As expectativas para o desfile das escolas de samba para 1997 não eram das melhores. Duas mudanças no regulamento não caíram bem e contribuíram para tirar um pouco do brilho da festa, sem contar que diversas agremiações atravessavam crises internas.

Para começar, a Liesa finalmente aceitou que temas de origem estrangeira pudessem ser abordados num desfile. Sempre fui contra proibições arbitrárias, mas neste caso achei a “abertura” desnecessária, já que a nossa cultura tem tanta coisa a ser mostrada num desfile, que é quase uma obrigação as nossas escolas escolherem enredos nacionais.

Além disso, sob a alegação de se equilibrar as forças nos desfiles e de conter gastos, as escolas foram limitadas a desfilarem com oito alegorias no máximo. A meu ver, isso não mudou nada na questão da divisão de forças, pois as escolas com mais recursos gastaram mais em outras coisas enquanto as agremiações menos favorecidas economicamente seguiram limitadas. E, com todas as escolas praticamente desfilando com o mesmo número de alegorias, convenhamos, a divisão física das escolas na avenida acabou repetitiva.

Por outro lado, com o rebaixamento de quatro escolas em 1996, o número de agremiações caiu para 16, o que deixaria o desfile mais dinâmico. Depois, esse número chegaria até 12 nos dias de hoje, o que acho pouco – para mim, 14 é o ideal, sem levar em consideração questões de viradas de mesa ou interesses da televisão, claro.

Além disso, a safra de sambas era das piores em muitos anos, com poucas obras chamando realmente a atenção e nenhuma daquelas tidas como antológicas. Claro que ajudou também o fato de os enredos não serem dos mais instigantes e criativos na sua maioria.

Uma das escolas que se salvava e prometia um grande desfile era a campeã Mocidade Independente de Padre Miguel. O carnavalesco Renato Lage apostou num enredo sobre o corpo humano, e o prenúncio era o de mais um show nas alegorias. O samba era também considerado um dos que se destacava em meio ao fraco nível daquele ano.

Mordida com a derrota de 1996, a Imperatriz Leopoldinense de Rosa Magalhães escolheu como enredo a compositora e pianista Chiquinha Gonzaga. O samba era inferior em relação ao que a escola vinha produzindo, mas esperava-se, como sempre, mais uma apresentação de requinte da Rainha de Ramos.

Depois do denso enredo do ano anterior, a Beija-Flor escolheu um tema bem mais leve: o do universo das festas. A ideia foi do então jovem estudante Fernando Mello, que enviou carta ao carnavalesco Milton Cunha. Este gostou e desenvolveu o enredo. Mas o samba não era lá essas coisas.

Também não teria um samba de grandessíssima qualidade a Estação Primeira de Mangueira. O enredo seria sobre a história das Olimpíadas, já que o Rio era candidato à sede dos Jogos de 2004 e havia muita expectativa na cidade sobre a escolha da sede, o que aconteceria pouco depois do Carnaval – Atenas ganhou a votação.

Duas escolas escolheram temas parecidos: Salgueiro e Porto da Pedra levariam para a avenida a loucura. A expectativa era sobre como cada escola desenvolveria seu enredo, já que a abordagem da escola de São Gonçalo prometia ser mais sobre personagens famosos que enlouqueceram enquanto a salgueirense prometia ser mais densa.

No entanto, louco de verdade parecia o Império Serrano, que, depois de um desfile inesquecível em 1996 que remeteu aos seus melhores momentos, decidiu homenagear Beto Carrero no aniversário de 50 anos da agremiação. Nada contra o personagem, mas era um consenso de que o Império deveria ter aproveitado a ocasião para ter um enredo mais tradicional, com a cara da escola, ou que a própria agremiação ou seus personagens fossem homenageados. O samba de Arlindo Cruz e parceiros, embora de boa melodia, tinha uma letra coloquial “graças” ao tema.

Por outro lado, a Unidos de Vila Isabel optou por um tema mais tradicional: “Não deixe o samba morrer”, cujo título deixava bem claro o que a escola se propunha a apresentar. Já a Portela escolheu homenagear Olinda e suas particularidades como o frevo e as tradições locais.

Quem tentava se recuperar era a Unidos do Viradouro, com um enredo desenvolvido por Joãosinho Trinta sobre o surgimento do Universo e o desenvolvimento do homem. Infelizmente o carnavalesco teve uma isquemia meses antes do Carnaval, mas isso não prejudicou a preparação da escola. A novidade na Viradouro era a chegada do grande cantor Dominguinhos do Estácio.

Já Acadêmicos do Grande Rio escolheu como enredo a história da estrada de ferro Madeira-Mamoré em Rondônia e, apesar de o tema não ser tão popular assim, o samba era o melhor do ano tecnicamente. A União da Ilha também faria um enredo que remetia ao começo do século: a revitalização do Rio promovida pelo prefeito Pereira Passos.

Um enredo de mais fácil leitura teria a Unidos da Tijuca, que falaria sobre o Jardim Botânico do Rio. A Estácio de Sá, envolta numa gigantesca crise e sem quadra, tentaria contar a história do perfume.

As escolas promovidas do Acesso para 1997 eram a Acadêmicos de Santa Cruz, que levaria para a Sapucaí um enredo sobre as bandeiras, e a Acadêmicos da Rocinha, que, aproveitando o novo regulamento, teria como tema a Disney World e as criações de Walt Disney.

OS DESFILES

A Rocinha contou com ajuda financeira da Disney para o enredo “A Viagem Fantástica de Zé Carioca a Disney”, mas não foi autorizada a usar nenhum outro personagem que não fosse Zé Carioca, que era o fio condutor do enredo segundo a sinopse – os demais personagens famosos como Mickey e Tio Patinhas eram apenas estilizados.

Por isso mesmo, a Rocinha não fez uma boa estreia na elite. A despeito de as fantasias terem bom acabamento, as alegorias não foram lá muito criativas e praticamente se limitaram a reproduzir as atrações do parque com imagens do Zé Carioca, sem nada de excepcional.

O samba-enredo era fraco, com direito a um criticadíssimo trecho “Mickey Mouse e sua namorada / Formam um casal feliz / Pluto e Pateta fazendo gargalhada / A garotada pede bis”, e nem a boa bateria fez milagre.

Segunda a desfilar, a Unidos da Tijuca entrou multicolorida na passarela para simbolizar as inúmeras espécies de árvores, plantas e flores do Jardim Botânico. A escola contou a história de um dos símbolos do Rio desde os tempos de D.João VI até os anos em que Tom Jobim fez do Jardim Botânico sua segunda casa.

