Se a primeira noite do desfile das escolas de samba de São Paulo não teve nenhuma apresentação com jeito de campeã, a segunda noite foi bem diferente. Quatro das sete escolas que passaram pelo Anhembi mostraram que a briga pela taça vai ser extremamente acirrada.

A Império de Casa Verde foi a mais completa, aliando um visual luxuoso a uma correção impressionante nos demais quesitos. Mocidade Alegre e Vai-Vai empolgaram o público, mas falharam respectivamente em evolução e visual. Já a Dragões da Real não teve o seu samba cantando nas arquibancadas, mas se destacou pela plástica e também está na briga.

Peruche levanta o Sambódromo e se garante no Grupo Especial

Não há nenhuma maneira de apontar a Peruche como candidata ao descenso. Em sua volta ao Grupo Especial, a Filial do Samba fez um desfile sensacional e não deve ter problemas para se firmar na elite. O excelente samba não demorou para conquistar as arquibancadas, que responderam com entusiasmo à passagem da escola.

Apesar de um ou outro erro de harmonia, a Peruche teve um chão de respeito e ainda por cima conseguiu apresentar uma plástica simples, mas bonita, destacando-se ainda pela leitura fácil das fantasias. Com um pouco mais de aporte financeiro, seria um desfile digno de título. Entretanto, a permanência está assegurada. A Peruche é Especial!

Império sacode o público com show de visual e bateria

O início do casamento entre Jorge Freitas e Império de Casa Verde não poderia ter sido melhor. O desfile do Tigre Guerreiro foi com sobras o mais impressionante em termos visuais e foi também um dos mais luxuosos vistos no Anhembi. O exuberante abre-alas retratando o Egito e o quarto carro, sobre o Reino de Atlântida, foram os maiores destaques.

Cantando forte, a escola toda levou o samba na ponta da língua e foi ajudada por um desempenho sensacional da Bateria Barcelona do Samba, que agitou o público com bossas e paradinhas muito bem ensaiadas. Por mais que existam outras concorrentes (até porque a Caçula do Samba tropeçou na evolução), esse foi o desfile mais próximo da perfeição no ano, sendo, então, o maior favorito ao título.

Tucuruvi faz desfile regular e não deve ter emoções na apuração

A Tucuruvi fez um desfile bastante simpático. O visual colorido e bem acabado do sempre caprichoso Wagner Santos deve garantir boas notas em alegoria e fantasia, assim como ajudar na evolução (que falhou bastante) e na harmonia, já que os figurinos eram leves e propensos a uma boa desenvoltura.

Mas não foi definitivamente um desfile digno de fazer com que a Tucuruvi tenha grandes ambições. O público até reagiu bem ao samba, especialmente ao refrão do meio, mas não houve muito brilho na maior parte dos quesitos. Depois de alguns anos nas primeiras posições, a Tucuruvi deve encarar a zona da marola.

Com show de Mestre Sombra e Igor Sorriso, Mocidade faz grande desfile, mas esbarra na evolução

A Mocidade Alegre mostrou sua força para todo o público que acompanhou o desfile do Anhembi. Com um visual simplesmente irretocável e de leitura simples, a escola deu o seu habitual show estético que há anos está entre os melhores da cidade.

Porém, dessa vez a Morada foi além. A escola levantou o Anhembi com um espetáculo da Bateria Ritmo Puro de Mestre Sombra e do intérprete Igor Sorriso. As seis paradonas que se estendiam do refrão principal até a metade da primeira parte causaram um impacto negativo na harmonia, mas fizeram o público ir ao delírio. O desfile teve problemas graves na evolução, causados por um problema no maravilhoso abre-alas. Como a maior parte das escolas também errou, a Morada está na briga como uma das grandes favoritas.

Com visual aquém do esperado, Vai-Vai se destaca nos quesitos de chão e briga pelo bi

O visual mais decepcionante do ano foi o da Escola do Povo. Não foi dos piores, mas decepcionou pela simplicidade que contrastou tanto com o enredo quanto com o carnavalesco. Os materiais mais pobres não renderam um bom efeito e devem gerar descontos em alegoria e fantasia.

Mas tirando esse problema, nada a contestar. A escola também agitou o público com paradinhas e bossas da bateria e cantou muito forte. Se o visual não foi um primor, os quesitos de chão foram bons o suficiente para afirmar: a Vai-Vai está na briga.

Dragões diverte o público e pode ser a surpresa do Carnaval

Foi com sobras o samba que menos empolgou o público no sábado de Carnaval. Poucas pessoas cantaram na arquibancada e as reações às convenções da bateria de Mestre Tornado também foram tímidas. Diferentemente dos componentes, que cantaram o tempo todo com bastante empolgação.

