Portela estava em condições de terminar nas primeiras colocações.
REPERCUSSÃO E APURAÇÃO
Terminado o desfile, Mocidade Independente de Padre Miguel e Beija-Flor eram consideradas as favoritas do público e crítica. Quem poderia surpreender era a Caprichosos, que levou o Estandarte de Ouro de Melhor Escola.
Mas a apuração, apesar de ter confirmado a vitória da Verde e Branco, foi tumultuada. Duas escolas começaram perdendo dez pontos em Concentração: Em Cima da Hora e União da Ilha. Já Caprichosos e Portela perderam dez pontos em Cronometragem, assim como a própria Ilha, que entrou na apuração com 20 pontos a menos. Mas as escolas recorreram e depois receberam todos os pontos de volta.
Isso mudou as colocações na parte de cima da tabela, e a Portela ascendeu ao quarto lugar, à frente de Caprichosos, Salgueiro e Império Serrano (que terminaram num tríplice empate), Imperatriz e a decepcionante Mangueira. E a Ilha, que com as punições havia terminado em 15º e saído da apuração rebaixada, escapou…
Outra polêmica é que o regulamento previa a queda das últimas quatro colocadas, mas a Unidos do Cabuçu conseguiu na Justiça o direito de permanecer no primeiro grupo por se sentir prejudicada com a anulação das punições por Cronometragem, leia-se da punição à Ilha.
Lá em cima, a incontestável vitória da Mocidade não foi ameaçada, enquanto a Beija-Flor ficou com o vice-campeonato, e a Vila Isabel conseguiu um comemorado terceiro lugar, seu melhor resultado isolado até então na história dos desfiles – em 1980, a Vila ficou em segundo, atrás das três campeãs, Portela, Imperatriz e Beija-Flor. Já a Mangueira, com a nona posição, amargou seu pior resultado até então.
“A Mangueira desprezou este ano o pessoal do morro, trazendo branco para cá. Branco não entende nada de samba. Quem entende mesmo somos nós, que nascemos e somos criados aqui no morro”, esbravejou o sambista mangueirense Paulo Barbosa ao jornal “O Globo”.
RESULTADO OFICIAL
POS. | ESCOLA | PONTOS |
1º | Mocidade Independente de Padre Miguel | 228 |
2º | Beija-Flor de Nilópolis | 222 |
3º | Unidos de Vila Isabel | 217 |
4º | Portela | 216 |
5º | Caprichosos de Pilares | 214 |
6º | Acadêmicos do Salgueiro | 214 |
7º | Império Serrano | 214 |
8º | Imperatriz Leopoldinense | 210 |
9º | Estação Primeira de Mangueira | 207 |
10º | Estácio de Sá | 200 |
11º | Império da Tijuca | 200 |
12º | União da Ilha do Governador | 186 |
13º | Unidos do Cabuçu | 182 |
14º | Acadêmicos de Santa Cruz | 180 (rebaixada) |
15º | São Clemente | 179 (rebaixada) |
16º | Em Cima da Hora | 160 (rebaixada) |
No Grupo 1B, o desfile também foi marcado pelos atrasos e por um fator que complicou as agremiações: como muitas delas tinham poucos componentes, algumas passaram com menos de mil desfilantes, a obrigatoriedade de evoluir na Praça da Apoteose e ocupá-la foi um parto.
A Unidos da Tijuca despontou como favorita ao apresentar um enredo de exaltação ao Rio com uma pitada de protesto pelos rumos com que a cidade vinha sendo conduzida. Outro destaque foi a Unidos da Ponte, que desfilou sob forte sol com o enredo “Dez, nota dez”, exaltando aqueles que fazem a festa do Carnaval e apresentando, como de costume naquela época, um belíssimo samba.
No fim, Ponte e Tijuca somaram 226 pontos, mas a escola de São João de Meriti conquistou o título no desempate (quesito Samba-Enredo – ouça acima – no qual esteve realmente melhor). Mas as duas agremiações conquistaram a vaga na elite para 1986, retornando após o rebaixamento no ano anterior. Subiram para o Grupo 1B a Independentes de Cordovil, campeã do 2A, e a União de Jacarepaguá, vice.
Outro destaque do Carnaval-85 foi a vitória da estreante Tradição no Grupo 2B, com um sensacional samba para o enredo “Xingu, pássaro guerreiro” e apenas uma nota diferente de 10. Filho de Natal e presidente da Tradição, Nésio Nascimento fez uma profecia que seria praticamente cumprida.
“Em dois anos estaremos no Grupo 1A, pois venceremos o 2A e o 1B”, disse Nésio, errando apenas a previsão de título no Grupo 1B, já que a escola foi vice e a Unidos da Tijuca, campeã.