O destaque absoluto foi a comissão de frente, que simbolizou a chegada da Família Real ao Brasil, com dez mulheres, duas crianças (Dom Pedro e Dom Miguel) e Dom João, com ótimos figurinos.

O desfile começou com um conjunto visual adequado, mas a qualidade caiu gradativamente, dando a impressão de que a escola havia tido problemas para terminar a confecção das alegorias e fantasias finais.

Foi uma apresentação apenas correta, sem grande brilho, até porque o samba-enredo, como muitos da insossa safra de 1997, não empolgou. O risco de rebaixamento era baixo, mas existia dependendo que mostrassem outras escolas.

portodapedra1997Depois da excelente estreia no Grupo Especial em 1996, a Unidos do Porto da Pedra chegou esperançosa à Sapucaí. E a escola de São Gonçalo excedeu o que dela já se esperava ao fazer o que seria uma das melhores apresentações do ano. O carnavalesco Mauro Quintaes acertou em cheio na concepção do enredo “No Reino da Folia, cada louco com sua mania”, sobre os loucos mais famosos da história.

Antes do desfile, houve grande apreensão porque as fantasias da bateria e das baianas não chegavam à concentração. Mas, em cima da hora, os figurinos pintaram, e os componentes se vestiram às pressas para entrar com garra na Sapucaí – infelizmente algumas senhoras que não receberam os figurinos completos foram impedidas de desfilar. O samba defendido pelo excelente cantor Wantuir era contagiante, e a harmonia da escola esteve muito boa, acompanhada pela competente bateria.

A concepção alegórica, a despeito de não ser luxuosa, estava muito criativa e com bom acabamento. Gostei muito do abre-alas, com o tigre, símbolo da escola, ladeado por um Portal da Loucura. Loucos como Napoleão (este representado pelos integrantes da comissão de frente), D. Maria Louca, Dom Quixote de la Mancha e Nijinsky fizeram parte do desfile, assim como o Menino Maluquinho, personagem do grande Ziraldo, que desfilou. O “Maluco Beleza” Raul Seixas não poderia ficar fora do desfile e foi representado por uma alegoria.

Foi sem dúvida o melhor desfile até aquele momento, e a Vermelho e Branco parecia se consolidar como uma das escolas emergentes do Grupo Especial, não só pensando em fugir das últimas posições como tentando galgar colocações bem mais acima.

Já o grande Império Serrano, ainda triste com a morte do lendário Mestre Fuleiro, passou longe, mas bem longe, de repetir a emocionante apresentação de 1996. As expectativas pessimistas a respeito do enredo patrocinado sobre Beto Carrero se confirmaram, e o público não cantou o samba, apesar de mais uma excepcional atuação da cadenciada e afinada bateria.

Esperava-se ao menos que visualmente alguma coisa fosse surpreendente, mas a escola se limitou a reproduzir as atrações do parque de Beto Carrero, que desfilou na última alegoria.

No cinquentenário da Verde e Branco, as homenagens foram poucas, e restritas apenas ao começo do desfile – o lugar de Mestre Fuleiro no abre alas ficou vago. Problemas de evolução e harmonia comprometeram de vez o desfile. Um ano para os imperianos esquecerem.

“Homenagem a Beto Carrero mancha o cinquentenário”, carregou nas tintas o Jornal do Brasil.

Já a Grande Rio entrou na pista com um belo samba e boas possibilidades. Mas também fez uma apresentação de altos e baixos. Os carros alegóricos concebidos pelo carnavalesco Alexandre Louzada foram bonitos e renderam belo efeito, assim como as fantasias, que mesclavam bem o vermelho, verde e branco da escola com outras cores.

O problema é que o enredo não se mostrou dos mais populares, com as histórias de dificuldades dos operários nas obras e das riquezas naturais encontradas nos mais de 300 quilômetros da estrada. Afinal, a construção de uma ferrovia na Região Norte, no começo do século XX, convenhamos, era difícil de carnavalizar.

Durante o desfile, dois acidentes poderiam ter terminado em tragédia. Num deles, o destaque Zé Reynaldo caiu da alegoria “Mundo de perfume e fantasia” depois que o bastão que segurava quebrou. Apesar de uma queda de três metros, Zé Reynaldo teve apenas ferimentos leves e foi ajudado a voltar ao carro, de onde completou o desfile sentado. Depois, o carro “Morte e ressurreição da ferrovia” imprensou contra a grade o estilista Alexandre Spyer, responsável pela fantasia da rainha da bateria Monique Evans. Spyer desmaiou com o impacto, mas se recuperou.

Na parte final do desfile, a Tricolor, que desfilou com cerca de 4 mil componentes, teve dificuldades de evolução e quase estourou os 80 minutos regulamentares de desfile, sem contar que ainda enfrentou problemas de dispersão. Um desfile bonito, mas frio, até porque o samba, embora muito agradável, estava longe de ser explosivo.

Mangueira97Já a Estação Primeira de Mangueira fez uma boa apresentação ao contar a história das Olimpíadas no ano em que o Rio tentava ser eleito sede dos Jogos de sete anos depois. O carnavalesco Oswaldo Jardim dividiu o enredo da escola em duas partes: a primeira, sobre as Olimpíadas da Antiguidade, enquanto a segunda trataria dos Jogos como conhecemos hoje em dia.

Apesar do samba limitado, como sempre as atuações do inigualável Jamelão e da bateria do mestre Alcir Explosão conseguiram empolgar público e componentes – certa vez, Sérgio Cabral, o pai, afirmou que a Mangueira tinha o poder de transformar sambas fracos em sinfonias de Beethoven na avenida, e em 1997 essa máxima funcionou.

Apesar de uma comissão de frente sem brilho, a Mangueira começou muito bem o desfile, com um abre-alas levando seus baluartes cercados por colunas gregas, um gigantesco cavalo alado e o surdo ladeado por ramos de ouro, o símbolo da escola. Agradaram muito as primeiras alas e alegorias, sobretudo a chamada “O Olimpo”, com lindas esculturas em espuma, uma das marcas registradas do saudoso carnavalesco.

Já a concepção visual da parte moderna das Olimpíadas esteve um pouco abaixo. Inclusive o carro que levava diversos atletas famosos dos anos 90 (até mesmo o nadador russo Alexander Popov, então bicampeão olímpico dos 100m livre) teve problemas de iluminação. De qualquer forma, o enredo, que ainda abordou o projeto social esportivo da comunidade, continuou sendo bem contado até o fim do desfile, que teve alguns descompassos na evolução no fim pelo grande contingente.

