Como essa coluna aos sábados é dedicada aos esportes decidi fazer hoje uma que fala de todos. Sobre Olimpíadas.
Como falei em inúmeras colunas anteriores era contra a realização dos jogos não pelas Olimpíadas em si, mas pela bagunça que está nosso país. Mas já que ela está aqui é “dever cívico” de todo carioca aproveitar. Nunca mais teremos jogos olímpicos aqui, pelo menos nossa geração não verá então temos que dar uma olhada só para dizer que um dia acompanhamos algo referente ao evento. Sábado passado, seis de agosto, fiz isso e aproveitei para conhecer o “Novo Rio de Janeiro”.
Difícil analisar a questão do trânsito porque era um sábado e a prefeitura está “enchendo o saco” pedindo que os cariocas deixem os carros em casa. É a melhor opção mesmo para o momento. Dessa forma não dá para dizer se existe um legado em nosso trânsito apesar de ver que teremos algumas soluções interessantes para o futuro. O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) irá passar pela maior parte do centro. Para alguém da Ilha do Governador, por exemplo, será possível sair do bairro, descer na Rodoviária e pegar um VLT para quase todos os pontos do centro. O veículo tem conforto, é uma forma de desafogar o trânsito, mas vi dois problemas.
Um dos problemas pode ser dividido em dois. Quem está com pressa pode se estressar porque o veículo é lento. Dá para entender o motivo por ele ser silencioso e ninguém conseguir perceber sua aproximação por som. Mas mesmo com essa velocidade é perigoso para pedestres e outros veículos. Atenção terá que ser redobrada para evitar tragédias.
O outro problema é a total confusão para utilizar o veículo. Ele não usa cobradores e colocou no ponto final duas pessoas vendendo cartões. Filas enormes foram montadas, confusão no atendimento e falta total de fiscalização. Você tendo um cartão encosta ou não no aparelho que seria o de cobrança. Se não quiser encostar ou encostar um vazio dá no mesmo.Não tem como fiscalizar.
O metrô linha 4 é uma solução importante apesar de achar estranho ter o 4 e não ter o 3. É como ganhar a terceira divisão do brasileiro e ir direto para a primeira. Mas com BRT, VLT, trens e as três linhas de metrô a cidade fica cada vez mais integrada. É uma esperança para o futuro trânsito da cidade.
O que não é futuro e já é um presente é o espaço entre a Praça XV e a Praça Mauá. O Rio recuperou aquela área que era suja, degradada, escura e repleta de viciados e bandidos. Não só recuperou como ganhou um cartão postal maravilhoso. A loucura da derrubada da Perimetral deu certo. Um túnel foi colocado no lugar e o aspecto é bem melhor. O sábado ainda era início dos jogos, mas já tinha bastante gente, opções como andar de balão e vi muitas famílias se divertindo. Tem várias casas representando os países e muitas delas são gratuitas, o que evidente, provoca filas enormes. Vi uma casa Brasil na região portuária que é bem interessante, com vários objetos que representam as regiões do país e no dia que fui estava o atleta do vôlei André Heller dando autógrafos e camisas. É uma boa opção para passear com a família. O ponto destoante foi a casa do México que anunciava ser gratuita e na hora custou oito reais. A da NBA abre esse fim de semana e está anunciado que custa 20 reais. Vale a pena.
De lá peguei ônibus e depois trem da Central para o Engenho de Dentro. Estava bem cheio, mas nada pior que qualquer grande jogo do Flamengo. Fui com uma amiga ver África do Sul x China e Brasil x Suécia. A fila da bilheteria estava em um tamanho normal, menor que qualquer clássico e os preços estavam de bom tamanho também. Entre 20 e 60 reais. Havia um pouco de confusão na informação para qual fila ir após a compra do ingresso e as filas eram quilométricas, mas as mesmas andaram em uma boa velocidade e entrei no estádio bem mais rápido que imaginei. Sofri muito mais em vários jogos do Flamengo para entrar.
Tinha sim fiscalização para entrar, revistas, mas do mesmo tipo que eventos nacionais. Esperava mais para um evento de ato risco como Olimpíadas. O Engenhão está bonito, iluminado e extremamente limpo. Não estava lotado, mas tinha um bom público composto por família, muitas com bebês. Não era público de jogo normal, mas era um público animado que cantava o monotema mala “Eu sou brasileiroooo”.
O maior problema para mim era o preço para se alimentar Tudo caro demais. Um refrigerante sair por dez reais é um roubo.
Para ir embora também foi tranquilo apesar do grande número de pessoas que se dirigiu a estação de trem. A supervia estendeu o horário e voltamos para o centro em um vagão cheio, mas não lotado. Recomenda-se comprar o cartão antes.
O transporte funcionou perfeitamente na volta e cheguei tranquilo em casa.
Minha experiência olímpica foi bem legal e tranquila, me diverti muito. Se você for sozinho, estiver solteiro, na caça ou com amigos o maior fervo é no fim de semana. Tem vários shows rolando na Praça XV e Praça Mauá até de madrugada. Se estiver mais tranquilo vá em alguma das casas que tem não só no centro como zona sul. Se for com filhos vá em dia de semana que é mais tranquilo, mas não deixe de ir. É uma experiência que temos que viver.
E se possível acompanhe algum esporte. Como mostrei tem ingressos muto baratos e tem eventos até gratuitos como trechos da maratona do dia 21. Não é preciso ter cartão de crédito para comprar e tem opções muito fáceis não só de preço como locomoção. Falar que é um evento segregador e apenas para quem tem dinheiro é mentira. Não é preciso ser um Pedro Migão para acompanhar. Dá pra ir sendo pobre.
Vá e tenha histórias para contar no futuro.
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