Dentro desta série do Ouro de Tolo, coube a este editor-chefe escrever sobre a Portela, escola do meu coração e da qual faço parte da diretoria desde maio de 2013.
Em uma escola que tem inúmeros grandes sambas como a Portela, é até complicado se estabelecer os dez sambas de maior qualidade da história. Se pedirmos a 50 portelenses as suas listagens de “10 Mais”, diria ao leitor que teremos 50 listas diferentes.
Então, tendo isso em conta, minha lista é muito mais uma lista pessoal que propriamente tentar estabelecer os dez melhores da longa e gloriosa história da Águia. São os meus sambas marcantes, por motivos que explico um a um. Vamos a eles:
10 – Teste ao Samba (1939)
É considerado por muitos como o primeiro samba-enredo da história, e está nesta lista pela sua autoria: é de Paulo da Portela, o consolidador da escola como conhecemos hoje. A versão apresentada é do CD da Velha Guarda da Portela somente com sambas de Paulo.
9 – Tributo à Vaidade (1991)
Este está aqui pelo papel que teve naquele que considero o pior momento da história da Portela: o desfile de 2011, pós-incêndio, onde a escola não foi julgada. O samba, que estava esquecido, foi “reabilitado” e se tornou uma espécie de samba exaltação portelense.
A letra traz a síntese do que é ser Portela: “eu sou, sei que sou / mais fascinante, deslumbrante, mais amor / bem sei / que você aprova / pois meu visual comprova / eu sou luxo e esplendor”.
A versão apresentada é a do Desfile das Campeãs de 2012 – voltarei a este ano mais tarde.
8 – Pasárgada, Sou Amigo do Rei (1973)
A meu juízo, é um dos sambas mais subestimados da nossa história, talvez pelo colapso da bateria durante o desfile. Combinando o poema de Manuel Bandeira com o cinquentenário que a escola comemorava naquela ocasião, marca o primeiro samba do lendário David Corrêa na escola.
A versão apresentada é a do disco oficial.
7 – Seis Datas Magnas (1953)
Considerado até hoje um dos maiores desfiles de todos os tempos, este samba de 1953 – que marcou o primeiro carnaval julgado após a reunificação dos desfiles cariocas – é o primeiro assinado por Candeia, que aos 17 anos começava a escrever sua história inesquecível.
A versão apresentada é a da série realizada pela Sony em 1993 com as escolas de samba cariocas.
6 – Das Maravilhas do Mar, Fez-se o Esplendor de Uma Noite (1981)
Um clássico. Pouco a se dizer – ele basta por si mesmo. David Corrêa e Jorge Macedo são os autores.
5 – Gosto que Me Enrosco (1995)
https://www.youtube.com/watch?v=QsjJSszYjgI
Não podia faltar o grande Noca da Portela nesta lista. E em parceria com o grande e saudoso Colombo e com o não menos gigante Gelson, também falecido. Um belo samba e que teve uma interpretação antológica do cantor Rixxa durante o desfile.
O resultado? Deixa pra lá…
4 – Lendas e Mistérios da Amazônia (1970/2004)
Último samba campeão isolado, único reeditado na história da Águia. Único em que teve minha participação na Tabajara do Samba, tocando chocalho. Um samba único.
O desfile de 1970 marcou o último antes de Carlinhos Maracanã assumir o poder na Portela, e o de 2004 foi o último de seu mandarinato. Um samba marcado por unicidades, como veem.
3 – É o Povo na Rua Cantando, é Feito Uma Reza, Um Ritual
A meu juízo, o maior samba de enredo deste século. Além disso, o samba e a sua epopeia para ser escolhido foram o catalisador do movimento político que levaria à nossa vitória nas eleições de 2013.
O sexto lugar ficou aquém das expectativas e do que seria justo, mas esta composição de Luiz Carlos Máximo, Tuninho Nascimento, Naldo e Wanderley Monteiro começou a trazer a Portela de volta ao lugar de onde ela nunca deveria ter saído.
A versão é o desfile completo.
2 – Rio, Capital Eterna do Samba (1960)
A meu juízo, é o maior samba de enredo da história da Portela. Um dos únicos assinados pelo grande Walter Rosa, é uma despedida da capital federal, que deixaria de ser poucos meses depois.
Por que está como número 2 na lista, então? O leitor irá entender.
1 – Um Rio de Mar a Mar: do Valongo à Glória de São Sebastião (2014)
Não é nem o maior samba da parceria formada por Luiz Carlos Máximo e Tuninho Nascimento. Mas é importante para mim por dois motivos: primeiro por marcar o renascimento da Águia após um longo ostracismo; segundo, por marcar o início do período em que escrevo uma nota de pé de página na história da Portela.
Deveria ter marcado a quebra do jejum em uma vitória até tranquila, mas os jurados não quiseram. Azar do carnaval.
O leitor concorda, discorda? Comente!
Na minha lista, Ilu Ayê teria espaço
Ilu Aye teria espaço, “Incrível, fantástico, extraordinário” eu acho mais brilhante que o de 1973…
Mas a lista é muito boa!!!