Com boas fantasias, que respeitavam as cores da escola, e uma excelente harmonia do começo ao fim, a Mangueira se credenciou a brigar pelas primeiras colocações, mas ficou a impressão de que o sonho do título mais uma vez seria adiado. Mas a Verde e Rosa, comandada pelo presidente Elmo José dos Santos, estava encorpando. Era o “Muda, Mangueira” tendo resultado.

imperatriz1997A Imperatriz Leopoldinense fez mais uma linda exibição com o enredo sobre Chiquinha Gonzaga, com fantasias e alegorias maravilhosamente bem concebidas por Rosa Magalhães. Das alegorias, duas chamavam mais a atenção: o elemento “Loja de Instrumentos”, que representou o comércio da época de Chiquinha, e o “Baile de Máscaras”, simbolizando as festas do século XIX.

Um dos pontos altos, como sempre, foi a comissão de frente liderada por Fábio de Mello, com os componentes fazendo lindas coreografias com as capas das fantasias, que, quando abertas, representavam teclados de pianos.

Mas a Imperatriz acabou tendo problemas que lamentavelmente comprometeriam a briga pela vitória. Um deles era o samba-enredo, que embora correto e bem cantado por Preto Jóia, passou sem empolgar o público e os componentes.

E, o mais grave, dois carros quebraram durante o desfile. A quebra da linda alegoria “Presépio”, principalmente complicou a parte final da apresentação, já que os componentes tiveram de se espremer para seguir na pista. Pena.

Já com o sol raiando, o Salgueiro encerrou o primeiro dia de desfiles com um enredo parecido com o da Porto da Pedra, mas com outro viés sobre os loucos: a ideia do carnavalesco Mário Borriello era mostrar como a loucura influenciava na criação de grandes artistas.

Mas o enredo – embora visualmente a escola não tenha ido tão mal – não foi de tão fácil assimilação, pois a escola adotou uma temática mais pesada e não tão direta como a da Porto da Pedra. No, digamos, confronto direto, a escola de São Gonçalo levou vantagem em tudo.

Por isso mesmo, ao contrário de outros anos, o Salgueiro fez uma apresentação fria para o público, até porque o samba também não era dos melhores. Só mesmo a bateria do Mestre Louro e os componentes, com incrível empolgação, para levantarem o desfile.

O que levantou mesmo o público foi a aparição de Carla Perez, que vivia o auge da fama como a loura do Tchan, na alegoria dedicada ao pintor Salvador Dalí. Mas, para frustração geral, ela não pôde botar a mão no joelho e dar uma baixadinha porque tinha de se segurar no bastão do queijo para não cair do carro…

Aliás, o ponto alto do Salgueiro em termos de alegorias foi o elemento “Girassóis”, que simbolizava o famoso quadro de Van Gogh. No fim, o desfile acabou sendo apressado nos últimos minutos para que o Salgueiro não estourasse o tempo regulamentar. Conseguiu a duras penas…

De volta ao Grupo Especial, a Acadêmicos de Santa Cruz levou para o sambódromo um enredo sobre as bandeiras e fez uma passagem muito irregular. O começo foi promissor, com boas fantasias, mas do meio para o fim do desfile, o conjunto visual deixou a desejar.

O samba-enredo também não era brilhante e nem a boa atuação do carro de som e da bateria o salvaram. Diante disso, o risco de rebaixamento existia, embora, no conjunto da obra, a Santa Cruz tenha passado melhor do que a Rocinha, a primeira de domingo.

Viradouro97aDepois de uma apresentação desastrosa em 1996, Joãosinho Trinta prometia reagir com a Viradouro, com o enredo “Trevas! Luz! A Explosão do Universo”. No começo, pensava-se que o tema seria complicado demais, mas João 30 acertou no desenvolvimento, proporcionando uma brilhante e inesquecível apresentação.

O desfile começou com uma bela comissão de frente que representava os átomos antes do “big bang” que deu origem ao universo, e foi sucedida por um abre-alas totalmente preto (foto acima), simbolizando “As Trevas”.

Viradouro97bEm seguida, numa antítese do primeiro carro, a segunda alegoria era denominada “A Luz”, enquanto a terceira era chamada “A Terra” (foto) e representava o globo em altíssima temperatura, ainda em coloração avermelhada, diferente da qual conhecemos hoje.

Na sequência do desfile, Joãozinho Trinta mostrou os elementos água, fogo, terra e ar, sempre com fantasias de coloração forte, como cada momento pedia, e alegorias de excelente efeito. O carro “O Fogo”, por exemplo, reproduzia chamas de dragões por intermédio de lâminas em movimento. Outro destaque do desfile foi a ala das baianas, com uma roupa toda clara representando “Seres de Luz”.

No entanto, se visualmente a Viradouro já causava grande impacto, o samba-enredo, que não era tão poético, mas sem dúvida de um balanço irresistível, foi o grande fator para conquistar o público e contagiar todos os componentes, que tiveram ótima harmonia. Mesmo com expressões como “big bang”, a letra do samba permitia um canto fácil ao desfilante.mestrejorjao

Mas a bateria do Mestre Jorjão (foto) foi o elemento (com o perdão do trocadilho) que causou a grande repercussão daquele desfile. Isso porque, além da ótima cadência dada ao samba, a bateria inovou com uma paradinha em ritmo funk, levando o público ao delírio. Para o meu gosto, samba é samba, e funk é funk. Mas inegavelmente a execução foi perfeita e rendeu excelente resultado ao já quente desfile.

A despeito de pequenos descompassos de evolução do meio para o fim, a Viradouro encerrou o desfile com a alegoria “Explosão de alegria”, numa mensagem otimista sobre o futuro. Uma síntese perfeita do que foi a melhor e mais empolgante apresentação daquele irregular Carnaval de 1997.

Já a exibição da União da Ilha pode ser definida como uma explosão de nervos. A começar pelo destempero do presidente Jorge Gazelle ao ver alegorias e fantasias incompletas ainda na concentração. Ele não poupou o carnavalesco Roberto Szaniecki e anunciou sua demissão antes mesmo da escola começar o desfile em inflamadas entrevistas a rádios e televisões.

Foi um desfile irregular, bem sintomático daquele ano, com um enredo (“Cidade Maravilhosa, o sonho de Pereira Passos”) sobre as obras que transformaram o Rio de Janeiro no começo do século. Havia potencial para uma boa apresentação, e alguns setores eram bem interessantes, como o que retratava a Belle Époque, mas ficou uma sensação de que tudo poderia ter sido melhor.

O samba da Ilha também não remetia às características de leveza da escola, pois era muito longo e não tinha explosão. As fantasias também não eram leves, e os componentes não evoluíram à altura das tradições insulanas de empolgação. O desfile foi tão frio, que a harmonia da escola teve de segurar o último carro alegórico por alguns minutos para que a escola cumprisse o tempo mínimo de desfile.

