No dia 10 de junho terá início mais uma edição da Eurocopa, aquela competição que muita gente considera uma Copa do Mundo sem Brasil e Argentina. Agora mais inchada, com 24 participantes, guarda mesmo muitas semelhanças com o principal torneio de futebol do mundo. Até na estratégia politico-econômica de ampliar o número de classificados para a fase final.

Decisão tomada ainda pelo presidente afastado da UEFA, Michel Platini, não por acaso para que a França pudesse ser a primeira sede a receber filiados (e votos) desacostumados a frequentar torneios tão relevantes.

Em nomes como Albânia, País de Gales, Irlanda do Norte e Islândia residem algumas das novidades e atrações da Euro 2016. O formato é inédito para a Euro e idêntico àquele dos Mundiais entre 1982 e 1994, ou seja: seis grupos de quatro, com alguns dos melhores terceiros colocados avançando para as oitavas-de-final. Não é dos meus favoritos, pela necessidade de se fazer contas e possibilitar classificações e eliminações no saldo de gols, além de premiar grupos mais fáceis, onde os terceiros acabam marcando mais pontos.

Se olhando a tabela nos deparamos com algumas “babas” clássicas também é verdade que todos os campeões mundiais europeus vão disputar o troféu Henry Delaunay. Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália. A ausência mais sentida é a da Holanda. Mas se os laranjas, terceiros na Copa de 2014, conseguiram ser eliminados pelos vikings da Islândia!!!…

… Não podem reclamar de nada.

Bacana da mesma forma é poder ver Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic em ação defendendo Portugal e Suécia. Bale no já citado Gales, que volta a uma expressiva competição internacional depois de ser eliminado por um gol de Pelé no Mundial de 1958. A Bélgica, que chegou a ocupar o primeiro lugar no ranking da FIFA, é outra atração. Bem como a melhor torcida da Europa, reconhecida pela UEFA em 2012, a República da Irlanda (ainda que a seleção raramente retribua tanta devoção e alegria regadas a Guinness).

Outras curiosidades são a participação simultânea de tchecos e eslovacos, separados desde 1993 e que, juntos, como Tchecoslováquia, bateram a então campeã do mundo, Alemanha Ocidental, na final de 1976. Com direito a pênalti batido com cavadinha por Antonín Panenka, o Loco Abreu de Praga.

A volta da simpática (para mim e para o editor, pelo menos) seleção da Romênia (era fã dos times de 90 e 94 da terra do Drácula). Outro retorno é o da outrora – e bota outrora nisso – poderosa Hungria. Hoje mera coadjuvante. Como será que a torcida francesa, sempre politizada, receberá os representantes de um dos países que mais colocaram empecilhos para o trânsito de refugiados pelo continente europeu? E a sede da próxima Copa, a Rússia? Estaria preparando uma boa geração para não passar vergonha em casa? Praticamente todos os convocados atuam na liga nacional, uma raridade entre as seleções europeias, mesmo as mais fracas.

Os próprios anfitriões deste ano inspiram muitas dúvidas. Sem Benzema e Valbuena perderão força? Griezmann e Pogba poderão conduzir os azuis a mais uma conquista em casa? Particularmente acho a França uma das grandes favoritas.

A Alemanha tem tido resultados decepcionantes nos amistosos mais recentes. Mas é a Alemanha. E basta. A Espanha, apesar da Copa ruim, merece respeito em busca do tri. O sucesso dos clubes espanhois, embora recheados de estrangeiros, são uma prova da força desse futebol. Para mim, o trio de ferro do torneio. Acompanhados de perto por Bélgica, Inglaterra e Portugal – muito impulsionada pela autoconfiança do campeão europeu CR7.

A Itália é uma incógnita. Tem um bom técnico e time operário. A Suíça é aquele ferrolho de sempre. Alguém acredita numa Grécia 2004 versão 16?

Será uma Euro equilibrada. Grandiosa. Charmosa. Porque qualquer competição em território francês tem glamour. E no meio de tudo isso… Medo de terrorismo, segurança reforçada, greves e protestos contra as reformas trabalhistas propostas pelo governo francês, enchentes, novos estádios, antigas rivalidades.

A pouco menos de dois meses da Olimpíada um mês de muita ação e, espera-se, bom futebol, ainda que no fim de uma temporada extenuante para os craques do Velho Continente.

[N.do.E.: o SporTv, a Rede Bandeirantes e a Globo (esta a partir das quartas de final) estarão transmitindo a competição. Nosso colunista estará lá pela Globo e irá nos enviar relatos exclusivos. PM]

Imagem: Uefa

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8 Replies to “Euro 2016, é muita novidade”

  1. Muito empolgado com a Eurocopa, estou entre os que a consideram uma Copa do Mundo sem Brasil e Argentina. Também acho Alemanha e França favoritas apesar que os azuis seriam mais favoritos com Benzema, e não descarto a Espanha, mas acho que dessa vez a Inglaterra vem bem forte, essa nova geração com Lallana, Delle Ali, Harry Kane e Vardy (esse não tão novo) capitaneada pelo craque de bola Wayne Rooney é muito boa!

  2. Esse meio de ano será incrível para o Futebol , com Copa América , Eurocopa e por fim Olimpíadas , torneios que me simpatizo muito.
    Na Euro , vejo a França (Principalmente) e a Alemanha como as grandes favoritas acompanhados de perto por Bélgica ,Espanha e Inglaterra. Não acredito na Itália , apesar de sempre surpreender tem a pior geração de sua história.
    Portugal tem CR7 mas o restante do time não é dos mais competitivos.
    Com , Bale e Ibra a competição tem enfim os melhore jogadores europeus em atividade na atual temporada já que mesmo que a Holanda estivesse na competição , Robben não esta em grande fase.
    Enfim uma Euro ao contrário da última imprevisível sem favoritos.
    OBS: Copa América e Olimpíadas , o equilíbrio também é grande , sem favoritos claros

  3. Não há um claro favorito, isso é bem interessante. E o sistema de disputa permite zebras. Tem essa história de terceiro colocado passar de fase. Difícil prognóstico. Mas, num bolão, para as duas primeiras vagas de cada grupo, eu iria de França e Suíça no A, Inglaterra e Eslováquia no B, Bélgica e Itália no C, Espanha e Croácia no D, Alemanha e Polônia no E e Portugal e Áustria no F.

  4. Outro problema do formato é o fato de que os grupos que jogarem por último levarão vantagem, pois chegarão em seus últimos jogos sabendo o que precisarão fazer para passar em terceiro enquanto as seleções dos grupos iniciais não tinham essa informação. Sem falar na sempre estranha situação de uma seleção terminar o seu terceiro jogo sem saber se foi ou não eliminada, voltar pro hotel e ficar lá por mais três dias sem saber se voltará a jogar pela competição. Nos grupos A e B apenas as últimas seleções serão eliminadas em campo, as outras ficarão de “stand-by”.
    Sem falar no Mata-mata que, visando evitar confrontos de seleções dos grupos iniciais com os grupos finais, foi montado de maneira meio confusa e nada intuitiva.

    Lamento a Ausência da Holanda, aposto na França pro caneco e na Croácia pra Zebra! Com Cr7 marcando 3 gols e igualando o recorde de Platini.

    Abraço!

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