Mas a apuração do Grupo 2B ficou marcada pela corajosa atitude da julgadora Celina dos Santos Leite, que anexou Cr$ 11 mil à letra do samba da Unidos de Zona Sul para denunciar tentativa de suborno.
CURIOSIDADES
– Depois da exclusividade da Manchete em 1984, Globo e Bandeirantes também transmitiram os desfiles. Galvão Bueno e Reginaldo Leme, vejam só, trocaram as pistas de corrida pela pista de desfile e participaram da transmissão da Globo, assim como Fernando Vannucci, Eliakim Araújo e Léo Batista. Na Manchete, um dos repórteres era o jovem e futuramente consagrado Marcos Uchôa e o slogan da emissora era “Rede Manchete pede passagem”. Na Globo, o slogan era “Carnaval da Democracia” e estava escrito nas camisas dos repórteres espalhados pela Sapucaí.
– No Desfile das Campeãs, a Beija-Flor conseguiu se apresentar à noite e, enfim, mostrou os efeitos especiais que estavam programados para o desfile oficial. Já a Mocidade pôde apresentar o dragão que cuspia fogo. Também esteve presente a campeã paulistana Nenê de Vila Matilde, convidada pela Riotur.
– Durante o desfile da Portela, um extenuado Joãosinho Trinta foi flagrado pela transmissão da Manchete morgado num camarote ao lado da então primeira-dama Dulce Figueiredo.
– Dezesseis escolas desfilaram no primeiro grupo do Carnaval de 1985. Era um recorde na época e viria a ser quebrado em 1989, 1995 e 1996, quando dezoito agremiações se apresentaram.
– O responsável pela concepção do Carnaval da União da Ilha foi o jornalista Luiz Orlando, aquele mesmo que ficou conhecido na década de 80 por apresentar o programa “Camisa 9” na TV Corcovado, depois CNT.
– Foi o segundo e último ano em que as escolas foram obrigadas a evoluir na Praça da Apoteose. Em 1986, o espaço foi afunilado com cadeiras de pista e as agremiações passaram a dispersar de forma mais organizada. Crítico ferrenho da concepção da Apoteose, pela forma como componentes e alegorias ficavam amontoados, Fernando Pamplona chegou a chamar a praça de “maldita” durante o confuso desfile da Mangueira.
CANTINHO DO EDITOR (por Pedro Migão)
O carnaval de 1985 marcou também a estreia, pela Portela, do carnavalesco Alexandre Louzada – que teria mais duas passagens pela agremiação: entre 2001 e 2003 e em 2014/15. Seu melhor resultado pela Águia foi o terceiro lugar de 2014. Ele foi passista e presidente de ala antes de ser convidado para assinar o desfile de 1985.
Aliás, Noca da Portela voltou a assinar o samba após nove anos, sendo a sua segunda conquista pela Portela. Ele tem sambas enredo na Portela em cinco décadas (1976, 85, 95, 98, 99, 2005 e 2015).
A cisão que resultou na criação da Tradição foi a terceira envolvendo a Portela, esta de consequências mais sérias. Os anteriores foram em 1974 e 1978. Originalmente a escola se chamaria Portela Tradição, mas a diretoria comandada então por Carlinhos Maracanã conseguiu na Justiça impedir o uso do nome “Portela” pela nova agremiação.
A diretoria da Portela também impediu na Justiça o uso da águia pela nova agremiação, que adotou o condor como seu símbolo – ave que, aliás, se alimenta da carcaça de animais mortos. Entretanto, basta olhar as fotos abaixo para se perceber que o condor adotado pela Tradição era bem diferente da ave real…
1985 marca também o início de uma era no carnaval carioca. A dos enredos patrocinados. O desfile do Império Serrano sobre a cerveja foi patrocinado pela então Cia. Cervejaria Brahma.
Segundo matéria publicada pelo jornal “O Globo” em 2014, 1985 também marca uma “troca de guarda” na direção da Vila Isabel: a saída de Miro Garcia (que passaria ao Salgueiro) e a chegada em definitivo de Ailton Guimarães Jorge (o “Capitão Guimarães”). A escola iniciaria uma escalada que a levaria ao título de 1988, curiosamente em um raro hiato da presença de Guimarães na escola.
Quando Jamelão chegou ao Setor 1 da Sapucaí, a Mangueira já estava na dispersão.
O elogiado samba da Tradição, na realidade, era uma composição de meio de ano que foi utilizado no desfile. Fico imaginando o trabalho da Harmonia para fazer a escola cantar o “Txucarramãe” da letra do samba…
Em entrevista a este blog em 2011, o carnavalesco da Caprichosos em 1985, Luiz Fernando Reis, disse que após a apuração ouviu de Paulo de Andrade que “eu só tinha medo de perder para vocês”, em referência ao desfile da escola de Pilares. O samba seria reeditado em 2010, no Acesso A.