Outra querida escola que teve um desfile para esquecer foi a Estácio de Sá. Sem quadra e com poucos recursos, a Vermelho e Branco sofreu muito para colocar o carnaval na rua. Mesmo com o grande carnavalesco Max Lopes, não foi possível a escola reeditar seus melhores momentos com o enredo “Através da Fumaça, o Mágico Cheiro do Carnaval”, sobre o perfume.

A emoção dos componentes por terem ao menos conseguido chegar à Sapucaí foi contagiante no começo do desfile e muitos choraram. Um deles foi Mestre Ciça, que se despedia da escola naquele ano. 

A bateria, aliás, foi o ponto alto da Estácio, com ótimas paradinhas e coreografias dos ritmistas. Com uma garra comovente, os componentes fizeram de tudo, mas os problemas estruturais da escola eram visíveis.

Mocidade_97Por outro lado, quem brilhou foi a campeã Mocidade Independente de Padre Miguel. O enredo “De corpo e alma na Avenida”, do carnavalesco Renato Lage, cumpriu o que se esperava na avenida. Mais uma vez a Mocidade brindou o público com alegorias muito criativas.

A comissão de frente representava homens-peixe e a vida sob a terra, já que, como lembrava Renato Lage, mais de 70% do corpo humano são formados por água. A seguir, o carro abre-alas simbolizava a célula-mater e era espetacular, apesar de a iluminação ter falhado.

Mas sem dúvida a alegoria que mais chamou a atenção foi a do coração (foto acima), cujos efeitos especiais em iluminação vermelha funcionaram maravilhosamente bem, numa representação incrível da circulação cardíaca, mesclada a uma engrenagem. Brilhante!

Nos quesitos de pista, o ponto alto foi a maravilhosa bateria do saudoso Mestre Coé, com um andamento espetacular. Naquela época, apesar de algumas baterias já estarem aceleradas, muitas ainda mantinham a cadência de verdade que um samba exige.

O samba-enredo era dos melhores do ano (ganhou o Estandarte de Ouro) e foi maravilhosamente defendido por um Wander Pires em excelente forma – o cantor também seria agraciado na eleição de “O Globo”.

O único senão da Mocidade foi a evolução acelerada, tanto que a escola, a exemplo da Ilha, teve de segurar as últimas alas para não passar abaixo dos 65 minutos mínimos exigidos. De qualquer forma, a escola foi recebida na Apoteose sob os gritos de “campeã” e prometia disputar o título com a Viradouro – a meu ver, a escola de Niterói foi ligeiramente melhor no conjunto da obra.

Um grande atraso marcou a entrada da maior campeã do Carnaval carioca, a Portela. Devido a problemas na dispersão da Mocidade, o brilhante cantor Rixxa precisou gastar o vozeirão dele cantando vários (e lindos) sambas de esquenta antes do desfile. O gênio Paulinho da Viola deu uma palhinha em “Foi um rio que passou em minha vida”.

Lamentavelmente o esquenta foi o que de melhor aconteceu na noite portelense. Logo de cara, uma das garras da águia do abre-alas apareceu quebrada e tentou-se consertá-la desesperadamente já no início do desfile sobre Olinda.

Com um conjunto alegórico inferior ao de outras escolas, um samba limitado (apesar do upgrade habitual dado por Rixxa), além de problemas de evolução e – pasmem – de bateria, a Portela passou longe de deixar uma grande impressão. E, em se tratando de Portela, isso é sempre triste, independentemente da escola pela qual torcemos.

beijaflor1997Com direito à participação de Ronaldo Fenômeno, eleito melhor jogador de futebol do mundo em 1996, e sua então namorada Susana Werner, entrou na pista de desfiles a Beija-Flor de Nilópolis. No entanto, a Azul e Branco foi outra agremiação que poderia ter se saído melhor.

A Beija-Flor fez um passeio por festas conhecidas, como Réveillon, Natal, São João, Páscoa, Haloween (segundo os críticos, um exagero, já que havia outras festas nacionais a serem abordadas) e até o Jubileu pelo cinquentenário do município de Nilópolis.

Aliás, o ponto alto do setor que homenageou Nilópolis foi a ala de baianinhas, que simbolizou o bolo de aniversário e ainda ganhou o Estandarte de Ouro de Melhor Ala. Agradou também o setor que lembrava as festas de religiões afro-brasileiras.

O conjunto alegórico e de fantasias teve alguns bons momentos e tinha boa divisão cromática, mas o enredo não foi de grande impacto, e o samba-enredo era um dos mais fracos que a grande agremiação já levara para a Sapucaí.

Resultado: um gosto de quero mais, apesar de a Deusa da Passarela inegavelmente ter apresentado um desempenho bastante adequado nos quesitos de pista, como Harmonia, Evolução e Bateria.

Pouco antes de o sol raiar, a Unidos de Vila Isabel iniciou o último desfile de 1997 e teve uma apresentação bastante digna, com um enredo exaltando os antigos carnavais e criticando os rumos mercantilistas que a festa vinha tomando já naquela época, de uma forma agradável e não azeda demais.

O samba-enredo, este sim, era dos melhores da fraca safra de 1997. Os componentes desfilaram com alegria e desenvoltura, até porque a Vila tinha cerca de 3 mil desfilantes, um contingente bastante adequado para uma evolução tranquila.

Mesmo sem ter a grana de uma Mocidade ou Imperatriz (escolas mais abastadas da época), a Vila deu o recado com correção na parte visual, mesmo claramente com alegorias menores e fantasias sem tanto luxo.

REPERCUSSÃO E APURAÇÃO

Encerradas as apresentações, o consenso era de que o melhor desfile no conjunto havia sido o da Viradouro, tanto que a escola levou o Estandarte de Ouro de “O Globo”. Mas a Mocidade também passou muito bem e poderia sem dúvida ameaçar a inédita vitória da escola de Niterói.

A apuração teve diversas punições, que seriam decisivas para o rebaixamento. As escolas mais prejudicadas, com quatro pontos perdidos, foram o Império Serrano, com três pontos tirados por merchandising e um em dispersão, e a Estácio de Sá, com três por merchandising e um por ter desfilado com número de baianas abaixo do exigido. Também por “merchan” a Rocinha perdeu três pontos, enquanto Grande Rio e Santa Cruz perderam um ponto por problemas na dispersão.

