Habemus técnico!!

É essa a impressão que dá após as duas rodadas de eliminatórias sul americanas. Entramos no jogo contra o Equador em Quito na sexta posição da tabela e acabamos contra a Colômbia na segunda e fazendo planos de acabar o turno na liderança.

O que mudou? Tite é o novo gênio do futebol? O espírito de Telê Santana baixou nele?

Não. Simplesmente agora a seleção tem um técnico.

A seleção brasileira vem sofrendo muito nessa questão. O último grande técnico que teve foi o Felipão na copa de 2002. Parreira em 2006 não era nem sombra do que já foi e permitiu todo oba oba de um grupo talentoso e milionário. Dunga nunca foi técnico, por ser amigo do pessoal da CBF recebeu a seleção de presente para a copa de 2010. Mano Menezes apesar de ter mais fama que resultados foi o melhorzinho deles, pelo menos na parte final, mas foi demitido para Felipão voltar da mesma forma que Parreira voltou em 2006 e as consequências todos sabem.

Dunga voltou pior que em 2006 e Tite assumiu. O simples fato de termos um bom técnico atualizado com o futebol mundial já fez toda a diferença.

Tite não descobriu a pólvora. Não criou um esquema tático revolucionário e nem é invencível. Tolima e Guarani do Paraguai sabem bem disso. Mas é um estudioso, um cara que desde que assumiu o cargo se preocupou em conhecer os adversários, viajou para ver inúmeras partidas, um cara que ligou para todos os técnicos da série A perguntando sobe características de seus jogadores.

E finalmente pudemos comprovar aquilo que desconfiávamos. A geração não é tão ruim. Apenas não tinha técnico.

Não dá pra achar que um país que tem Neymar, Gabriel Jesus, Gabigol, Luan, Philippe Coutinho, Renato Augusto, Casemiro, Douglas Costa, Daniel Alves, Miranda, Thiago Silva e Marcelo um país que tenha jogadores ruins. Pior, os dois últimos nem convocados vinham sendo por picuinha do antigo “treineiro”. Esses caras precisavam de comando, confiar no líder e, tão importante quanto, um ambiente mais tranquilo para trabalhar.

Acabou o clima pesado, acabaram as perseguições, voltaram alguns jogadores, vieram outros de confiança de Tite, veio o esquema tático vitorioso do Corinthians e com tudo isso seis pontos na conta. A única seleção a conquistar seis pontos nessas duas rodadas.

Foi inteligente contra o Equador. Soube estudar o adversário no primeiro tempo, segurar seu ímpeto e no segundo com mudanças no time e contra ataques matar o jogo. Foi forte no segundo contra a Colômbia. Se impôs mostrando quem manda em sua casa partindo para cima e mesmo sofrendo o gol de empate continuou buscando o gol de forma incessante até conseguir.

Tudo isso com futebol solidário, ou apoiado como diz o técnico. Todo mundo se ajuda, todo mundo busca a retomada da bola e partir para cima. Desde os craques até os mais jovens. Essa entrega em campo, essa alegria somadas a conquista olímpica e a chegada de Tite, um homem vitorioso e carismático, conseguiram algo que eu achava impensável em tão pouco tempo. Trouxe o torcedor de volta.

A impressão que dá é que a seleção brasileira é outra. Mesmo que nem tenha dado tempo de fato para Tite implantar seu jeito de pensar futebol, mesmo que não tenha ainda um time definido, mesmo que o comando da CBF ainda seja de safados e nosso futebol continue uma bagunça.

A esperança está de volta. A euforia em cima de um menino de 19 anos e a alegria de ver outro menino, de 24, fazendo história contagiam e trazem de volta esse antigo caso de amor. Os 7×1 doem ainda, muito, mas dá para ver uma luz no fim do túnel.

Túnel que leva a Rússia porque o desespero passou. É impensável hoje imaginar que o Brasil não vá para a copa.

Mas que vá como Brasil mesmo, em sua essência. Não queremos vencer a Alemanha por 7×1 em 2018, até seria legal, mas ver nosso futebol de volta basta.

Que o começo de Tite seja o começo de tudo.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

One Reply to “O começo de Tite”

  1. Nós ficamos mal acostumados aos craques dos anos 80 e depois Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Bebeto e etc. Hoje em dia temos Neymar e coadjuvantes — alguns até muito bons. Hoje precisamos de técnico, coisa que nem sempre foi lá muito necessária. Além disso, hoje em dia os craques não fazem tanta diferença assim (vide Messi, CR, Neymar e tantos outros em suas seleções).

    E, por menos qualificado que Dunga tenha sido, ele fez uma bela campanha até a Copa de 2010 com o time que tinha. Perdeu num choque entre goleiro e volante, que desestabilizou a seleção.

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