Mas engana-se quem pensa que o público ficou indiferente à passagem da Dragões. Os aplausos e gritos foram ouvidos, mas pelo visual. Uma recompensa justa para o desfile mais agradável de se ver esteticamente. Com um ótimo acabamento, os carros estavam lindos e de leitura simples. O abre-alas que espalhou bexigas e presentes pela pista e o carro do cavalo de Tróia foram os destaques, bem como a melhor comissão de frente do ano. O enredo, outrora criticado, foi desenvolvido com muita competência e recebeu ótima setorização. Apesar de também ter errado muito na evolução do meio para o fim do desfile (na primeira metade foi com folga a melhor do ano no quesito), a Dragões tem totais condições de vencer o Carnaval.

Sucessão de problemas transforma X-9 em grande candidata ao rebaixamento

A X-9 Paulistana preparou um desfile um tanto mais simples que o do ano passado. Fantasias mais discretas, com materiais menos propícios a um espetáculo visual, e carros modestos foram a tônica de um desfile que, ainda assim, foi muito bonito. Mérito do sempre criativo e cuidadoso André Machado. Regular nos demais quesitos, não deveria ter problemas para se manter no grupo.

Mas uma sucessão de contratempos fez com que a X-9 passe agora a depender de um milagre para não ser rebaixada. Um eixo quebrado no tripé da comissão de frente, aliado a um problema nos queijos onde viriam os destaques do terceiro carro, travaram a escola na concentração. O primeiro carro passou pelo meio da pista com mais de 25 minutos de desfile e o terceiro, com 47. Ou seja: para passar em 1h03 minutos sem estourar o tempo, a X-9, que já havia apresentado buracos antes de começar a correr e já havia ficado parada na pista em outras oportunidades, teve de acelerar muito o passo. Os componentes não pareciam desanimados, mas tiveram problemas para cantar o samba trocando frequentemente “culto de mina-nagô” por “fruto de mina-nagô” e “Círio de Nazaré” (que, aliás, ganhou uma última alegoria linda) por “filhos de Nazaré”.

Foto: G1

5 Replies to “Em noite de alto nível, quatro escolas se credenciam ao título de campeã em São Paulo”

    1. um salvo engano seu. em 2012 a Dragoes ficou no Especial, em 2013 a Nenê e a Tatuapé ficaram no Especial e no ano passado a Vila Maria ficou no Especial.
      A primeira escola sempre se ferra, sim. caso da pérola negra. mas a Peruche ta no Especial para 2017!

  1. Unidos do Peruche

    Um dos desfiles mais agradáveis de se assistir. Comunidade cantou forte o bom samba puxado pelos interpretes. Conjunto visual bem concebido e de fácil leitura. Destaque para a Comissão de Frente fantasiada de instrumentos musicais do ritmo do samba.

    Império de Casa Verde

    A parceria entre a escola e o carnavalesco Jorge Freitas rendeu lindamente. Fantasias e alegorias luxuosas e bem acabadas. Alguns problemas de Evolução pode comprometer, mas a escola entra como favorita. Bateria do Mestre Zoinho deu show e contagiou o público.

    Acadêmicos do Tucuruvi

    Visual simples e bem colorida, contando bem o enredo. A simplicidade não vai prejudicar a escola na apuração, mas também não foi tão impactante a ponto de coloca-la como favorita. Alguns percalços na Evolução e Harmonia, mas no conjunto um bom desfile.

    Mocidade Alegre

    Paradinha! Essa foi a tônica da Mocidade no desfile. Mestre Sombra abusou das paradinhas (alias paradonas) e agitou bem o publico. A escola estava luxuosa e com alegorias bem acabadas, com a marca do carnavalesco Sidnei França. Apenas a ressaltar sustos de Evolução causados por problemas nas alegorias.

    Vai-Vai

    Sinceramente esperava mais da Saracura, devido ao talento de seus carnavalesco. Mas parece que a Vai-Vai fez o carnaval por sí, sem nenhuma contribuição da dupla. De fato o cão da escola se destaca e ajudou pelo menos na harmonia, que começou ruim por problemas no som.

    Dragões da Real

    Com enredo abstrato e considerado complicado no pré-carnaval, a escola conseguiu traduzir em fantasias e alegorias bem acabadas o tema. Destaque para a Comissão de Frente (a melhor deste ano). A escola vai para a briga em pé de igualdade e pode surpreender.

    X-9 Paulistana

    Ano para ser esquecido pela escola da zona norte. A escola veio com fantasias e alegorias simples, explorando, devido ao tema, a cultura indígena. André Machado é um carnavalesco de bastante talento, mas que pode ter que ver o rebaixamento da escola devido aos problemas de evolução e harmonia que teve.

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