Como havia descarte da maior e da pior nota de cada agremiação, a apuração até que mostrou equilíbrio, com Viradouro, Mocidade, Imperatriz e Beija-Flor arrancando na frente. Depois do quesito Evolução, apenas as escolas de Niterói e Padre Miguel se mantiveram na ponta, mas, depois de dois 9,5 para a Mocidade em Harmonia, a Vermelho e Branco se isolou na liderança.

No último quesito (Bateria), a Viradouro chegou a levar uma nota 9, que acabou descartada e não tirou a merecida vitória da escola, com 180 pontos. A Mocidade terminou em segundo lugar (179,5), enquanto a Mangueira atropelou nos últimos quesitos para obter seu melhor resultado na década até então, em terceiro (178,5). A Beija-Flor terminou em quarto (178), superando Porto da Pedra e Imperatriz, que somaram a mesma pontuação (177,5), com a escola de São Gonçalo levando a melhor no desempate (Samba-Enredo).

As punições já citadas salvaram a União da Ilha do rebaixamento e, com isso, caíram duas das escolas mais tradicionais e queridas da cidade: Estácio de Sá e Império Serrano, ao lado das já previstas Santa Cruz e Rocinha.

Viradouro97cDepois do título da Viradouro, Joãosinho Trinta recebeu a aclamação não só do público, como das demais agremiações e da imprensa, que tantas vezes o criticou ao longo de décadas de desfiles.

“A plateia literalmente caiu na gandaia! Foi uma mensagem que quis passar de que a nossa vida, assim como o Universo é um tremendo big bang, em expansão. A Terra parece que está parada e já está feita, mas não, se movimenta em velocidades astronômicas, pelo espaço sideral. Então, quantas surpresas a vida não nos reserva? A vida sempre reserva esperança, grandes novidades quando a gente acredita!”, comentou o saudoso carnavalesco no domingo seguinte à vitória, no programa Domingão do Faustão.

No Desfile das Campeãs, mesmo com o lado direito do corpo ainda afetado pela isquemia, João desfilou na pista segurando com a mão esquerda uma bandeira do Brasil. Com inteira justiça, o gênio foi ovacionado pelo público.

RESULTADO FINAL

POS. ESCOLA PONTOS
Unidos do Viradouro 180
Mocidade Independente de Padre Miguel 179,5
Estação Primeira de Mangueira 178,5
Beija-Flor de Nilópolis 178
Unidos do Porto da Pedra 177,5
Imperatriz Leopoldinense 177,5
Acadêmicos do Salgueiro 177
Portela 174,5
Unidos de Vila Isabel 173,5
10º Acadêmicos do Grande Rio 169
11º Unidos da Tijuca 168
12º União da Ilha do Governador 166
13º Estácio de Sá 163 (rebaixada)
14º Acadêmicos de Santa Cruz 163 (rebaixada)
15º Império Serrano 162 (rebaixada)
16º Acadêmicos da Rocinha 153,5 (rebaixada)

 

O Grupo de Acesso A foi marcado, mais uma vez, por situações estranhas no julgamento. Três escolas empataram com 178 pontos: Tradição, Caprichosos de Pilares e São Clemente, mas apenas as duas Azul e Branco subiriam para o Grupo Especial de 1998.

Pelo regulamento, a Tradição levaria o título por ter obtido nas notas a pontuação máxima (180) – ela só perdeu dois pontos por ter desfilado com número insuficiente de baianas. Já Caprichosos e São Clemente ficaram rigorosamente empatadas em tudo, já que ambas perderam a mesma quantidade de pontos, e nos mesmos quesitos (Comissão de Frente e Fantasias). Com isso, como previa o regulamento, foi realizado um sorteio e a Caprichosos venceu, o que a levou de volta ao Grupo Especial.

Inconformada, a São Clemente entrou na Justiça e conseguiu liminar para desfilar no sábado das campeãs. Durante o ano todo de 1997, a escola de Botafogo tentou a vaga no Grupo Especial, mas os recursos não obtiveram sucesso.

De qualquer forma, a vitória da Tradição foi bastante contestada porque a escola não só desfilou com menos baianas, como estas passaram sem fantasias, assim como a bateria. O enredo campeão chamava-se “Os Balangandãs”, e associava a história da Bahia – e seus orixás, claro – com a criação das bijuterias, e ainda lembrava Carmen Miranda, que popularizou os adereços.

Já a Caprichosos passou bem com um enredo sobre a evolução da comunicação (“Do tambor ao computador”). Mas a meu ver, o desfile mais agradável do ano foi mesmo o da São Clemente, que homenageou o bairro de Botafogo e ela própria com um samba alegre, como é a cara da escola.

Caíram para o Grupo de Acesso B quatro escolas: Unidos do Cabuçu, Arranco do Engenho de Dentro, Acadêmicos do Dendê e Vizinha Faladeira. A campeã do Acesso B foi a Lins Imperial, com enredo sobre aspectos da cultura e cotidiano do Brasil, e o vice ficou com a Acadêmicos do Cubango.

CURIOSIDADES

– A TV Manchete brindou seus telespectadores com o Botequim da Manchete não só nos desfiles, mas num excelente programa pré-carnavalesco em que todos os intérpretes cantaram os sambas numa roda de bar com instrumentos de pagode. A apresentação foi do imortal Oswaldo Sargentelli.

– Durante o desfile da Vila Isabel, o último do Grupo Especial, Fernando Pamplona anunciou que aquele seria seu derradeiro Carnaval como comentarista. Sem explicar os motivos da “aposentadoria” dos microfones, Pamplona agradeceu ao dono da Manchete, Adolpho Bloch, e destacou que jamais fora tolhido pela emissora de emitir qualquer opinião. No entanto, anos depois, durante seminário apresentado pelo jornalista Fábio Fabato em 2011, surgiu a verdadeira versão: irritado com a direção de imagem da Globo – que exibia os desfiles em pool com a Manchete – e inadvertidamente cortava o sinal para “bundas” e “peitos” em meio à cronologia do desfile, Pamplona fez críticas duríssimas, o que desagradou ao diretor global Aloysio Legey. Este “pediu a cabeça” de Pamplona sob efeito de romper o pool nos anos seguintes, o que seria um desastre pela crítica situação financeira da Manchete. Para não prejudicar a emissora, Pamplona teve a iniciativa de se retirar. E, infelizmente, jamais voltaríamos a acompanhar os desfiles com os comentários do antigo carnavalesco.

– Falando em opiniões fortes de Pamplona, ele também mostrou a veia crítica afiada quando referiu-se aos enredos da Rocinha e do Império Serrano de “caça-níqueis”. Imaginem o que ele diria se participasse das transmissões nos últimos anos…

– Coincidentemente Joãosinho Trinta e Dominguinhos do Estácio, que jamais haviam estado juntos numa escola, conquistaram na Viradouro o que viria a ser o último título deles no Grupo Especial.

