Domingo passado tivemos o GP do Brasil de Fórmula 1 e com ele a despedida de Felipe Massa das pistas brasileiras. Foi mais emocionante do que se imaginava. Massa, como alguns previram, abandonou a corrida e aí veio a surpresa. Com a bandeira do Brasil nos braços e chorando, Felipe Massa foi ovacionado não só pelos torcedores como os membros de várias equipes que se perfilaram e prestaram a homenagem.

Somos críticos de Massa como fomos de todos os pilotos brasileiros após a morte de Ayrton Senna. Alguns de forma justa, outros não. Realmente o piloto não foi sombra do que foi um dia após o acidente de 2009, mas antes era, sim, um bom piloto e foi capaz de reviver o amor do brasileiro pela categoria. O ano de 2008, aquele em que Massa “foi campeão” por 38 segundos, é inesquecível.

04+batidamassaMas teve o acidente, Felipe foi decaindo a cada ano, começou a ser batido pelos jovens companheiros de equipe e decidiu parar. Ainda teria vaga em algumas escuderias, mas a que preço? De repente, o preço de acabar esse carinho vindo da arquibancada e de outras equipes.

Parar não é fácil, em qualquer atividade da vida interromper algo que faz parte da sua vida é complicado, exige reflexão e algumas vezes traz arrependimento. Temos dois grandes exemplos em dois “Michaels”, Schumacher e Jordan.

Pararam no auge, como os maiores em seus esportes, mas não aguentaram e decidiram voltar. Schumacher pilotando uma Mercedes e Jordan no Washington Wizards passaram longe de seus tempos áureos. Mas, apesar do erro das voltas, não comprometeram suas carreiras fantásticas.

Ao contrário, por exemplo, de Túlio Maravilha. Poucos ainda lembram do grande centroavante que foi nos anos 90 e agora é mais lembrado pela folclórica busca de um milésimo gol que só existe em suas contas e, mesmo atingindo a tal marca, insiste em jogar futebol.

Teve gente que percebeu antes dos outros que caía em sua forma técnica e parou, como Junior do Flamengo, gente que ficou de saco cheio e como estava com muito dinheiro decidiu largar a F1, como Nelson Piquet, e aqueles que amavam seus esportes, eram amados e tiveram que largar pelas condições físicas, como Gustavo Kuerten e Reinaldo, ex centroavante do Atlético.

brapeleMas para mim o maior exemplo do “saber parar” foi Pelé. Largou a Seleção como tricampeão do mundo e dando volta olímpica aos gritos de “Fica”. Deixou o Santos, foi ganhar dinheiro no Cosmos e propagar o esporte nos Estados Unidos. Lá também largou no auge e até hoje é reverenciado.

Pelé tinha idade para jogar a Copa de 1974 e de repente até a de 1978, mas pergunto: “pra quê?” Ele também se perguntou e respondeu de forma acertada.

Agora foi a vez de Felipe Massa. Não larga no auge como Pelé, por ficar de saco cheio como Piquet, por condições físicas como Guga, nada disso. Largou porque sabe que não terá as melhores condições de trabalho. Não teve a vaidade de ficar nos holofotes a qualquer custo, teve a vaidade de saber preservar sua história.

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O atleta ou qualquer profissional que larga seu trabalho e provoca saudades, perguntas de porque parou e se não vai voltar é o que faz na hora certa. Como Pelé, Beatles ou Pedro Migão, que fazia performance de Donna Summer numa boate GLS na Lapa e decidiu parar. É impossível vencer o tempo, mas dá para combinar com ele uma saída digna.

E nisso Massa conseguiu boa marca no grid.

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3 Replies to “A despedida”

  1. Uma outra grande aposentadoria do esporte a motor, por incrível que pareça, foi a do Pedro Paulo Diniz, em 2000.

    Simplesmente foi direto: estou parando porque não sou piloto de ponta, não chegarei a uma equipe de ponta e não vou ficar aqui só ocupando espaço.

    Raros esses momentos de humildade em qualquer área!

      1. O que é uma maldade, pois ele nunca foi ruim!! Tirou leite de pedra na Forti Corse, andou relativamente próximo do Hill na Arrows em 1997 e, na Sauber, dava suador no Alesi, em 1999.

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