Nos últimos dois dias, escrevi a primeira e segunda partes das análises do CD dos sambas-enredo do Grupo Especial de São Paulo. Hoje, encerro esta análise com as quatro melhores obras que vão à passarela do Anhembi neste Carnaval. No fim do texto, dou ainda as notas para cada samba.
4) Vai-Vai: “Je Suis Vai-Vai, Bem-Vindos à França” – Wander Pires
Composição: Zeca do Cavaco / Zé Carlinhos / Ronaldinho Fundo de Quintal / Dodô Monteiro
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Uma das coisas que fazem da Vai-Vai a maior e mais conhecida escola do Carnaval de São Paulo é o fato de desfilar bem com vários estilos de samba. Em 2015, por exemplo, a escola tinha um lindo samba, que alternava trechos mais cadenciados com outros mais acelerados e um refrão longo. Esse ano, a escola vem com uma obra de características quase que totalmente diferentes, mas tão ligadas às raízes da escola quanto no ano passado. A Vai-Vai de 2016, na verdade, retoma uma característica que não aparece nos desfiles da Escola do Povo há algum tempo: a de sambas com andamento extremamente acelerado e que optam por se destacar pela melodia e trazer uma letra quase que apenas descritiva.
O resultado, como já era de se esperar, é ótimo e tem apenas um deslize, justamente naquele que era pra ser o melhor momento da obra: o refrão principal. Esse refrão principal não tinha como ser Vai-Vai. Me lembra até os sambas da escola nos anos 1990, embora não apresente a malícia característica daquela fase da escola. Ainda assim, é um refrão popular, que usa de expressões em francês para transmitir a essência do enredo e ainda aposta em versos fortes de autoexaltação: “Mon Amour / A voz do povo é quem diz / Sou raça sou raiz / Há tantos carnavais / Je Suis Vai-Vai”. O problema é que há um espaçamento muito grande entre a primeira e a segunda passada do refrão e a escola ainda não encaixou bem o andamento certo do “(vem brindar amor…)”. É algo que ainda pode ser ajustado, mas, hoje, está um pouco arrastado.
Da segunda passada do refrão para a cabeça do samba, a extensão “(Eu sou Criolé…)” foi muito bem encaixada e a transição foi bem feita. A primeira parte do samba tem ótima letra e uma melodia acelerada na medida certa. As rimas podem não ser espetaculares, mas são extremamente funcionais e descrevem com precisão o cenário retratado no enredo em “Nas cores da França feliz eu viajei / Eu viajei / Na luz sedução de Paris / Me encantei”. A primeira parte ainda aborda corretamente os pontos diversos do enredo, mostrando cuidado com o melhor aproveitamento possível do enredo. O trecho mais inspirado é “Das lendas à Revolução / De Luizes a Napoleão / Liberdade, igual, fraternidade / O grito do povo ecoou”. Melodicamente, o samba vai descendo, descendo (sem “deixar a peteca cair”, diga-se) até um muito bem trabalhado “A torre Eiffel é majestosa / No Louvre obras imortais”.
O samba tem outro dos seus grandes momentos no ótimo refrão do meio. Propositalmente, aquela descida de tom da primeira parte é seguida de uma nova subida nesse refrão. O andamento acelerado foi arriscado, visto que poderia haver um atropelamento em algum momento, mas isso não acontece. A melodia ajuda para o melhor aproveitamento possível da letra, que segue descrevendo com muita competência o enredo: “Doce Perfume no ar envolve avenida / Salve a Belle Époque e seus musicais / As danças nos cabarés, sabores, orgia / Loucura verde pra brincar o carnaval (ôôô)”. Esse “(ôôô)” faz uma ótima ligação entre o fim do refrão do meio e o começo da segunda parte, que aparece quase como uma continuidade da estrofe central.