– Foi a melhor colocação da história da Porto da Pedra em sua passagem pela elite do Carnaval carioca. No ano seguinte, a agremiação de São Gonçalo seria rebaixada pela primeira vez, voltando em 2000. Depois de novo rebaixamento naquele ano, a escola voltou em 2002 e permaneceu no Grupo Especial até 2012.

– Wander Pires conquistou em 1997 seu único (até agora) Estandarte de Ouro de melhor puxador. O intérprete vivia excepcional momento pela Mocidade, com a qual conseguira criar grande identificação. Mas, a partir de 2000, Wander trocou muitas vezes de escola: Salgueiro (2000), União da Ilha (2001), Mocidade (2002, 2006, 2009 e desde 2017), Grande Rio (2003-2005 e 2007-2008), Viradouro (2010), Vai-Vai em São Paulo e Estado Maior da Restinga em Porto Alegre (2011), Porto da Pedra (2012), Imperatriz (2013-2014), Portela (2015) e Estácio (2016). Ufa!

– Falando em intérprete que já defendeu muitas escolas, Rixxa fez seu último desfile como cantor principal da Portela – ele esteve de volta em 2014, como auxiliar no carro de som. Depois, ele passou (entre outras escolas) por União da Ilha, Imperatriz, Mangueira e Mocidade.

– A Mocidade Independente de Padre Miguel obteve naquele ano de 1997 seu segundo Estandarte de Ouro de melhor samba – o outro havia sido em 1974 (“A Festa do Divino”). Um terceiro prêmio viria em 2018 (“Namastê… A Estrela Que Habita em Mim Saúda a Que Existe em Você”).

– Lamentavelmente o Império Serrano caiu de novo em 1997, a exemplo do que já havia acontecido em 1978 e 1991 – em 1994, a escola deveria ter sido rebaixada, mas escapou. Depois, a querida escola de Madureira cairia mais três vezes, em 1999, 2007 e 2009. Em 2018, o Império ficou em último lugar mas foi salvo por uma “virada de mesa” que também salvou a Grande Rio.

– Uma grande confusão aconteceu durante o desfile do Império Serrano. Isso porque o comentarista da TV Globo Mauro Monteiro (cenógrafo), insatisfeito com o conjunto visual da escola, disse que o presidente José Marcos da Silva, o Marquinhos, deveria apresentar as notas fiscais dos famosos (e enormes) cordões e anéis que ostentava. Informado sobre a crítica, Marquinhos foi até a cabine da emissora para tirar satisfações e, dizem, estava armado. No dia seguinte, Mauro se retratou no ar antes do desfile da Portela.

– Durante o desfile de domingo, a Vigilância Sanitária fez uma blitz na Sapucaí e autuou o bufê do restaurante Castelo da Lagoa, responsável pela comida no camarote em que estava o prefeito Luiz Paulo Conde, além do fornecimento de outros três espaços (Kaiser, Rio-2004 e InterBank).

CANTINHO DO EDITOR – por Pedro Migão

Mais uma vez, assisti ao desfile do então Setor 4, hoje 10. Pelo menos onde eu estava, ninguém se deu conta que passava a campeã quando a Viradouro desfilou.

A apresentação da Portela foi muito prejudicada pelo boicote da bateria ao Mestre Paulinho Botelho, oriundo de outra escola e que não foi aceito pelos ritmistas. A bateria errou o tempo todo e por muito pouco não houve consequências mais sérias durante o desfile.

Pelo segundo ano consecutivo a disputa de samba da Vila Isabel teria sido decidida pela “rapaziada”, preterindo o belo samba da compositora Mart’Nália.

Apesar do apoio da Disney, a Rocinha foi impedida de usar os símbolos da empresa, que passaram estilizados.

Já no Império Serrano, o carnavalesco de 1996 tinha um enredo pronto sobre coroas para marcar o cinquentenário da escola, que chegou a ser ventilado na imprensa. Com o anúncio do enredo patrocinado, Ernesto do Nascimento se afastou da escola e foi substituído por Jerônimo Guimarães, que assinou o desfile sobre Beto Carrero. O curioso é que nos 60 anos a escola repetiria o erro de apelar a um enredo patrocinado de realização duvidosa – e cairia mais uma vez…

O desfile da União da Ilha foi marcado por uma grande confusão na concentração entre o presidente Jorge Gazelle, o “Peixinho”, e o carnavalesco Roberto Szaniecki, pelo fato de as alegorias terem chegado inacabadas à Sapucaí. Szaniecki foi demitido ainda antes do desfile, com o presidente soltando cobras e lagartos na televisão.

Outra grande confusão foi a apuração do Grupo de Acesso. Até hoje o pessoal da Amarelo e Preta jura que houve “bolinha fria” no sorteio que selou a subida da Caprichosos.

Os Grupo C, D e E, uma vez mais, desfilaram na Avenida Rio Branco. O Acesso C foi vencido pelo Paraíso do Tuiuti, com a Mocidade Unida do Santa Marta também promovida. O Grupo D foi ganho pela Acadêmicos do Sossego, com a Alegria da Zona Sul subindo ao Grupo C. E, por fim, o E teve quatro escolas ascendendo ao D: a campeã Acadêmicos do Cachambi, Mocidade Independente de Inhaúma, Arrastão de São João e União de Guaratiba.

Links

O desfile campeão da Viradouro em 1997

O belo desfile que deu o vice à Mocidade

A apresentação da Mangueira com enredo sobre as Olimpíadas

O melhor desfile da Porto da Pedra no Grupo Especial

Fotos: O Globo, Extra e reprodução de internet

26 Replies to “1997: Deu-se o big bang, e a Viradouro surgiu das trevas para consagrar o mito João”

  1. Boa tarde!

    Prezado Fred Sabino:

    Não gosto de 1997. Como espectador iniciante da Sapucaí à época (Tendo começado a ver ao vivo apenas dois anos antes, em 1995), minha estada no sambódromo foi desconfortável (O que é pleonasmo para quem vai de arquibancada, mas este ano houve muitos problemas).

    Sobre algumas escolas…

    – Tijuca
    Ao que parece, levando-se em consideração declaração dada no programa “Esquentando os tamborins”, da Manchete, Lucas Pinto (Auxiliado por Sergio Murilo) teve problemas para adaptar seu enredo ao novo número (Reduzido) de alegorias.

    – Império Serrano
    Beto Carreiro era pé frio! Em 1998, a X-9 Paulistana o homenageou em São Paulo, e também fez um mal desfile.

