Esses dias estava me lembrando da minha história de amor favorita. Se me permitem o merchan, é uma história do amigo e colega Aloisio Villar, que se chama ‘’Amor’’. Nela, a mocinha da história sofre com um problema que é mais comum que muita gente pensa, a depressão pós-parto.
Segundo especialistas e levantamentos cerca de 15% das mulheres sofre com esse mal – e este é considerado um percentual relativamente alto. Por ter me lembrado da história e por ter sido dia das mães domingo passado, resolvi falar desse tema, até pra servir de alerta.
Primeiro, é importante esclarecer que quase todas as mães sofrem com uma sensação de vazio, tristeza e crises de choro uns dias após o parto. Isso é normal devido a uma série de fatores que fazem a mãe se sentir insegura, principalmente se for o primeiro filho. Mas isso é muito diferente de um vazio existencial que vai crescendo dentro de você ao longo do tempo.
Já sofri de depressão. É algo difícil de você definir como é. É como se você caminhasse para um abismo sem que ninguém, nem você mesmo pode se salvar. Os médicos costumam defini-la como perda do prazer em trabalhar, em estar com sua família, tristeza constante, muito sono; às vezes se junta com crises de pânico e ansiedade, enfim: perda do prazer pela vida.
Mas só quem sente sabe como é difícil suportar a dor de um vazio que você não sabe de onde vem, de um desestímulo de viver, de uma tristeza que parece que não vai ter fim. Há casos que você trata severamente com remédios controlados. Eu me tratei de forma espiritual. Posso dizer com toda convicção que estou bem em relação a isso porque hoje posso falar desse tema à vontade. Antes, nem podia ouvir falar que me sentia mal.
Agora, imaginem vocês uma mulher sentir tudo isso no momento que deveria ser o mais especial da vida dela?! Imaginem uma mulher passar por tudo isso quando uma vida depende da dela?!
Muitas podem ser as razões que levam uma mulher a esse estado: gravidez não planejada, abandono da família, do parceiro ou parceira. Biologicamente, a mulher passa por uma série de transformações hormonais que atingem seu sistema nervoso. Portanto, a depressão pós-parto, assim como a mais comum, é multifatorial.
Um agravante muito sério é que muitas vezes a sensibilidade e as queixas das mulheres não são levadas a sério por sua família nem parceiro (a). A mulher sai de um parto, fica fisicamente diferente, não tem mais muito tempo pra cuidar de si, para ser vaidosa, acha que não vai mais despertar o desejo em seu parceiro (o) e acaba ficando insegura, chorando, entristecendo. As noites em claro também podem provocar mudanças de humor, irritabilidade.
Lógico que tudo isso pode ser passageiro, mas quando se prolonga por semanas ou meses é grave. Por isso, é importante prestar atenção na mulher, ouvir suas queixas, ser solidário, tentar ajudar ao máximo, porque nesses momentos ela também vai precisar de um alicerce. Dizer o quanto ela está bonita, o quanto é importante também ajuda. O carinho da família também é essencial.
Às mulheres, deixo a dica de nunca se calar. Pode ser até imperceptível pra ela, num primeiro momento, que está entrando em depressão. Mas quando isso for bem claro, quando precisar de um socorro, fale, peça ajuda, porque é mais fácil sair do buraco com alguém estendendo a mão do que sozinho. E quem está falando não é a Fernanda prestes a se tornar bióloga, mesmo tendo muitas questões biológicas envolvidas nisso. Estou falando como mulher e que sabe o quanto é difícil sair disso tudo.
P.S.: Se o editor-chefe me permite mais um merchan, procurem o livro ‘’Amor’’ no blog ‘’Trocando em Miúdos’’, vocês vão se emocionar e se apaixonar.
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