Se a primeira parte tem a melhor letra do samba, a segunda se destaca pela fantástica melodia. O próprio início com “Laço de amor uniu duas nações / Garreaux virou paixão, virou mania” merece todos os elogios, mas o trecho mais gostoso de se ouvir é “Alan Kardec é luz, encanto / É energia em preto e branco” e, principalmente, “Arte moderna, paulicéia desvairada / E champagne pra comemorar… / (vem brindar amor…)”. Tal como na primeira parte, a construção da estrofe opta por um último verso mais prolongado e que tem perfeito casamento com o início do refrão. Wander Pires tem mais uma atuação extraordinária em sua volta à Vai-Vai, mas não se encontrou ainda com o trecho do refrão principal citado lá no início.
3) Águia de Ouro: “Ave Maria Cheia de Faces” – Douglinhas
Composição: Pelézinho / Ivanzinho / Mestre Juca / Douglas Germano / Douglinhas
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Um samba absolutamente maravilhoso. Tal como o da Império de Casa Verde, foi encomendado para a própria ala de compositores da escola, como já vem acontecendo há algum tempo, o que permitiu que ele fosse ajustado perfeitamente de acordo com as características que a escola pretende apresentar em seu desfile, principalmente na questão da bateria. Não dá para cravar nada, mas espero uma Batucada da Pompéia com uma cadência diferente para valorizar um samba lindo e que emociona até aqueles que não são religiosos, como eu, nessa homenagem à Virgem Maria. Um samba que chega para colocar a azul-e-branco como uma das grandes favoritas ao título.
O samba tem talvez o refrão principal de maior força de todo o CD. Os versos “O céu se abriu mostrou seu luar / Pra ver minha Águia de Ouro passar” trazem uma forma de exaltação à escola que desapareceu do Carnaval de São Paulo nos últimos anos. Particularmente, acho muito bonito. A melodia é muito bem construída, privilegiando desenhos fortes e versos prolongados e com uma descida de tom no verso final, “O nosso azul e branco, é de Maria”. Os versos bem trabalhados seguem ganhando destaque na primeira parte, de onde pode-se destacar o verso “Derrama a sua luz sagrada em todos nós”, que puxa uma transição melódica surpreendente e ousada para o verso “Deusa do sol e da lua”.
Outro destaque da primeira parte é o prolongamento dos versos “Rainha clemente teu fruto / O rei salvador”, que ganha uma continuidade em termos de letra no refrão do meio. Esse refrão do meio, embora não se destaque, também é muito agradável. O ponto alto do samba é a segunda parte. Ela começa com versos longos, andamento comedido e tem belos versos: “Sublime aparição / És majestosa / Faz mais feliz o meu caminhar / Formosa”. E a partir daí, o samba chega ao seu ápice. O andamento passa a dar uma acelerada até explodir no verso final e chegar ao refrão principal, enquanto a letra passa a ser uma oração: “Estende o seu manto sobre nós / Amada padroeira do Brasil / Pois a Pompéia cantando te pede perdão”. É uma oração em forma de samba, com direito a um belíssimo pedido de perdão no final da obra. Ainda por cima, o samba traz de volta a voz marcante de Douglinhas em uma faixa da Águia de Ouro. Não tinha como ser melhor.
2) Acadêmicos do Tatuapé: “É Ela, a Deusa da Passarela. Olha a Beija-Flor aí gente!” – Celsinho Mody
Composição: Samir Trindade / JR Beija-Flor / Marcelo Valência / Thiago Alves / Leandro Augusto / Wagner Rodrigues / Vaguinho / Raphael Neto / Chefia / Marcelo Alemão / Chico Sousa
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Que a história da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis dá um enredo e tanto ninguém duvida. Que dá samba, também não. Mas o samba da Acadêmicos do Tatuapé, ainda mais por ser fruto de uma junção (o que poucas vezes dá certo), acaba superando as melhores expectativas. Se por um lado traz todo o requinte da escola de samba mais poderosa do Século XXI, por outro não abandona as raízes de uma ainda modesta escola de samba da Zona Leste. Os compositores – e a escola na formação da junção – foram felizes ao conseguir unir características tanto da homenageada quanto da responsável pela homenagem em um samba de letra clara, referências nítidas a desfiles marcantes da Deusa da Passarela e ótima melodia.