    – Grande Rio
    Uma das alegorias fazia alusão à morte dos trabalhadores. Havia esculturas de pessoas crucificadas. Esta alegoria quase foi censurada (No estilo do “Cristo Mendigo” da Beija-Flor).

    – Mangueira
    A Comissão de Frente coreografada por Débora Colker misturava integrantes da comunidade com bailarinos. As fantasias não resistiram ao desfile, e houve problemas de sincronização de movimentos na difícil (E olímpica) coreografia.

    – Ilha
    Se ao vivo já era ruim, pela TV deve ter sido pior. As alegorias foram concebidas em “frente e verso”, num efeito “antes e depois”. Valeu só a idéia…

    – Mocidade
    Apensar do sucesso do carro do coração, o meu favorito em toda minha história pessoal do carnaval é o carro do pulmão. Enredo fácil, desses que não precisam de roteiro ou legendas na TV.

    Algumas questões sobre este carnaval servem para olharmos a atualidade dos desfiles.
    – Por que Ilha e Mocidade conseguiam passar abaixo do tempo desfilando com o mesmo número de pessoas de hoje em dia?
    – Além de mais lenta, a afinação dos instrumentos da bateria da Mocidade parecia ser mais baixa (E mais impactante, ou agradável, pois batia no peito). Alguém pode me elucidar isso?

    Curiosidade:
    – Foi a pior colocação da Imperatriz nos anos 1990 (Um “modesto” 6º lugar…).
    – A Lins Imperial reeditará em 2016 o enredo “Tudo isto é Brasil”, que deu a ela o título do Acesso B em 1997.

    Que venha 1998!

    1. A Lins Imperial também falou de Beto Carrero anos antes do Império e não levou nada. Chiquinha Gonzaga também é enredo “zicado”. Lembrem da Mangueira em 1985…

      Abraços!

          1. Rodrigo,

            Barroca em 2003, mas não caiu devido “virada de mesa”.

            A Leandro, realmente não recordo, mas em 2014 ela falou de futebol (aproveitando a Copa no Brasil) e caiu!

            Da “bancada da ONU”, o México já derrubou a Imperador do Ipiranga em SP no ano de 2005 e a Viradouro em 2010. E a Coréia do Sul rebaixou a Inocentes e Vila Maria aqui em SP em 2013.

          2. Ladislau, Barroca (2003), Leandro (2014) e a Torcida Jovem, no 1-UESP (acho que em 2014 também). Todas se lascaram!

        1. Falar de doces também é tema azarado: os dois chocolates da Caprichosos e o sorvete da Águia de Ouro, em 2008 (e a primeira que se salvou, a Tucuruvi, também falou de sorvete).

  2. sei não,mas 1997 junto com 09 são os piores anos de sambas do carnaval carioca.

    a viradouro se fosse hoje levaria 300 pontos válidos com o descarte da menor nota.isso porque eram nove quesitos e não dez como acostumamos a ver.

    a rocinha tem um samba bosta,mas como disse sabino,divertido.

    melhor colocação da porto da pedra na elite do samba.

    no acesso a tradiçao campeão foi uma palhaçada já que não tinha número máximo de baianas,e passou a bateria com fantasias incompletas.

  3. Título muito merecido da Viradouro! Acho que, junto com Tijuca 2004, foi a apresentação mais surpreendente que já vi no Carnaval, pois a escola vinha de dois desfiles muito fracos, dando a impressão de que Joãozinho Trinta estava insatisfeito no Carnaval. Também ocorreu a isquemia e declarações do então presidente da Viradouro dando a entender que a relação entre os dois não ia bem, o que só fez aumentar a pouca expectativa em relação ao desfile. Felizmente, a escola de Niterói deu um show na avenida, fazendo do gênio Joãozinho Trinta campeão novamente após 17 anos. O que foi aquele abre-alas preto? Mais uma vez, gênio!

    Mangueira fez um bom desfile, organizado, com um início contagiante, mas a meu ver no geral foi inferior ao do ano anterior, mas como o nível dos desfiles em geral também caiu, o 3º lugar ficou justo. A interpretação de Jamelão, como mostrado no texto, salvou o samba, que era bem fraco.

    Porto da Pedra merecia ficar a frente da Beija-Flor, que após esse ano resolveu alterar drasticamente sua estrutura, formando uma comissão de carnaval dando plenos poderes ao Laíla, o que, com os resultados obtidos até hoje, provou-se uma escolha bastante acertada.

    No desfile da Grande Rio, deu dó ver o intérprete Nego, desesperado com a fria recepção do público, berrar “ajuda, gente!”. E era um belo samba…

    Também em relação a esse desfile, ocorreu o fato mais triste do Carnaval 97, que foi a morte do diretor de bateria, Mestre Maurício, que passou mal na entrada da escola, até terminou o desfile, mas infelizmente faleceria no dia seguinte, ele que foi o vencedor do estandarte de ouro no ano anterior, uma pena…

  4. “Lá vem a Viradouro aí meu amor/É big bang, coisa igual eu nunca vi/Que esplendor!” Que desfile! Que campeonato! Dois meses depois do desfile eu nascia. Acho que nem preciso explicar porque sou Viradouro, né?

    Tirando Mocidade, Viradouro e até Portela e Imperatriz (sambas estes que gosto) a safra de 1997 é horrível! Cada pérola que saiu… Rocinha e Ilha então…

    Confesso que não entendi o horário dos desfiles, começava as 19h30 e terminava as 7h30 da manhã, creio eu que teve pausa para limpeza da pista após a 4° escola

    Uma cena curiosa na apuração foi antes da terceira nota de bateria. A Globo estava mostrando o presidente da Mocidade triste já temendo a derrota. Fernando Vanucci narrou desta forma: “E aí a desolação de Jorge Pedro, Presidente da Mocidade Independente de Padre Miguel. Parece que nem acredita mais numa reviravolta neste final”. Pois é, a tal reviravolta quase aconteceu… quase…

    Mocidade aliás, que pela segunda vez na década sofria do mal de ser campeã num ano e vice no outro. Aliás, Padre Miguel começava a ser freguês da Viradouro, qualquer posição que a vermelho e branco ficava, a estrela-guia vinha logo depois…

    Porto da Pedra tinha tudo pra crescer na elite, mas como veremos amanhã não foi bem assim…

    As notas de bateria da Viradouro calaram a boca dos críticos que rejeitam a novidade – a exceção é o fdp do Álvaro Medeiros.

    O Título da Tradição foi tão escandaloso que o Castanheira ameaçou se demitir da Liga.

    Falando no Grupo A, na Caprichosos começava a despontar o talento de Jackson Martins

    Que venha o polêmico empate de 1998!

