Como havia escrito na semana passada, o foco deste artigo é a compra de ingressos para não residentes no Brasil. Àqueles que não moram no país sede da Rio 2016 precisam comprar ingressos através dos chamados ATRs, revendedores autorizados de entradas para cada país.
A ideia deste texto é mostrar um pouco da disponibilidade de entradas para cada país ou grupo de países. Alguns ATRs representam mais de um país, e muitas vezes ingressos que estão esgotados para o público brasileiro estão disponíveis ao público internacional, e vice versa. A pesquisa foi feita na noite de ontem, domingo.
Vale lembrar que, embora o Comitê Rio 2016 não tenha confirmado oficialmente, há a sinalização por parte de alguns ATRs de que a venda no site destinado ao público brasileiro será estendida ao mundo todo a partir de 1 de junho. Algo a se prestar atenção posteriormente.
Olhando a lista de ATRs disponibilizada no site oficial, chama a atenção o domínio de algumas empresas neste mercado. A CoSport, por exemplo, tem os direitos para países como o Canadá, Estados Unidos e Grã Bretanha. O grupo Cartan domina boa parte das Américas do Sul e Central, além de boa parte da Europa e a Oceania (sob o nome Sportsworls). O Kingdom Sports Group é responsável pela venda de ingressos para quase a totalidade da África e boa parte da Ásia.
Uma curiosidade é que o revendedor apontado como o oficial chinês aparece como o site de uma companhia aérea quando se clica no link. Não há a menor indicação de venda de entradas neste site.
Dito isso, vamos à pesquisa propriamente dita. Ela foi feita sempre se buscando ingressos individuais, sem pacotes de hospedagem ou vôos.
Começamos pela CoSport, que atende Estados Unidos, Canadá, Grá Bretanha, Suécia, Noruega e Austrália. Ao se olhar a disponibilidade percebe-se que diversos esportes encontram-se sem entradas disponíveis, tais como o tiro com arco, a canoagem, todos os ciclismos, todas as ginásticas, remo, tiro, nado sincronizado, natação, tênis de mesa, tênis, vôlei de praia, pólo aquático e luta olímpica. Outros esportes como o levantamento de peso e o hóquei tem apenas uma sessão disponível.
A Cartan, que ao que parece faz parte de um grupo chamado Spotlight, tem um site bastante ruim para se navegar. É requerido um cadastro e a pesquisa depois não é de forma intuitiva. De qualquer forma, são pouquíssimos os eventos que ainda tem entradas disponíveis: alguma coisa de futebol, uma ou outra sessão de vôlei de praia, vela e basquete e só.
A Kingdom, que atende a maior parte da África e boa parte da Ásia, das grandes revendedoras de tickets é a que tem maior disponibilidade, inclusive com fases finais de esportes como basquete e vôlei – mas sem final em nenhum dos casos. Também é a única revendedora com entradas disponíveis para as finais do vôlei de praia.
Para nossos vizinhos hermanos, atendidos pela Turicentro, praticamente só sobrou o que se chama aqui no Rio de Janeiro de “raspa do tacho”: ciclismo de pista e contra relógio, hóquei, hipismo de adestramento, pólo aquático e uma sessão de basquete feminino.
O ATR responsável pela Alemanha possui uma disponibilidade maior, embora uma vez mais sem finais disputadas como as do basquete masculino e as duas do vôlei. Para estes dois esportes apenas as semifinais (indisponíveis ao público brasileiro neste momento) tem entradas à venda. O mesmo ocorre com a Eventeam, representante para a França. O representante francês é o único a dispor de bilhetes para a Cerimônia de Encerramento.
Uma curiosidade é que a Abreu, autorizada a vender os tickets em Portugal, não tem mais ingressos avulsos para venda, somente pacotes – com um deles incluindo como parte assistir à Cerimônia de Encerramento em um bar carioca… Temos de lembrar, também, que muitos portugueses tem parentes morando no Brasil e provavelmente compraram bilhetes tendo como opção ficar hospedados nas casas destes parentes.
A conclusão a que se chega nesta olhada na disponibilidade mundial é que as cotas de bilhetes destinadas a este público tiveram maior venda em maiores centros, com maior interesse olímpico e com maior renda disponível para viajar.
Também se pode depreender que, embora não saibamos exatamente qual a percentagem de entradas vendidas ou disponibilizadas para venda por sessão, eventos como as finais do vôlei, a Cerimônia de Abertura e a decisão do basquete masculino dificilmente terão ingressos que não sejam de revenda disponíveis.
Finalizando, considero que a venda de ingressos até agora não me parece este fracasso que alguns estão pintando. Já temos mais da metade dos bilhetes vendidos e, dada a característica do brasileiro de deixar tudo para a última hora, me parece algo bastante razoável.
Além disso, muita gente acha que os bilhetes não estão à venda no site; talvez este fenômeno devesse ser alvo de uma campanha de marketing específica por parte do Comitê. Certamente irá elevar os percentuais de venda física. A meia entrada para todas as categorias aprovada semana passada pelo Congresso também deverá impulsionar as vendas quando estiver sancionada e implementada.
Imagens: Brasil2016.gov e Prefeitura do Rio
A disponibilidade na CoSport varias de país a país. Não é unificado.
Valeu, Mateos. Mas o curioso é que tanto EUA como Reino Unido estavam com a mesma disponibilidade quando fiz a pesquisa. Ainda assim, obrigado
Eu dou sempre uma olhada no Canadá e EUA, e entre os dois estão sempre diferentes!
Abraço!
Muy buena información, en argentina casi no quedan entradas (ingressos) disponibles. Yo busco entradas para tiro con arco, tiro deportivo, atletismo y basquet.
Espero que habiliten la venta para extranjeros puesto que veo que todavía quedan muchas en la página oficial y los residentes brasileros no compran.
A informação é de que a partir de 1º de junho o site voltado à venda de entradas para brasileiros também estará aberto ao público internacional.