O refrão principal aposta em uma estrutura melódica simples e em uma exaltação à Tatuapé e à Beija-Flor. Os compositores encaixaram um ótimo elo entre as duas agremiações nos versos: “Sua garra, luxo e esplendor / A energia da comunidade / Inspiração na Beija-Flor”. Através desses versos, os compositores abordam as características mais marcantes da azul-e-branco de Nilópolis e as apontam como uma inspiração para a Tatuapé em seu desfile. É ainda mais interessante se pensarmos que de fato “A energia da comunidade” é uma das grandes marcas da Acadêmicos do Tatuapé. O refrão é animado, contagiante e deve, ao mesmo tempo, inflamar a escola e conquistar o público.
A primeira parte aposta em um início com andamento bem mais cadenciado e muito bonito. A melodia mais bem trabalhada valoriza versos muito bem tirados como “É Ela… / O orgulho do sambista / Um festival de prata em plena pista / Razão do meu cantar feliz”. A grande sacada do samba é o fato de não ter vergonha de exaltar a Beija-Flor. Não faria mesmo o menor sentido tentar esconder toda a admiração da escola e, acredito eu, da grande maioria dos sambistas, pela homenageada. Aproveitando-se da grande torcida que a escola possui (segundo as pesquisas mais recentes – e já antiga – uma das maiores do Brasil), o samba encaixa ainda um ótimo “Paixão do povo brasileiro / De fato Nilopolitana” que tira qualquer dúvida com relação a quem é a escola retratada no desfile.
Este verso, aliás, tem uma transição melódica extraordinária. A passagem “Sonhou com Rei e conquistou / Iê Rê Rê na Tradição Nagô” é absolutamente maravilhosa e traz um gingado sensacional em seus desenhos musicais, além de unir com muita competência as referências aos dois primeiros títulos da Beija-Flor no Grupo Especial. Uma outra coisa muito bacana dessa estrofe são os dois versos finais. O verso “Gingado que a realeza encantou”, além de relembrar de maneira muito pertinente o encantamento do Príncipe Charles por Pínah, ainda sugere, por sua melodia, que a estrofe já foi encerrada. Entretanto, ainda há um prolongamento com o verso “É hoje que eu vou mostrar meu valor”, de melodia bastante semelhante, que surpreende e agrada bastante aos ouvidos.
O refrão do meio é outro achado. A melodia contagiante agrada tanto ao ouvinte mais atento, que capta na hora as referências a desfiles como “O Mundo é uma Bola” (1986), “Ratos e Urubus Larguem Minha Fantasia” (1989) e “A Simplicidade de um Rei” (2011), quanto àquele ouvinte não tão aficionado, que se deixa levar pela melodia alegre e a letra boa de cantar. Os versos “Deixa a chuva cair e a bola rolar / Se a poeira subir, hoje eu vou festejar” são bons, mas o gingado de “Xepá de lá pra cá, xepei / Vestiu azul e branco é rei” é simplesmente irresistível e ainda abre caminho para algumas bossas interessantes da sempre firme Bateria Qualidade Especial.
A segunda parte se inicia com uma descida de tom muito bem construída, lembrando o desfile de 1999 da Beija-Flor: “Araxá, / Paraíso encantado que me faz sonhar”. Na sequência, o samba continua apresentando versos com desenhos musicais mais densos até que encaixa uma melodia bastante ousada e competente em “É hora de evocar ancestrais / É hora de ressoar o tambor… ôôô”. E é este que encaixa uma transição melódica que leva aos melhores versos do Carnaval de São Paulo em 2016 e que quase me fizeram colocar este samba um milímetro à frente do primeiro colocado. E esse verso foi feito lá em 2011 para o samba de 2012 da Beija-Flor, mas acabou ficando de fora da junção e não homenageando o grande Joãosinho Trinta, que havia falecido dois meses antes do Carnaval. Por isso mesmo, é extremamente emocionante saber que, ainda que no Anhembi e quatro anos depois, vamos poder ouvir os versos “Valeu João, foi o sonho de um beija flor / João Valeu, na Avenida brilha um sonho seu”.