  5. carlos alberto lembra que há uma década em 2006 houve uma apuração esquissistíssima que deu para a vila seu segundo campeonato,se não de vc acontecer isso nesse ano,é para ficar ligado porque pode ser uma apuração bastante acirrada,acirradíssima,com muitas punições que nem aquele ano.

    1. Muito esquisita a apuração citada, a Vila só foi campeã (com méritos) pq a Grande Rio teve uma evolução muito lenta e perdeu aquele 0,2. Acho que 2016 vai ser acirrado mas sem punição – a não ser que alguma escola erre muito

      1. é isso que eu disse,muita gente desdenha da vila isabel,mas o título foi sim merecido.,fora isso,a vila isabel tinha um dos piores sambas,e que levado pelo ótimo tinga foi bem na sapucaí,e a vila isabel tinha uns carros alegóricos bonitos devido ao apoio da pdvsa.

  6. Um detalhe é que no carro de som da Viradouro estavam o Rico Medeiros e o Celino Dias como apoios do Dominguinhos do Estácio.

  7. Gostei desse carnaval pois tive excelentes surpresas com a Viradouro e a Porto da Pedra mas em relação a safra de sambas só se salvaram Mocidade, Porto da Pedra, Viradouro e Grande Rio de resto fraquíssimos.

  8. Outro detalhe, na Caprichosos de Pilares, houve uma troca de intérpretes no período pré-carnavalesco, sai o saudoso Luizito,que gravou o samba no CD, e entra o então jovem e também saudoso Jackson Martins, que levou o samba na Avenida.

  9. Carnaval de 1997 lembro bem que começava muito cedo. Na lembrança, o desfile da Santa Cruz ainda com o dia meio claro.

    Título apertado, e para alguns incontestável da Viradouro, mas que deveria ter ido para Padre Miguel. A Mocidade apresentou uma plástica de fácil e leitura e beleza, mesmo falando de um tema tão abstrato quento o corpo humano. E mesmo usando balões de gás para marcar o tempo, a escola pecou na harmonia e evolução.

    De fato a Viradouro mostrou uma força e harmonia excelentes e talvez serviu para coroar o miro Joãosinho 30.

    A Comissão da Imperatriz maravilhosa e bem ensaiada com aquelas capas. Fábio Melo de novo de parabéns. Porto da Pedra com um enredo agradavel de se assitir.

    Gosto de rever os desfiles de 97 exibidos pela Manchete. Um momento unico é o Pamplona dando um “esporro” no Haroldo Costa para ouvirem a bateria da Mocidade.

  10. Não gosto desse samba da Viradouro, o considero um dos piores já no refrão: “LÁ vem a Viradouro AÍ”!! Alguém explica isso?

    De qualquer forma, título merecido. Se bem que, a exemplo dos gresilenses corretos de 1996, um empate entre Mocidade e Viradouro seria bacana. Porém, a escola de Padre Miguel perdeu ponto em Harmonia: muitas alas passaram sem cantar o ótimo samba.

    No mais, deixo este trecho que o Marco Maciel deixou em seu Sambario, nos comentários de 1997: “Conforme diz o livro “Sambeabá”, de Nei Lopes, 1997 foi o ano em que mais o narcotráfico foi influente na escolha dos sambas-enredo de cada escola”.

    Isso explica a péssima qualidade da safra, certo?

    E acho que eu sou o único que acho gostoso de cantar “Roda gira, gira roda, quero ver girar…” e “Sou oriundo… do vegetal… e também do animal…”!!

  11. Ah! Como eu ia esquecer; seria imperdoável porque até eu me emocionei!!

    Fred e Migão, no Desfile das Campeãs, a Viradouro “ressuscitou” o samba de 1992 no seu esquenta – tinha sido proibido devido ao ocorrido – que foi entoado às lágrimas por toda a escola, com Celino Dias e Rico Medeiros dando um show de interpretação, enquanto Dominguinhos barbarizava nos cacos!!

  12. Migão, este ano eu trabalhei na pista, na concentração, entre os setores 1 e 3. E, ao contrário do que você sentiu no antigo setor 4, tive a sensação de que passava a campeã assim que os dois primeiros setores da Viradouro entraram na avenida. Grandes destaques do ano as escolas do outro lado da Baía. Ótima apresentação do Tigre de São Gonçalo. Mocidade veio exuberante mas venceu o inesperado, a surpresa, o jogo de cores do Joãozinho. Auxiliado pelo funk do Jorjão que levantou o público. O desfile do Acesso – ou melhor, o resultado – foi uma brincadeira de mau gosto. Eu gosto de cantar o “roda gira, gira roda”. Apesar de tudo.

  13. O enredo da Rocinha foi tosco, mas o desfile foi bem divertido e o trecho: “Abra a roda, criançada/Vamos sacudir/Rocinha faz a festa na Sapucaí” grudou por muuuuito tempo….

    O big bang da Viradouro foi outra daquelas coisas históricas que acontecem na sapucaí. Aquele início negro, contrastando com o branco absoluto logo atrás e depois os vermelhos, marrons, etc.. ilustrando o fogo e a formação da terra foram de uma genialidade ímpar!

    A letra deste samba era outra coisa que pegava fácil. Todo o trecho que começa em “Oh! Mãe Iemanjá, deusa das águas! Nanã, deixa o solo se banhar!…” e vai até o refrão “Vou cair na gandaia” é magico!

    Me lembro muito bem de como era didático o enredo da Mocidade! Era bater o olho em cada alegoria, em cada ala e saber na hora do que se tratava. Grande momento da verde e branco na avenida.

  14. Minha estrela era a maior favorita pré-carnaval, pois seu enredo e samba davam o tom naquele ano, mas, mesmo com m desfile épico, não tinha como não ser a Viradouro a campeã. Um dos momentos mais apoteóticos para mim na história do carnaval (e olha que vejo desde os seis anos de idade – 1986 – e a sério – todas as escolas – desde 1989.. Sempre dormir tarde (mesmo em dia normal – de trampo no dia seguinte – costumo dormir 01:00 ou mais da madrugada).

    Mocidade deu azar em 92 e 97, pois sem elas (Estácio e Viradouro) seria campeã com pé nas costas. 99 perdemos naquele carro esplendoroso que empacou (ganhamos o título moral e desfile dos mais lembrados do ano) e alguns garfos (como 87). Uma pena para a Mocidade esses anos de 92 e 97, mas como fã e adorador de desfiles agradeço aos deuses do Carnaval, pois foram desfiles épicos das quatro (Estácio e Mocidade em 92 e Viradouro e Mocidade em 97).

Comments are closed.