Bela lista! Mas colocaria Ilu Ayê e Macunaíma também, ao mesmo tempo em que não conseguiria tirar nenhum desses sambas…cara como é difícil escolher apenas dez sambas portelenses!
Por isso optei por uma lista mais pessoal. É quase impossível determinar os dez sambas de forma definitiva, ou quase
Relendo o texto mais uma vez, fiquei curiosa para saber mais sobre esse tal do “colapso da bateria” em 1973. O que aconteceu? Tem texto sobre ele aqui no blog?
Tarefa dificílima fazer uma lista de dez sambas da história da Portela. Claro que motivos afetivos fazem com que se escolha um em detrimento de outro. Eu, que não sou portelense, gosto muito de 1980 e 1984. Desde que acompanho os desfiles, a partir do início dos anos 80, “Contos de Areia” estaria no meu pódio portelense. Certamente com 2012 nesse pódio também. O terceiro eu teria que pensar melhor para atribuir o bronze. Sobre o resultado de 2014…é meio consenso que a Tijuca não fez um desfilaço. Não me agradou plasticamente, mas reconheço o apelo popular do homenageado. Mas também acho que faltou aquele “clic”, aquele algo mais pra fazer a Portela explodir. Seria um título merecido. Mas se desse União da Ilha eu acharia justo também. Só pra ficar em um exemplo. Em 1995, ao contrário, a Portela fez tudo e mais um pouco e deveria ter levantado o caneco. Agora sou eu quebrando a cabeça para listar os 10 mais do Império…
2012 e 2013 foram os que me fizeram me apaixonar pela Portela. Como nasci anos depois do último título (sou de 87), para mim ela era só mais uma escola fofa e tradicional, mas sem muito a acrescentar. Mas desde de 2013, especialmente, e de que tive a oportunidade de ver o ensaio técnico matador sob o dilúvio de 2015, não consigo pensar em outra escola. Portela é um amor que veio tarde para mim, mas veio para ficar.
Como escrevi em um artigo mais antigo neste blog, não somos nós que escolhemos a Águia: é Ela quem nos escolhe.
Há quem diga que os sambas de meio de ano da Portela são mais reconhecidos que os de enredo, o que não concordo. Daria para fazer mais uns dois tops 10 com sambas não citados pelo Migão. Gostei muito da lembrança de Pasárgada, talvez amaldiçoado pelo colapso da bateria, mas um samba encantador que marcou a estreia do inigualável David Corrêa. Mas se eu fosse fazer a lista portelense nos mesmos moldes pela emoção e ligações afetivas, colocaria em primeiro lugar “Treze Naus”. Um samba aparentemente simples, de letra didática, que narra o descobrimento do Brasil por Cabral, mas com uma melodia avassaladora e emocionante, e num registro sem igual no LP do Festival de Samba. O saudoso Silvinho como sempre competentíssimo na defesa da obra na primeira passada, até entregar para as pastoras na segunda, num momento que eu considero um dos melhores da história fonográfica do samba-enredo, em algo que arrepia da espinha à medula, com a força, a energia e a emoção que as pastoras imprimem no hino de 69. “Treze Naus” não está entre os sambas mais lembrados pelos portelenses, mas abrilhanta aquela que, pra muitos, é a melhor safra de todos os tempos. E da Águia é o que mais me emociona, junto com Macunaíma.
Marco, que LP “Festival do Samba” é esse?
Era como se chamavam os LPs de samba-enredo em seus primórdios. Acertei, Marco?? =D
Pedro Migao faço uma citação são ótimo samba de 1998 que está tranquilamente nos 15+ portelense.
Talvez entre os 20 melhores
Lapa em Três Tempos estaria no meu top 10 também. Mas é como disse, cada portelense vai ter um top 10 diferente, tamanha a qualidade.
Eu devo ser o único portelense que não gosta deste samba, embora reconheça sua qualidade
A Portela tem samba pra ter um Top-50 sem perder qualidade.
Eu poria meu top-10 assim: 1981, 1970, 2012, 1984, 1972, 1987, 1995, 1979, 1975 e 1998.
Mas tua lista está maneiríssima, Migão!!!
Lista incrível, fantástica, extraordinária!
A memória afetiva é a primeira ser buscada quando elaboramos essas listas de melhores. Meu caso de amor com as escolas de samba iniciou-se na década de 80, assim, meu Top 10 da Portela pede:
1984 Contos de Areia
1979 Incrível, fantástico, extraordinário
1980 Hoje tem marmelada
1981 Das maravilhas do mar…
1983 A ressureição das coroas.
Que período fabuloso!
Ainda tem 1982, que é um samba bem subvalorizado na nossa história
Acho que o que “pesou” em 1982 foi a “comparação” com 1981!!
Caro Pedro
Acrescentaria Pixinguinha, Macunaíma e sobre Paulo Benjamin de Oliveira. O melhor de todos é o que está no sexto lugar, as maravilhas do mar