Não sei se foi o próprio Samir Trindade quem teve essa ideia, mas, seja lá quem tenha sido, está de parabéns. É simplesmente arrebatador, emocionante e não havia melhor forma de mencionar o maior de todos os Carnavalescos. Um trecho que, para mim, deveria ter sido encaixada naquela junção de 2012 e que acabou sendo encaixado nessa. Outros nomes marcantes na história da escola como Selmynha Sorriso e Neguinho da Beija-Flor ganham menções que, embora indiretas, são facilmente captadas no penúltimo verso: “E na magia de um sorriso e uma voz”. Grande encerramento para aquele que só não é o grande samba do Grupo Especial de São Paulo em 2016 por muito, mas muito pouco. Se eu gostasse desse tipo de coisa, marcaria um empate com tranquilidade. Registre-se também a fantástica exibição de Celsinho Mody, que volta ao CD do Grupo Especial para se afirmar como um dos melhores intérpretes da atualidade. A divisão do samba com Neguinho da Beija-Flor e a Madrinha da escola Leci Brandão traz um requinte a mais para a gravação, mas o conjunto, embora os três tenham gravado de maneira perfeita, ficou um pouco confuso. Ainda gosto mais da gravação inicial divulgada pela escola, que tinha apenas Celsinho na condução do samba.
1) Unidos do Peruche: “Ponha um pouco de amor numa cadência e vai ver que ninguém no mundo vencer a beleza que tem o samba… 100 anos de samba, minha vida, minha raiz” – Antonio Mendes de Lima Neto (Toninho Penteado) e Melquisedec Marins Marques (Quinho)
Composição: Jairo Roizen / Ronny Potolski / Madureira / Marcelo Madureira / Alex Barbosa / Sukatinha / Bagé / Tubino / Igor Vianna / Thiago Sousa / Gilson / Kaballa / Victor / Meiners
Vou dizer: como é bom ver a Unidos do Peruche, que esteve a um passo de ser rebaixada para o Grupo I da UESP em 2014, voltando ao Grupo Especial com um sambaço desses. O renascimento da Filial do Samba em 2015 merecia uma continuidade com um grande samba em 2016. Isso não só aconteceu, como aconteceu da melhor maneira possível, com um dos melhores sambas da história recente de uma escola acostumada a desfilar com excelentes sambas.
O enredo pedia um samba que fosse uma declaração de amor ao mais brasileiro de todos os gêneros musicais. E assim foi feito. O centenário do samba ganhou um samba-enredo carregado de emoção e que, ao mesmo tempo, contagia pela melodia extraordinária. O refrão principal foi muito bem trabalhado em termos de letra e é valorizado por uma melodia que tem tudo para conquistar o público. Ao mesmo tempo em que apresenta versos “pra cima” como “Firma o pandeiro e o tan tan”, “Tem samba até de manhã” e “O meu batuque ecoou um lindo canto de amor”, a estrofe ainda apresenta versos mais comedidos que conferem ainda mais beleza à letra em “E a nação Perucheana faz a festa” e “A filial chegou”.
A primeira parte tem alguns versos ousados e que poderiam facilmente se perder na métrica por conta do andamento acelerado, mas isso acaba não acontecendo e a ousadia dá ótimo resultado nos versos “Das bandas de angola e do congo / Batendo na palma da mão”. Um pouco antes, na cabeça do samba, vale o destaque para os versos “Na ginga vem o povo negro / Celebrando a vida e a magia ancestral”, que contextualizam muito bem a celebração que será feita pela escola. Aliás, aqui cabe também aplaudir a perfeita setorização do enredo, que levou a um samba de letra muito clara, fruto do espaço e da liberdade dada para que os diversos pontos do desfile fossem citados e amarrados com clareza.