Os Grupos 2A e 2B desfilaram na Avenida Rio Branco, respectivamente domingo e segunda feira de carnaval.
O espaço abaixo das arquibancadas como uma grande “geral” só existiu em 1984. Para 85, cadeiras de pista foram colocadas e vendidas ao público.
Depois da surra de audiência que tomou no ano anterior, a Rede Globo encontrou as tais “condições técnicas” e transmitiu os desfiles normalmente.
VÍDEOS
A histórica apresentação da Mocidade em 1985
Trechos da Mocidade no Desfile das Campeãs, à noite
O belo desfile da Beija-Flor
A irreverente e inesquecível passagem da Caprichosos
Fotos: Extra, O Globo, Portelaweb e reprodução de TV
Detalhe para toda a maldade do Big Mig quanto ao condor da Tradição…
Só narrei fatos
Só deixou de comentar que, de acordo com Candeia, Antonio Caetano teria desenhado o Condor como símbolo da Portela em sua bandeira. Como todos acharam que era uma águia esta ficou como símbolo. Daí a Portela Tradição ter adotado o condor imperial como seu símbolo.
Sobre o samba da então estreante Tradição: esta obra constava no LP do grupo 1B (era a primeira faixa, se não me engano) mas com o trâmite judicial com a Portela, o LP foi retirado e relançado sem o samba da azul e branco. Desde então, a gravação se perdeu nos anais da história… até chegar a internet.
Aguardando os textos a partir dos anos 90, quando terei curiosidades mais detalhadas, rs. Abs!
um ano de um belo samba da mocidade e belíssimo desfile com ares de ficção científica,além de um bom samba da beija-flor que hoje seria tachado de pouco moralista,e a caprichosos que infelizmente estava no ano errado e por isso não foi campeã,mas o desfile e o samba ficaram para sempre.
Minha memória de 1985 (não estava no Rio na época do Carnaval) foi ter visto todos os desfiles à luz do dia e é impossível não esquecer de quatro deles: Beija-Flor, Portela e principalmente, Mocidade e Caprichosos.
Fernando Pinto foi genial e o outro Fernando, o Luiz, criativo e irreverente. Foi o maior carnaval que vi de ambas as escolas. E a Vila fez um desfile sensacional, bonito e emocionante. Temas infantis são bacanas por isso.
Entre os sambas, gosto muito do que homenageou Custódio Mesquita. O “Chora, Chorões” da Estácio também é bem bacana e – podem me apedrejar – apesar da péssima gravação do disco, eu gosto da obra da Imperatriz, embora a escola não tenha vindo bem na plástica, realmente a bateria e o seu naipe de tamborins, com desenhos bem-feitos, foram o ponto forte.
Não tem como não gostar desse desfile da Mocidade. Todo mundo lembra dele. Como disse o Mattar, o melhor da história da escola, com sobras!!
E pra mim, esse é o melhor samba da verde e branco!!
Título inquestionável. Se eu fosse uns três anos mais novo e este tivesse sido meu primeiro carnaval acho que seria independente só (só?) por causa do Ziriguidum. O atraso de segunda me foi favorável. Criança ainda, aproveitei para tirar aquela soneca reparadora de 2 horas e não perdi nenhum desfile vencido pelo sono. Não sei se é lenda urbana mas dizem que o João Saldanha, comentando na Manchete, ficou fulo da vida e deixou a transmissão com o que considerou deboche da Caprichosos pelo jejum de títulos do Botafogo (citado no samba com o “bota, bota, bota fogo nisso”, retratando o alvinegro como uma das coisas que já tinham sido boas no passado mas haviam desaparecido). Amo o samba da Ilha. Uma pena o desfile atribulado. Restos de umas penas de chapéu e acetato em forma de tulipas da fantasia dos meus tios no Império resistiram a vários carnavais guardadas no armário lá de casa.
Mais uma série de grandes histórias do Carnaval. Sem duvida Mocidade revolucionou naquele ano e mostrou um desfile nota 10!
Ao meu ver um desfile para ser estudado pelo “Migões” do ano 2116!
Obrigado. Mas neste caso o mérito total é do colunista e editor adjunto Fred Sabino
Méritos então ao Fred Sabino.
Tenho uma dúvida sobre o enredo da União da Ilha de 85.
Eu estou organizando um material sobre os desfiles do RJ e não gostaria que constasse informação errada. Afinal, qual o nome correto do enredo dessa escola?
Eu alguns lugares vejo “Um herói, uma canção, um enredo”, em outros “Um herói, um enredo, uma canção” e até “Um enredo, um herói, uma canção”.
Algum de vocês de ter um material ou uma fonte mais confiável para me informar corretamente.
Obrigado.