O enredo bem trabalhado, nas mãos de compositores talentosos, acaba gerando um trecho que percorre o cenário do surgimento do samba com uma poesia espetacular: “Baianas abraçara, a tradição / Na Praça XI, o berço imortal / Herança dos terreiros de Iaiá / São batuqueiros que venceram preconceitos / A nobreza da cultura popular”. Perceba que, a exceção dos dois últimos versos, os outros todos não apresentam uma ligação direta entre si. Entretanto, colocados em um conjunto, foram quase que um tratado sobre o surgimento do ritmo. Falando nos dois últimos versos, ali estão presentes duas das melhores sacadas da letra. A primeira, é lembrar a opressão sofrida pelo samba em “São batuqueiros que venceram preconceitos”. A segunda, é o paradoxo proposital trazido pelo verso “A nobreza da cultura popular”, que representa muito bem o que é o samba.
O refrão do meio começa a abordar os sambas mais famosos e também tem uma poesia bastante sofisticada, que é valorizada pela melodia alegre e pelos desenhos musicais corretos. O samba consegue ser popular sem apelar para uma melodia “oba oba”, o que é um feito difícil de se alcançar. Assim, versos como “Cavaquinho a tocar, sentimento no ar / É poesia eternizada em cada nota” podem ser desfrutados como merecem, sem atropelamentos, ajudando inclusive no entendimento da passagem. Se esses versos já emocionam por transmitirem aquilo que todo sambista sente quando ouve um belo samba, o terceiro verso da estrofe principal é pra arrebatar de vez com o público: “O som que aflora é a cara do povo”. Isso é muito bonito. É um jeito de mostrar o samba como retrato do Brasil, como reafirma o verso final: “”Aquarela que pintou um mundo novo””.
A segunda parte começa com uma melodia ousada, que usa da construção melódica da música retratada no verso “Então, “meu Brasil, brasileiro””, havendo ainda uma preocupação em não deixa-lo sem contexto, e completando-o com o verso “É de bambas celeiro”. A melodia aposta em uma crescente e, mais uma vez, aparece para valorizar a letra e versos como “Nas ruas, vielas, a voz da favela / Acordes que trouxeram liberdade / Não marcam bobeira a boemia e a malandragem”, que mostram a resistência do samba. Para encerrar a declaração de amor ao samba, os compositores apostam ainda em um ritmo mais próximo do samba de roda. Me arrisco a dizer que vai ser difícil ver alguém parado no Anhembi quando passarem pela Avenida o verso “Se tem o banjo e o repique, vamos sambar no Cacique”. Ainda dá tempo de, no final, exaltar o samba-enredo através da própria escola e de seu belíssimo samba-exaltação: “Fazer do enredo uma canção / Eu sou Peruche” não leve a mal” / “A grande campeã de Carnaval””. Uma declaração de amor ao samba que qualquer amante desse gênero assinaria com gosto. Toninho Penteado e Quinho formam ótima dupla e devem passar muito bem na Avenida, mas por algum motivo não identificado, a gravação não me agradou muito. Esperava mais.
Notas
Feitas todas essas ponderações e constatações, eis as notas:
Pérola Negra: 9,3
Unidos de Vila Maria: 9,8
Águia de Ouro: 10,0
Rosas de Ouro: 9,7
Nenê de Vila Matilde: 9,6
Gaviões da Fiel: 9,7
Acadêmicos do Tatuapé: 10,0
Unidos do Peruche: 10,0
Império de Casa Verde: 9,8
Acadêmicos do Tucuruvi: 9,4
Mocidade Alegre: 9,2
Vai-Vai: 9,9
Dragões da Real: 9,4
X-9 Paulistana: 9,8